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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Vale o que se tem - Vitória de Pirro (Vera Felicidade)

21/set/2014...

Vale o que se tem - Vitória de Pirro
Thursday, January 19, 2012

É muito comum ouvir explicações acerca da marginalidade, do uso de drogas, da violência como sendo causadas pela pobreza, pelas condições econômicas e educacionais sub-humanas ou precárias. As implicações desta explicação, desta visão é que "ter" é o estruturante, o constituinte do humano. É verdade sim, se apenas considerarmos o homem como um organismo. 

Melhorar condições econômicas virou lema. As pessoas querem ter; as que têm querem mostrar que têm. Tudo gira em torno do que se conseguiu: riqueza amealhada ou melhoria das condições de sobrevivência. As próprias reivindicações são contingentes, problemas geradores de novos problemas. 

Valorizar o ter sem questionar a coisificação, a alienação que isto implica, leva ao hiperconsumo, à sociedade do descartável. Somos escravos do que consumimos e produzimos, não faz diferença vender ou comprar, o horizonte temático é o mesmo: ter, mostrar, aparentar. A educação também foi transformada em bem de consumo: os certificados de doutorado e as certificações técnicas são fundamentais para construir carreiras bem sucedidas financeiramente; apresentação de currículo ficou mais importante que avaliação direta de qualidade profissional. 

Vale-se pelo que se tem e exibe: moradia, carro, roupas, cultura e até o próprio corpo. O corpo escondido existe pelas grifes usadas e tatuagens exibidas. 

Empenho, esforço e expectativa. Querendo e tendo se é feliz; não tendo se é invisível, nulidade, infeliz. Nesta visão são vitoriosos os que conseguem ter. Triste vitória. Vitória de Pirro.

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