21/set/2014...
Vale o que
se tem - Vitória de Pirro
Thursday, January 19, 2012
É muito comum ouvir explicações
acerca da marginalidade, do uso de drogas, da violência como sendo causadas
pela pobreza, pelas condições econômicas e educacionais sub-humanas ou
precárias. As implicações desta explicação, desta visão é que "ter" é
o estruturante, o constituinte do humano. É verdade sim, se apenas
considerarmos o homem como um organismo.
Melhorar condições econômicas
virou lema. As pessoas querem ter; as que têm querem mostrar que têm. Tudo gira
em torno do que se conseguiu: riqueza amealhada ou melhoria das condições de
sobrevivência. As próprias reivindicações são contingentes, problemas geradores
de novos problemas.
Valorizar o ter sem questionar a
coisificação, a alienação que isto implica, leva ao hiperconsumo, à sociedade
do descartável. Somos escravos do que consumimos e produzimos, não faz
diferença vender ou comprar, o horizonte temático é o mesmo: ter, mostrar,
aparentar. A educação também foi transformada em bem de consumo: os
certificados de doutorado e as certificações técnicas são fundamentais para
construir carreiras bem sucedidas financeiramente; apresentação de currículo
ficou mais importante que avaliação direta de qualidade profissional.
Vale-se pelo que se tem e exibe:
moradia, carro, roupas, cultura e até o próprio corpo. O corpo escondido existe
pelas grifes usadas e tatuagens exibidas.
Empenho, esforço e expectativa.
Querendo e tendo se é feliz; não tendo se é invisível, nulidade, infeliz. Nesta
visão são vitoriosos os que conseguem ter. Triste vitória. Vitória de Pirro.
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