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domingo, 26 de agosto de 2018

“Haddad está condenado a crescer” (Antonio Lavareda)

Postagem no Abertura Mundo Jurídico em 26/ago/2018...


“Haddad está condenado a crescer”, diz Antonio Lavareda

Cientista-político ligado à XP Investimentos/Ipespe avalia cenário de crescimento para candidatos do PT e PSDB 
 
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Foto: Thiago Cogo/Divulgação
 
Jornal GGN - A mudança nas regras de propaganda eleitoral deste ano explica a monotonia das curvas nas intenções de voto. Este é o primeiro de muitos anos eleitorais sem propaganda partidária eleitoral no primeiro semestre. Com isso, o impacto só será sentido a partir do dia 31 de agosto, quando começam as campanhas gratuitas dos candidatos nas rádios e TVs. A avaliação é do cientista político e um dos principais analistas de pesquisas eleitorais no país, Antonio Lavareda, ligado à XP Investimentos/Ipespe, em entrevista para o Jornal do Brasil, pontuando que "foi um grande erro dos partidos" ter acabado com as propagandas partidárias no primeiro semestre. 
 
O resultado, pondera, é "um quadro de grande estabilidade das intenções de voto", onde apenas o ex-presidente Lula cresceu nas pesquisas de intenção de voto. "No primeiro cenário com Lula, ele aparece mais forte. Mas se você faz um cenário como a XP Investimentos/Ipespe faz, ele aparece mais fraco. Jair Bolsonaro e Marina Silva têm tido alteração, mas sem destaque. Nós só teremos isso com o início da propaganda".
 
Para o cientista político, Fernando Haddad (PT) será beneficiado por votos herdados do ex-presidente Lula e Geraldo Alckmin (PSDB) pelo maior espaço no horário gratuito de TV e rádio, angariado por sua base de partidos. Desse modo, os dois são fortes candidatos para disputar a entrada no segundo turno. 
 
Lavareda acredita, entretanto, que a disputa para o segundo turno não ficará restrita aos candidatos do PT e PSDB: a ex-senadora Marina Silva (Rede) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) têm influência no cenário, porém este último poderá sofrer algum declínio com pouco tempo de televisão, com dificuldade no voto feminino e entre os negros.
 
O potencial de Alckmin, deverá se concentrar no eleitorado que usará o "voto estratégico", ou seja, aqueles que não vão direcionar seu poder eleitoral para os candidatos que preferem, mas para aqueles que têm mais chances de chegar ao segundo turno e que representam suas preferências ideológicas. 
 
“Vai haver uma grande chance de o eleitor do Alvaro Dias (Podemos) e do João Amoedo (Novo) transferir seu voto para o Alckmin”, disse. Portanto, quem menos tem chances de desempenho em todo o cenário é o ex-governador Ciro Gomes (PDT) que, como analisou recentemente Luis Nassif aqui no GGN, pode ter perdido sua última chance de chegar ao Planalto quando recusou aliança para compor chapa com o PT.
 
Lavareda diz que o fraco desempenho de Ciro é explicado pelo disputa direta com Lula, destacando que nas últimas eleições seu desempenho ficou entre 9% e 12%, abaixo de Marina, que ficou entre 19% e 21%, em 2010 e 2014. Ao mesmo tempo, não acha que a candidata da Rede terá neste ano o mesmo desempenho dos anos anteriores. 
 
"Vai depender de quanto vai aguentar ali no meio da campanha. Se o Alckmin não for eficiente, o eleitor pode ficar tentado a ir com a Marina, porque ela deve ter bom desempenho no primeiro turno". Por outro lado, cientista político entende que os eleitores mais à direita dificilmente votam em Marina.
 
"Ela é a maior beneficiada na ausência do Lula. Mas o Haddad está condenado a crescer, e ele cresce, sobretudo, no eleitorado da Marina hoje. A maior parte dos votos do Lula irá para o Haddad. Uma parte residual vai para outros, mas mais para abstenção do que para outro candidato. A grande chance é de que o eleitor mais pobre do Lula, que não se vê no Alckmin, por exemplo, não vote em ninguém".
 
O cientista político divide a dinâmica da propaganda eleitoral em dois "grandes players", o primeiro, da televisão e do rádio, onde Geraldo Alckmin tende a absorver mais eleitores, e o das redes sociais, onde a vantagem é de Bolsonaro, mas seu eleitorado já está cativo. Ao mesmo tempo, acredita no potencial do Partido dos Trabalhadores em chegar no segundo turno. 
 
"Existem dois candidatos cujo crescimento é inevitável, embora não saibamos que patamar atingirão. Primeiro caso é o Alckmin, por conta desse tempo de TV e rádio, o segundo caso é o Fernando Haddad, por causa da transferência de votos do Lula, que não sabemos quando vai ser realizado".
 
Neste último caso, da transferência de votos, Lavareda afirma que há "grande possibilidade" de Haddad alcançar 15% ou mais das intenções de voto, lembrando que o Datafolha aponta 30% de eleitores certos quando o candidato mencionado é Lula, já a XP, quando diz que Haddad é o candidato do ex-presidente, mostra o paulista angariando entre 13% e 15% das intenções de voto. A transferência, portanto, "vai depender de uma grande criatividade da campanha petista", reflete.
 
"O Lula não pode fazer campanha efetivamente. Ele gravou algumas cenas. É um material bem diferente do que havia na campanha da Dilma Rousseff, em 2010", completa.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Por que Eduardo Campos deu carona ao escorpião? Ou quem pegou carona foi ele? (Fernando Brito)

13 de outubro de 2013 | 20:31

Por que Eduardo Campos deu carona ao escorpião? Ou quem pegou carona foi ele?


escorp



Mesmo na política brasileira, onde o interesse pessoal, com tanta frequência, é o centro das razões políticas, é difícil entender porque Eduardo Campos entregou sua candidatura, de maneira tão evidente, às mãos de harpia de Marina Silva.
Porque parece evidente que não havia entre ambos, até a semana passada, sequer uma relação de proximidade, quanto mais uma identidade política, passo inicial de qualquer lealdade política.
É certo que Eduardo Campos, com suas alianças com caiados, bornhausens e heráclitos, não mirava um “renovação ética” nos quadros da política, mas o estabelecimento de bases estaduais de que sua candidatura se ressentia.
Marina, ao contrário, jamais as procurou e demonstrava crer que seu sucesso eleitoral poderia apoiar-se uma nova “adoção” de seu nome pelas classes médias urbanas e na confusa e algo anárquica aliança evangélica, que poderia dar-lhe os votos populares.
A docilidade com que Campos se entrega às baboseiras de “transversalidades” e “horizontalidades” do discurso marinista e aceita deixar “em aberto” a cabeça de chapa não é, absolutamente, algo que pareça fruto de uma harmonia entre ambos.
Antes, parece a pantomima de um trato que já está feito e que precisa de um balé para que se torne “natural” o que foi acertado entre ambos.
E o que foi acertado?
Parece que, além dos dois, talvez só os que promoveram o “acordo” o saibam.
Mas, por favor, não nos peçam para engolir que é uma “relação aberta”, uma “amizade colorida”…
Uma pista é o coro quase unânime da grande mídia de que “se Marina não for a candidata, Dilma leva no primeiro turno”.
Esse é o objetivo possìvel, neste momento, e é por ele que a direita e sua ferramenta, a mídia, trabalharão.
Eduardo, ao que parece, é o dócil veículo para este projeto.
Aparentemente, apenas, porém, porque seu controle sobre a máquina partidária, indispensável para a formalização de uma candidatura de Marina, é dele.
E, portanto, vale muito politicamente, e não apenas politicamente.
O “frete” eleitoral vai ser custoso.
Mas será pago, à vista e a prazo.
A ambição de Campos e de Marina tem uma diferença.
A dela tem muita pressa.
Por: Fernando Brito

(http://tijolaco.com.br/index.php/por-que-eduardo-campos-deu-carona-ao-escorpiao-ou-quem-pegou-carona-foi-ele/).

domingo, 13 de outubro de 2013

Rede por enquanto muito pelo contrário (Mário Augusto Jakobskind)

Publicado em 08/10/2013


Rede por enquanto muito pelo contrário


O ingresso de Marina Silva no PSB mexeu na política brasileira. A ex-senadora conta com grande apoio da mídia conservadora, que desde há muito abre grandes espaços para ela. Um colunista de O Globo, o Merval Pereira, tem se esforçado bastante para ela aparecer como “fenômeno novo” na política brasileira, Claro, a conclusão é do imortal da Academia Brasileira de Letras.
A verdadeira história da tentativa de legalização da Rede está mal contada, até porque os próceres de Marina, ou mesmo ela sozinha, dificilmente decidiriam em uma madrugada a aliança com o Governador Eduardo Campos.
Marina é esperta demais e ao ter percebido que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negaria o registro não deve ter perdido tempo. Conversou com deus e o mundo. Usou o boquirroto Roberto Freire para despistar. O ex-comunista hoje abrigado no PPS, um partido apêndice do PSDB, achava que Marina ingressaria em suas fileiras. Ficou irritado quando soube o que ela tinha decidido. Mas com o tempo tudo isso vai passar, porque afinal de contas ele precisa se agarrar em alguém para sobreviver politicamente. E Aécio Neves, que Freire apoiava até agora, não decola.
Correndo por fora, Eduardo Campos aguardava o desenrolar dos acontecimentos e num sábado morno e sem notícias montou com Marina Silva um piquenique jornalístico que ocupou grandes espaços na mídia eletrônica, sobretudo na Globonews, que cobriu ao vivo toda a festa de filiação que culminou numa entrevista coletiva gênero convescote.
A mídia conservadora explorou sobremaneira um suposto desabafo de Marina na reunião de madrugada com os correligionários em que teria afirmado que um de seus objetivos agora é acabar com o “chavismo” no PT. Na coletiva não confirmou o uso do mesmo adjetivo, mas também não negou, o que na prática significa que ela pensa isso mesmo.
A referida prédica vai ser muito repetida pela mídia de mercado, podem crer os leitores. Tal fato de alguma forma ajuda finalmente a política brasileira a se definir se é de direita, de esquerda, de centro. O que não pode continuar é na base do muito pelo contrário, como ela tenta passar para os incautos.
Marina tambhém se considera fato novo na política brasileira. Mas o que significa exatamente modernidade? Antes disso seria importante que ela definisse vários pontos, como, por exemplo, o atual posicionamento em relação ao leilão do complexo petrolífero de Libra, no pré sal e as demais privatizações que o atual governo está tentando incrementar. Certo que o petróleo é uma energia poluente e que é necessário encontrar outros recursos, como o solar e dos ventos. Mas como a bacia petrolífera é uma realidade, qual a posição da Ministra do Meio Ambiente no governo Lula sobre o pré-sal?
Qual a posição da sua Rede em relação ao capital financeiro? Será que ela conversa sobre o tema com seus correligionários e com sua amigona Maria Alice Setubal, mais conhecida como Neca, herdeira do Banco Itaú? A sustentabilidade da Rede passa pela defesa da soberania nacional? E qual a posição do partido abrigado provisoriamente no PSB no que diz respeito à integração latino-americana? Se fosse presidente, como seria a política externa de seu governo?
Seria também importante uma definição de Marina Silva, em princípio candidata a vice de Eduardo Campos, sobre o bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba. Algum repórter poderia perguntá-la o que faria se estivesse ocupando o governo e descobrisse que seus telefones e correios eletrônicos estavam sendo grampeados pela inteligência norte-americana? Como, em suma, enfrentaria uma situação ao se tornar pública a informação segundo a qual a inteligência estadunidense atua no Brasil na maior desenvoltura?
Qual a posição de Marina sobre a política externa de países como o Reino Unido e Estados Unidos? Outra dúvida que ela pode desvendar, se é verdade que a atual filiada ao PSB têm vínculos estreitos com as entidades ecológicas bancadas pelo Príncipe Charles, como dizem seus desafetos?
Para ajudar a definir se a Rede é de direita, de esquerda, de centro e abolir o muito pelo contrário, o que a política brasileira acha das mobilizações dos movimentos sociais no sentido de ampliar os espaços midiáticos, ou seja, para conseguir que no Brasil os meios de comunicação sejam democratizados e todos os setores sociais tenham vez e voz em pé de igualdade?

Qual a posição de sua Rede no que concerne às Comissões da Verdade? Marina Silva agora como correligionária da deputada Luiza Erundina, tratada com destaque no anúncio da entrada no PSB, apoia o posicionamento da parlamentar na defesa da revisão da Lei da Anistia?
Disponível em: Rede por enquanto muito pelo contrário | Direto da Redação - 12 anos

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Marina, você se pintou? Por Maurício Abdalla Carta aberta à Marina Silva

Caros amigos,
Se concordam com o texto, ajudem a divulgá-lo. Quem sabe não chegue à destinataria?
Abraços, Maurício Abdalla.

Marina,... você se pintou?
Maurício Abdalla [1]

“Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o grito dos pobres”, como diz Leonardo.

Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?

Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as “famiglias” que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.

Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.

Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.

Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.

“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.

Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”.

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[1] Professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (Mercuryo Jovem), dentre outros.