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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Brasil e Alemanha propõe votação de resolução na ONU para proteção da privacidade nas comunicações pela Web...

Publicado em Segunda, 28 Outubro 2013 15:47

Brasil e Alemanha esperam que ONU vote resolução por privacidade na web ainda em 2013

Líderes dos dois países foram espionadas pelos Estados Unidos, segundo revelação de Snowden
Do Opera Mundi
Brasil e Alemanha querem que a ONU vote ainda este ano uma resolução que promova o direito à privacidade na internet, segundo a revista Foreign Policy. Diplomatas dos dois países se reuniram nesta quinta-feira (24/10) em Nova York para tratar do assunto, logo após a revelação de que o celular da chanceler alemã, Angela Merkel, teria sido espionado pelos Estados Unidos. Outros 34 líderes mundiais também foram espionados, inclusive a presidente Dilma Rousseff.
Espionagem
Se a resolução for aprovada, será a primeira grande medida internacional contra a espionagem promovida pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA, na sigla em inglês). O plano discutido por brasileiros e alemães é uma ampliação do direito à privacidade previsto no Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, assinado em 1966, estendendo-o à internet.
"O acordo foi formulado em uma época em que a internet não existia", afirmou à Foreign Policy um diplomata envolvido nas negociações. "Todo mundo tem direito à privacidade e o objetivo é que essa resolução seja aplicada para proteger as comunicações online".
De acordo com a Foreign Policy, o documento que está sendo escrito por Brasil e Alemanha não cita diretamente os Estados Unidos ou a NSA, mas fica claro que é uma resposta à espionagem promovida contra os dois países. Eles esperam que a resolução seja votada pelo comitê de direitos humanos da Assembeia Geral da ONU ainda em 2013.
Alemanha
Na quarta-feira (23), a Alemanha ficou irritada com a revelação de que Merkel teria sido espionada pelos EUA. "Os amigos não devem ser espionados. A confiança deve ser restabelecida", afirmou a chanceler, em Bruxelas. Ontem, o jornal britânico The Guardian revelou que os alemães não eram os únicos que deviam se indignar: segundo novos documentos do ex-analista da CIA Edward Snowden, 35 líderes mundiais foram alvos da fiscalização norte-americana.
Já a presidente Dilma descobriu que foi espionada há pouco mais de um mês, por meio de denúncias feitas pelo jornalista britânico Glenn Greenwald. À época, Dilma cancelou uma viagem diplomática dos EUA e exigiu respostas satisfatórias do governo de Barack Obama.
Disponível em:
(http://www.carosamigos.com.br/index/index.php/cotidiano/3667-brasil-e-alemanha-esperam-que-onu-vote-resolucao-por-privacidade-na-internet-ainda-em-2013).

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Merkel liga para Obama: “me grampeou também”? (Fernando Brito)

23 de outubro de 2013 | 16:53

grampo

Merkel liga para Obama: “me grampeou também”?

Da Reuters, agora há pouco:

O governo alemão obteve informação de que os Estados Unidos podem ter monitorado o telefone celular da chanceler Angela Merkel, e ela telefonou para o presidente dos EUA, Barack Obama, nesta quarta-feira, para pedir esclarecimento imediato, disse um porta-voz do governo alemão. ”Nós rapidamente enviamos um pedido aos nossos parceiros americanos solicitando um esclarecimento imediato e abrangente”, disse o porta-voz Steffen Seibert em comunicado. Ele acrescentou que Merkel havia deixado claro a Obama que se a informação for verdadeira, seria “completamente inaceitável” e representaria uma “grave quebra de confiança”.
Obama negou, segundo o USA Today, a espionagem. Mas, claro, ninguém acredita.
Brasil, México… Agora, França e Alemanha…
E  houve uns bobalhões que reclamaram da Presidenta Dilma Rousseff ter falado grosso sobre isso no discurso da ONU. Era uma “bravata nacionalista”…
De tanto vergar a coluna, estas pessoas não percebem que diplomacia, muitas vezes, se faz com exemplos, que fixam posições que, mesmo não produzindo resultados imediatos, abrem caminho para entendimentos e composições que afetam o futuro.
Hollande e Merkel, a esta altura, estão levando a posição do Brasil bem mais a sério.
Por: Fernando Brito

(http://tijolaco.com.br/index.php/merkel-liga-para-obama-me-grampeou-tambem/).

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cuidado, drones podem estar de olho em você (Geoff Dyrer)

Out/2013

Cuidado, drones podem estar de olho em você

Por Geoff Dyrer em 15/10/2013 na edição 768
Reproduzido do Valor Econômico, 14/10/2013; intertítulos do OI
Rodney Brossart, dono de uma fazenda de 1.214 hectares em Dakota do Norte, é um definidor de tendências improvável. Em 2011, seis vacas de uma propriedade vizinha entraram em sua fazenda. Quando ele se recusou a devolver as vacas e impediu a entrada da lei em suas terras, a polícia solicitou um Predator (um veículo aéreo não tripulado) de uma base local da Força Aérea americana, que voou sobre sua fazenda para descobrir se Brossart estava armado.

No mês que vem, o fazendeiro será julgado por acusações de roubo, depois que uma corte rejeitou sua alegação de que ele foi submetido a uma “busca sem mandado”. Mas ele já fez história como o primeiro cidadão a ser preso em solo americano com a ajuda de um drone – como são chamados no setor os sistemas aéreos não tripulados.
Armados com mísseis Hellfire, os drones se tornaram o símbolo da guerra global dos Estados Unidos contra o terrorismo. Operar um drone no país exige uma licença especial cuja concessão é criteriosa. Porém, o Congresso decidiu que, a partir de 2015, os drones deverão ter acesso ao espaço aéreo doméstico. Para seus defensores, isso equivale à criação do automóvel ou da internet – uma tecnologia poderosa capaz de transformar dezenas de setores da economia e mudar a ideia de distância.
Eles veem os drones, com um valor de mercado potencial de US$ 12 bilhões até 2023, como a chegada da era da robótica. “É como o lançamento do computador na década de 80, está no mesmo patamar”, afirma Peter Singer, um acadêmico da Brookings Institution. “Ele apresenta muitos usos e aplicações diferentes, mas também levanta questões complexas.”
Para os críticos, o advento dos drones domésticos traz a ameaça de um novo tipo de vigilância – uma versão exagerada da espionagem conduzida pela tecnologia, dramatizada recentemente pelas revelações de Edward Snowden sobre a Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês). “A maior das ameaças à privacidade dos americanos é o drone, seu uso e as poucas regulamentações que existem hoje”, diz Dianne Feinstein, uma importante senadora pelo Partido Democrata.
Lembrete visceral
Os drones apresentam as mais diversas formas e tamanhos. Os Predators e os Global Hawks, operados pelos militares, são quase tão grandes quanto um caça. Por outro lado, o Nano Hummingbird da Aerovironment tem uma envergadura de 16 centímetros. A Harvard University está desenvolvendo um robô voador do tamanho de um inseto chamado Robobee.
Chris Anderson, ex-editor da revista “Wired” e que hoje comanda a 3D Robotics, uma companhia que fabrica pequenos drones, diz que o setor de certa forma é “um subproduto da revolução do smartphone”, que criou novas câmeras, sensores e dispositivos de localização que são ao mesmo tempo pequenos e baratos. “Os militares inventaram a internet, mas as pessoas a colonizaram”, diz ele. “Queremos desmilitarizar e democratizar os drones.”
Agências de aplicação da lei estão vendo os drones como uma alternativa muito mais barata aos helicópteros que elas usam em algumas operações. A polícia de Boston disse que gostaria de usar um drone para monitorar a rota da maratona da cidade depois que duas bombas explodiram na reta final da competição este ano.
Don Roby, um capitão da polícia de Baltimore e um dos maiores defensores dos drones, diz que a tecnologia poderia ser eficiente em operações de busca e resgate, para mapear cenários de crimes ou monitorar acidentes de trânsito. “Imagine que haja uma criança desaparecida em uma área pequena e confinada – esse é o tipo de coisa em que poderíamos usá-los”, diz ele. “Comparado aos helicópteros, estamos falando de centavos de dólar para operar.”
Entre as possíveis aplicações comerciais, a indústria do transporte de cargas é um dos candidatos óbvios. Nos últimos 18 meses, os fuzileiros navais americanos vêm usando um helicóptero não tripulado chamado K-Max para transportar cargas de até 2,7 mil quilos pelo Afeganistão, que despertou a atenção de empresas de logística como a FedEx e a UPS.
A Matternet, uma companhia iniciante, quer usar os drones para entregar medicamentos e outros bens essenciais em locais com infraestrutura rodoviária ruim. Os drones podem ser usados para detectar plantações ilegais de maconha, mas também poderiam dar um jeito na larica: entre os planos de negócios já propostos, está o de minidrones para entrega de burritos e tacos para estudantes.
Mas antes dessas ideias ganharem força, intensas preocupações políticas são despertadas com o impacto dos drones sobre a privacidade e o obstáculo previsto na Quarta Emenda da constituição americana, sobre “buscas e apreensões desmedidas”. Após as revelações de Snowden, aumentaram as preocupações com os riscos à privacidade representados pela vigilância do Estado.
Os drones domésticos levantam muitas dúvidas sobre quando e onde o Estado pode monitorar as pessoas e como as informações são usadas. “Os drones aglutinam vários tipos de medos quanto a mudanças tecnológicas reais”, diz Daniel Rothenberg, especialista em direitos humanos da Arizona State University. “Não aconteceu até agora, mas há potencial para intrusões profundas, escandalosas”.
Os partidários dos drones dizem que houve o mesmo tipo de preocupação quando helicópteros e aviões pequenos foram usados pela primeira vez em áreas urbanas e que os abusos temidos por defensores da privacidade nunca se materializaram. Muitos Estados já têm leis contra assédio que poderiam ser aplicadas aos drones.
Executivos do setor dizem acreditar que os drones ganham mais visibilidade entre muitas formas de vigilância. “Nesta manhã, passei por 32 semáforos e 19 bancos, cada um provavelmente com uma câmera. Tenho GPS em meu carro e Bluetooth em meu telefone”, diz Michael Toscano, presidente da AUVSI, o grupo lobista das empresas de drones. “Não é preciso um drone para rastrear meu paradeiro”.
Alguns dos avanços tecnológicos em torno aos drones tornam as preocupações mais prementes. A Boeing desenvolve um drone, alimentado por painéis solares, que a empresa espera ter capacidade para ficar no ar por cinco anos. A BAE Systems desenvolveu um avião que opera com câmera de 1,8 bilhão de megapixels e pode filmar uma cidade média. A 5,3 mil metros de altitude, poderá detectar um objeto de 15 centímetros de largura.
Essas tecnologias ainda estão em fase experimental, mas demonstram o potencial para que os drones façam da vigilância permanente uma realidade. “Os drones são um lembrete muito mais visceral da situação de vigilância do que qualquer coisa que a NSA esteja fazendo”, diz Ruan Calo, especialista jurídico em questões de privacidade na University of Washington.
Danos e doenças
Os dois lados do debate sobre os drones e a privacidade esperam que uma enxurrada de casos chegue à Corte Suprema nos próximos anos. Em geral, a corte vem julgando que a política de vigilância pelo ar não infringe a expectativa razoável de privacidade do cidadão. Em 2001, no entanto, a corte determinou que a polícia não podia usar equipamentos de imagens por calor em aviões pequenos para monitorar uma casa sob suspeita de plantio de maconha. Em 2012, a corte determinou que a polícia havia se excedido ao colocar um GPS no carro de um suspeito.
Para os defensores da privacidade, uma das questões mais complicadas seria o uso de drones por empresas privadas que vendem dados. Mesmo se regras rigorosas fossem aprovadas para reger as forças da lei, essas normas não se aplicariam a empresas que não estão sujeitas à Quarta Emenda.
Da mesma forma que o Google sabe mais sobre mais pessoas do que a NSA poderia sonhar, operadoras de drones privados poderiam monitorar e coletar informações de maneiras que o Estado não teria permissão. Os clientes desses dados poderiam ser agências do governo, mas também detetives particulares ou jornais sensacionalistas. “Qualquer restrição sobre a vigilância pelo governo não valerá nada se o governo simplesmente puder comprar a mesma informação de um grupo privado”, diz Catherine Crump, advogada da American Civil Liberties Union (Aclu), que já trabalhou na defesa do direito de que cidadãos tirem fotos em lugares públicos.
Já há debates consideráveis na esfera estadual sobre os drones. Mesmo antes do vazamento de informações por Snowden, 42 Estados haviam estudado leis sobre os drones e o interesse sobre o assunto deverá crescer. A polícia de Seattle desistiu de planos para usar dois drones em missões de busca e resgate após a oposição pública.
Da mesma forma que no debate sobre a NSA, a oposição a drones vem unindo estranhos companheiros, desde a direita libertária até a esquerda favorável às liberdades civis – um novo segmento político que une críticos ao “establishment”. A lei antidrone mais estrita foi aprovada na Virgínia, que instituiu uma moratória de dois anos em qualquer uso de seu espaço aéreo. O autor foi Todd Gilbert, um republicano conservador, acusado pela Aclu de intolerância contra os homossexuais. Quando chegou a hora de votar o projeto de lei antidrone, no entanto, Gilbert e a Aclu de Virgínia trabalharam juntos.
Tendo em vista o emaranhado de questões jurídicas diante das empresas de drones, alguns executivos dizem que, por agora, a maior demanda pelos aparelhos virá da agricultura. À medida que as fazendas ficam maiores, os drones poderiam monitorar as colheitas em busca de doenças ou danos, permitindo aos agricultores serem mais seletivos no uso de pesticidas e na irrigação. Pesquisadores desenvolvem sensores para identificar doenças em vinhas antes de atingirem as frutas. As fábricas de drones preveem que os agricultores responderão por 80% das vendas nos EUA dentro de dez anos.
“Quem iria reclamar de agricultores sobrevoando seus próprios campos?”, pergunta Steven Gitlin, executivo da Aerovironment, cujos pequenos drones que podem ser usados na agricultura.
***
Geoff Dyrer, do Financial Times, em Washington

(http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed768_cuidado_drones_podem_estar_de_olho_em_voce). 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Apesar da retórica dura na ONU Dilma busca equilibrar interesses do país (Nelson de Sá)

25/09/2013 - 08h06

Análise: Apesar da retórica dura na ONU, Dilma busca equilibrar interesses do país


NELSON DE SÁ
DE SÃO PAULO

A presidente Dilma Rousseff evitou citar Barack Obama. Também evitou nomear empresas americanas, de tecnologia, telecomunicações, petróleo e outras. Mas estava tudo lá, de forma direta o bastante, daí a percepção de um pronunciamento "duro".

Dilma disse que "informações empresariais, muitas vezes de alto valor econômico ou estratégico, estiveram na mira da espionagem". E é "pior ainda quando empresas privadas estão sustentando essa espionagem".
Afirmou que a "rede global de espionagem" montada pelo governo e por empresas dos EUA "fere o direito internacional". Repetidamente, descreveu as ações com a expressão "ilegal".

O problema é que a presidente não quer ferir a própria internet na reação que prometeu, de "legislação, tecnologias e mecanismos". Apesar da contundência, esforçou-se por manter algum equilíbrio, portas abertas.

Assim, a bandeira maior do Google --a neutralidade da rede (política pela qual não pode haver distinção entre usuários da internet, como baixar velocidade de conexão de um em benefício de outro)-- foi abraçada como princípio de eventual regulação global da internet, "tornando inadmissíveis as restrições por motivos comerciais ou de qualquer outra natureza".

A exemplo do que já ocorrera na Conferência Mundial sobre Telecomunicações Internacionais, também da ONU, em dezembro, o Brasil evita se colocar ao lado de propostas mais intervencionistas de Rússia e China.

No entanto, as outras medidas, não detalhadas no discurso, mas anunciadas pelo governo, já começam a enfrentar campanha contrária. Na quase totalidade, buscam evitar que as comunicações brasileiras passem pelos EUA ou sejam armazenadas lá.

Entre elas estão um cabo marítimo de fibra ótica ligando a América do Sul diretamente à Europa e a determinação em lei para que Google, Facebook e outras empresas guardem dados de brasileiros em "datacenters" aqui.

A campanha contrária que vem dos EUA, além de tentar apresentar espionagem como fato da vida, questiona as medidas brasileiras como uma "balcanização" (fragmentação) da internet e um desestímulo à "inovação".

O relatório de uma fundação americana (ITIF) alertou, semanas atrás, que só o setor de computação em nuvem dos EUA, de armazenagem de dados, poderá perder US$ 35 bilhões em três anos como reação global à revelação da rede de espionagem.
(http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/09/1347059-analise-apesar-da-retorica-dura-na-onu-dilma-busca-equilibrar-interesses-do-pais.shtml).

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Dilma para Obama: o quintal não é mais aqui (Flávio Aguiar)

publicado 18/09/2013 17:47

Dilma para Obama: o quintal não é mais aqui

Cancelamento de visita mostra que o Brasil, ou ao menos parte dele, superou seu complexo de Piu-Piu frente à águia dos Estados Unidos. O presidente norte-americano é quem sai chamuscado
por Flávio Aguiar publicado 18/09/2013 17:47
KEVIN DIETSCH/EFE
obama_dilma_EFE_Kevin-Diets.jpg
A firmeza de Dilma ainda não é bem acolhida pela oposição, que foi ignorada pela mídia internacional
Na verdade, ele (o quintal dos Estados Unidos) agora fica do outro lado do Atlântico, de onde estou escrevendo. Comprova esta mudança de eixo no quintal a subserviência com que alguns países europeus trataram o caso Snowden no incidente envolvendo o avião presidencial boliviano. Outra prova disto é a comparação entre a reação firme do governo brasileiro diante da denúncia de espionagem e a tibieza da reação do governo alemão.
A chanceler Angela Merkel se mostrou preocupada diante da possibilidade de violação da privacidade dos cidadãos alemães, e despachou emissários para Washington pedindo explicações. Estes emissários voltaram completamente enrolados nas explicações norte-americanas, dizendo que ninguém tinha nada a temer, que não havia espionagem comercial ou industrial (o caso Petrobras desmente isto). E tudo ficou por isto mesmo.
A mídia internacional destacou a firmeza do Brasil e de sua presidenta. Não só a mídia: vários analistas acadêmicos, think tankers etc. foram claros em afirmar que o perdedor no episódio é o governo norte-americano, que sai duplamente chamuscado: pela espionagem em si e pelo estremecimento (não houve ruptura, evidentemente) das relações com seu principal parceiro abaixo do Rio Bravo (num momento em que cresce a presença chinesa na América do Sul, em várias frentes).
O governo norte-americano bem que tentou minimizar o golpe, embora o tenha acusado. Declarou que a suspensão da visita fora feita “de comum acordo”, e que o encontro oficial entre a presidenta Dilma e o presidente Obama não poderia ficar “prisioneira” de um único ítem ou incidente. Avaliou também positivamente o adiamento, pois a resolução do problema da espionagem, com novos protocolos, etc. levará meses.
Na verdade o governo de Obama está numa sinuca de bico, pois não pode fazer movimento algum que desautorize o seu serviço de espionagem num momento em que necessita reforçar a credibilidade deste por causa da questão síria – diante da Rússia, dos parceiros europeus, no Conselho de Segurança da ONU, até diante do Papa.
Outro ponto marcado pelo governo brasileiro é que a reação das vozes das oposições brasileiras, do tipo “me espiona que eu gosto”, sob a retórica da “responsabilidade pragmática” nas relações internacionais, foi vagamente citada na mídia internacional, mas sem o menor tom de esforço ou mesmo de alguma importância. Ninguém deu bola para esta conversa. O que ficou ressaltado foi mesmo a firmeza da presidenta, comprovando que o Brasil – ou pelo menos parte dele – superou o complexo de Piu-Piu (aquele passarinho do Frajola e sua turma) diante da águia norte-americana. Embora haja ainda muita gente no Brasil que ache que ser vira-lata no cenário internacional seja uma vantagem.
(http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-do-velho-mundo/2013/09/dilma-para-obama-o-quintal-nao-e-mais-aqui-8496.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter).

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Coisas em comum entre Aécio e Obama (Cadu Amaral)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Coisas em comum entre Aécio e Obama




Aécio Neves é senador tucano por Minas Gerais. Tem 53 anos, já foi governador de seu estado e será – se o Serra deixar – candidato do PSDB à Presidência da República em 2014. Barack Obama tem 52 anos e é o atual “Senhor da Guerra” ou presidente dos Estados Unidos. Nascido no Havaí, já foi senador pelo estado de Illinois. O que ambos têm em comum? São fajutos!

Obama não consegue dar uma boa explicação sobre a espionagem no Brasil e especialmente sobre a Petrobras e a própria presidenta Dilma. Escorrega pra cá, escorrega pra lá e nade de substancioso saí da Casa Branca. Talvez seja por estar mais do que escancarado as práticas imperialistas de seu país que ele, Obama, referenda.

Resultado das falas sem conteúdo de Obama: Dilma cancelou sua visita oficial. Os EUA não deram uma explicação suficientemente convincente sobre a espionagem no país e tampouco sobre o conteúdo colhido. Mas sem radicalidade, por que a conjuntura internacional e, por que não nacional, não permite, Dilma não corta relações com o país da Disneylândia.

Aécio nem para fingir que é um patriota, serve. Ao comentar a decisão da presidenta Dilma, afirmou ser uma “jogada de marketing”. É assim que ele trata a soberania. Como uma jogada de marketing. Isso provavelmente ele aprendeu com seu “guru” FHC. Nos tempos do príncipe da privataria nossos ministros tiravam os sapatos para entrar nos EUA em visitas oficiais. Nosso presidente (?) FHC, tomava esporros públicos de Bill Clinton, presidente dos EUA à época.

Na verdade, sempre que abre a boca para opinar, Aécio consegue aumentar o grau das besteiras que diz. Claro que diante de quem almeja ser presidente do Brasil. É contra a redução da conta de luz, desoneração da cesta básica, contra o programa Mais Médicos – que não se trata apenas da contração de médicos estrangeiros. Serão criadas 12 mil vagas em cursos de Medicina até 2020 – e consegue discursar por mais de trinta minutos sem usar palavras como povo, gente e inclusão.

De novo, moderno, como querem fazer os brasileiros pensarem ano quem, Aécio só tem o relógio que deve usar no pulso. Assim como foi a “modernidade” prometida por FHC que quase transformou o país em um estacionamento cheio de placas de propaganda de multinacionais e mantendo nosso povo na miséria, a modernidade vinda com o mineiro será a retomada do processo encerrado em 2002, coma vitória de Lula. É a volta do atraso, do passado que ninguém que pense, que tenha pelo menos um miligrama de sentimento de coletividade, quer.

Obama e Aécio, dois fajutos querendo se afirmar. O primeiro tentar não ser o presidente dos EUA que perdeu o controle sobre as operações ilegais de seu país nos demais estados nacionais. Aécio tenta ser o presidente que vai devolver o país para as mãos das multinacionais e a tutela dos Estados Unidos.

Esta aí outra coisa que eles têm em comum: não defendem os interesses do Brasil.
Disponível em: Blog do Cadu: Coisas em comum entre Aécio e Obama

sábado, 7 de setembro de 2013

"Brasil é o grande alvo dos EUA", diz jornalista que obteve documentos de Snowden (Guilherme Balza)

"Brasil é o grande alvo dos EUA", diz jornalista que obteve documentos de Snowden

Guilherme Balza
Do UOL, em Brasília
  • Laycer Tomaz / Câmara dos Deputados
    Jornalista do "Guardian", Glenn Greenwald participou de audiência pública no Congresso em agosto
    Jornalista do "Guardian", Glenn Greenwald participou de audiência pública no Congresso em agosto
O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que revelou os documentos secretos obtidos por Edward Snowden, disse em entrevista por telefone ao UOL que o Brasil é o maior alvo das tentativas de espionagem dos Estados Unidos. "Não tenho dúvida de que o Brasil é o grande alvo dos Estados Unidos", disse o jornalista, que promete trazer novas denúncias. "Vou publicar todos os documentos até o último documento que deva ser publicado. Estou trabalhando todo dia."
Greenwald revelou esta semana, em reportagem em conjunto com o programa "Fantástico", da TV Globo, que o governo americano espionou inclusive os e-mails da presidente Dilma Rousseff e de seus assessores próximos.
Snowden era técnico da NSA, a agência de segurança americana, e revelou ao jornal britânico "The Guardian", onde Greenwald é colunista, o escândalo de espionagem norte-americano.
O governo brasileiro já cobrou uma resposta formal e por escrito à Casa Branca. Em nota, o Departamento de Estado americano disse na terça-feira (3) que "responderá pelos canais diplomáticos" aos questionamentos do Brasil. O departamento não comenta publicamente as denúncias, mas afirma que os EUA "sempre deixaram claro que reúnem inteligência estrangeira". Para o jornalista, o Brasil tem de dar uma resposta "enérgica" e "menos vaga" aos EUA.
Segundo Greenwald, o que motiva os EUA a espionar até mesmo aliados é o desejo por poder. "Sempre que os Estados Unidos estão fazendo espionagem o poder deles aumenta muito. Então, para saber tudo o que eles querem fazer, coletam tudo o que for possível. Mas com certeza é para obter vantagens industriais e também por questões de segurança nacional."
O jornalista mora no Brasil e namora um brasileiro, David Miranda, que foi parado pela polícia britânica e interrogado por nove horas, quando voltava de Berlim para o Rio de Janeiro no último dia 18.
Leia abaixo a entrevista de Greenwald ao UOL:
UOL - O que o senhor tem achado da posição da diplomacia brasileira após as últimas denúncias de espionagem contra a presidente Dilma Rousseff e assessores?
Glenn Greenwald - A questão é se vai ser convertido em ação [a reação do governo brasileiro] ou se eles vão ficar expressando isso com palavras e nada vai acontecer. Vamos ver.

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Caso Edward Snowden33 fotos

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1º.set.2013 - Em reportagem do jornalista Glenn Greenwald para o jornal "Fantástico", da TV Globo, o ex-técnico da CIA Edward Snowden revelou que a presidente Dilma Rousseff e seus assessores foram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês). Segundo documentos mostrados por Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, o objetivo da NSA era "entender melhor" a comunicação da presidente com sua equipe Leia mais Roberto Stuckert Filho/PR
Que tipo de medida, de ação, o governo brasileiro poderia tomar diante dessas denúncias?
Há várias coisas que eles podem fazer para tentar encontrar a solução, para mostrar aos Estados Unidos que eles estão preocupados com as denúncias de espionagem. Não sei se eles vão querer fazer isso ou se só estão mostrando ao povo que estão zangados. Acho que o ponto mais importante é o povo pressionar o governo brasileiro para fazer alguma coisa real contra essa invasão.

Esses documentos secretos mostram que houve espionagem, além do Brasil e do México, da presidente Dilma e do presidente do México [Enrique Peña Nieto], de outros líderes mundiais?
Sim, mas esses documentos foram extremos para mim porque se dirigem pessoalmente e especificamente [aos presidentes]... Os alvos foram esses dois líderes, de maneira pessoal. E tem outros governos que os Estados Unidos estão fazendo espionagem, claro. Há artigos que já escrevi com invasões [virtuais] de embaixadas ou consulados, coisas assim. Mas esse foi o primeiro artigo publicado em que a espionagem se dirige muito pessoalmente a líderes democráticos como alvo muito forte. Não estou falando que não tenham outros [líderes espionados], mas com certeza, até agora os dois [Dilma e Peña Nieto] foram os únicos [espionados] assim.
O senhor pretende buscar nesses documentos informações sobre outros líderes ou mesmo novas informações com relação ao Brasil?
Com certeza. Eu vou publicar todos os documentos até o último documento que deva ser publicado. Estou trabalhando todo dia para analisar mais documentos. Não tenho dúvida de que o Brasil é o grande alvo dos Estados Unidos. Talvez tenham outros líderes que eles estão fazendo isso, mas é raro fazer isso com aliados, países amigos, como Brasil e México. Eles têm muito interesse no Brasil por várias razões. Acho que tem outros países, mas o Brasil é um dos principais.

Poderia citar alguns outros países que foram espionados?
Estou trabalhando com outras organizações. Já tive muita coisa publicada sobre como os Estados Unidos fizeram espionagem contra a Alemanha, contra o governo da União Europeia, mas em breve vão ter [denúncias de espionagem] de outros países também.

Além de obter vantagens comerciais, o senhor vê alguma outra motivação para essa espionagem?
A espionagem dá muito poder. Todos os governos, na história, que quiseram controlar o mundo, controlar a população, usam a espionagem para fazer isso. Quando você sabe muito sobre o que outros líderes estão pensando, planejando, comunicando, você pode controlá-los muito mais porque você sempre sabe o que eles estão fazendo. O motivo é o poder. Sempre que os Estados Unidos estão fazendo espionagem, o poder deles aumenta muito. Além disso, o sistema brasileiro de telecomunicação, como é um alvo grande, um alvo forte, eles podem coletar dados de comunicações de muitos outros países. Por exemplo, se tem alguém na China que está mandando e-mails para alguém na Rússia, muitas vezes pode atravessar o sistema do Brasil. Na internet funciona assim. Então, para saber tudo o que eles querem fazer, coletam tudo o que for possível. Mas com certeza é para obter vantagens industriais e também por questões de segurança nacional.

Nos documentos que o senhor tem em mãos, em algum deles aparece o conteúdo das interceptações?
O programa que eles usaram contra a Dilma com certeza coletou o conteúdo dela. Mas não tenho mensagem específica como tive com o presidente do México porque eles só mostraram exemplos de como o sistema está funcionando. Com certeza eles estão coletando não só os metadados [dados sobre os vetores de comunicação, mas não sobre o conteúdo destas] mas o conteúdo também, como publicamos.

O senhor teme sofrer alguma retaliação por conta dessas novas denúncias?
Tem muitos políticos que estão ameaçando, pedindo para que me prendam, falando que sou criminoso. Há debates na televisão sobre se eu sou jornalista ou criminoso. Meu advogado recomenda que eu ainda não volte para os Estados Unidos até que eles possam resolver tudo. Acontece com meu companheiro na Inglaterra, que ficou detido por nove horas. Quando você faz jornalismo contra facções mais poderosas eles vão te atacar. Eu sabia que iria acontecer, mas não vou parar nem um pouco por causa disso.

O que o senhor espera do governo americano? Que resposta eles podem dar diante dessas denúncias?
O governo dos Estados Unidos está muito arrogante com países que eles julgam mais fracos. O único jeito que o país pode ter o respeito dos Estados Unidos é mostrar força para defender seus direitos. O governo norte-americano acha que se o Brasil não está encarando com seriedade, fazendo coisas e agindo de maneira séria, eles não vão respeitar o governo brasileiro. O governo americano pode dar uma explicação menos genérica, e mais direta, interessante, se o Brasil for mais enérgico, menos vago.

O senhor tem se comunicado com Edward Snowden com qual frequência?
Mais ou menos todos os dias.

Ele tem lhe passado novas informações?
Estamos sempre discutindo o fato que está sendo criado com as divulgações dele, mas todos os documentos ele me deu em Hong Kong (China). Quando ele chegou à Rússia, não me deu mais documentos. E acho que ele não pretende dar mais documentos a ninguém porque ele tem esse acordo com o governo russo para não vazar mais documentos. Todos os documentos ele já me deu.

Veja vídeos sobre o caso Snowden - 23 vídeos


(http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2013/09/04/brasil-e-o-grande-alvo-dos-eua-diz-jornalista-que-obteve-documentos-de-snowden.htm).