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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Protestos no Brasil. Protestos derrubam aumento da tarifa (Leonardo Sakamoto)

quarta-feira, 19 de junho de 2013
Protestos derrubam aumento da tarifa
Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

O título acima não está errado, não. O prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin anunciaram a revogação temporária do preço das passagens de ônibus, metrô e trem em São Paulo na noite desta quarta (19) – o valor volta a R$ 3,00 na próxima segunda. O prefeito Eduardo Paes também comunicou a revogação do aumento da tarifa de ônibus na capital carioca.

Fizeram isso por que acreditam que essa é a melhor política a ser adotada? Não, eles criticaram a medida várias vezes nas últimas semanas. Foi por conta da pressão de centenas de milhares de pessoas que tomaram as ruas de ambas as capitais. Pessoas que, muitas vezes, protestaram sob chuva de gás lacrimogênio, balas de borracha, gás de pimenta, cacetetes, detenções ilegais. E também por conta dos debates que tomaram as redes sociais, além de escolas, bares, casas, campos de futebol.

“A revogação feita pelo poder público, hoje, evidencia que a população quando se mobiliza tem força. E também traz o debate sobre transporte ao lugar que ele tem que estar, que é a esfera política. O debate não é uma questão técnica, mas sim política. A discussão sobre tarifa de ônibus é uma discussão sobre a cidade”, afirmou Lucas Oliveira, integrante do Movimento Passe Livre. E adianta: “A disputa política continua. Não começou em Salvador, em 2003, ou em Florianópolis, em 2004, e não vai terminar agora”. O movimento também defende a tarifa zero para o transporte público nas cidades.

Da minha parte, gostaria de dar parabéns ao Movimento Passe Livre, que fomentou esse processo, sendo uma referência para os jovens manifestantes desde o começo. E parabéns a quem acreditou e se mobilizou.

Isso serve para que a geração que está no poder nunca mais se esqueça da força do povo quando ele se conscientiza, se organiza. E vai às ruas.
Disponível em: Altamiro Borges: Protestos derrubam aumento da tarifa

sexta-feira, 29 de março de 2013

A queda de Feliciano não é a linha de chegada. É o ponto de partida (Leonardo Sakamoto)


A queda de Feliciano não é a linha de chegada. É o ponto de partida

sakamoto
Marco Feliciano não me representa. Mas boa parte do Congresso Nacional também não.
Como deu para ver no rosário de posts em que tratei do tema, é claro que torço para que o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias seja substituído o quanto antes, pois sua permanência não apenas coloca em risco o trâmite de projetos importantes que ajudariam a garantir a dignidade de grupos que são tratados como cidadãos de segunda classe como também é uma piada de mau gosto à história das conquistas sociais no país. Sem falar do fato de que ele é sim consequência do crescimento de posições conservadoras na sociedade brasileira. Que merecem ser combatidas democraticamente, no voto e no debate público – debate que, muitas vezes, essas posições se furtam a fazer.
Defendo que todas as formas de pensamento estejam representadas na Câmara dos Deputados, mesmo as quais eu não concorde – exceto, claro, as racistas, xenófobas, preconceituosas e discriminatórias. Afinal de contas, garantir que babacas usem a tribuna para cometer crimes é o ó do borogodó. ”Ai, japonês! E a liberdade de expressão? E o meu direito de fazer os outros sofrerem destilando a minha ignorância? Seu comunista totalitário! Seu safado! Vem cá que te dou uma sova! Se fosse no tempo da Gloriosa, você já estaria morto…” Deu para entender, né?
Uma consequência boa de tudo isso é que a situação bisonha alertou muita gente para o que acontece no parlamento federal. Mas elevar o caricato e esperto Marco Feliciano à categoria de inimigo comum, gerando uma popular identidade reativa, é relativamente fácil. Difícil é fazer oposição a pessoas e programas que sistematicamente e historicamente tentam retirar direitos, mas que são menos caricatos e mais espertos que o pastor supracitado. Parte da bancada ruralista se encaixa nessa categoria, por exemplo. Rifou o futuro das próximas gerações ao transformar o Código Florestal em papel maché, persegue os direitos das populações indígenas (que sofrem com genocídios, como o que ocorre no Mato Grosso do Sul) e caminha a passos largos para acender a churrasqueira com a (pouca) proteção de que dispõem os trabalhadores rurais.
Bancada ruralista que, inclusive, se aliou à bancada evangélica para que, juntas, possam transformar este país em um grande romance de Dias Gomes, com o Coronel, o Padre e o Delegado tomando uma cachacinha e decidindo os rumos do latifúndio.
A (dura) luta pela garantia das liberdades individuais é uma agenda suprapartidária, que consegue reunir simpatizantes de partidos diversos como o PT e o PSDB, liberais na política e liberais do comportamento. Mas essa articulação e mobilização popular bem que poderiam se manter após esse embrólio com o meninão se resolver. Usar toda esse pessoal em rede e com boa vontade para monitorar de perto outras ameaças em curso no Congresso Nacional.
Até porque pessoas como Marco Feliciano ou Jair Bolsonaro assumem um papel que lhes permite manter uma reserva de votos em todas as eleições o suficiente para se eleger e, talvez, alguns de seus correligionários, mas seu discurso não lhes permitirá alcançar cargos majoritários – pelo menos enquanto o Brasil não for de Cristo ou os milicos de pijama não mandarem os ferro-velhos que eles chamam de tanques para as ruas. O mesmo não posso dizer de outros pessoas e programas políticos que vão, em silêncio, roubando o que não é deles.
Para quem se preocupa com a dignidade humana, a queda de Feliciano não pode ser a linha de chegada. Tem que ser apenas o começo.
Fonte: Blog do Sakamoto