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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fidel homenageia Mandela e culpa imperialismo pelo apartheid (Brasil de Fato)

19/12/2013

Fidel homenageia Mandela e culpa imperialismo pelo apartheid

Duas semanas após morte de Madiba, líder cubano lembrou luta em Angola contra forças invasoras sul-africanas
O líder cubano Fidel Castro escreveu um artigo publicado nesta quinta-feira (19) no site cubano Cubadebate em que critica o imperialismo, homenageia Nelson Mandela e lembra dos combatentes cubanos que lutaram em Angola contra forças do exército racista sul-africano (leia aqui o artigo).
Fidel faz um desafio ao países imperialistas a não ocultarem a verdade sobre o apartheid, desafiando os "porta-vozes do império" que explicassem como e por que ele surgiu.
Fidel lembra que o governo sul-africano da época foi aliado de países capitalistas que participavam ativamente da Guerra Fria. "Por que se pretende ocultar que o regime do apartheid, que tanto fez sofrer a África e indignou a imensa maioria das nações do mundo, era fruto da Europa colonial e foi convertido em potência nuclear por Estados Unidos e Israel. [Um regime] o qual Cuba, um país que apoiava as colônias portuguesas na África que lutavam por sua independência, condenou abertamente?", perguntou.
Segundo Fidel, o imperialismo "sempre usará de suas cartas para subjugar a ilha, mesmo que tenha que despovoá-la, privando-a de homens e mulheres jovens, oferecendo migalhas dos bens e recursos naturais com que saqueia o mundo".
Ele também afirma não se lembrar de nenhum fato histórico que tenha causado tanto impacto na opinião pública mundial quanto a morte de Mandela, por sua qualidade humana e a nobreza de seus sentimentos e ideais.
De acordo com o líder cubano, os laços fraternais entre seu país e a África do Sul nasceram do fato de Mandela ser "um apóstolo da paz" e pelo fato do país caribenho "nunca ter realizado ações militares em busca de glória ou prestígio". "Sempre fomos solidários desde os primeiros anos com os movimentos de libertação das colônias portuguesas na África punham em cheque o colonialismo e o imperialismo no pós-guerra".
"É fato completamente real que Mandela foi um homem íntegro, revolucionário profundo e radicalmente socialista que, com grande estoicismo suportou 27 anos de encarceramento solitário. Eu não deixava de admirar sua honradez, sua modéstia e seu enorme mérito".

Por fim, Fidel felicitou seu irmão, o presidente Raúl Castro, pelo gesto de ter estendido a mão ao presidente norte-americano Barack Obama durante o funeral em homenagem a Mandela no estádio Soccer City, na África do Sul. "O papel da delegação cubana durante as homenagens a nosso irmão e amigo Nelson Mandela será inesquecível. (...) Felicito ao companheiro Raúl por seu brilhante desempenho e, em especial, pela firmeza e dignidade quando, com um gesto amável, mas firme, saudou o chefe de governo dos EUA e lhe disse em inglês: ‘Senhor presidente, eu sou Castro’".

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela e a incoerência dos conservadores (Cadu Amaral)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela e a incoerência dos conservadores






Faleceu, em 05 de dezembro, aos 95 anos, o líder sul-africano Nelson Mandela. Símbolo da luta antirracista no planeta, Mandela se tornou referência na busca por mais democracia com tamanha força, que a direita internacional não teve alternativa se não aceitá-lo como liderança. Mesmo que ocultando algumas de suas principais características.

Nelson Mandela era militante da esquerda. Optou pela luta armada, filiou-se ao partido comunista de seu país e, ao sair da prisão, um de seus primeiros atos foi visitar Cuba.

Em um discurso na ilha caribenha, no ano de 1991, em virtude do 38° aniversário do assalto ao quartel de Moncada, Mandela não poupou elogios ao modelo de sociedade cubano (íntegra aqui). Suas palavras foram mais do que mero protocolo.

“Nós também queremos ser donos do nosso próprio destino. Estamos determinados a assegurar que o povo da África do Sul para forjar o seu futuro, continue a exercer os seus direitos democráticos com plenitude após a libertação do apartheid”, disse.

“Sabemos que o espírito revolucionário de hoje começou há muito tempo e que ele foi alimentado com o esforço dos primeiros combatentes da liberdade em Cuba e, de fato, para a liberdade de todos aqueles que sofrem sob o domínio imperialista”, afirmou em outra parte de sua fala.

Mandela também lembrou as ajudas de Cuba a povos africanos que lutavam por sua libertação. “Sabemos também que esta era uma ação de classe em Cuba. Sabemos que aqueles que lutaram e morreram em Angola eram apenas uma pequena parte dos que se voluntariaram. Para o povo cubano, o internacionalismo não é apenas uma palavra, mas algo que já vemos posto em prática para beneficiar grandes segmentos da humanidade”.

Porém, para lograr êxitos político na África do Sul, Mandela teve de recuar em diversos pontos de suas convicções. Escondeu sua relação com o partido comunista para que o imperialismo não interviesse alimentando ainda mais o estado de guerra pelo qual passa seu país.

Nem de longe ele abandonou o principio básico da igualdade. Mas jamais o fizera na forma como a mídia internacional tenta fazer parecer. Faltando apenas imagens de Mandela beijando os pés da elite branca da África do Sul.

Quando, em discursos, Mandela afirmava que não queria supremacia branca nem negra, isso jamais significou dizer que o Estado sul-africano não promoveria a ascensão dos negros, que valeria a irritante verborragia da meritocracia. Tão comum no Brasil.

O principal ponto de Mandela foi, ao se tornar presidente, buscar unificar o país na questão racial. Tentar eliminar a barreira cultural do preconceito. A econômica, que determina a política, é bem mais difícil e isso os sul-africanos não conseguiram. Mas os avanços conquistados graças à luta comandada por ele são inegáveis.

O mais engraçado é ver, nas redes sociais, aos montes, pessoas contrárias às políticas de cotas, odiosas com a esquerda devido à luta armada contra a ditadura civil-militar de 1964 e por ter relações com Cuba.

Esse comportamento é a mais nítida expressão de como a mídia de massas podem manipular as pessoas. Mandela representa tudo o que elas dizem odiar. Sorte de Mandela não ter nascido no Brasil, seria tachado de terrorista, petralha e coisas do gênero.

Vida longa à luta de Nelson Mandela!

http://caduamaral.blogspot.com.br/2013/12/mandela-e-incoerencia-dos-conservadores.html