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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Aulas On-Line de História: Cartago (Erico Dietrich)

Postagem 04/fev/2016...

QUARTA-FEIRA, 3 DE FEVEREIRO DE 2016


CARTAGO


Os fenícios, da cidade Tiro, fundaram no século IX a. C. uma colônia ao Norte da África: a cidade-Estado de Cartago. Em virtude de sua posição e influência fenícia, Cartago logo se transformou em um poderoso entreposto comercial.

Potência comercial
Protegida por grossas muralhas, a cidade cresceu e fundou colônias nas costas do Mediterrâneo. No século V a.C., era a cidade mais rica da região, vivendo cerca de 400 mil pessoas nela. No século IV a.C., Cartago tornou-se um dos maiores impérios marítimos do Ocidente, dominando cidades do Norte da África, da Sicília e da Península Ibérica. Essas regiões forneciam a Cartago alimentos e metais, principalmente chumbo e prata.
Durante muito tempo, os cartaginenses usaram o ouro como forma de pagamento em suas transações comerciais. Isso exigia muito tempo, pois a cada mercadoria comprada era necessário pesar a quantidade certa de ouro e transferi-la para o vendedor. No século IV a.C., os cartaginenses passaram a cunhar sua própria moeda, que substituiu o ouro como forma de pagamento.
Mapa do Mediterrâneo durante as Guerra Púnicas
Eram intensas as atividades comerciais de Cartago. Os comerciantes da cidade compravam e vendiam os mais variados tipos de mercadorias. Ouro, prata, ferro, estanho e marfim, vinham de diferentes regiões da África, Ásia e Europa.
Essas e outras mercadorias entravam e saíam pelo porto de Cartago. Construído em forma circular, havia em seu interior espaço suficiente para mais de duzentas embarcações de guerra.

Força naval e militar
A frota de navios de guerra dos cartaginenses era uma das maiores do Mediterrâneo. Os barcos eram movidos a remo e tinham em sua proa (parte da frente) um esporão para danificar os navios inimigos.
Elefantes eram usados pelo exército de Cartago
Cartago não contava com um exército permanente. Quando se fazia necessário, o governo cartaginês recrutava homens na Grécia, na península Ibérica ou no norte da África, para lutar a seu serviço.
Uma das características do exército cartaginês era o uso de elefantes como arma de guerra. Esses animais, comprados no norte da África, eram utilizados tanto para transportar soldados como para avançar sobre inimigos. 

Declínio
Cartago entrou em declínio no século III a.C., quando passou a sofrer a concorrência de outra grande cidade. Era Roma, que disputava com ela a supremacia na região do Mediterrâneo, em um conflito que ficou conhecido como Guerras Púnicas, entre os anos de 246 a.C. à 146 a.C.

Cartago foi completamente destruída e transformada em província romana. Após de derrotados pelos romanos, pouco restou dos fenícios no Mediterrâneo, os poucos sobreviventes foram enviados à Roma como escravos.






Aulas On-Line de História: Cartago
Osfenícios, da cidadeTiro, fundaram nosécu...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela e a incoerência dos conservadores (Cadu Amaral)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela e a incoerência dos conservadores






Faleceu, em 05 de dezembro, aos 95 anos, o líder sul-africano Nelson Mandela. Símbolo da luta antirracista no planeta, Mandela se tornou referência na busca por mais democracia com tamanha força, que a direita internacional não teve alternativa se não aceitá-lo como liderança. Mesmo que ocultando algumas de suas principais características.

Nelson Mandela era militante da esquerda. Optou pela luta armada, filiou-se ao partido comunista de seu país e, ao sair da prisão, um de seus primeiros atos foi visitar Cuba.

Em um discurso na ilha caribenha, no ano de 1991, em virtude do 38° aniversário do assalto ao quartel de Moncada, Mandela não poupou elogios ao modelo de sociedade cubano (íntegra aqui). Suas palavras foram mais do que mero protocolo.

“Nós também queremos ser donos do nosso próprio destino. Estamos determinados a assegurar que o povo da África do Sul para forjar o seu futuro, continue a exercer os seus direitos democráticos com plenitude após a libertação do apartheid”, disse.

“Sabemos que o espírito revolucionário de hoje começou há muito tempo e que ele foi alimentado com o esforço dos primeiros combatentes da liberdade em Cuba e, de fato, para a liberdade de todos aqueles que sofrem sob o domínio imperialista”, afirmou em outra parte de sua fala.

Mandela também lembrou as ajudas de Cuba a povos africanos que lutavam por sua libertação. “Sabemos também que esta era uma ação de classe em Cuba. Sabemos que aqueles que lutaram e morreram em Angola eram apenas uma pequena parte dos que se voluntariaram. Para o povo cubano, o internacionalismo não é apenas uma palavra, mas algo que já vemos posto em prática para beneficiar grandes segmentos da humanidade”.

Porém, para lograr êxitos político na África do Sul, Mandela teve de recuar em diversos pontos de suas convicções. Escondeu sua relação com o partido comunista para que o imperialismo não interviesse alimentando ainda mais o estado de guerra pelo qual passa seu país.

Nem de longe ele abandonou o principio básico da igualdade. Mas jamais o fizera na forma como a mídia internacional tenta fazer parecer. Faltando apenas imagens de Mandela beijando os pés da elite branca da África do Sul.

Quando, em discursos, Mandela afirmava que não queria supremacia branca nem negra, isso jamais significou dizer que o Estado sul-africano não promoveria a ascensão dos negros, que valeria a irritante verborragia da meritocracia. Tão comum no Brasil.

O principal ponto de Mandela foi, ao se tornar presidente, buscar unificar o país na questão racial. Tentar eliminar a barreira cultural do preconceito. A econômica, que determina a política, é bem mais difícil e isso os sul-africanos não conseguiram. Mas os avanços conquistados graças à luta comandada por ele são inegáveis.

O mais engraçado é ver, nas redes sociais, aos montes, pessoas contrárias às políticas de cotas, odiosas com a esquerda devido à luta armada contra a ditadura civil-militar de 1964 e por ter relações com Cuba.

Esse comportamento é a mais nítida expressão de como a mídia de massas podem manipular as pessoas. Mandela representa tudo o que elas dizem odiar. Sorte de Mandela não ter nascido no Brasil, seria tachado de terrorista, petralha e coisas do gênero.

Vida longa à luta de Nelson Mandela!

http://caduamaral.blogspot.com.br/2013/12/mandela-e-incoerencia-dos-conservadores.html

domingo, 26 de maio de 2013

Lula rechaça complexo de vira-lata (Altamiro Borges)

quinta-feira, 23 de maio de 2013


Lula rechaça complexo de vira-lata

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Por Altamiro Borges


"Quando assumi a Presidência, tinha consciência de que o Brasil precisava conversar com quem tinha maior compromisso histórico ou proximidade com a gente. Isso era essencial para nosso crescimento, para nossa expansão. Acabou o tempo em que a gente fica na expectativa do que os americanos iriam gostar. Acabou o tempo em que a Europa ditava as regras. O Brasil está aprendendo o seu tamanho, a sua importância, a sua capacidade de fazer as coisas", afirmou Lula ontem (22), durante o seminário "As relações do Brasil com a África - A nova fronteira do desenvolvimento global", organizado pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e pelo jornal Valor Econômico.


A declaração do ex-presidente deve irritar ainda mais os barões da mídia colonizada, que padecem do velho complexo de vira-lata e que sempre pregaram o servilismo diante das potências capitalistas. Ela expressa bem a nova orientação dada à política externa no governo Lula e que segue em andamento,  embora de forma mais tímida, na gestão de Dilma Rousseff. Ao romper com a subserviência diante dos EUA e Europa - o chamado "alinhamento automático" imposto pelo tucano FHC - e ao priorizar as relações com os países da América Latina e do sul do planeta, o Brasil se projetou no cenário mundial e tornou-se menos vulnerável à violenta crise que atingiu a economia capitalista.


Como afirmou Lula no evento, o país hoje é mais respeitado no mundo. Isto é o que garantiu a eleição do brasileiro Roberto Azevedo como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) - o primeiro latino-americano a ocupar o posto - e também a escolha de José Graziano da Silva, em 2011, como diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). "Quem diria que o Brasil teria a diretoria da OMC e da FAO? Em 2016, seremos a quinta economia do mundo, mas [o crescimento econômico] precisa estar umbilicalmente ligado ao desenvolvimento social".



Para o ex-presidente, o país deve jogar um papel ainda mais ativo e altivo no cenário mundial. "Ou o Brasil vira um agente global para disputar cada milímetro de espaço no jogo comercial ou vamos ficar para trás... Hoje o mundo comercial é competitivo e ninguém vai dar colher de chá para nós”, disse. Ele também destacou a importância da integração latino-americana e insistiu na necessidade de se estreitar laços com os países africanos. "A construção de um mundo mais equilibrado passa pela África... Não queremos repetir na África os mesmos erros que ingleses e americanos cometeram no Brasil há algumas décadas. Temos que humanizar as relações sociais com os países africanos".

Dispnível em: Altamiro Borges: Lula rechaça complexo de vira-lata

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Lula diz que desenvolvimento da África é parte da solução para a crise mundial

Lula diz que desenvolvimento da África é parte da solução para a crise mundial


22/04/13 - 09h22
Lula diz que desenvolvimento da África é parte da solução para a crise mundial
Lula discursa durante o jantar anual da Africare, em Washington (Foto: Ricardo Stuckert/IL)

Desenvolvimento do continente africanol deve ser visto como uma das portas de saída para a crise mundial.


O desenvolvimento do continente africano, com mais infra-estrutura, distribuição de renda e inclusão social deve ser visto como uma das portas de saída para a crise mundial. Foi o que disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o jantar anual da Africare, em Washington, neste sábado (20).
Lula lembrou que atualmente cerca de um bilhão de pessoas vivem no continente, 300 milhões delas em situação de insegurança alimentar. Há mais uma década, o continente cresce a uma taxa média de 6% ao ano, o que atrai investidores do mundo todo. Mas mesmo assim o continente segue enfrentando antigos problemas. “Acredito que deve ser obrigação transferir tecnologia e valorizar a mão de obra local, contribuindo de todas as formas possíveis para o desenvolvimento dos países africanos”, defendeu o ex-presidente.
Para baixar fotos em alta resolução, visite o Picasa do Instituto Lula.
Lula citou como exemplo o Programa de Desenvolvimento de Infraestruturas na Áfica (Pida – www.pidafrica.org). Os africanos mapearam as principais demandas de infraestrutura no continente e buscam parceiros para fazer essas obras acontecerem. Nos últimos 10 anos, desde a eleição de Lula presidente, o Brasil se tornou um parceiro importante do continente africano e empresas brasileiras estão presentes em diversas obras de infraestrutura na África.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na noite deste sábado (20) em Washington do jantar anual Bispo John T. Walker, organizado pela Africare. Maior organização afro-americana focada no desenvolvimento e assistência ao continente africano, a Africare fez nesta noite a entrega de sua premiação anual. Os homenageados da noite foram o presidente americano Barack Obama e o empreendedor africano das telecomunicações Mo Ibrahim.
Em 2010, o presidente Obama doou parte da premiação que recebeu com o Nobel da Paz para a Africare criar um programa de saneamento básico em Gana. Ele receberá um prêmio em reconhecimento ao impacto que sua atitude teve sobre a vida dos ganeses beneficiados pelo programa.
Lula, que foi o vencedor do prêmio de liderança (African Leadership Aeard) em 2011, em reconhecimento a suas “incontáveis contrubuições ao comércio, investimento e relações diplomáticas entre Brasil e África” enquanto foi presidente do Brasil. O governo Lula mudou a prioridade da política externa brasileira e trabalhou para ampliar as relações entre o Brasil e os países africanos. Foram 33 viagens presidenciais ao continente, com a criação de 19 novas embaixadas.

O prêmio de liderança deste ano foi entregue ao empresário sudanês Mo Ibrahim, um dos primeiros responsáveis pela popularização dos telefones celulares na África. Ao lado de diversas atividades filantrópicas, Mo Ibrahim criou a Mo Ibrahim Foundation, responsável por incentivar a democracia e transparência na África. Anualmente, a fundação confere um prêmio a ex-governantes africanos que trabalharam para melhorar a vida de seus cidadãos. Ele criou ainda um índice de governança para acompanhar os esforços dos governos africanos em uma governança democrática e responsável.
O jantar, com a presença de mil convidados segundo os organizadores, é uma oportunidade única para que vários atores interessados no desenvolvimento da África se encontrem e discutam oportunidades conjuntas de trabalho. Entre os brasileiros presentes estão o embaixador Paulo Cordeiro, subsecretário-geral político para África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, diretores do Instituto Lula, consultores da FGV Projetos e representantes de empresas que são parceiras da Africare, como a Vale.
A Africare
A Africare é a maior e mais antiga organização afro-americana focada em desenvolvimento e assistência humanitária à África. Desde sua fundação, em 1970, a Africare entregou mais de US$ 1 bilhão em assistência a milhões de beneficiários no continente africano. Saiba mais emwww.africare.org.
A Iniciativa África do Instituto Lula
O Instituto Lula realizou, em seu curto período de existência, uma série de eventos no Brasil voltados para a África, reunindo acadêmicos, políticos, empresários e entidades da sociedade civil.
Constituímos uma ampla rede de contatos com governos e organizações multilaterais do Continente Africano, como a União Africana, o Banco Africano de Desenvolvimento e a Comissão Econômica para a África, que tem ajudado a orientar as ações do Instituto.
Um dos resultados que temos orgulho de relatar é a apresentação do Programa de Desenvolvimento em Infraestruturas em África (PIDA), pelos responsáveis por sua elaboração, para o empresariado brasileiro, em evento realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em maio de 2012. Nos dias 30 de junho e 1º de julho deste ano, o Instituto Lula, a FAO e a União Africana realizam em conjunto um seminário em Adis Abeba sobre combate à fome na África.
Para saber mais sobre a Iniciativa África do Instituto Lula, clique aqui.
Leia abaixo o discurso completo do ex-presidente Lula:
Minhas amigas e meus amigos,
É um prazer muito grande estar aqui. No ano passado, eu tive a honra de ser homenageado por vocês, mas naquele momento ainda me recuperava do tratamento médico ao qual fui submetido para tratar de um câncer na garganta e não pude comparecer.
Hoje, eu saúdo a homenagem feita ao presidente Barack Obama, representado aqui por Denis McDonough.
Minhas amigas e meus amigos,
Eu estou convencido de que a fome no mundo e em especial na África é a luta mais importante a ser travada por todos aqueles que têm um mínimo de compromisso com manutenção da paz e a consolidação da democracia em todo o globo.
Neste mundo produtor de inestimáveis riquezas é inadmissível que exista tanta gente passando fome, que existam ainda tantas mães de família acordando todos os dias sem a garantia de que terão pelo menos um prato de comida para alimentar seus filhos.
Vocês todos sabem que a África atravessa neste início de século 21 um momento muito especial. Já faz mais de uma década que o continente tem um crescimento médio de 6% ao ano. A maioria dos países africanos está vivendo um ciclo contínuo de desenvolvimento econômico e tudo indica que, mesmo com a crise internacional, este ciclo não será interrompido.
Ao mesmo tempo, é inegável o avanço da marcha pela democracia e pela paz no continente. Foram 25 eleições para cargos executivos e legislativos que aconteceram em países africanos no ano passado.
Eu acredito que esses caminhos, o do desenvolvimento, da paz e da democracia, correm juntos. Eles são irreversíveis no continente africano.
Entretanto, nós ainda temos um problema seríssimo para resolver: segundo a FAO, a África tem hoje 1 bilhão de habitantes, dos quais 300 milhões vivem em situação de insegurança alimentar.
Eu simplesmente não consigo conceber a ideia de que desenvolvimento econômico não resulte na diminuição das desigualdades sociais.
Eu sei que em vários países africanos existem políticas de incentivo a uma melhor distribuição de renda. Eu sei que uma nova classe média está se formando por toda a África. Mas eu já ouvi de vários dirigentes de países africanos a avaliação de que o ritmo do combate à fome e à miséria em todo o continente está abaixo do que eles gostariam.
Um caminho promissor para os governos é o de usar parte das receitas produzidas dentro de seus países e de seus orçamentos anuais para implementar vigorosos programas sociais que ajudem a melhorar a renda e as condições de vida do seu povo. Essa é uma decisão essencial, que só os governantes africanos podem tomar.
Mas, nós, líderes políticos, autoridades de governo, empresários e instituições de países não africanos também temos um papel importante.
Muitos países ricos investem na África em petróleo, gás e minérios imprescindíveis para suas economias. Mas acredito que também deve ser obrigação transferir tecnologia e valorizar a mão de obra local, contribuindo de todas as formas possíveis para o desenvolvimento dos países africanos.
Ao mesmo tempo, organizações não governamentais, organismos multilaterais e instituições imbuídas das melhores intenções atuam para levantar recursos financeiros e levar alimentos para as populações atingidas por conflitos ou desastres naturais.
Mas, o fato é que essas nobres ações, se isoladas, serão sempre paliativas e insuficientes, diante daquilo que nós podemos e devemos dispor para ajudar o processo de desenvolvimento que vive hoje o continente.
Minha convicção é a de que precisamos articular esses esforços e apoiar as iniciativas direcionadas para a África. Assim será possível criar um novo modelo de relacionamento com os países africanos.
Dou um exemplo. Seria muito positivo se as instituições, os empresários e os governos se dedicassem a conhecer e apoiar o Programa de Desenvolvimento para Infraestrutura da África, o PIDA. Ele foi elaborado pela União Africana no ano passado e reúne as principais obras necessárias para integrar e impulsionar a economia do continente, sobretudo nas áreas da energia e dos transportes.
Obras básicas de infraestrutura, meus caros, são essenciais para facilitar e baratear o acesso da população à àgua e à energia elétrica, ampliar o comércio e a renda e permitir melhores condições de saúde, educação e produção para os países africanos.
Outro esforço de enorme importância que podemos empreender é tornar a luta contra a fome no continente uma verdadeira obsessão.
Isso significa concentrar todos os esforços para apoiar os países africanos a desenvolver sua agricultura e ampliar a produção e o acesso aos alimentos.
É exatamente por isso, que nos dias 30 de junho e primeiro de julho realizaremos, em Adis Abeba, na Etiópia, um grande fórum, organizado pela FAO, a União Africana e a Comissão Econômica para a África da ONU, com o apoio do Instituto Lula.
Vamos reunir governantes e ministros africanos, representantes de organismos multilaterais, dirigentes das principais ONGs internacionais, estudiosos e economistas.
A intenção é reunir num mesmo ambiente todas as nossas iniciativas para que nos conheçamos melhor. A partir daí, vamos procurar coordenar e unificar as ações que existem na África. Só assim poderemos obter resultados mais rápidos e efetivos.
Eu não poderia perder essa oportunidade para convidar todos vocês a se juntarem a nós nesse esforço.
No Brasil, foi o combate à pobreza integrado a políticas de desenvolvimento e inclusão social que nos permitiu impulsionar o crescimento da nossa economia. Em 10 anos, tiramos 33 milhões de pessoas da pobreza extrema, levamos 40 milhões para a classe média e criamos 19 milhões de empregos formais.
Tenho certeza de que o desenvolvimento e o combate à pobreza na África, os investimentos em infraestrutura e inclusão social no continente podem impulsionar a recuperação da economia mundial. A África não pode ser encarada como um problema. A África tem que ser vista como parte da solução para a construção de um mundo mais justo, solidário e sem fome.
Meus amigos e minhas amigas,
Acabei de expor aqui as expectativas que possuo em relação ao desenvolvimento dos povos e dos países do continente africano. Eu tenho a certeza de que meu amigo Mo Ibrahim compartilha dessas minhas inquietações. Em dezembro passado, nós tivemos uma longa e agradável conversa. E eu pude constatar a seriedade do trabalho que o Mo Ibrahim realiza pelo desenvolvimento, pela democracia e por uma melhor governança na África.
A Fundação Mo Ibrahim tornou-se uma referência para todos aqueles que desejam entender a África e apoiar seu desenvolvimento combatendo às desigualdades sociais.
Ao premiá-lo, a Africare acertou em cheio e foi por isso que eu fiz questão de estar aqui. Para agradecer pessoalmente a homenagem que vocês me prestaram em 2011 e ter o prazer de passar esse troféu para as mãos do Mo Ibrahim.
Parabéns, companheiro, esta homenagem é mais do que merecida.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Expansão brasileira é considerada imperialista por alguns vizinhos (Deutsche Welle)

Expansão brasileira é considerada imperialista por alguns vizinhos

Internacional


Deutsche Welle

16.01.2013 09:42


Expansão brasileira é considerada imperialista por alguns vizinhos


No início, os uruguaios ainda gostavam da cerveja brasileira. As filiais do Banco Itaú na capital Montevidéu tampouco eram um problema. Porém, em 2006, quando as firmas brasileiras passaram a comprar os armazéns frigoríficos do país, muitos ficaram desconfiados. De uma hora para outra o grosso dos negócios com a carne bovina, campeã de exportações do país, encontrava-se em mãos brasileiras.
Frigoríficos no Uruguai, plantações de soja no Paraguai, usinas hidrelétricas no Peru: as empresas do Brasil conquistam a América do Sul. E com cifras de impor respeito. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, o total das exportações nacionais para o restante da América Latina e o Caribe saltou de 11,5 bilhões para 57 bilhões de dólares, entre 2002 e 2011. Isso situa a região como segundo mais importante mercado para o comércio externo brasileiro, depois da Ásia.
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Frigoríficos no Uruguai, plantações de soja no Paraguai, usinas hidrelétricas no Peru: as empresas do Brasil conquistam a América do Sul
Admiração e rejeição
Porém os demais latino-americanos observam com ceticismo a ascensão econômica do país. “Em muitos aspectos, os países veem o Brasil com um olhar semelhante ao que a América do Sul tinha sobre os Estados Unidos”, expõe Oliver Stünkel, professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas, em entrevista à DW Brasil. “É uma mistura de admiração e rejeição.”
O clima político é especialmente tenso no Paraguai. A atitude brasileira após a posse do então presidente Fernando Lugo, em junho de 2012, ainda é encarada como uma intervenção descabida. “Quando o Brasil pressionou para que o Paraguai fosse suspenso do mercado comum Mercosul, voltou a aflorar o sentimento de que o país se comporta como uma potência colonial”, explica Stünkel.
O ex-ministro brasileiro do Exterior Luiz Felipe Lampreia também classifica como uma gafe diplomática o comportamento de seu governo na época. “Essa decisão política despertou um grande mal-estar no Paraguai”, admitiu em entrevista à DW.
No entanto, o diplomata considera absurda a acusação de que o Brasil estaria se comportando de forma colonialista. “Os brasileiros pagam impostos, exportam mercadorias e criam postos de trabalho, tanto no Paraguai como no Uruguai ou na Bolívia”, contra-argumenta Lampreia.
África, o alvo preferencial
Chefes de Estado Lula (esq.) e José Eduardo dos Santos, de Angola, em 2010
Chefes de Estado Lula (esq.) e José Eduardo dos Santos, de Angola, em 2010
Quer como amigo, quer como inimigo, a expansão econômica e política do Brasil segue a passos largos. A mineradora Vale S.A. pretende investir no exterior, até 2014, um total de 9,6 bilhões de dólares, em especial em países africanos como Moçambique, Angola e Zâmbia. Com 17 mil funcionários, a multinacional Odebrecht é a maior empregadora privada de Angola. E a semiestatal Petrobras explora petróleo em Angola e na Nigéria.
A expansão brasileira no continente africano é fruto de uma intenção política. Lá, o gigante sul-americano está representado com, no mínimo, 37 embaixadas. E, ao oferecer créditos acessíveis, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também ajuda a financiar grandes projetos domésticos.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou os países ao sul do Saara mais de uma dezena de vezes durante seus dois mandatos, de 2003 a 2011. Também sua sucessora Dilma Rousseff segue apostando na cooperação sul-sul. Com resultados palpáveis: de 2000 até agora, o volume anual de negócios Brasil-África cresceu de 4,2 bilhões para mais de 20 bilhões de dólares.
Mais uma nação imperialista?
Entretanto também na África lusófona a expansão brasileira gera tensões. Em julho de 2010, manifestantes enfurecidos invadiram a mina de ferro da Vale S.A. na Guiné, por violações dos direitos dos trabalhadores. Também em Moçambique, no leste africano, pequenos agricultores protestaram no último ano contra a empresa mineradora, por desalojá-los, a fim de dar lugar à exploração de carvão mineral em Moatize.
Mina de carvão em Moatize, Moçambique
Mina de carvão em Moatize, Moçambique
“Em Moçambique, a relação da Vale com a população local é tão ruim que, para muitos, a atual imagem do Brasil é pior do que a de Portugal da época colonial”, escreveu Carlos Tautz para O Globo. Se o governo não lembrar as firmas brasileiras do respeito às normas internacionais, no futuro o Brasil será percebido “como mais uma nação imperialista”, advertiu o jornalista.
O professor Oliver Stünkel, contudo, não partilha essa opinião. “A reputação do Brasil na África é muito boa. Para o país, ainda se desenrola o tapete vermelho”, afirma o perito econômico.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Novo comandante rebelde na Líbia exige desculpas dos EUA e do Reino Unido


05/09/2011 - 09:45 | Renata Giraldi/Agência Brasil | Brasília

Novo comandante rebelde na Líbia exige desculpas dos EUA e do Reino Unido


O novo comandante militar de Trípoli, Abdel Hakim Belhaj, exigiu nesta segunda-feira (05/09) um pedido de desculpas do Reino Unido e dos Estados Unidos. A exigência se deve à descoberta de documentos que revelam que os dois países foram cúmplices de agressões e torturas durante o governo de Muamar Kadafi – que ficou quase 42 anos no poder. "O que fizeram comigo foi ilegal e merece um pedido de desculpas”, disse Belhaj.

Em meio à destruição da Embaixada dos EUA em Trípoli, foram encontrados documentos referentes aos arquivos dos serviços de informações do regime de Kadafi. O material foi localizado pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.

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Os documentos detalham a captura do próprio Abdel Hakim Belhaj, opositor do regime de Kadafi, e da mulher dele, grávida. Segundo o material coletado, o casal foi capturado com a ajuda da Agência Central de Inteligência norte-americana (cuja sigla em inglês é CIA), em Bangcoc, na Tailândia, em 2004. Em seguida, os dois foram entregues às autoridades líbias.

Ainda de acordo com os documentos, durante os sete anos em que ficou detido, Belhaj foi interrogado por membros do serviço secreto britânico e alvo de tortura. “Injetaram algo em mim, me penduraram em uma parede com os braços e pernas presos, depois me colocaram em um local com gelo”, contou o atual comandante militar de Trípoli, controlada pelos rebeldes.

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Há mais de uma semana, Trípoli e a maior parte da Líbia estão sob poder da oposição. Khadafi, porém, ainda é procurado e encontra-se em local desconhecido. A mulher dele e três filhos pediram abrigo na Argélia. Dois dias depois de chegar ao país, Aisha, filha do líder líbio, deu à luz o quarto filho, uma menina.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa 

domingo, 15 de maio de 2011

A viagem literária de Vargas Llosa ao coração das trevas (Prosa & Verso: O Globo)


Numa longa reportagem intitulada “Viagem ao coração das trevas”, publicada em janeiro de 2009 no “El País”, Mario Vargas Llosa narrava os horrores da guerra civil do Congo, que, embora tenha durado oficialmente de meados dos anos 1990 a 2003, continua até hoje em conflitos espalhados pelo país. Os leitores do jornal espanhol não sabiam, mas a passagem do escritor peruano pela África foi dividida em duas partes, uma pública e outra secreta. Na primeira, Vargas Llosa percorreu a divisa com Ruanda, escoltado pelos Médicos Sem Fronteiras, documentando as agressões trocadas entre hutus, tutsis e outros grupos da região para a matéria do “El País”. Depois, atravessou o Congo para conhecer as cidades de Boma e Matadi, onde viveu o protagonista do romance que pouca gente sabia que ele estava escrevendo, mas que já tinha título: “O sonho do celta”.

Lançado no fim de 2010 em meio à fanfarra pelo reconhecimento tardio do comitê do Nobel de Literatura, o novo livro de Vargas Llosa, que chega agora ao Brasil pela editora Alfaguara em tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman, mostra o resultado da longa pesquisa feita pelo escritor. “O sonho do celta” conta a história do irlandês Roger Casement, que no início do século XX foi cônsul britânico no Congo e na América Latina (inclusive no Brasil) e escreveu relatórios denunciando os massacres cometidos pelo rei belga Leopoldo II na então colônia africana e os abusos sofridos pelos índios Putumayo no Peru.

Além do Congo, Vargas Llosa foi à Amazônia peruana e à Irlanda para investigar a vida de seu protagonista. No início, não estava seguro sobre o alcance de seu romance histórico, mas depois da viagem à África percebeu que os abusos denunciados por Casement há um século tinham uma ligação profunda com a situação atual do país e do continente. Em entrevista ao GLOBO por e-mail, Llosa recorda o momento em que se deu conta disso, num campo de refugiados com “milhares vivendo em tendas de trapos ou tombados no solo, sem ânimo para se levantar”, onde ouviu o testemunho comovido de um médico sobre os estupros em série cometidos por todas as facções envolvidas na guerra civil.
— Fiz a viagem ao Congo porque queria percorrer os lugares onde Casement tinha vivido e onde se passam os episódios congoleses do meu romance. O que eu não espertava era descobrir que no período que eu descrevia tinha sido forjada toda essa violência atroz que ainda é a realidade cotidiana para milhões de famílias congolesas — recorda.

O personagem que apresentou Vargas Llosa às consequências do colonialismo foi o mesmo que, no início do século passado, abriu os olhos de Joseph Conrad, que chegou ao Congo no barco de uma companhia de Leopoldo II, para o absurdo da ocupação belga, inspiração do romance “O coração das trevas”. Foi numa biografia recente de Conrad que o autor peruano leu pela primeira vez sobre Casement. Ficou “intrigado e fascinado” pelo personagem e por seu “trágico destino”, diz.

Depois de retornar ao Reino Unido como herói, Casement se engajou na luta pela independência da Irlanda. Preso por traição ao governo em 1911, ele se viu isolado depois da publicação de trechos de seus diários em que confessava ser homossexual e pedófilo. Foi enforcado em 1916, e seu legado de defesa dos direitos humanos foi eclipsado por esse escândalo sexual. Suspeitas de que os diários haviam sido forjados para incriminá-lo foram dissipadas por estudos recentes, mas Vargas Llosa se alinha aos que defendem que boa parte dos trechos mais explícitos são apenas fantasias de Casement.
Apesar dessa observação e dos anos de viagens e pesquisa em bibliotecas, o autor peruano sublinha que não quis fazer de “O sonho do celta” um documento histórico.
— Sempre faço uma pesquisa extensa porque, dessa maneira, vou me empapando pouco a pouco do mundo que quero descrever. Isso é um grande apoio para minha fantasia. Mas não sou um historiador e sim um romancista, e em “O sonho do celta” há muito mais invenção e fantasia do que memória histórica.

A mescla de fantasia e História é uma marca de romances importantes de Vargas Llosa, como “A festa do bode”, que repassa três décadas de ditadura na República Dominicana, “A guerra do fim do mundo”, baseado no cerco a Antônio Conselheiro e ao Arraial de Canudos, e “Conversa na catedral”, um registro da vida no Peru de meados do século XX, que o próprio autor considera $obra-prima. O livro novo se aproxima da ambição desses, mas Vargas Llosa diz ter buscado um registro novo:
— Em “O sonho do celta” usei de maneira deliberada um tipo de escrita que se assemelha às crônicas históricas, aos informes e aos diários pessoais, o que não tinha feito nos romances anteriores. Me pareceu que, usando um simulacro desses gêneros, aproximava psicologicamente o livro do tempo em que o romance transcorre, o fim do século XIX e início do XX — explica.

Lançado no mês seguinte ao anúncio do Nobel, o romance se beneficiou da repercussão do prêmio. Grande parte da crítica recebeu o livro com entusiasmo e viu na história de Casement a manifestação quase literal dos elogios feitos a Vargas Llosa pela Academia Sueca, que justificou a decisão destacando “sua cartografia das estruturas do poder e suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota do indivíduo”. Mas não foram poucas as vozes dissonantes que lamentaram a pobreza de estilo do texto (na resenha abaixo, Wilson Alves-Bezerra critica a estratégia adotada pelo escritor de dar à prosa um tom excessivo de crônica histórica).

À polêmica sobre a qualidade do novo romance seguiram-se outras. Em tempos de eleições no Peru, o escritor — que de$de ser derrotado por Alberto Fujimori em sua quixotesca campanha presidencial de 1990 prometeu não se envolver mais com política — se manifestou quando as urnas indicaram os candidatos que disputarão o segundo turno, em 5 de junho. Para o ex-comunista e hoje neoliberal Vargas Llosa, o país tem duas escolhas entre o nacionalista de esquerda Ollanta Humala e Keiko Fujimori, “o suicídio ou um milagre”, disse à imprensa local. Em artigo recente no “El País”, porém, declarou um relutante apoio a Humala, alarmado com as consequências de uma possível vitória da jovem filha de seu velho inimigo.

Em abril, as polêmicas o acompanharam à Argentina. Chamado para abrir a Feira do Livro de Buenos Aires, esteve prestes a ser desconvidado pelo diretor da Biblioteca Nacional por ser um crítico da presidente Cristina Kirchner, que terminou intervindo em favor do escritor. Os conflitos o cansam, mas também previnem contra o que vê como uma “doença” que afeta muitos escritores e tem o rondado desde o Nobel: “tornar-se uma estátua em vida”.
— Não levo muito a sério as referências a mim ou à minha obra relacionadas com esse prêmio. E continuo atuando com a mesma liberdade, inconformismo e atrevimento de antes. Não fujo dessas polêmicas políticas e literárias que, não sei por quê, parecem me acompanhar ao longo da vida como uma sombra.

...Leia integra no original:

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Tribunal Penal Internacional. Khadafi será denuncidado pela ONU por crimes contra a humanidade

Atualizado em 27 de fevereiro, 2011 - 07:48 (Brasília) 10:48 GMT
Conselho de Segurança da ONU aprova sanções contra Khadafi

Todos os 15 países do órgão aprovaram as sanções

O Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade sanções contra o regime do líder da Líbia, Muamar Khadafi, pela violência com que vem lidando com os protestos contra seu governo.
O órgão aprovou um embargo à venda de armas, o congelamento de bens e apresentará denúncia contra Khadafi no Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade.
O presidente americano, Barack Obama, disse que o líder líbio deve deixar o cargo e o país imediatamente.
Khadafi controla ainda a capital, Trípoli, mas o leste do país está na mão dos opositores de seu regime.

Pós-Khadafi

Há relatos de que já começaram as discussões sobre a formação de um governo de transição em um cenário pós-Khadafi.
Mustafa Abdel-Jalil, que se demitiu do posto de ministro da Justiça em protesto contra a violência usada para lidar com os protestos, disse que um grupo formado por lideranças civis e militares se prepararia para eleições dentro de três meses, de acordo com o jornal privado líbio Qurya.
Os EUA teriam manifestado apoio ao plano, discutido na cidade de Benghazi.

A ONU calcula que mais de mil pessoas foram mortas nos últimos 10 dias em tentativas do regime de Khadafi de reprimir o levante.
A votação ocorrida na noite de sábado foi a segunda vez que o Conselho de Segurança decidiu levar um país ao Tribunal Penal Internacional e a primeira vez que isso ocorre por unanimidade.
A ONU estima que mais de mil pessoas já tenham morrido na Líbia
Em 2005, o órgão denunciou a situação em Darfur, no Sudão, mas Brasil, Argélia, China e Estados Unidos se abstiveram.

Contradição

Após a votação, o enviado da Líbia para o Conselho de Segurança disse que as sanções dariam “apoio moral” aos opositores do regime.

Os EUA já impuseram sanções unilaterais ao governo Khadafi e fechou sua embaixada no país. A Austrália também disse que imporá sanções a 22 integrantes do círculo do líder líbio.

No sábado, o filho de Khadafi Saif al-Islam disse que a vida segue normalmente em três quartos do país. Mas opositores do regime dizem que controlam 80% do país.
“A paz está retornando ao nosso país”, disse ele. Acredita-se que Khadafi controle a maior parte de Trípoli, lar de dois milhões dos 6,5 milhões de habitantes da Líbia.
A oposição controla a cidade de Bhengazi e há relatos de confrontos nas cidade de Misrata e Zawiya, no oeste do país.

Milhares de estrangeiros, a maioria empregados da indústria de petróleo, continuam a ser evacuados por ar, terra e pelo mar. Todos os brasileiros já deixaram o país, segundo o Itamaraty.
Correspondentes dizem que milhares de pessoas se encontram no aeroporto de Trípoli tentando embarcar e na fronteira com a Tunísia.

...Disponível no Portal BBC BRASIL: (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/02/110227_libia_onu_rc.shtml?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter). Acesso em: 27.fev.2011.

Internacional. Arábia Saudita. Monarquia acuada

26 de fevereiro de 2011 • 21h57 • atualizado às 22h01
Conflitos podem chegar à Arábia Saudita, dizem especialistas

Flavia Bemfica

É tão crítica a situação no norte da África e partes do Oriente Médio que nem mesmo os especialistas na geopolítica da região arriscam palpites sobre os desdobramentos dos conflitos. Para os analistas, apesar de a Líbia ser a "bola da vez", é forte a tendência de que os conflitos se estendam por outros países. E a preocupação é de que eles possam chegar à Arábia Saudita, principal produtor mundial de petróleo.

"Do norte da África ao Paquistão, ninguém está a salvo" resume o professor André Reis da Silva, coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "Se os conflitos chegarem à Arábia Saudita (para onde já foi marcado um 'dia de fúria' em 11 de março), a sineta que está tocando vai se transformar em um alarme", completa a professora de História Contemporânea da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Cláudia Musa Fay.

As consequências de uma troca de poder na Arábia Saudita, onde a mesma dinastia governa o país desde a sua fundação, em 1930, são "incalculáveis" na opinião dos especialistas. Não apenas pela questão do petróleo, já que hoje o país é governado por uma ditadura amiga do Ocidente. Derrubar o regime teria sobre os vizinhos um efeito bem mais intenso do que o fim das ditaduras na Tunísia e no Egito porque na Arábia existe uma monarquia, e acabar com um sistema inteiro costuma ser mais complexo do que interromper um governo. E, por isso, uma vitória daria aos que clamam por mudanças na região ainda mais força.

O fato de existir uma monarquia no país e as dificuldades de substituição do sistema, por outro lado, podem também ajudar a frear os distúrbios. Além disso, na tentativa de acalmar os ânimos, o idoso rei Abdullah (87 anos, e que retornou ao país na semana que passou após três meses fora em tratamento médico) anunciou um pacote de ações que beneficiam a classe média e o funcionalismo público.

"Mesmo com o maior grau de dificuldade, sempre se pode lembrar o exemplo da revolução inglesa no século XVIII. A instituição monarquia ficou garantida, só que com muito menos poder, e as mudanças foram feitas via gabinete dos ministros", alerta Reis da Silva.

Por enquanto, as atenções continuam a recair sobre a Líbia. Mas, para além dos domínios do ditador Muammar Kadafi, a situação é considerada crítica em pelo menos 10 países, com diferentes graus de tensão. Como, desde o princípio, os conflitos atingem tanto ditaduras aliadas aos Estados Unidos como adversárias, um Ocidente cauteloso se pergunta o que esses países têm em comum além do baixo grau de democracia e da religião, e como os protestos se espalharam de forma tão rápida.

Fatores conjunturais e estruturais explicam a expansão dos distúrbios Além das questões históricas, como o fato de os países terem sido alvo do imperialismo durante um extenso período. A professora Musa Fay destaca o fato de, atualmente, eles sofrerem com os fatores econômicos, como a baixa qualidade de vida e o desemprego que atinge em grande medida inclusive a população jovem. "Falamos de países com desemprego na faixa dos 30% e com uma desigualdade social não apenas grande, mas que perdura há muito tempo. Além disso, não podemos esquecer o fator século XXI, marcado pela velocidade na circulação das informações e na facilidade de comunicação", enumera ela.

A população ocidental que não acompanha de perto a situação daquela região do planeta pode pensar, por exemplo, que Kadafi blefa ao acusar o chefe da rede Al-Qaeda, Osama bin Laden, de alimentar os protestos na Líbia. O professor Reis da Silva explica que o ditador retoma uma disputa histórica na região, onde três grandes correntes de opinião se engalfinham desde o século passado. Elas incluem os nacionalistas, representados em diferentes países pelo partido Baath e por governantes como o próprio Kadafi ou o ex-ditador do Iraque, Saddam Hussein; os fundamentalistas islâmicos (que encontram expressão na Al-Qaeda e no Hezbollah, e que em determinados momentos foram patrocinados pelos Estados Unidos); e os pró-ocidentais (que incluem representantes das elites locais e os governos de alguns dos países).

"Durante a invasão do Iraque, em 2003, muitos governos tiveram que 'segurar' suas populações, que se manifestavam contra a intervenção ocidental, e aí estas questões de hoje já apareciam. Da mesma forma como aparecem em relação a cada ação de Israel que, neste momento, não pode fazer nenhum movimento brusco. Desde o século VIII é muito forte esta concepção de solidariedade para com o irmão islâmico que está sofrendo. A concepção de grupo no islamismo é completamente diferente da ocidental", assegura o professor.

Para além dos motivos dos distúrbios, os especialistas se debruçam agora sobre seus desdobramentos em termos de política interna. Reis da Silva chama a atenção para o papel que pode ser desempenhado pelos exércitos, já que são eles que podem aparecer como a força "moderada". "No caso da Líbia, por exemplo, têm chamado a atenção estas dissidências. Para os Estados Unidos, se o exército assumir, o dano é menor do que se a população pegar o poder porque ela é francamente anti-Ocidente." O caso do Egito dá ainda mais força às projeções.

...(Disponível no Portal Terra: (http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4963207-EI17594,00-Conflitos+podem+chegar+a+Arabia+Saudita+dizem+especialistas.html),. Acesso em: 27.fev.2011.