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Banqueiro em política é véspera de bancarrota
Disponível em: (http://www.brasil247.com/+dxhdc). Acesso em: 21/set/2014.
Banqueiro em política é véspera de bancarrota
Por Palmério Doria, especial para o 247
21
DE SETEMBRO DE 2014 ÀS 10:54
Nos Estados Unidos o respeitado Riggs Bank, de Washington,
conhecido pela tradição de ser o banco oficial de todos os presidentes,
sucumbiu ao ser descoberto numa indesculpável travessura: abrigava contas
milionárias de Augusto Pinochet, o ditador chileno, abertas com passaportes e
nomes falsos. Obviamente o dinheiro sujo do genocida andino chegou aos seus
cofres com a conivência da diretoria. Deixaram, assim, os banqueiros do Riggs
de frequentar o Salão Oval para o amargor de depoimentos em chefaturas
policiais e audiências nos tribunais de justiça.
Na Argentina, dois bancos mantiveram relações carnais com os
milicos golpistas pós-1976, o ano da derrubada da viúva de Perón e instauração
do regime cruel que sequestrou, matou e desapareceu com cerca de 30 mil
pessoas. O Banco de Intercâmbio Regional (BIR) e o Banco Oddone tinham
tentáculos dentro dos quartéis e passe livre na Casa Rosada, ocupada
alternadamente por generais ladrões e assassinos. Mas suas contabilidades –
escondidas pela profusão de patrocínios culturais, badalações no society
platino e eventos no exclusivo Jockey Club portenho – estavam podres. Nem os
militares ousaram salvar os banqueiros falidos quando Jose Alfredo Martinez de
Hóz, o czar da economia, decretou as quebras.
Enquanto milhares de correntistas iam do escândalo nas portas
(cerradas) das agências ao “simples” suicídio, os banqueiros fugiram para o
exterior ou acabaram nos calabouços do regime. A influência política de nada
valeu diante da revolta popular e da comoção causada pela debacle sistêmica
provocada pela quebra do BIR e do Oddone. E eram todos bancos presumivelmente
“sadios” e com forte proteção política.
José Rafael Trozzo, o presidente do BIR, era a voz de apoio ao
regime entre o empresariado mais saliente, e Luis Alberto Oddone, dono do banco
que levava seu sobrenome, chegou mesmo a custear do próprio bolso a fortuna de
US$ 700 mil (valores de 1976) pagos à agências internacionais de relações
públicas e lobby para que propagandeassem os feitos do novo regime argentino.
Trozzo, avisado por um general camarada, fugiu para Miami. Oddone resolver
peitar Martinez de Hóz e passou longa temporada numa masmorra nos arredores de
Buenos Aires.
Mais curioso foi o final do banqueiro Ruben Beraja, do Banco
Mayo, presidente da DAIA (Delegación de Asociaciones Israelitas
Argentinas) e destacado membro da corte de Menem, nos anos infames do
neoliberalismo platino. Diante de uma fraude monstruosa, um rombo que
atravessava a casa das centenas de milhões de dólares, o BCRA (o Banco Central
de lá) simplesmente decretou a liquidação do Mayo. Beraja se encontrava em
Washington, como feliz e prestigiado integrante da comitiva do presidente
Carlos Menem. No hall do hotel, a caminho da Casa Branca, Carlos Korach,
mafioso chefe-de-gabinete da Casa Rosada, o desconvida na frente dos presentes
e lhe dá com crueza a notícia do estouro de seu banco: “Te jodeste, hermano”.
Nem sempre a proximidade com o poder e a intimidade com os poderosos consegue
segurar um banco quebrado. Dinheiro é coisa séria.
Ricardo Espirito Santo Salgado comandou por muitos com
mão-de-ferro o banco que leva o sobrenome da família materna. Ganhou o popular
apelido de “o-dono-disto-tudo” e recebia presidentes, primeiros-ministros e
autoridades monetárias em sua deslumbrante casa nos arredores de Lisboa, talvez
uma das mais lindas da Europa. Elegante e arrogante, impôs-se na política
portuguesa, na de Moçambique, na de Angola e, também, recebeu Marcos Valério e
uns sôfregos emissários do delator Roberto Jefferson, então influente dono do
PTB, para negociações mirabolantes acerca de aplicações das reservas do tesouro
brasileiro. Que, é claro, jamais foram feitas.
O sólido banco de Ricardo E. S. Salgado não era tão sólido
quanto parecia, e seu espírito como banqueiro estava longe de ser santo. Hoje,
depois de apeado da presidência do antigo colosso lusitano, espera em prisão
domiciliar a decisão da Justiça sobre propinas pagas, propinas recebidas,
desvios de fundos e balancetes dignos de Ionesco. Não sem antes ter deixado nas
burras do tesouro a bagatela de três milhões de euros - valor arbitrado como
fiança pelo direito de não ir (por enquanto) mofar num cárcere lisboeta
qualquer. Sabe o que aconteceu ao ex-dono-disto-tudo? Encontrou pela frente um
primeiro-ministro corajoso, um ministro da Fazenda sério e um juiz imparcial. O
futuro do ex-banqueiro que comandou governos e tratava dignatários por “tu” não
é nada alvissareiro.
Voltemos ao patropi.
Ângelo Calmon de Sá despachava em histórico edifício na Cidade
Baixa, em Salvador, sede do então centenário Banco Econômico. Não fitava as
pessoas, mal as cumprimentava e um dos seis elevadores estava permanentemente
interditado. Só o “doutor Ângelo” podia usá-lo. Estava em Paris, numa suíte do
George V, tomando champanhe Cristal Rosé Brut Imperial com dona Ana Maria, mas
o “seu” elevador, lá no centro histórico lindo e fétido de nossa primeira
capital, estava fechado aos mortais. Ele era uma semidivindade baiana. Não
estava entronizado no altar da Igreja do Bonfim nem flutuava entre os imensos
Orixás do genial escultor Tati Moreno nas águas escuras do Dique do Tororó.
Os governadores da Bahia passavam pela opulenta casa,
majestosamente plantada entre mangueiras frondosas, lá no alto de um dos vales
rasgados no ventre soteropolitano, prestando-lhe vassalagem e os salamaleques
de praxe. Muitas e muitas vezes o “doutor Ângelo” viajava ao Rio, São Paulo ou
Brasília, sozinho, aboletado em um de seus dois jatos Falcon, enquanto seus
assessores diretos, velhos diretores e gerentes fiéis o seguiam como mortais
que eram em voos comerciais. Ministro da ditadura militar e de Collor,
presidente do Banco do Brasil, nome sempre lembrado para concorrer ao governo
da Bahia, industrial com várias fábricas da Coca-Cola, imenso plantador de
cacau, criador de gado da melhor raça, latifundiário de terras que se perdiam
no horizonte. Financiou pesadamente todos os partidos, com preferência pela
Arena, PDS e PFL, sem se esquecer de encher os cofres de FHC em 94. Pois meses
depois - e com dezenas de deputados e senadores comandados pelo inefável ACM
atravessando a rua e invadindo o Palácio do Planalto para pressionar em favor
do “doutor Ângelo” e do seu agonizante bancão – o mesmo FHC foi obrigado a
decretar o fim do Econômico. Estava podre.
Do “doutor Ângelo” sobrou uma dívida imensa, recordações
cinzentas e uma pasta rosa, providencialmente deixada em sua mesa na
presidência do Econômico, com a contabilidade paralela onde constavam generosos
aportes aos políticos de suas relações, de ACM a FHC, passeando por todo o
abecedário.
José Eduardo Andrade Vieira era o quarto dos filhos do velho
Avelino, o mais destacado banqueiro paranaense. Dois irmãos morreram no mesmo
acidente aéreo. O terceiro, de enfarte fulminante. Sobrou ele, a quem não
estava destinada a tarefa de comandar o império iniciado pelo pai. Como o J.
Pinto Fernandes, do poema do mestre Drummond, “Zé do Banco” não tinha entrado
na história, mas com o Bamerindus ficou.
Com muito trabalho e muita simpatia o patriarca havia feito de
um tamborete (o Banco Mercantil e Agrícola do Norte do Paraná) nascido em
Tomazina, uma pobre cidadezinha, o portentoso Bamerindus, um dos maiores bancos
do Brasil nas décadas de 50, 60, 70, 80 até sua quebra na metade dos anos 90.
Zé Eduardo até que se saiu bem. Liberal, generoso, recrutou executivos
respeitados no mercado, jamais teve seu nome envolvido em negociatas ou corrupção,
investiu no marketing e fez de seu Bamerindus uma marca moderna, simpática.
Surpreendeu os que dele pouco esperavam. Mas se meteu na maldita da política,
comprou um partido, o PTB, comprou um mandato de senador pelo Paraná,
virou ministro de Itamar Franco, financiou pesadamente FHC (que fez sua
campanha nos jatinhos do banco), virou ministro do governo do tucano e quebrou
bonito.
De uma casa bancária, o extinto Banco Nacional, Paulo Henrique
Cardoso sacou a herdeira, Ana Lúcia Magalhães Pinto, com quem manteve casamento
de 17 anos, do qual nasceram filhas gêmeas. Viajavam Brasil e mundo afora num
jatinho da Líder mantido à disposição, mantendo imensa distância de qualquer
coisa que lembrasse trabalho. Os cunhados pagavam as contas e ajudaram o pai do
cunhado diletante a eleger-se presidente, sendo um de seus maiores doadores.
Até que em 1994, com milhares de empréstimos a clientes fictícios gerados pelo
contador Clarimundo Sant’Anna na tentativa de salvar a casa já em escombros, o
Banco Nacional já dava mostras de sua precariedade.
No réveillon de 1994, véspera de assumir o Palácio do Planalto,
o recém-eleito presidente aparece ao lado de Marcos Magalhães Pinto, presidente
do Nacional e irmão de sua nora Ana Lúcia, risonhos numa opípara festança de
réveillon da família. Eles, os discretos banqueiros de Minas Gerais, já viviam
o outono de uma antiga opulência. Em 1995, ainda no primeiro mandato de FHC, o
Banco Central decreta a liquidação do Nacional (o Unibanco, hoje Itaú, pegou o
filé da massa falida, deixando a “banda podre” para o contribuinte). Nem o
futuro das netas, nem o farto dinheiro recebido pelo PSDB na campanha,
conseguiram impedir a ação saneadora do Banco Central. Contrafeito, a FHC só
restou assinar a sentença de morte.
Dois meses depois, PHC deixa Ana Lúcia e suas gêmeas e se
instala num hotel da grã-finíssima Avenida Vieira Souto, de frente para o mar
de Ipanema. O rombo bilionário, que extinguiu o Banco Nacional - do qual a
mulher de PHC era herdeira e acionista igualzinho a “educadora” Neca Setúbal -
é tido como a maior fraude financeira da história do Brasil, pois, ao que se
sabe, atingiu quase um terço do dinheiro circulante. Sejamos mais didáticos: o
rombo deixado pelos então parentes de FHC equivalia a mais de R$ 3,00 de cada
R$ 10,00 em circulação no país!
Vamos passear de novo pelo mundo.
Nélson Mezerhane é um judeu venezuelano, elegante e simpático.
Homem de coragem, financiou a oposição e resolveu enfrentar o regime do coronel
Hugo Chávez. Seu Banco Federal não era o maior da Venezuela, mas estava entre
os melhores, com centenas de milhares de clientes e uma rede de agências
espalhadas por todo o país, investimentos em outras empresas e boa fama no
mercado. A colônia judaica local não entendeu o que achou ser “loucura” do seu
mais destacado integrante e benfeitor. O problema é que a carta-patente, aquela
autorização de funcionamento de uma instituição financeira, é dada pelo Banco
Central, a autoridade monetária do país. Preciso contar o resto da história?
Mezerhane teve sorte. Sorte e um jatinho. Está em Miami, sem banco, porém livre
de uma série de “boletos de captura”, as temidas ordens de prisão.
Outros banqueiros já se envolveram na política e são testemunhos
do que, sempre e inevitavelmente, acontece aos que confundem o ronco da
história com o tilintar das moedas. Quando financiam candidatos, pagam contas
de campanha, participam diretamente do movimento eleitoral, é sinal de que
estão com algum grave problema, algo muito sério a ser escondido. Quando se
imiscuem na vida pública e no processo eleitoral o fazem em busca de proteção
política e salvação imediata. Ou são autores de rombos colossais ainda não
revelados ao “mercado” ou pressentem o estouro próximo da boiada, por conta de
multas, sonegações, contabilidades paralelas, perdas maquiadas em balanços
fictícios, negócios mal feitos, fusões ou incorporações que não geraram o ganho
de competitividade e de caixa esperados.
O espanhol Mário Conde, do Banesto (Banco Español de Crédito),
era locomotiva da alta sociedade madrilena e banqueiro da família real. Na
lista dos 10 homens mais elegantes da Espanha, dos 10 homens mais admirados da
Espanha, dos 10 homens mais respeitados da Espanha, dos 10 homens mais
influentes da Espanha, dos 10 maiores filantropos da Espanha, dos 10 maiores
mecenas da Espanha, dos 10 maiores financiadores de partidos e políticos da
Espanha. E o seu banco, um dos 10 maiores da Espanha, não tinha caixa 2, mas
tantas contabilidades paralelas a esconderem sua situação pré-falimentar, que
passavam das 10. Quebrado em 1993, preso e condenado, pegou 10 anos de cadeia.
Mas, também, há banqueiro que fica bem na história.
O embaixador Walther Moreira Salles foi um dos grandes
brasileiros do seu tempo. Iniciador de grandes negócios, visionário, serviu aos
governos de Getúlio, JK e Jango. Foi ministro da Fazenda, duas vezes embaixador
em Washington, negociador de nossa dívida externa (na melhor das negociações
que já fizemos). Angariou imenso prestígio e multiplicou a fortuna iniciada
pelo pai no sul de Minas Gerais, na cidade de Poços de Caldas, com um armazém
de secos e molhados. Mas nunca foi político, tendo até rechaçado um convite de
JK para ser o candidato do PSD ao governo de seu Estado. Apesar disso, atuou
com desenvoltura nos bastidores do poder, sem jamais tornar-se um operador
político ou o impulsionador de candidaturas ou candidatos.
O ditador Costa e Silva lhe devotava verdadeiro horror. O motivo
era prosaico: levou um chá-de-cadeira de Jânio Quadros (a quem mandou cassar em
64 para depois assumir a autoria da violência às gargalhadas) e, incomodado,
viu que era Moreira Salles quem saia da sala do então presidente eleito. Em 68,
com o AI-5, resolveu cassar o elegantíssimo e educadíssimo banqueiro. Delfim
Netto, consultado acerca da estultice já transformada em ato prestes a ser
assinado, fez o chefe mudar de idéia: “Tudo bem, presidente. Mas o Walther tem
mais crédito que o Brasil”.
Olavo Setúbal, um engenheiro cartesiano e formal, conhecido pela
aplicação nos negócios e pela inegável inteligência, construiu um império
baseado no trabalho e em golpes da boa sorte. Herdou do tio um banco sem maior
expressão, o Federal de Crédito, e o fez crescer à custa de fusões e
incorporações, dezenas delas, particularmente ao longo das décadas de 50, 60 e
70. Com o regime militar seus negócios floresceram. Contou com o apoio da
ditadura para assumir outro grande banco, o Banco União Comercial (BUC), de
propriedade da família do milionário Soares Sampaio, à beira da quebra por
conta de uma desastrada gestão de Roberto Campos, seu presidente e verdadeiro
mito do liberalismo econômico brasileiro. O genro de Soares Sampaio, o
industrial Paulo Geyer, não aceitou as condições de-pai-para-filho com que o
Banco Central doava o BUC a Setúbal, e resolver não assinar a transferência de
suas ações. “Perguntem ao Geyer se ele vai assinar logo ou se eu vou precisar
mandar dois sargentos irem buscá-lo em casa?”, foi a reação do general Ernesto
Geisel.
Além do BUC, a ditadura presenteou Setúbal com a prefeitura de
São Paulo, onde ele se saiu bem. Deu conta do recado e protagonizou um episódio
decente: recusou-se a demitir o secretário de Cultura, o respeitado dramaturgo
Sábato Magaldi, apontado como “comunista” pelo execrável general Silvio Frota,
um monstrengo da linha mais que dura.
Picado pela mosca azul, “Olavão” foi preterido pelos milicos na
sucessão de Paulo Egydio ao governo de São Paulo e se preparou para disputar o
Palácio dos Bandeirantes pelo PFL em 1986. Na convenção do partido, um grupo de
malandros tirou o tapete do dono do Itaú e impediu sua candidatura, substituída
pela de Paulo Maluf. Desiludido, Olavo nunca mais confundiu as urnas eleitorais
com os caixas do Itaú.
Recordo essas histórias, ao alcance de qualquer um, para
declarar meu espanto com a participação ativa e exótica de bancos e banqueiros
– a começar pelo Itaú de Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles – no
financiamento e sustentação da candidatura de Marina Silva à presidência da
República. Custo a crer que essa aventura surpreendente, atentatória aos bons
manejos bancários, às boas práticas empresariais, seja um biombo desesperado
para evitar o pagamento de multa no valor impressionante de R$ 18 bilhões e 700
milhões devidos à Receita Federal em impostos não recolhidos na fusão
Itaú-Unibanco. Mas, também, não creio que tais banqueiros sejam ingênuos,
inocentes ou desavisados. Creio que a arrogância e o desespero, quem sabe,
formaram um caldo de cultura que os fará se arrepender mais cedo que tarde da
aventura em que se meteram, fazendo de uma despreparada evidente uma candidata
com um Itaú de vantagens para eles, os banqueiros, e de desvantagens, para o
país.
A ingerência de um colosso bancário na vida pública do país
protagonizou até uma festa-fraude. A dos 90 anos de fundação do Itaú-Unibanco.
Ora, quem completaria 90 anos não existe mais, o banco dos Moreira Salles. O
Itaú foi fundado em 1945, com outro nome, e veio crescendo como já se relatou
aqui. Mas esse pretexto serviu para colocar centenas de alegres convivas do
society paulistano, gente do mercado financeiro e alguns empresários ligados à
oposição num regabofe onde o presidente executivo do Itaú fez um pavoroso
discurso político-eleitoral, atacando o governo e deixando claro o seu apoio à
mutante candidata acreana, claramente desqualificada para a missão de comandar
um país como o Brasil. Da dívida bilionária, não se falou nada. Sem trocadilho,
necas.
Não é preciso ser futurólogo. O suave embaixador Walther e o
objetivo Olavo não ousaram tanto e, no entanto, não saíram incólumes.
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