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quarta-feira, 20 de março de 2013

Tribunal determinou que Fonte Pagadora devolva aos servidores valores IR descontados indevidamente sobre pagamentos de diferenças acumuladas


TJRS. Determinada devolução de valores de IR descontados indevidamente sobre pagamentos acumulados

18 de março de 2013


O Imposto de Renda cobrado sobre benefícios pagos de forma acumulada deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que deveriam ter sido quitados, não cabendo aplicar as tabelas da data do efetivo pagamento. A decisão, do dia 6/3, é da 21ª Câmara Cível do TJRS, que determinou ao Estado do Rio Grande do Sul que devolva à servidora valores descontados indevidamente.
A autora da ação, servidora pública estadual, narrou ter recebido valores referentes à URV, retroativos a 1994, resultantes da conversão dos vencimentos em decorrência do Plano Real. No entanto, o cálculo do Imposto de Renda desses pagamentos recebidos acumuladamente foi realizado pelo regime de caixa (com base no mês do efetivo pagamento) e não pelo regime de competência (baseados nos meses em que o pagamento deveria ter ocorrido), o que lhe acarretou prejuízos.
A Juíza Alessandra Abrão Bertoluci, da 6ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central de Porto Alegre, julgou procedente o pedido da autora. O Estado foi condenado a devolver as quantias indevidamente retidas.
Recurso
O Estado apelou ao TJ, sustentando estar correto o cálculo realizado.
Para o Desembargador Francisco José Moesch, que proferiu o voto vencedor, deve ser mantida a sentença. Salientou que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é de que o Imposto de Renda sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas próprias vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, mês a mês. Portanto, considerou que a forma de desconto foi indevida, já que não foi assegurada à autora a tributação correspondente à época em que o desconto deveria ter sido efetuado.
Destacou ainda que os documentos apresentados pela servidora, contendo declarações de rendimentos, apontam a parcela única dos rendimentos tributados e o imposto retido sem qualquer discriminação, aplicando o regime de caixa.
Dessa forma, votou por manter a decisão de 1º Grau, determinando que o Estado devolvesse os valores indevidamente retidos. O Desembargador Genaro José Baroni Borges acompanhou o voto do Desembargador Moesch.
O relator do recurso, Desembargador Marco Aurélio Heinz, votou vencido, pois entendeu que devia ser acolhido o recurso do Estado. Para o magistrado, a documentação apresentada pela servidora não demonstrou em que consistiu o pagamento indevido, decorrente de má aplicação da alíquota. Contudo, prevaleceu o voto do Desembargador Moesch.
Apelação Cível nº 70052425220.
(http://juridiconews.publicacoesonline.com.br/?p=21467). 

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