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sábado, 17 de setembro de 2016

O Judiciário tem que ter a preocupação de não exagerar no seu ativismo de criminalizar a política. Se exagerar vai ter o mesmo desgaste que tiveram os militares (Cf. Dias Toffoli)

Postagem 17/set/2016...

CRÍTICA: Ministro do STF repudia ativismo exagerado do judiciário; CONFIRA!




O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli alertou que o Judiciário corre o risco de “cometer o mesmo erro que os militares cometeram em 1964” em razão da criminalização da política e pelo exagero no ativismo.A afirmação do ministro foi feita nesta sexta-feira (16) durante um evento em Belo Horizonte. Na ocasião, Toffoli elencou momentos da história do Brasil onde os militares atuaram como uma espécie de “poder moderador”, onde destituíram governos para posteriormente serem devolvidos aos civis.
Segundo ele, a situação mudou após o golpe de 1964. “Com o desgaste dos militares, porque eles deixaram de ter autoridade moral de ser o poder moderador das crises da federação brasileira, quem acaba por assumir é o Poder Judiciário”, disse. “E nesse protagonismo, o Poder Judiciário tem que ter uma preocupação: também não exagerar no seu ativismo. Se exagerar no seu ativismo, ele vai ter o mesmo desgaste que tiveram os militares”, destacou.
Ele também observou que não se pode esperar que o Judiciário resolva os problemas do país em razão da criminalização da política. “Se criminalizar a política e achar que o sistema judicial vai solucionar os problemas da nação brasileira, com moralismos, com pessoas batendo palma para doido dançar e destruindo a nação brasileira e a classe política… É o sistema judicial que vai salvar a nação brasileira?”, disparou. questionou. Para o magistrado, existe o risco de um “totalitarismo do Judiciário e do sistema judicial”.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

OAB busca solução para previdenciaristas em reunião com presidente do INSS

Postagem 16/set/2016...

OAB busca solução para previdenciaristas em reunião com presidente do INSS

quinta-feira, 15 de setembro de 2016 às 12h26


Brasília – O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, esteve reunido no início da tarde desta terça-feira (13) com o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Leonardo De Melo Gadelha, para solucionar o problema dos advogados previdenciaristas. Também participaram do encontro o presidente da Comissão Especial de Direito Previdenciário, Chico Couto, o procurador-chefe do INSS, Alessandro Antonio Stefanutto, além da conselheira federal Marina Gadelha (PB), do membro da Comissão Especial de Direito Previdenciário Edmilso Michelon, e o vice-presidente da Comissão Especial de Previdência Social da OAB-RS, Tiago Beck Kidricki.


Mais uma vez a OAB cobrou de forma enérgica as recorrentes reivindicações da advocacia brasileira quanto ao atendimento de demandas nas agências do INSS. Questões como negativa de atendimento prioritário, excesso de burocracia documental, necessidade de apresentação por parte dos advogados de inúmeras fotocópias para acesso simples a processos e a impossibilidade de tratar de mais de um processo por atendimento.

“Estamos cobrando permanentemente o INSS a solução de todos os problemas na área previdenciária. O diálogo que estabelecemos com esse grupo de trabalho é fundamental nessa agenda, para resolver de uma vez os problemas que os advogados têm enfrentado no atendimento junto ao INSS. E quando o advogado é prejudicado em suas prerrogativas, o cidadão é o maior afetado porque as prerrogativas são dos cidadãos e existem para o benefício daquele que é representado. Esse não é um problema da advocacia, mas de toda a sociedade”, disse Lamachia.

De acordo com Couto, o encontro desta tarde selou o início de transformações nessa relação dos advogados com o INSS. “Essa reunião veio para sacramentar um trabalho realizado entre a Comissão Especial de Direito Previdenciário, o Conselho Federal e a Procuradoria das Prerrogativas da OAB no sentido de viabilizar o atendimento diferenciado aos advogados. Passamos muito tempo discutindo a questão do atendimento prioritário dos advogados nas agências do INSS. A OAB, de forma vanguardista, descentraliza este atendimento nas próprias seccionais. O Conselho Federal e o INSS elegerão seccionais que servirão como projeto piloto num primeiro momento. Depois esse atendimento se estenderá a todas as seccionais e subseções. Atendimentos como cópia do processo administrativo, retirada do CNIS e INFBEN e informações gerais dos segurados”, declarou o presidente da Comissão Especial de Direito Previdenciário.

“O advogado poderá acessar as informações do segurado nas respectivas seccionais da Ordem. Então a OAB servirá de forma semelhante ao INSS. Poderá obter cópias de processos administrativos e informações do segurado de forma remota sem precisar se deslocar a um balcão do INSS. Trata-se de uma demanda antiga para a advocacia previdenciária e que ainda em 2008 haviam sido feitas tratativas, inclusive com a confecção de uma minuta de termo de cooperação, que não foi efetivada em função da mudança do ministro da previdência. Estamos otimistas”, declarou Edmilso Michelon, membro da Comissão Especial de Direito Previdenciário.

“Trata-se de um passo importante no caminho da pacificação das relações entre advocacia e INSS. Um primeiro passo que poderá evoluir para um atendimento eletrônico integral que beneficiará diretamente o cidadão e a advocacia. A medida está entre os pleitos da advocacia previdenciária nacional que se soma a busca de atuação nos grandes temas do direito previdenciário e da participação dos previdenciaristas no acompanhamento legislativo em matéria previdenciária”, disse Tiago Beck Kidricki, vice-presidente da Comissão Especial de Previdência Social da OAB-RS.

Ao final do encontro, Stefanutto comentou o resultado do encontro e reforçou a perspectiva de pacificação das relações entre a advocacia e o INSS. “Acabamos concluindo que nossa relação, advocacia com o INSS, deve evoluir. O advogado é o representante da sociedade, de seu cliente. Ao mesmo tempo, quando ele vai numa agência nossa ele busca os interesses desse cliente. Por que não a gente ter serviços que atenda a sociedade e atenda ao advogado, facilitando a vida da sociedade e a vida do advogado? Nesse contexto, combinamos um primeiro produto, que é a possibilidade do advogado pedir cópias dos processos pela internet sem ter que ir às agências. Isso é um primeiro passo. Sem prejuízo para que, em paralelo, a procuradoria do INSS estar acompanhando a relação advogado INSS nas nossas agências para que a gente possa aperfeiçoar isso e diminuir o número de conflitos”, disse Stefanutto.

Segundo o procurador-chefe do INSS, a primeira etapa da fase piloto será implantada no Distrito Federal, para então se estender aos demais estados do país de forma gradual.





OAB critica 'espetáculo' da Lava Jato contra Lula (Rede Brasil Atual)

Postagem 16/set/2016...

OAB critica 'espetáculo' da Lava Jato contra Lula

Com falta de novas provas, apresentação dos promotores do MPF causou polêmica e virou motivo de piada na internet
por Redação RBA publicado 16/09/2016 10:02
REPRODUÇÃO/TV
lava jato
Sem fato novo ou provas, apresentação dos promotores da Lava Jato foi criticada por espetacularização
São Paulo – O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, criticou ontem (15) o espetáculo de pirotecnia promovido pelo Ministério Público Federal (MPF) na apresentação da denúncia contra o ex-presidente Lula.
"O processo é formal e guarda ritos. Não pode ser objeto de um espetáculo. Isso me preocupa. É preciso aprimorar esse procedimento", disse o advogado em entrevista à Rádio Estadão.
Em clara antecipação de juízo de valor, os procuradores da Lava Jato rotularam o ex-presidente Lula como "comandante máximo" do esquema de corrupção que envolve a Petrobras. Em denúncia que carece de provas, conforme apontaram juristas, as acusações se basearam em uma apresentação de power point que virou piada na internet.
Segundo Lamachia, "há um prejuízo" para quem está sendo acusado quando a apresentação do processo não é conduzida de maneira formal. "Me preocupo quando temos algumas manifestações que tomam um contexto muito fora do que nós, advogados, estamos acostumados no processo judicial".

Acusações contra Lula indicam 'golpe de Estado do colarinho branco' no Brasil (La Jornada. México)

Postagem 16/set/2016...

La Jornada: acusações contra Lula indicam 'golpe de Estado do colarinho branco' no Brasil


Em editorial, jornal mexicano diz que crise política brasileira é 'uma operação em duas fases': legislativa, com a destituição de Dilma, e agora judicial, contra Lula

O jornal mexicano La Jornada publicou nesta quinta-feira (15/09) um editorial em que afirma que as acusações do MPF (Ministério Público Federal) contra o ex-presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva, apresentadas na quarta-feira (14/09), parecem confirmar que no Brasil “se operou um golpe de Estado de colarinho branco”, em referência à destituição de Dilma Rousseff da Presidência do país no fim de agosto.


Intitulado “Lula, perseguido”, o editorial do periódico mexicano afirma que embora as investigações da Operação Lava Jato tenham “dado fim à carreira de vários políticos do agora governante PMDB, como o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha – principal impulsor da destituição de Dilma Rousseff”, o “objetivo prioritário do Poder Judicial” brasileiro são “a direção histórica do PT, e particularmente o ex-mandatário, agora imputado”.
Paulo Pinto / Agência PT
O ex-presidente brasileiro Lula durante pronunciamento nesta quinta-feira (15/09) em resposta a acusações do MPF

O jornal explica que o próximo passo é que o magistrado Sérgio Moro decida se as acusações contra Lula são procedentes, “coisa que pode ser dada como certa, tendo conta de que o juiz é inimigo declarado” do ex-presidente, diz o La Jornada.
“É significativo que a acusação ocorra dias depois de Lula anunciar sua intenção de se apresentar como candidato nas eleições presidenciais de 2018”, o que dá à causa contra o ex-presidente “um aspecto político inocultável”. O La Jornada também julga a acusação “pouco verossímil”, já que “contrasta com o nível de vida do velho dirigente operário, muito distante do enriquecimento súbito”. Já “os numerosos integrantes da classe política tradicional que foram envolvidos na Lava Jato – o exemplo mais grotesco sendo Cunha – ostentam, por regra geral, fortunas dificilmente explicáveis se não pela corrupção”, diz o jornal.


Brasil é dirigido por governo 'ilegítimo, golpista e usurpador', diz Dilma a revista mexicana

Discrepância entre acusações verbais e formais contra Lula levanta dúvidas sobre Lava Jato, diz AP

Denúncia contra Lula é política, baseada em hipóteses e não em fatos, diz jurista


Para o La Jornada, a crise política brasileira consiste em “uma operação em duas fases”: uma legislativa, concluída com a destituição de Dilma Rousseff, e uma judicial, “que agora aponta contra seu mentor e antecessor no cargo”. Esta seria uma “reação de uma oligarquia que apenas conjunturalmente tolerou o exercício da Presidência por um ex-sindicalista metalúrgico e por uma ativista social que participou do movimento guerrilheiro” contra a ditadura militar brasileira.
O “afã por destruiu o governo do PT”, diz o periódico mexicano, “obedecia também ao desígnio de mudar o rumo socioeconômico do poder público na maior nação da América Latina, suprimir os traços soberanos e populares da administração e operar uma regressão ao neoliberalismo, tarefa que já realiza Michel Temer, presidente imposto após a queda de Dilma”.
“A acusação contra Lula parece confirmar que no Brasil se operou um golpe de Estado do colarinho branco e que, como ocorria após os golpes militares de outrora, começou a etapa de perseguição aos derrotados”, conclui o La Jornada.

Perseguição da Lava Jato a Lula é para consolidar o golpe (Fernando Morais)

Postagem 16/set/2016...


Perseguição da Lava Jato a Lula é para consolidar o golpe, diz Fernando Morais

Para o escritor e jornalista, esforço das elites para derrubar Dilma seria em vão, caso não consigam inviabilizar Lula em 2018

por Redação RBA publicado 16/09/2016 12:24, última modificação 16/09/2016 12:33

Jaílton Garcia/RBA
Fernando Morais
Fernando Morais: 'Se não pegaram o Lula, não tem golpe, porque o Lula ganha as eleições de 2018'

São Paulo – Para o escritor e jornalista Fernando Morais, a tentativa de tirar Lula das eleições presidenciais de 2018, a partir de condenação judicial articulada pela Lava Jato, é parte da estratégia de consolidação do golpe que derrubou a presidenta Dilma em agosto passado. "Essa denúncia maluca, porque o próprio acusador diz que não tem como provar, é a consolidação do golpe", afirma Morais em entrevista à Rádio Brasil Atual na tarde de ontem (15).

"Só um ingênuo poderia acreditar que fariam tudo isso, que iriam juntar mídia, MP, parte do Judiciário, a Fiesp, os grandes bancos, para derrubar Dilma e entregar a presidência para o Lula", analisa o escritor. "Se não pegarem o Lula, não tem golpe, porque o Lula ganha as eleições de 2018."

Para ele, a apresentação da denúncia na quarta-feira (14) pelos procuradores da Lava Jato, sem a revelação de provas, e que virou piada na internet, não tem qualquer valor jurídico. "O que foi visto não é algo que diga respeito à Justiça, é puro marketing."

Ele também comentou a fala do ex-presidente Lula na tarde de ontem (15) para se defender das acusações. "Foi uma coisa muito espontânea e bonita. Dezenas de pessoas me contaram que choraram quando viram. O Lula é isso. Lula é essa pessoa sensível, que se emociona, fica bravo, fala palavrão. É esse o Lula que o povo adora, e vai elegê-lo de novo presidente em 2018."

Para o jornalista, o governo Temer só continuará tendo o apoio e a blindagem do empresariado e da grande imprensa se estabelecer o chamado "ajuste fiscal", que Morais classifica como "brutalidade".

Ele define o plano do "governo golpista" em três pontos: entregar as riquezas nacionais às multinacionais, em especial as reservas do pré-sal, estabelecer teto para os gastos sociais, que representa "garrote no pescoço do trabalhador" e pôr fim a política externa autônoma desenvolvida nos anos Lula e Dilma, e restabelecer a subordinação aos interesses das grandes potências.

"Pra gente evitar que isso aconteça, nós só temos uma arma, que é ir para a rua. Ganhamos no gramado, eles tomaram de nós no tapetão. É fazer o que o Lula, o MST, a CUT, o MTST e demais movimentos sociais estão fazendo: não dar um minuto de sossego para essa gente."

Ouça:

“Denúncia contra Lula faz narrativa para criminalizar o mandato” (Talita Bedinelli. El País)

Postagem 16/set/2016...

“Denúncia contra Lula faz narrativa para criminalizar o mandato”

Professores de direito explicam que denúncias não precisam ter provas, mas indícios substanciais




Procurador Deltan Dellagnol apresenta denúncia contra Lula.  EFE


Para a professora do curso de direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Eloísa Machado, a apresentação da denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira enfraqueceu a acusação. Segundo ela, os procuradores pareceram fazer uma "narrativa de criminalização do próprio mandato" dele, ao colocá-lo como "comandante máximo" de um mega esquema de corrupção. No entanto, ressalta ela, ofereceram denúncias contra apenas três supostos crimes: a entrega e a reforma de um triplex no Guarujá por parte da construtora OAS; o pagamento, pela mesma construtora, do transporte de bens que ele recebeu quando presidente; e de palestras feitas por ele, cujos pagamentos, de acordo com os procuradores, têm indícios de propinas.

"A narrativa parece a de que ele só foi presidente para ocultar um mega esquema criminoso e não acho que isso é o tipo de coisa que se pode provar numa ação. A denúncia gasta mais de uma dezena de páginas para dizer que ele foi o grande comandante do Mensalão, da Lava Jato... São acusações levianas porque não há provas e porque sequer fazem parte da denúncia. Tecnicamente, é evidente que isso enfraquece uma denúncia. O mundo do direito é técnico", destaca ela. "Se fala: ele era o chefão de tudo, mas só quero que ele responda pelo tríplex do Guarujá. Se ele é mandante, por que não responde por tudo?", ressalta.

Nesta quinta-feira, Lula chamou a ação dos procuradores de um "show de pirotecnia" e criticou a apresentação de uma denúncia sem provas contra ele. Maíra Zapater, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre o Crime e a Pena, também da FGV Direito, ressalta que uma denúncia não precisa, necessariamente, apresentar provas, que são posteriormente apresentadas quando o juiz do caso a acolhe. "A denúncia é feita com indícios de autoria e materialidade. Ou seja, pistas fortes de que houve crime e de que o denunciado foi o autor", explica ela, que ressalta que não leu a denúncia contra o ex-presidente, então preferia não comentar exatamente o conteúdo dela.

A pesquisadora ressalta, entretanto, que parece questionável a opção de que se convoque uma coletiva de imprensa para apresentar uma denúncia, que ainda precisa ser acatada pelo juiz Sérgio Moro e, posteriormente, julgada. "Será que algo que é simplesmente uma denúncia é merecedor de tamanha atenção e divulgação?", questiona ela, que destaca que a ação causa um "impacto político". Eloísa Machado concorda. "É uma busca de fragilizar a figura política. A instituição precisa ter imparcialidade. Não pode perseguir quem ela não gosta. Tem que ter, enquanto uma instituição republicana, seriedade."

Polêmicas

Não é a primeira vez que a maior investigação de corrupção da história do país, que pôs na cadeia, antes mesmo da condenação, os maiores empreiteiros do país e levou até o maior deles, Marcelo Odebrecht, a decidir colaborar com a Justiça, está no meio de polêmicas. Além do protesto reiterado das defesas de parte dos acusados, que afirma que prisões preventivas têm sido usadas para coação para delação, há críticas sobre a espetacularização das ações que podem levar a uma espécie de condenação midiática. Há também os que consideram perigosa e ilegal a "dobradinha" entre procuradores e o juiz do caso, que impediria a separação de instâncias prevista na legislação brasileira.

A defesa de Lula já anunciou que recorrerá a instâncias internacionais para questionar a suposta parcialidade dos procuradores e do juiz Sérgio Moro, que é quem julgará se o petista virará ou não réu.  Internamente, porém, a balança jurídica tem sido amplamente favorável a Moro e à operação. O juiz do Paraná foi questionado diversas vezes no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal) e, apesar das críticas a sua conduta, ele não chegou a ser punido sequer uma vez, foi tudo arquivado. Segundo levantamento da FGV-Direito Rio, a ampla maioria das decisões de Moro foram referendadas pelo Supremo até agora.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Decisão do ministro Teori Zavascki foi um assalto ao direito de defesa (Leonardo Isaac Yarochewsky)

Postagem 12/set/2016...

Decisão do ministro Teori Zavascki foi um assalto ao direito de defesa

A grande mídia noticiou com certa satisfação a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki — relator dos processos relacionados à operação "lava jato" no STF — que negou, monocraticamente, seguimento à “Reclamação” interposta pela defesa do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Em despacho assinado no último dia 6, o respeitado ministro Teori Zavascki afirma que a referida “Reclamação” seria “mais uma das diversas tentativas da defesa de embaraçar as apurações”.
É público e notório que a operação "lava jato", capitaneada pelo juiz titular da 13ª Vara Federal Sergio Moro, em nome de um pretenso combate à corrupção vem ultrapassando todos os limites impostos pelo devido processo legal decorrentes do próprio Estado de direito.
Ao confundir o direito constitucional de acesso à justiça (princípio da inafastabilidade) e o sagrado direito de defesa com “tentativas da defesa de embaraçar...” o ministro Teori Zavascki com uma única cajadada fere princípios fundamentais do Estado democrático de direito.
Neste sentido, o constitucionalista José Afonso da Silva[1] observa que o devido processo legal está baseado em três princípios, quais sejam: o acesso à justiça, o contraditório e a plenitude de defesa. Verdadeiros pilares do Estado democrático de direito.
Ao proclamar que: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito” (artigo 5º, XXXV da CR), a Constituição da República consagrou o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional ou princípio do direito da ação. Não se trata de apenas de assegurar o acesso ou o ingresso no Judiciário, mas de garantia constitucional e de direito fundamental. O acesso à justiça é a expressão da exigência do cidadão pelos seus direitos, buscando a solução para os seus litígios, perante uma ordem jurídica democrática e de direito. Através do citado princípio, a todos deve ser assegurado o acesso à justiça — direito público subjetivo — para requerer tutela jurisdicional preventiva ou reparatória a lesão ou ameaça de lesão a um direito individual ou coletivo. 
O direito de acesso à justiça é tão elementar, conforme observa Cirilo Vargas, “que não fosse ele, as portas do Judiciário poderiam ser fechadas por falta do que fazer”.[2]
Segundo Ada Pellegrini Grinover, “o acesso aos tribunais não se esgota com o poder de movimentar a jurisdição (direito de ação, com o correspondente direito de defesa), significando também que o processo deve se desenvolver de uma determinada maneira que assegure às partes o direito a uma solução justa de seus conflitos, que só pode ser obtida por sua plena participação, implicando o direito de sustentarem suas razões, de produzirem suas provas, de influírem sobre o convencimento do juiz. Corolário do princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional são todas as garantias do devido processo legal, que a Constituição brasileira detalha a partir do inciso LIV do artigo 5º, realçando-se, dentre elas, o contraditório e a ampla defesa (inciso LV do mesmo artigo)”.[3]
De tal modo, para que o acesso à justiça seja verdadeiramente efetivo é imprescindível que seja assegurado ao acusado a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes (artigo 5º, LV da CR).
Foi com as reformas iluministas, segundo informa Luigi Ferrajoli[4], que a defesa técnica, reduzida nos anos da Inquisição a “uma arte baixa de intrigas”, assumiu a forma moderna de patrocínio legal obrigatório. A importância da defesa técnica é reconhecida também pelo nosso Código de Processo Penal (CPP) quando proclama que “nenhum acusado, ainda que foragido, será processado ou julgado sem defensor” (artigo 261) e, ainda, “se o acusado não o tiver, ser-lhe-á nomeado defensor pelo juiz, ressalvando-o seu direito de, a todo tempo, nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso tenha habilitação” (artigo 263).
Assim, verifica-se que a defesa técnica trata-se de direito irrenunciável e indisponível. Decorre do próprio contraditório, da igualdade entre as partes e da paridade de armas que ao acusado seja assegurado um defensor habilitado, ou seja, um advogado. Jeremy Bentham, apud Ferrajoli, afirmou que os cidadãos “poderiam cuidar de suas causas judiciárias como todos geram seus negócios”, e, neste caso, a autodefesa seria suficiente. Contudo, “onde a legislação é obscura e complicada e o processo é empedernido de formalidades e nulidades”, é indispensável e necessário a defesa técnica de um advogado profissional “para restabelecer a igualdade das partes quanto à capacidade e para contrabalançar, por outro lado, as desvantagens ligadas à inferioridade da condição de imputado”. [5]
Deste modo, qualquer tentativa de macular ou intimidar a defesa constitui afronta ao Estado de direito e ao processo penal democrático comprometido com a dignidade da pessoa humana. O julgador pode até indeferir ou julgar improcedente o pleito da defesa, mas não pode em hipótese alguma questionar o direito de defesa. O direito de defesa existe independente de ter ou não razão a defesa.
Necessário ressaltar, sem adentrar no mérito, que por mais de uma vez o ministro Teori Zavascki reconheceu abusos cometidos pelo juiz Federal Sergio Moro na condução da famigerada operação "lava jato".
É imperioso advertir que os atos de defesa configuram a garantia do acusado e, portanto, de qualquer pessoa opor-se a uma pretensão punitiva. No Estado democrático de direito fundado, realmente, em bases democráticas — democracia material — deve prevalecer o princípio da liberdade, incompatível com punições sem processo e inconciliável com condenações sem defesa. Repita-se, o status libertatis é a regra. A presunção é de inocência.
Já foi dito que toda restrição ao direito de defesa atinge e põe em risco o próprio Estado de Direito. De igual modo é inadmissível a criminalização do exercício da advocacia.
Hodiernamente, a sociedade alimentada por uma mídia tendenciosa tem sido levada a esquecer do papel fundamental do advogado no tão proclamado Estado Democrático de Direito. A nobre função do advogado está assegurada na Constituição da República (CR) que proclama: “O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”. (artigo 133 da CR). Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, foi aclamado que a qualquer homem acusado de um ato delituoso são “assegurados todas as garantias necessárias à sua defesa”. (artigo XI)
Por tudo, ainda, que a defesa de Luiz Inácio Lula da Silva ou de qualquer outro ser humano, continue a batendo nas portas do Poder Judiciário, não se pode afirmar, sob pena de aniquilamento da própria defesa, que a “insistência” daqueles atuam, em última instância, em defesa da liberdade está a “embaraçar” as investigações e o processo. Ao contrário, sem defesa é que o processo e a justiça se embaraçam e se perdem no meio das arbitrariedades.

1 SILVA, José Afonsa da. Curso de direito constitucional positivo. 22ª ed. São Paulo: Malheiros, 2003.
2 VARGAS, José Cirilo de. Processo penal e direitos fundamentais. Belo Horizonte: Del Rey, 1992.
4 FERRAJOLI, Luigi. Direito e razão: teoria do garantismo penal. Trad. Ana Paula Zomer Sica et. al. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014.
5 FERRAJOLI, ob. cit.
 é advogado criminalista, doutor em Ciências Penais e professor de Direito Penal da PUC-Minas.
Revista Consultor Jurídico, 10 de setembro de 2016, 16h47

domingo, 11 de setembro de 2016

Educação no RS. "Perdemos dez anos em apenas um" (José Clóvis de Azevedo)

Postagem 11/set/2016...

“Perdemos dez anos em apenas um”, diz ex-secretário estadual da Educação

José Clóvis de Azevedo: o governo Sartori desmobilizou programas que vínhamos implementando e não colocou nada no lugar para tentar melhorar as condições de trabalho dos professores. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
José Clóvis de Azevedo: o governo Sartori desmobilizou programas que vínhamos implementando e não colocou nada no lugar para tentar melhorar as condições de trabalho dos professores. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Marco Weissheimer
11/set/2016, 13h42min
As notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgadas no dia 8 de setembro, apontaram que o Rio Grande do Sul teve o pior desempenho desde que o Ministério da Educação começou a fazer essa avaliação em 2005. O Rio Grande do Sul teve uma nota geral (englobando educação pública e privada) de 3,6, índice abaixo da média nacional (3,7) e bem abaixo da meta fixada para 2015 (5,2), ficando em 15º lugar no ranking dos estados. Considerando apenas a avaliação da rede estadual pública, a nota foi ainda pior, ficando em apenas 3,3, também o menor índice desde que o Ideb começou a ser medido. Na avaliação do ex-secretário estadual da Educação, José Clóvis de Azevedo, o resultado é uma consequência direta da desvalorização dos professores, que passaram a receber salários atrasados e parcelados, e do corte de recursos e programas no setor, por parte do governo do Estado.
Em entrevista ao Sul21, José Clóvis de Azevedo analisa a série histórica do Ideb na rede pública estadual de educação e as razões para o péssimo desempenho obtido em 2015. “O índice caiu para um patamar inferior ao de dez anos atrás. É o menor índice de toda a série histórica. Perdemos dez anos na educação em apenas um ano. Todos os indicadores são baixos neste período. Foi uma queda muito radical. Eles abandonaram programas que vínhamos implementando, começaram a parcelar e atrasar salários e repasse de recursos. O dinheiro mensal para as escolas está chegando sempre atrasado. O próprio dinheiro da merenda escolar também atrasa. Isso causa uma desestruturação muito grande no dia-a-dia das escolas”, avalia o ex-secretário.
Sul21: Qual a importância do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para a avaliação da qualidade da rede pública de educação?
José Clóvis de Azevedo: O Ideb faz uma avaliação da educação básica baseada em dois vetores: um é a reprovação e o abandono; o outro é a prova de proficiência nas áreas de Português e Matemática. A partir desses elementos, é feito um cálculo complexo que resulta numa média que serve de indicador de qualidade do ensino fundamental e médio. A primeira avaliação na qual foi utilizado esse índice ocorreu em 2005, na gestão de Fernando Haddad no Ministério da Educação. Naquele ano, o resultado da rede pública estadual do Rio Grande do Sul foi de 3,4. Em 2007, repetiu-se o 3,4, sendo que a meta era 3,6. Em 2009, chegamos a 3,6, que era a meta fixada para aquele ano. Em 2011, no primeiro ano do nosso governo, tivemos uma pequena queda para 3,4, enquanto a meta aumentou para 3,7.
"Em um ano perdemos dez anos na educação. Todos os indicadores são baixos neste período. Foi uma queda muito radical". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
“Em um ano perdemos dez anos na educação. Todos os indicadores são baixos neste período. Foi uma queda muito radical”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Neste período começamos a fazer a reforma do ensino médio que envolveu toda uma mobilização e uma reestruturação curricular. Em 2013, chegamos a 3,7, enquanto a meta era 4.0. Em 2015, já no governo Sartori, o Ideb caiu para 3,3, com a meta em 4,4. O índice caiu para um patamar inferior ao de dez anos atrás. É o menor índice de toda a série histórica. Em um ano perdemos dez anos na educação. Todos os indicadores são baixos neste período. Foi uma queda muito radical. Tivemos uma pequena baixa em 2011 e retomamos em seguida o crescimento com muito mais vigor. Em 2013, pela primeira vez, tivemos uma diminuição do índice de abandono no ensino médio. Em 2014, essa tendência se repetiu, mas, em 2015, o abandono e a reprovação voltaram a crescer.
No nosso governo, tínhamos um enunciado que dizia: nós vamos reverter a curva descendente da educação no Rio Grande do Sul. Obtivemos melhora em todos os índices e agora tivemos uma queda radical. O atual governo não tem nenhum projeto novo para a educação e desmobilizou todas as nossas políticas, sem colocar nada no lugar delas.
Sul21: Na sua avaliação, a queda do Ideb em 2015 é resultado das políticas de corte de gastos e investimentos promovidas pelo governo Sartori?
José Clóvis de Azevedo: Claro. Se você corta recursos, desmobiliza a formação de professores e para de monitorar o trabalho cotidiano da rede pública estadual o resultado só pode ser esse, um grande retrocesso. Mesmo numa visão conservadora, é preciso ter uma postura proativa e inovadora para ganhar a confiança dos professores para uma proposta e também para superar as dificuldades materiais que o magistério enfrenta. As condições de trabalho são, muitas vezes, lamentáveis do ponto de vista de equipamentos e condições físicas. Como esse é um problema histórico, não é possível superá-lo rapidamente, até pelas condições econômicas do Estado. É preciso fazer esse trabalho com um conjunto de mediações.
No nosso governo, nós procuramos trabalhar com essa realidade em todas as suas dimensões. Procuramos, por exemplo, melhorar a questão salarial. Em quatro anos, concedemos 78,6% de reajuste nominal, o que significou quase 50% de aumento real. Isso não tem precedentes na história do Rio Grande do Sul. Fui sindicalista nos anos 70 e 80, na época das grandes greves, quando chegamos a receber percentuais de aumentos parecidos com esses, mas com uma inflação de 10% ao mês. Conseguimos uma melhoria substancial no salário mantendo o plano de carreira, o que era sempre uma tensão. Particularmente, sempre fui contra mudar o plano de carreira, pois isso significaria achatar mais ainda o salário dos professores.
Além disso, pagamos promoções que estavam atrasadas desde 2002. Foram cerca de 35 mil professores promovidos. Fizemos dois concursos públicos para diminuir o número de professores com contratos precários dentro da rede e nomeamos mais de 10 mil professores. Então, as respostas dadas aos professores foram completamente diferentes daquelas apresentadas por este governo que, não só não tem nenhuma reposição e nenhuma perspectiva de reposição, como atrasa e parcela o pagamento dos salários. Não há nenhum aceno positivo para os professores neste governo. Na questão das novas tecnologias nós implantamos um projeto chamado Província de São Pedro que distribuiu mais de 100 mil equipamentos de informática nas escolas.
Sul21: Esse projeto foi interrompido?
"Eles desmobilizaram o processo de reforma curricular sem colocar nada de novo no seu lugar". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
“Eles desmobilizaram o processo de reforma curricular sem colocar nada de novo no seu lugar”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
 José Clóvis de Azevedo: Sim, esse projeto parou. Nós distribuímos mais de 100 mil equipamentos com formação continuada para os professores. Além disso, reformamos e ampliamos a estrutura de rede de internet em mais de 200 escolas. Só não conseguimos avançar neste ponto onde não havia condições técnicas para tanto. Na dimensão física,  nós reformamos quase 1500 escolas. Investimos 400 milhões de reais na reforma de escolas. Não conseguimos alcançar as metas que havíamos estabelecido porque fomos interrompidos pela não aceitação, por parte do Tribunal de Contas e da Cage, de contratos onde se licita projeto e obra juntos. Isso atrapalhou, mas conseguimos avançar bastante na reforma das escolas.
Essas políticas tiveram um impacto diferenciado na rede estadual de ensino. Tivemos um grupo de professores que assumiram imediatamente a proposta, enquanto outros eram favoráveis à proposta, mas sempre tinham um discurso crítico relacionado a questões corporativas como a do piso. E havia ainda um terceiro grupo, convictamente conservador, que resistiu à proposta. Então, dependendo da correlação de força dentro da escola, o projeto avançava mais ou menos. Mas a questão mais importante foi a reforma curricular, que foi reconhecida pelo Ministério da Educação como a única que colocou em prática os princípios do Conselho Nacional de Educação, que defendem a construção de um currículo organizado a partir dos eixos de cultura, tecnologia, ciência e transversalidade.
Decidimos trabalhar com o conceito de politecnia, que enxerga a educação como um trabalho de formação integral do ser humano. A politecnia tem o trabalho como princípio educativo, partindo da ideia de que é a partir dele que o homem produz a sua vida, desenvolve tecnologia, se relaciona com a natureza e com as outras pessoas. Esse conceito organiza o currículo articulando as questões teóricas com o fazer, associando teoria e prática, ciência e tecnologia. Essa articulação dá um desenho curricular completamente diferente do desenho tradicional que é taylorista-fordista, trabalhando as disciplinas de forma segmentada, sem articulação com a vida real. O conteúdo das escolas é um conteúdo ritualizado, sem significado muitas vezes, justamente por não dialogar com o mundo real. Não é à toa que há uma rejeição muito grande por parte da juventude a esse tipo de escola.
Ao introduzir a politecnia, nós introduzimos também a pesquisa no ensino médio. Para tanto, ampliamos o currículo de 2.400 horas para 3.000 horas. Essa experiência foi muito interessante. A iniciação científica deveria ser uma prática usual na educação, desde a pré-escola. É evidente que as crianças da pré-escola não vão pesquisar dentro de parâmetros científicos, mas podem já começar a conviver com a cultura da investigação, da curiosidade, da observação, de perceber a relação com o mundo ao seu redor. Além da pesquisa, criamos um novo espaço chamado Seminário Integrado, onde os alunos iriam aprender a pesquisar, orientados por professores. Esse projeto, que começou a ser desenvolvido em algumas escolas, mas ainda não estava consolidado, não foi revogado pelo atual governo, mas foi abandonado à própria sorte. Na prática, foi abandonado.
Sul21: Esses programas que acabaram sendo abandonados foram substituídos por programas e políticas novas no atual governo?
José Clóvis de Azevedo: Não. Eles desmobilizaram o processo de reforma curricular sem colocar nada de novo no seu lugar. Além disso, não desenvolveram nenhuma outra política para melhorar as condições de trabalho dos professores. Pelo contrário, essas condições pioraram. O resultado é isso aí que estamos vendo expresso no Ideb de 2015: perdemos dez anos em um. Essa é a grande síntese do que está acontecendo. O dinheiro mensal para as escolas está chegando sempre atrasado. O próprio dinheiro da merenda escolar também atrasa. Isso causa uma desestruturação muito grande no dia-a-dia das escolas.

Havia militar "infiltrado" nos movimentos violentos do "Fora Temer" (Cf. Fernando Brito)

Postagem 11/set/2016...

O Jornal Nacional noticia “infiltrado” militar. E os jornais, nada…

balta
Por incrível que pareça – e parece – foi a Globo (e no Jornal Nacional), que deu a notícia mais significativa sobre a repressão aos movimentos de oposição a Michel Temer, embora não inédita.
A infiltração de um capitão do Exército num grupo de jovens, nos quais a Justiça não viu nenhum sinal de preparação para vandalismo foi tema de uma longa matéria, que reproduzo em vídeo ao final do post.
Até agora, além dos blogs que repercutiram a notícia levantada pelo site Ponte.org e aprofundada pelo El País.
Diante de uma questão desta gravidade, os jornais de hoje dão um espaço inacreditável para uma questão que, até agora, fica naquele limbo de informação sobre grupos que a gente vê serem mencionados a toda hora, mas não sabe muito bem quem são ou o que são.
Antonio Prata, na Folha, lá também a ombudsman Paula Cesarino Costa e José Padilha, em o Globo falam do teme e pouco vão além do óbvio: vandalismo é crime.
Mas o que ninguém fala é que vândalos, tirando um ou outro que reage irracionalmente às cada vez mais frequentes violências policiais são – não podem ter outro nome –  agentes provocadores que agem para transformar manifestação em conflito.
Estão, voluntária ou como instrumentos de alguém, do lado oposto ao da democracia.
Antonio Prata lembra que os dois que foram responsáveis pela horrível morte do cinegrafista Santiago Andrade foram presos, estão sendo julgados e, espero eu sejam condenados, como devem ser.
Já o Estado, à margem da lei – e ao que se vê, com armações – promover este tipo de ação clandestina é algo que muito menos pode permanecer tratado na base do silêncio.
Nem pela mídia, nem pelas Forças Armadas, cuja natureza não permite, em hipótese alguma, a existência de estruturas de espionagem paralelas às suas cadeias de comando.
Há explicações a dar, e já.