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sábado, 7 de dezembro de 2013

Eles são cretinos (Paul Krugman)

publicado 05/12/2013 05:59

Análise / Paul Krugman



Eles são cretinos

É a única coisa a se dizer sobre o ataque planejado do Partido Republicano ao Obamacare
por Paul Krugman, do The New York Times — 

Não tenho escrito sobre o atual debate ao redor do Healthcare.gov nos Estados Unidos pela simples razão de não ter nada a dizer. O rebuliço não é sobre políticas específicas: sabemos, com base na experiência dos estados onde a troca de seguros tem funcionado, que a estrutura básica da Lei do Sistema de Saúde Acessível é viável. A discussão é, porém, sobre uma falha crítica na implementação online, um completo desastre que deixa o presidente Obama extremamente mal avaliado. O futuro da reforma não depende apenas das próprias políticas, mas também se os problemas técnicos de informática podem ser resolvidos bem o bastante e rápido o bastante, um assunto sobre o qual não tenho nenhum conhecimento.
Evidentemente, a falta de conhecimento não impediu muitas outras pessoas de comentar incessantemente qualquer pequena mudança nas pesquisas de opinião, qualquer votação insignificante no Congresso e por aí em diante. É uma forma de ganhar a vida.
Mas, neste momento, já há informação suficiente para eu dar alguns palpites semiqualificados, e me parece que essa coisa provavelmente vai cambalear pela linha de chegada. As inscrições estaduais têm se saído razoavelmente bem, a expansão do programa Medicaid está indo muito bem (e aumenta até nos estados que haviam rejeitado a expansão, pois mais pessoas têm descoberto que se qualificam para o programa. E o site Healthcare.gov, apesar de ainda bem ruim, parece que vai começar a funcionar bem o bastante nas próximas semanas para que um grande número de pessoas se inscrevam, seja através das transferências de governos estaduais, seja diretamente com as seguradoras.
Se tudo isso estiver certo, até o fim das inscrições em março milhões de americanos que antes não possuíam seguro de saúde vão de fato receber cobertura sob a nova lei. E essas reformas serão irreversíveis.
É possível que o presidente Obama nunca recupere sua reputação. As esperanças do partido Democrata de dominar completamente as eleições de 2014 provavelmente se dissiparam, mas nunca se sabe. Porém, qualquer pessoa apostando no colapso do Obamacare provavelmente faz uma péssima aposta.


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Deixe-me dizer uma coisa sobre o ataque planejado dos republicanos contra o Obamacare: não é uma ideia original, mas será mais curto e grosso do que o que você lê em outros lugares.

Aqui vai: eles são uns cretinos.
Considere duas possibilidades para o mundo. Na primeira, o desastre tecnológico do Healthcare.gov mostra-se tão insolúvel que, em 31 de março, quando as inscrições acabarem, o lançamento do programa será um fracasso. Neste caso, os democratas vão sofrer uma enorme derrota, não importa o que os republicanos fizerem.
Na segunda possibilidade, que parece mais provável, o processo de inscrição vai funcionar  suficientemente bem e o resultado será que, até o dia 31 de março, 31 milhões de pessoas que antes não tinham seguro (ou tinham apólices essencialmente inúteis) terão cobertura real. Neste caso, a reforma será irreversível e a oposição radical dos republicanos se tornará um fracasso político. Será uma vitória política para os democratas, não tão grande como poderia ter sido se a coisa toda tivesse funcionado bem desde o início, mas ainda assim uma vitória.
Nada disso importa mais. Os republicanos podem dominar todos os ciclos de notícias durante o próximo mês inteiro, mas ninguém vai se lembrar disso daqui a um ano.


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Mike Konczal, do Washington Post, escreveu excelente coluna recentemente, explicando por que a proposta do senador Rand Paul de fazer uma auditoria no Federal Reserve é uma péssima ideia. Recomendo a leitura. Só queria oferecer uma perspectiva complementar.
Sabemos o que significa uma auditoria em banco privado: verificar que o banco não desperdiça o dinheiro de seus clientes ou assume riscos desnecessários. Mas o Fed não está no negócio de investir, exceto por tática. Ele existe para administrar dinheiro, não para ganhar dinheiro.
Então o que exatamente seria coberto pela auditoria? Suponhamos que o Fed esteja comprando alguns títulos de risco moderado, como títulos garantidos por hipotecas. Isso é bom ou ruim? A resposta não tem quase nada a ver com a chance de alguns desses títulos se desempenharem mal. O que importa são os impactos na economia.
Disponível em: (http://www.cartacapital.com.br/revista/777/eles-sao-cretinos-4098.html).

domingo, 26 de maio de 2013

Lula rechaça complexo de vira-lata (Altamiro Borges)

quinta-feira, 23 de maio de 2013


Lula rechaça complexo de vira-lata

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Por Altamiro Borges


"Quando assumi a Presidência, tinha consciência de que o Brasil precisava conversar com quem tinha maior compromisso histórico ou proximidade com a gente. Isso era essencial para nosso crescimento, para nossa expansão. Acabou o tempo em que a gente fica na expectativa do que os americanos iriam gostar. Acabou o tempo em que a Europa ditava as regras. O Brasil está aprendendo o seu tamanho, a sua importância, a sua capacidade de fazer as coisas", afirmou Lula ontem (22), durante o seminário "As relações do Brasil com a África - A nova fronteira do desenvolvimento global", organizado pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e pelo jornal Valor Econômico.


A declaração do ex-presidente deve irritar ainda mais os barões da mídia colonizada, que padecem do velho complexo de vira-lata e que sempre pregaram o servilismo diante das potências capitalistas. Ela expressa bem a nova orientação dada à política externa no governo Lula e que segue em andamento,  embora de forma mais tímida, na gestão de Dilma Rousseff. Ao romper com a subserviência diante dos EUA e Europa - o chamado "alinhamento automático" imposto pelo tucano FHC - e ao priorizar as relações com os países da América Latina e do sul do planeta, o Brasil se projetou no cenário mundial e tornou-se menos vulnerável à violenta crise que atingiu a economia capitalista.


Como afirmou Lula no evento, o país hoje é mais respeitado no mundo. Isto é o que garantiu a eleição do brasileiro Roberto Azevedo como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) - o primeiro latino-americano a ocupar o posto - e também a escolha de José Graziano da Silva, em 2011, como diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). "Quem diria que o Brasil teria a diretoria da OMC e da FAO? Em 2016, seremos a quinta economia do mundo, mas [o crescimento econômico] precisa estar umbilicalmente ligado ao desenvolvimento social".



Para o ex-presidente, o país deve jogar um papel ainda mais ativo e altivo no cenário mundial. "Ou o Brasil vira um agente global para disputar cada milímetro de espaço no jogo comercial ou vamos ficar para trás... Hoje o mundo comercial é competitivo e ninguém vai dar colher de chá para nós”, disse. Ele também destacou a importância da integração latino-americana e insistiu na necessidade de se estreitar laços com os países africanos. "A construção de um mundo mais equilibrado passa pela África... Não queremos repetir na África os mesmos erros que ingleses e americanos cometeram no Brasil há algumas décadas. Temos que humanizar as relações sociais com os países africanos".

Dispnível em: Altamiro Borges: Lula rechaça complexo de vira-lata

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Guantânamo e sua história...

22 DE MAIO DE 2013 - 17H11 

Guantânamo: Base de agressão dos EUA a outros países  


A base dos Estados Unidos em Guantânamo, instalada contra a vontade de Cuba, tem sido usada historicamente como plataforma de intervenção militar contra a ilha e outras nações do continente, denunciou nesta quarta-feira (22) a imprensa cubana.




Esta instalação foi o ponto de reunião e implantação das tropas enviadas por Washington em 23 de maio de 1912 para reprimir um levante organizado pelo Partido Independente de Color (PIC), que tornou-se a terceira intervenção militar dos Estados Unidos em Cuba. 

O pretexto foi proteger vidas e propriedades de cidadãos norte-americanos, embora a sangrenta repressão deixou como saldo a morte de mais de 3 mil cubanos negros e mestiços, rememora o jornal Granma. 

Os efetivos estadunidenses ocuparam então várias cidades e povos perto de Santiago de Cuba. A força estrangeira implantou-se em Guantânamo, Soledad, Los Canos e outras localidades na região oriental da ilha. O coronel Lincoln Karmany esteve à frente da 1ª Brigada Provisional, encarregada de executar a intervenção da base dos Estados Unidos em Guantânamo. 

Allí Karmany foi destacado outra vez entre fevereiro e junho de 1913 da 2ª Brigada Provisional, composta por 72 oficiais e 2 mil e 100 soldados. “De Guantânamo esta brigada interveio no Haiti em 1915, para uma ocupação que duraria até 1932. No período de 1915 a 1918 manteve muito ocupados os marinheiros em Guantanamo”, informa o Granma, que menciona ações contra Cuba, Haiti e a República Dominicana naquela ocasião.

Essa base do Pentágono, que segundo denuncias internacionail funciona um centro de detenção e tortura, também foi trampolim para invasões estadunidenses contra Granada, em 1983 e Panamá, 1989. Desde então houve ações de apoio para a invasão contra Cuba (Baía de Cochinos) em abril de 1961, que foi derrotada na Paria Girón. 

A 1ª intervenção militar dos Estados Unidos em Cuba data o ano 1898, quando os cubanos combateram por sua independência contra a Espanha. Washington interveio no fim da qual arrebata para Madrid os territórios de Guam, Marianas, Carolinas, Palau, Filipinas e Puerto Rico.

Até 1902 estendeu-se a ocupação de Cuba, que impôs uma emenda pela qual a Casa Branca se agregava o direito de intervir militarmente no país vizinho, assim como estabelecer bases militares. 

De 1906 a 1909 ocorreu a segunda intervenção norte-americana, em momentos em que ocorreu um grande aumento das inversões estadunidenses na ilha. 

Fonte: Prensa Latina 


Disponível em: Guantânamo: Base de agressão dos EUA a outros países   - Portal Vermelho

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Por que os EUA são o único país a contestar a eleição de Maduro? (Paulo Nogueira)



Por que os EUA são o único país a contestar a eleição de Maduro?

DIARIO DO CENTRO DO MUNDO 26 DE ABRIL DE 2013


Segundo o secretário John Kerry, a América Latina é o “quintal” americano.
Kerry ao resgate
Kerry ao resgate

O artigo abaixo foi publicado no Guardian. O autor, Mark Weisbrot, é um economista americano, co-diretor do Centro para Pesquisas Econômicas e de Políticas Públicas em Washington.
Enquanto a maioria das notícias sobre a Venezuela, desde a eleição presidencial de 14 de abril, foi sobre os esforços do candidato perdedor Henrique Capriles de contestar os resultados, uma outra campanha, com sede em Washington, era bastante reveladora – e as duas eram definitivamente ligadas. Sem um apoio forte de Washington – a primeira vez que os EUA se recusaram a reconhecer o resultado de eleições da Venezuela -, é improvável que Capriles tivesse se juntado aos elementos mais barra pesada de seu time para fingir que a eleição foi roubada.
Os esforços de Washington para deslegitimar a eleição marcam uma escalada significativa dos esforços dos EUA na mudança de regime na Venezuela. Desde seu envolvimento no golpe militar de 2002 que o governo dos EUA não fazia tanta força para promover o conflito aberto na Venezuela. Quando a Casa Branca anunciou pela primeira vez, na segunda-feira, que uma auditoria de 100% dos votos era “um importante passo, prudente e necessário”, não se tratava de um esforço verdadeiro para promover uma recontagem.
Chegou-se ao ponto de dizer ao governo da Venezuela o que era necessário para fazer suas eleições legítimas. Esta foi também a resposta rápida aos esforços de Nicolás Maduro, de acordo com o New York Times de 15 de Abril, quando ele se aproximou da administração Obama para melhorar as relações, através do ex-secretário de energia de Clinton, Bill Richardson.
Mas o esforço da equipe de Obama falhou miseravelmente. Na quarta-feira, o governo da Espanha, o único aliado importante dos EUA a apoiar uma “auditoria de 100%”, reverteu sua posição e reconheceu a eleição de Maduro. Em seguida, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, recuou de seu alinhamento prévio com a administração Obama e reconheceu o resultado.
Não foram apenas os governos de esquerda da Argentina, Brasil, Equador, Bolívia e Uruguai que rapidamente felicitaram Maduro por sua vitória, mas os do México, Colômbia, República Dominicana, Guatemala, Haiti e outros. A administração Obama foi completamente isolada do mundo.
Os esforços desajeitados de Washington também ajudaram a destacar a eleição como uma questão de soberania nacional, algo que é profundamente apreciado na região. “Os americanos deveriam cuidar de seu próprio negócio um pouco e deixar a gente decidir o nosso próprio destino”, disse Lula em um comício no Brasil. Claro, havia gritos de ironia: George W Bush, “derrotado” por Al Gore em 2000, perdeu no voto popular e “ganhou” na Florida, oficialmente, por talvez 900 votos, sem nenhuma recontagem.
Mas a exigência de uma recontagem dos votos na Venezuela foi uma farsa desde o início. Os eleitores marcam sua escolha pressionando a tela sensível ao toque em um computador, o que imprime um recibo do voto. O eleitor verifica o recibo e o deposita em uma urna. Quando do fechamento das urnas, 53% das máquinas são selecionadas aleatoriamente e seus resultados comparados com os de papel, na frente de testemunhas de todos os lados. Não houve relatos de incompatibilidades até agora, nem mesmo o campo da oposição.
O representante da oposição no Conselho Nacional Eleitoral, Vicente Díaz, reconheceu “sem dúvida” que a contagem dos votos foi precisa. “Sem dúvida” é um eufemismo. O meu colega David Rosnick calculou a probabilidade de que estender uma auditoria para os restantes 47% das máquinas pudesse mudar o resultado da eleição: cerca de um em 25 trilhões.
Na quinta-feira à noite, o CNE da Venezuela concordou em fazer uma auditoria completa dos votos restantes e Capriles cancelou seus protestos. Mas não está claro o que a auditoria implica. A votação legal na Venezuela é o voto da máquina (como em partes dos Estados Unidos, onde há votação eletrônica), o recibo de papel não é um voto, e não é claro que seria possível auditar os votos remanescentes da maneira que os primeiros 53% foram auditados no local.
Na quarta-feira, o secretário de Estado John Kerry, dizendo perante o Congresso que os EUA se recusavam a reconhecer as eleições na Venezuela, referiu à América Latina como o “quintal” dos Estados Unidos. Opa. Bem, o desprezo era óbvio de qualquer maneira, não?


(http://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-os-eua-sao-o-unico-pais-a-contestar-a-eleicao-de-maduro/). 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Por trás da ‘valentia’ midiática contra Dilma, os EUA (?) (Eduardo Guimarães)


Por trás da ‘valentia’ midiática contra Dilma, os EUA (?)


 Ao longo do mês que finda, veio se fazendo notar uma subida de tom de grandes grupos de mídia contra Dilma, quem, até há pouco, gozava de condescendência por parte desses grupos, os quais, ao longo dos dois primeiros anos do governo dela, concentraram a artilharia em Lula e no PT, poupando-a.
Nesse aspecto, editorial recente do jornal O Estado de São Paulo surpreendeu ao usar um tom que poucas vezes se viu contra um governante no pós-redemocratização. Só contra Lula – que, pelo senso comum, era menos aceitável para esse veículo do que a atual presidente – a virulência foi tão intensa.
No último dia 21, em editorial intitulado “Dilmês castiço”, o jornal da família Mesquita pôs a crítica política de lado e partiu para a xingação ao afirmar que a presidente da República teria “dificuldade de concatenar ideias, vírgulas e concordâncias”, ao qualificar como “desastrada” sua “condução da política econômica” e ao acusá-la de “despreparo” e de usar “frases estabanadas e raciocínio tortuoso”.
O editorial, pouco objetivo em argumentos, preferiu criticar algum escorregão no português da presidente, como se já tivesse existido algum governante capaz de jamais infringir a gramática ou a norma culta durante falas improvisadas – o Google pode recompensar quem se dispuser a caçar escorregões de FHC no uso do idioma.
O mesmo tom desrespeitoso e insultuoso usado pelo Estadão contra Dilma, nas últimas semanas vem sendo visto com frequência na revista Veja, no jornal O Globo, na revista Época, na Folha de São Paulo etc.
Quem tiver memória do período imediatamente anterior ao golpe de 1964, deve estar experimentando um déjà vu. Os editoriais e artigos que esses veículos publicavam usavam tom idêntico, apelando ao xingamento e a acusações à ética e à capacidade administrativa de Jango Goulart que dispensavam fatos.
Em pronunciamento feito da tribuna do Senado em setembro do ano passado, o senador pelo PMDB do Paraná, Roberto Requião, lembrou o uso que esses mesmos veículos de hoje faziam do xingamento contra Jango. Veja, abaixo, um trecho.
“Às vésperas do golpe de 1964, o desrespeito da grande mídia para com o presidente João Goulart e sua mulher Maria Teresa chegou ao ponto de o mais famoso colunista social do país à época publicar uma nota dizendo que na Granja do Torto florescia uma trepadeira. Torto, como referência ao defeito físico do presidente; trepadeira, como referência caluniosa à primeira-dama do país”.
Até aí, não haveria nenhuma novidade se não fossem boatos que vêm circulando na internet e que, nas últimas 24 horas que antecederam este texto, chegaram a este blogueiro por vias menos nebulosas, ainda que sem comprovação.
Duas pessoas conhecidas por este que escreve – e desconhecidas entre si – relataram a mesma história: funcionário da embaixada dos Estados Unidos em Brasília teria presenciado conversa em inglês entre um membro daquela representação diplomática e o embaixador Thomas Shannon.
Segundo os relatos, os diplomatas discutiam o envolvimento norte-americano na eleição do ano que vem e seus contatos com grupos de mídia e partidos de oposição, entre outros. Uma das fontes afirma que os EUA estariam empenhados em pôr fim à “onda vermelha” que teria engolfado a América Latina e, sobretudo, a América do Sul.
Nesse contexto, a volta da direita ao governo do Brasil teria o condão de desencadear um efeito dominó que reverteria uma independência da região que estaria na base das dificuldades dos Estados Unidos de superarem a crise econômica na qual estão mergulhados desde meados da década passada.
A indústria ianque, por exemplo, estaria enfrentando dificuldades para exportar para a América Latina em razão de sua exagerada aproximação com a China e com outros países asiáticos. Acordos comerciais de interesse norte-americano estariam sendo bloqueados por governos “excessivamente independentes”.
A aliança pela “libertação” do Brasil da tal “onda vermelha” envolveria os próprios Estados Unidos e, do lado brasileiro, grupos de mídia, partidos de oposição e lideranças políticas como Aécio Neves, Marina Silva e Eduardo Campos, bem como setores do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal.
Teoria da conspiração? Pode ser. Não se pode afirmar que esses relatos procedam sem que os relatores apresentem provas. Mas tampouco dá para descuidar de hipóteses tão verossímeis, dado o histórico da relação promíscua entre os EUA e setores da elite latino-americana. Vale abrir o olho.
(http://www.blogdacidadania.com.br/2013/04/por-tras-da-valentia-midiatica-contra-dilma-os-eua/). 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Estados Unidos e Europa preparam a maior área de livre comércio do mundo (Raquel Landim)

Estados Unidos e Europa preparam a maior área de livre comércio do mundo


Estados Unidos e Europa preparam a maior área de livre comércio do mundo

Estados Unidos e União Europeia anunciaram ontem que vão negociar um acordo de livre comércio. Se for bem-sucedida, a iniciativa pode estabelecer a maior zona comercial do planeta, respondendo por metade da produção e 30% das trocas de bens e serviços globais. A notícia representa uma enorme pressão para os grandes países emergentes, como China e Brasil.
A reportagem é de Raquel Landim e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 14-02-2013.


As conversas entre americanos e europeus devem começar em junho com o ambicioso prazo de serem concluídas em dois anos, quando termina o mandato da atual Comissão Europeia. O comunicado conjunto sobre as negociações foi divulgado após o presidente dos EUA, Barack Obama, mencionar o assunto em seu discurso à nação.



"Comércio justo e livre pelo Atlântico significa milhões de bons empregos para os americanos", disse Obama. Em entrevista em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse que o acordo representa uma "mudança no jogo" do comércio global.



A iniciativa também significa a "última pá de cal" na Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC). "Americanos e europeus querem passar a mensagem de que confiam no comércio para superar a crise, mas colocaram pressão na OMC e nos emergentes", disse Rubens Ricupero, ex-secretário geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).



Estados Unidos e União Europeia já são mercados relativamente abertos. A alíquota de importação média está em 3,5% nos EUA e 5,2% na UE. O grande desafio do acordo é estabelecer regras comuns para temas tão diversos, mas que interferem diretamente no comércio, quanto meio ambiente, padrões de segurança ou produção cultural.



A tarefa é muito complicada. Segundo experientes negociadores ouvidos pelo Estado, EUA e UE têm "filosofias" diferentes. Os europeus utilizam o princípio da precaução, em que um alimento transgênico, por exemplo, não é liberado enquanto não se prove que não há riscos, enquanto os americanos trabalham com "riscos aceitáveis" e aprovam produtos se os benefícios são maiores que as perdas.

Padrões globais

"Se conseguirmos estabelecer padrões com os Estados Unidos, eles têm chance de se tornarem padrões globais. Isso é da maior importância para nossas indústrias", disse Karel De Gutch, comissário de Comércio da UE. E é nesse tema que está a maior preocupação dos países como o Brasil.


Fontes do Itamaraty afirmam que a estratégia de EUA e UE é colocar pressão na China. "Americanos e europeus vão criar padrões para a fabricação de aviões ou qualquer outro produto e os chineses estarão sempre um passo atrás", disse um diplomata. Os EUA também estão negociando um parceria de comércio e investimentos com países do Pacífico, menos a China.



O Brasil também é atingido, pois teria de simplesmente aceitar novas regras que hoje são discutidas em fóruns multilaterais. A situação do País é ainda mais delicada, porque não fechou acordos bilaterais nos últimos anos. "Num mundo que se regionaliza, o Brasil tem poucos acordos", avaliou Sérgio Amaral, ex-ministro do Desenvolvimento.



Não é a primeira vez que EUA e UE tentam selar um acordo de livre comércio. Desde o surgimento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 1949, eles falam em criar algo equivalente no comércio. A diferença é que, agora, a crise pode impulsionar as negociações.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Lula e o sindicalismo em crise nos EUA (Altamiro Borges)

Altamiro Borges: Lula e o sindicalismo em crise nos EUA:

domingo, 10 de fevereiro de 2013


Lula e o sindicalismo em crise nos EUA

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Por Altamiro Borges

No domingo passado, o ex-presidente Lula participou da abertura do Congresso Nacional do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Automobilística e Aeroespacial dos EUA (UAW), em Washington. Num discurso de improviso, o ex-líder sindical brasileiro conclamou os operários estadunidenses a participarem mais ativamente da luta política. “Se eu virei presidente, por que não podemos concorrer a mais cargos eletivos?”, afirmou. Lula insistiu que a luta política é decisiva para o avanço das conquistas trabalhistas.

“Os trabalhadores precisam defender a si mesmo e não delegar a políticos que nunca estiveram num chão de fábrica. Ninguém mais vai defender os trabalhadores, e vocês sabem disso”. Lula também pregou a urgência da unificação mundial das lutas sindicais. “Na era da globalização, precisamos globalizar os direitos dos trabalhadores”. E aproveitou para criticar a ofensiva do patronato nos EUA contra o sindicalismo, citando o caso da Nissan, em Mississipi, que persegue os sindicatos. “Não podemos deixar isso acontecer”.


O recado de Lula teve endereço certo. Os EUA, tão paparicados pelas elites colonizadas como “a pátria da democracia”, vivem hoje brutal regressão. Com o agravamento da crise no coração do capitalismo, a partir de 2008, os governos ligados ao capital financeiro – tanto o de George W. Bush como o de Barack Obama –, passaram a golpear os direitos trabalhistas e a arrochar salários, aproveitando-se das taxas recordes de desemprego. Temendo a resistência operária, eles também endureceram a repressão aos sindicatos.



Frutos destes fatores objetivos e subjetivos, o índice de sindicalização nos EUA despencou nos últimos anos. Na década de 1950, ele era de 40% da força de trabalho; atualmente, apenas 7% dos trabalhadores estadunidenses são sindicalizados – um dos piores índices do planeta. A ofensiva contra o sindicalismo permite as maiores barbáries do patronato. Cerca de 40% dos trabalhadores ianques não tem um sequer um único dia de folga remunerada, seja por doença, férias ou a título de licença maternidade.



A poderosa Walmart, maior empregadora do país, é também o maior exemplo da regressão trabalhista e sindical nos EUA. Com mais de 1 milhão de funcionários, ela não tem um único trabalhador sindicalizado. Sem representação sindical, o trabalhador é vitima de brutal exploração na jornada, nos salários e nas condições de trabalho. Outro exemplo é o da Nissan, citado por Lula. A multinacional japonesa não permite qualquer representação sindical e não respeita os poucos direitos trabalhistas existentes nos EUA.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O poder do voto latino nos EUA (Eduardo Graça, de Boca Raton, Flórida)

Altamiro Borges: O poder do voto latino nos EUA:



segunda-feira, 5 de novembro de 2012


O poder do voto latino nos EUA

Por Eduardo Graça, de Boca Raton (Flórida), na CartaCapital:

Mudam os interlocutores, permanece o tom da conversa na lanchonete localizada no coração do enclave brasileiro nos limites de Pompano Beach e Boca Raton. O assunto, e a empolgação, são os mesmos. “Oi, Isabel! Adorei ver você na tevê. Vou votar na terça-feira, pode deixar!”, diz uma freguesa apressada, fã do pão de queijo local. De olho na coxinha de frango, Margarida Oliveira ainda não é cidadã americana, mas faz questão de trocar um dedo de prosa com Isabel Santos, a primeira brasileira a se tornar delegada do Partido Democrata, com direito a voto e tudo na convenção de Charlotte.


“Já que você não pode votar, peça para algum americano desinteressado em ir às urnas fazê-lo em seu nome. Cada voto é importante para nós”, diz a delegada. Margarida responde de pronto: tem catequizado as patroas americanas, ainda indecisas entre renovar a confiança no presidente democrata ou apostar na novidade republicana. Como todas as pesquisas no estado sulista, dono de preciosos 29 votos no colégio eleitoral, apontam vantagem de apenas 1 ponto para o republicano Mitt Romney, os cerca de 10 mil brasileiros aptos a votar na região, número estimado pelas lideranças políticas locais, têm uma oportunidade rara de influenciar o destino da maior economia do planeta.



Quando conversei com Isabel e a americana Robin Blanchard, que fala português fluente e viveu em Paraty e Belo Horizonte no início da década, a tempestade Sandy acabara de chegar à costa da Flórida. O dia estava feio, com chuva e ventos fortes, mas o ex-furacão poupou o estado e partiu com fúria para New Jersey e Nova York. “As pesquisas estão erradas. Elas não levam em conta o nosso voto. A mobilização dos latinos está igual ou maior do que em 2008 na Flórida e vamos fazer a diferença no resultado final”, diz a brasileira.



Diretor da Latino Polls, empresa especializada em pesquisas de opinião na comunidade de origem latino-americana nos EUA, Matt Barreto concorda. “Os mais empolgados em ir às urnas são os que receberam a cidadania mais recentemente”, diz. Essas pessoas não estão na lista dos institutos de pesquisa, que levam em conta eleitores em grandes bolsões latinos, como Califórnia, Texas, Nova York e Illinois, onde todos sabem quem vai ganhar. Os eleitores latinos de fato mobilizados, empolgados como nunca, estão em Nevada, Colorado, Flórida, Carolina do Norte, Virgínia e Arizona. Lá, eles serão novamente a grande surpresa desta eleição.



Isabel Santos e Blanchard dizem ter contado mais de 4 mil eleitores latinos, em sua maioria brasileiros, neste ano. Elas bateram na porta de ao menos 200 casas na região de Palm Beach e Boca Raton desde o começo da campanha eleitoral. A dupla auxilia no processo de registro de novos eleitores, informa onde ficam os locais de votação e incentivam o voto antecipado. Entre os principais parceiros estão as igrejas evangélicas e a católica, quase sempre pró-Obama. “A maior preocupação do eleitor brasileiro é a imigração, a economia vem em segundo plano”, diz a mineira de São Félix de Minas, há duas décadas nos EUA.



Segundo Barreto, as duas mulheres integram um fenômeno detectado nas pesquisas da Latino Decision: a dificuldade de se dimensionarem o tamanho, a qualidade e o ânimo do voto hispânico nos EUA. “Há dois anos, as pesquisas apontavam vitória dos republicanos no Senado em Nevada e no Colorado, mas o resultado foi o oposto, justamente por conta do voto hispânico.” Como os pesquisadores utilizam majoritariamente telefones fixos para as entrevistas, eles não conseguem identificar, afirma Barreto, o grosso do eleitorado latino, que usa exclusivamente celulares. Para ele, o resultado no Arizona neste ano, por exemplo, vai ser bem mais apertado do que se espera, com possibilidade real de vitória dos democratas no Senado.



A expectativa dos obamistas é a de que os latinos aumentem em 26% sua representação no eleitorado nacional em relação a 2008, quando o presidente contou com 67% dos votos de eleitores originados da América Latina. Barreto aposta que a vantagem contra Romney, opositor, ao contrário de John McCain, o candidato da direita há quatro anos, à incorporação dos 12 milhões de imigrantes não documentados, em sua maioria hispânicos, à economia formal, será ainda maior em 2012, dando ao grupo, ao lado dos negros e das mulheres, o peso decisivo em uma eventual vitória democrata.

Uma democracia parada no tempo (Luiz Carlos Bresser Pereira)


Uma democracia parada no tempo


"Mitt Romney é o representante perfeito do regime político conservador e neoliberal que dominou os EUA e, a partir de lá, grande parte do mundo, exceto os países asiáticos dinâmicos desde o final dos anos 1970", escreve Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 05-11-2012.
Segundo ele, "A democracia americana é hoje dominada pelo dinheiro. As campanhas eleitorais têm custos astronômicos. Aqui, embora ainda não tenhamos financiamento público das campanhas como têm os europeus, elas são mais baratas graças principalmente ao horário gratuito na televisão e no rádio. Aqui o povo já sabe pensar ideologicamente, como ficou demonstrado no primeiro turno das eleições de São Paulo".
Eis o artigo.
Amanhã acontecem eleições nos EUA. Espero que Obama seja reeleito, porque fez um bom governo e é um candidato muito melhor para o povo que seu oponente. Mas, por incrível que possa parecer, esse resultado não está assegurado.

Por que incrível? Porque Mitt Romney é o representante perfeito do regime político conservador e neoliberal que dominou os EUA e, a partir de lá, grande parte do mundo, exceto os países asiáticos dinâmicos desde o final dos anos 1970.

Entre 1979 e 2008, os Trinta Anos Neoliberais do Capitalismo foram um período de políticas e de reformas econômicas radicais que reduziram as taxas de crescimento em comparação aos Trinta Anos Dourados anteriores, aumentaram as desigualdades e multiplicaram as crises financeiras, estas coroadas pela crise global de 2008 e pela longa recessão que até hoje os países ricos experimentam.

Romney está associado a tudo isso de forma direta e clara: é o candidato dos rentistas e financistas que foram dominantes no período.

Como é possível, então, que o povo americano não veja isso? Como é possível que as pesquisas continuem indefinidas?

Há muitas explicações, mas, neste breve espaço, me limitarei à que me parece principal: a democracia americana parou no tempo, hoje é uma democracia de segunda classe quando comparada aos demais países ricos e se apresenta mal quando comparada à brasileira.

Não estarei exagerando? Afinal, os EUA sempre se apresentaram e sempre foram vistos como o exemplo de democracia. E, no passado, o foram. Mas desde o pós-Guerra as democracias europeias avançaram e se tornaram superiores. E desde os anos 1980 uma democracia como a brasileira também avançou e, não obstante seus problemas, apresenta hoje uma qualidade provavelmente melhor do que a americana.

A democracia americana é hoje dominada pelo dinheiro. As campanhas eleitorais têm custos astronômicos. Aqui, embora ainda não tenhamos financiamento público das campanhas como têm os europeus, elas são mais baratas graças principalmente ao horário gratuito na televisão e no rádio. Aqui o povo já sabe pensar ideologicamente, como ficou demonstrado no primeiro turno das eleições de São Paulo.

Depois de um candidato vazio ideologicamente passar toda a campanha à frente nas pesquisas, na última semana houve uma reviravolta, e os dois candidatos que faziam sentido, representando a esquerda e a direita, passaram à frente.

Uma democracia é tanto melhor quanto melhor o povo sabe votar. Quando vota em termos de programas e da qualidade pessoal dos candidatos. Nas eleições de amanhã, o presidente Obama representa uma segurança de bom governo para a grande maioria dos eleitores -para os pobres e para a classe média.

Mas estes se deixam enganar com argumentos como, por exemplo, o de que os males do país vêm de ter Obamasocorrido os bancos no auge da crise à custa dos pobres que pagam impostos. Quando argumentos absurdos como esse prosperam, é sinal de que os eleitores estão confusos, e que a democracia é fraca. Tomara que isso que digo seja menos verdade amanhã.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Tribunal de Londres manda publicar conversa de Bush e Blair sobre Guerra do Iraque...

Guerra | 21/05/2012 20:50

Conversa de Bush e Blair sobre Iraque deve ser publicada

Na conversa, dois líderes falaram sobre a oposição do então presidente francês, Jacques Chirac, para a aprovação da ONU de uma resolução que permitisse a invasão do país

Tom Pennington/Getty Images
Ex-presidente George W. Bush discursando
A comissão Chiclot disse que a conversa entre Bush e Blair era essencial para entender a entrada na guerra do Reino Unido
Londres - Um tribunal de Londres determinou nesta segunda-feira que as transcrições de uma conversa telefônica entre o ex-presidente americano George Bush e o então primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, antes da Guerra do Iraque devem ser publicadas.
Na conversa, que aconteceu em 12 de março de 2003, oito dias antes do início do conflito, os dois líderes falaram aparentemente sobre a oposição do então presidente francês, Jacques Chirac, para a aprovação do Conselho de Segurança da ONU de uma resolução que permitisse a invasão do Iraque.
A comissão Chilcot, iniciada em 2009 para investigar a participação britânica na Guerra do Iraque, havia pedido a desclassificação do conteúdo desta conversa, no entanto, o Ministério de Exteriores se opôs pelo dano que poderia causar em suas relações com os Estados Unidos.
Contudo, o chamado tribunal britânico do direito à informação sentenciou nesta segunda que o Governo britânico deverá publicar, em um prazo de 30 dias, a transcrição das falas de Tony Blair, devido ao interesse público.
''As circunstâncias da decisão de um Governo de iniciar uma guerra sempre são de interesse público, ainda mais neste caso, dadas as consequências deste conflito'', disse o juiz John Ángel. Diante disso, o porta-voz do Ministério de Exteriores se mostrou ''decepcionado'' com a decisão.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Julgamento do Obamacare poderá ser adiado até 2015. Corte Suprema poderá aplicar Lei Anti-Embargo, que proíbe contestações judiciais sobre impostos que ainda não foram pagos...


Notícias

6abril2012
ARGUMENTO ÓRFÃO

Julgamento do Obamacare pode se adiado até 2015

Uma lei de 1867 poderia manter a Suprema Corte dos Estados Unidos longe do caso sobre a constitucionalidade do chamado Obamacare, novo sistema de saúde do país, não fosse o fato de que nenhuma das partes do litígio estava disposta a sair em sua defesa. A argumentação sobre a procedência da lei no Plenário da Suprema Corte, na semana passada, foi uma mera formalidade, mas como o advogado que a sustentou se saiu de forma brilhante, muitos comentaristas da TV americana se apressaram em avaliar que havia uma chance de a corte consentir em adiar o julgamento histórico.
Mais de uma semana depois da realização das sessões de argumentação oral na Suprema Corte sobre a reforma do sistema público de saúde do país, os norte-americanos ainda especulam sobre como irão decidir os juízes do alto tribunal. Bem ao modo da mídia do país, comentaristas e analistas disputaram espaço em mesas redondas e programas jornalísticos tentando antecipar a sorte do futuro da saúde pública americana.
Naquele momento, contudo, a atenção era toda dos advogados que atacaram ou defenderal a nova lei da saúde diante do Plenário da corte. Dois deles, Paul Clement e Donald Verrilli Jr., este último atual procurador-geral dos EUA, eram antes conhecidos apenas no meio jurídico, mas tiveram, depois da semana passada, sua reputação projetada junto à opinião pública.
Outro dos pesos-pesados que tomaram parte do litígio histórico foi Robert Long, sócio da banca Covington & Burling. Long não é tão conhecido quanto os outros dois, mas, no julgamento do Obamacare, o advogado cuidou do aspecto da discussão jurídica, digamos, mais "peculiar" do julgamento: se uma lei de 1867 deveria interromper a discussão sobre a reforma do sistema de saúde.
Em um país onde a Constituição tem mais de 200 anos, assim como algumas de suas mais conhecidas — e vagas — leis, era de se esperar que uma lei ancestral, além, claro, do conjunto de disposições presentes na própria Constituição, fosse complicar ainda mais a já espinhosa discussão.
Robert Long foi convocado pela Suprema Corte norte-americana para se pronunciar sobre a ideia de que nem mesmo o próprio alto tribunal teria autoridade para decidir sobre a Lei da Saúde Acessível (Affordable Care Act) do governo Obama. Ou melhor, a lei estaria fora da jurisdição da Suprema Corte até que entre em plena vigência.
Coube a Long convencer os juízes de que a Lei Anti-Embargo (Anti-Injunction Act), de 1867, também se aplica ao caso do Obamacare. A lei proíbe contestações judiciais sobre impostos que ainda não foram pagos. Como uma das saídas dos opositores da nova lei da saúde foi questionar aspectos sobre a nova carga tributária que subsidiará o Obamacare, logo foi posto que a Lei Anti-Embargo barraria qualquer discussão judicial sobre os impostos referentes à implantação da nova lei.
Contudo, o que era apenas um forma de frear uma avalanche de contestações sobre os tributos arrecadados para o patrocínio da nova lei da saúde acabou levantando a tese jurídica de que qualquer contestação jurídica sobre a lei poderia ser barrada até sua aplicação. Uma vez que tanto os impostos quanto as multas fiscais previstas para aqueles que se recusarem a adotar a cobertura de um plano de saúde — público ou privado — não serão pagos até 2015, antes disso, não há como avaliar a lei no conjunto da obra.
O que parecia vago e improvável ganhou relevância jurídica até o ponto de a Suprema Corte ter de chamar um advogado para defender a tal ideia. Caso fique entendido que a Lei Anti-Embargo também se aplique ao caso do Obamacare, nem mesmo a Suprema Corte poderá entrar no mérito de sua constitucionalidade até sua implantação. Só a partir do devido recolhimento de impostos para seu subsídio e da aplicação de multas fiscais para aqueles que a desrespeitarem.
No entanto quase ninguém acredita que uma lei de 1867 possa adiar o julgamento mais importante da Suprema Corte desde Gore x Bush, em 2000. Nem o próprio Robert Long. Em palestra realizada no início desta semana no Centro de Justiça da Georgetown University, em Washington D.C., Long disse que aparentemente nenhum dos juízes da Suprema Corte parecia convencido de que a Lei Anti-Embargo pudesse manter a Corte longe da ação até 2015.
Até mesmo a administração Obama havia desistido de insisitir neste argumento. Long estava lá apenas por uma tradição legal nos EUA: a dos argumentos órfãos (orphan arguments), quando o juiz é obrigado a nomear um advogado para se ocupar da defesa de uma posição jurídica que nenhuma das partes está disposta a apoiar.
Como Long fez uma defesa brilhante, elogiada até mesmo pelo discreto presidente da Suprema Corte, John Roberts Jr., comentaristas da TV americana avaliaram que um novo obstáculo surgira no caminho dos opositores da nova lei. Porém, o próprio Robert Long foi o primeiro a desmerecer, fora do Plenário, que a decisão do tribunal, seja qual for, seja adiada até 2015.
Questionado sobre a expectativa do fracasso de sua argumentação, Long disse à imprensa dos EUA que “não havia cliente para dar a má notícia”.
“Não tenho cliente neste caso, não tenho a quem dar a má notícia”, brincou Long. “A função ali era apenas iluminar todos os lados juridicamente válidos da questão”, explicou.
Rafael Baliardo é repórter da revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 6 de abril de 2012
Do Portal Consultor Jurídico: (http://www.conjur.com.br/2012-abr-06/argumento-inovador-adiar-2015-julgamento-obamacare). Acesso em: 06/abr/2012.