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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Mujica mostrou que um governante ideal não é uma utopia completa (Kiko Nogueira)

02/jan/2014...
Leia... Texto com análise do jeito de governar do atual presidente do Uruguai (José Pizetta)...

Mujica mostrou que um governante ideal não é uma utopia completa


Postado em 31 Dec 2013
Mujica
Mujica

O presidente uruguaio, Pepe Mujica, mostrou, entre outras coisas, que um governante ideal não precisa ser, necessariamente, uma utopia completa.  Fez isso de maneira simples, com reformas corajosas e, sobretudo, seu exemplo.
Mora numa chácara a 10 quilômetros de Montevideu com a mulher, a senadora Lucía Topolansky, e sua velha cadela. “Minha maneira de viver é consequência da evolução da minha vida. Lutei até onde é possível pela igualdade e equidade dos homens”, diz ele.
A casa tem paredes descascadas e tetos de zinco verde. Galinhas ciscam o terreno debaixo das roupas no varal. Ele tem o mesmo patrimônio de 2010, o que inclui um Fusca 87. Doa 90% de seu salário de US$ 12 500 a programas sociais. Chamou de “velho careta” um dirigente da ONU que xingou seu país de “pirata” por causa da legalização da maconha. Recentemente foi à posse de um ministro calçando sandálias.
Por causa do que representa e do que faz, Mujica ganhou um imenso respeito e admiração. Surgiram também mais inimigos do que já tinha (“esse velho comunista maconheiro vai ser desmascarado”) e, principalmente, anões por comparação.
Hoje o presidente do Senado, Renan Calheiros, escreveu um artigo sobre o “programa de racionalização interna”. Diz ele que houve uma economia de R$ 265 milhões.
Lista seus feitos: “Foram eliminados o décimo quarto e décimo quinto salários dos parlamentares. Foram extintos 630 funções comissionadas (30% do total). Implementamos a jornada corrida de sete horas, evitando novas contratações. E fundimos estruturas administrativas redundantes”.
“Após as manifestações populares no meio do ano, aprovamos mais de 40 propostas em menos de 20 dias, desenferrujando as engrenagens sabidamente burocráticas do processo legislativo. Algumas ainda tramitam na Câmara dos Deputados. O crime de corrupção foi agravado e se tornou hediondo”.
Além da numeralha de difícil comprovação e do enrolation, existe aí um problema básico de falta de noção do papel de um líder como ele. Esse é o Renan Calheiros que acabou de devolver aos cofres públicos  R$ 27 390,25 por ter pegado um voo da FAB para fazer um implante de cabelo no Recife. No registro da FAB, consta que ele utilizou a aeronave “a serviço”. Era mentira.
Renan só devolveu a quantia porque virou notícia. Em junho,  já fora pilhado indo à Bahia de FAB para o casamento da filha do senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Em outubro, o Senado suspendeu uma licitação para a compra de comida e produtos de limpeza para sua casa. Previa-se um gasto de R$ 98 mil por seis meses. Dez quilos de carne por dia. Renan mora com a mulher e dois filhos.
É surreal, no mínimo, que o político que anuncia “cortes de gastos”  seja o mesmo que usa dinheiro público como se fosse dele — e ainda falando em “corrupção”. Não aprendeu nada com as manifestações. Não aprendeu nada com o vizinho ao sul. É como se o Uruguai ficasse num continente distante da Oceania, um lugar com costumes exóticos e chefes ruins da cabeça como aquele tiozinho barrigudo e de bigode.
Os anões de Mujica ainda vão dar muito trabalho, especialmente para si mesmos.

Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

(Disponível em: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/renan-calheiros-e-pepe-mujica-o-presidente-uruguaio-virou-um-criador-de-anoes/). Acesso em: 02]jan/2014.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

'Diga a esse velho que não minta' (Mujica)


'Diga a esse velho que não minta', afirma Mujica sobre chefe antidrogas da ONU

Presidente de junta de fiscalização de entorpecentes disse que não conseguiu se encontrar com autoridades uruguaias
por OperaMundi publicado 13/12/2013 15:34
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PRESIDÊNCIA URUGUAI
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Para presidente do Uruguai, órgão da ONU mantém discurso incoerente sobre descriminalização
São Paulo – O presidente do Uruguai, José Mujica, pediu hoje (13) ao presidente da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) da ONU, Raymond Yans, que "não minta" quando disser que as autoridades do país não quiserem recebê-lo. Ele também acusou o oficial de ter um discurso duplo sobre a maconha. "Diga a esse velho que não minta: comigo qualquer um se reúne na rua. Que venha ao Uruguai e se reúna comigo quando quiser. Que não fale para a tribuna", afirmou. “Porque está em um posto internacional, acredita que pode dizer qualquer mentira.”
Yans criticou duramente o Uruguai por aprovar uma lei que permite o cultivo e a venda de maconha e afirmou que não conseguiu dialogar com as autoridades do país sobre o tema. Ele se queixou que as autoridades uruguaias o permitiram viajar para manter um encontro direto com Mujica.

Por isso, Mujica acusou Yans de manter um discurso duplo sobre o tema e pediu ao representante da ONU que fosse claro com "o que se passa em um monte de Estados norte-americanos, onde cada um deles, só com a capital, superam a população do Uruguai".

"Ou ele tem dois discursos, um para o Uruguai e outro para os que são fortes?", questionou o líder, em alusão à diferente reação da Jife perante a legalização da maconha na nação sul-americana, de 3,3 milhões de habitantes, e a aprovação de leis similares em vários estados dos Estados Unidos.
De acordo com o chefe da Jife, a lei uruguaia viola a Convenção sobre drogas de 1961, da qual o país é signatário. O texto, aprovado no Senado do país nesta semana, ainda precisa ser sancionado. A nova norma dispõe sobre a criação de um ente estatal regulador encarregado de outorgar licenças aos consumidores e controlar a produção e distribuição da droga, que será feita em clubes e farmácias.
registrado em:    

Disponível em: (http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2013/12/diga-a-esse-velho-que-nao-minta-afirma-mujica-sobre-chefe-antidrogas-da-onu-776.html).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Uruguai. Mujica. Regulação da maconha se respalda em "tradição" uruguaia Lucas Ferraz e Felix Lima)



01/12/2013 - 20h00


Para Mujica, regulação da maconha se respalda em "tradição" uruguaia

DE SÃO PAULO

Ouvir o texto
Programa TV Folha
Em entrevista ao "TV Folha" deste domingo, o presidente uruguaio, José Mujica, fala sobre a legalização da maconha no país: "Vamos regular um mercado que já existe. Não podemos fechar os olhos para isso. A via repressiva fracassou".


O mandatário é responsável por transformar o Uruguai no primeiro país a regulamentar produção e venda da maconha, algo inédito no mundo.
"Por que plantar? Pela tradição que tem o Uruguai. O país foi o primeiro a reconhecer a prostituição na América Latina e a organizou", diz o ex-guerrilheiro que, além da nova medida, já aprovou o casamento gay e legalizou o aborto.

País de tradição liberal, onde fumar maconha não é crime (ao contrário do Brasil), o Uruguai começou a discutir a regulação da droga há pelo menos dez anos.

Aos enviados especiais Lucas Ferraz e Félix Lima, que visitaram a chácara em que Mujica vive, na zona rural de Rincón del Cerro, o presidente ressalta que o Uruguai vai regulamentar, e não legalizar a maconha. A venda será controlada pelo Estado.
Baseado ele afirma que nunca fumou. "Não defendo a maconha, gostaria que ela não existisse."

Na entrevista a seguir, Mujica também garante que o país não se transformará na terra do "fumo livre".



Já aprovado na Câmara, o projeto de lei que regulamenta a droga permite ainda que os usuários, mediante licença, plantem a erva em casa.
De acordo com o governo, se quiserem sair da clandestinidade, os cerca de 200 mil usuários de maconha no país deverão se cadastrar para ter acesso limitado à droga.

A votação do projeto pode ser concluída nesta semana pelo Senado, último estágio antes da sanção presidencial. Na prática, a experiência começará no ano que vem.

Ainda será preciso regulamentar a medida, estabelecendo limite de cigarros que podem ser comprados --um número citado é 40 por mês.

A prerrogativa será restrita a uruguaios e residentes no país, uma forma de inibir o turismo da droga.

Como o governo Mujica tem maioria no Senado, espera-se que o projeto seja aprovado com folga.


Disponível em: (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/12/1379291-regulacao-da-maconha-no-uruguai-e-questao-de-tradicao-para-mujica.shtml).

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Paraguai ainda não aceitou presença da Venezuela no Mercosul...

AFP - Agence France-Presse
Publicação: 27/05/2013 15:25 Atualização:

Paraguai ainda não aceitou presença da Venezuela no Mercosul

AFP - Agence France-Presse
Publicação: 27/05/2013 15:25 Atualização:


O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Félix Fernández, disse nesta segunda-feira que o país não aceitou até agora a presença de Venezuela no Mercosul e que é necessária a aprovação pelo Senado para que isso aconteça e seu país volte ao bloco como é "de direito".


O chanceler disse que seus sócios Argentina, Brasil e Uruguai - que suspenderam o Paraguai em junho em represália pela destituição pelo Congresso do presidente esquerdista Fernando Lugo - não convidaram o país para a cúpula de presidentes em Montevidéu, no final de junho.



Fernández disse, contudo, que o novo Senado que assumirá no dia 1º de julho pode revisar o pedido de adesão da Venezuela ao bloco regional. "Queremos voltar ao Mercosul como nos é de direito", manifestou. "Se houvesse agora uma resolução para discutir o texto (de adesão da Venezuela) a enviaríamos. Respeitamos o poder Legislativo. Partimos da base que a Venezuela não é membro até que o Paraguai esteja de acordo. A posição paraguaia é clara. Não aceitou (até agora) a entrada da Venezuela", explicou.



O ministro paraguaio disse que o governo buscará concretizar acordos de livre comércio com os países integrantes da Aliança Pacífico (Chile, Peru, Colômbia e México) enquanto estiver suspenso do Mercosul. "Houve avanços, especialmente com o México e ficará nas mãos do próximo governo aprofundar as negociações", afirmou.



A Aliança do Pacífico aceitou o Paraguai como sócio observador na última cúpula de Cali, na semana passada. O presidente eleito de Paraguai, Horacio Cartes, assumirá no dia 15 de agosto e manifestou seu interesse em que pôr fim à suspensão imposta ao país pelos outros três sócios do bloco.

Disponível em: Paraguai ainda não aceitou presença da Venezuela no Mercosul

domingo, 26 de maio de 2013

Comissão da Verdade. Torturas e proibições em 1970. Dilma presa no Brasil e Mujica no Uruguai...

26/05/2013 - 10h00 | Vitor Sion | São Paulo

Ditadura militar proibiu Mujica de entrar no Brasil em 1970

Presidente uruguaio fez parte de lista de "estrangeiros indesejáveis" da Polícia Federal

Era 1970. O Brasil vivia o período de repressão mais intenso em seus 21 anos de ditadura militar, logo depois da instauração do AI-5, em 1968. Nos porões da delegacia do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), na rua Tutóia, em São Paulo, milhares de militantes de esquerda eram barbaramente torturados.

Em janeiro de 1970, uma jovem de 22 anos foi colocada no pau de arara e torturada por vinte e dois dias consecutivos. Era Dilma Vana Rousseff, hoje presidente do Brasil, que relatou em depoimento que o momento mais difícil era quando recebia choques elétricos, principalmente nas partes íntimas.

Os brasileiros, porém, não eram os únicos procurados pelo governo. Documento da Polícia Federal de fevereiro de 1970 mostra uma lista de “estrangeiros indesejáveis”. Entre eles, outro futuro líder latino-americano: o uruguaio José Alberto Mujica Cordano, conhecido como Pepe Mujica.

Vitor Sion/Opera Mundi

Imagem do documento que impedia José Mujica de entrar no Brasil durante a ditadura militar


O motivo para que o atual presidente do Uruguai fosse impedido de entrar no país era a sua atuação no MLN-T (Movimento de Liberação Nacional – Tupamaros), do qual foi um dos nove principais líderes. Na mesma época, a ditadura uruguaia, comandada por Jorge Pacheco Areco e Juan María Bordaberry, exigia perseguição -- sem perdão -- aos guerrilheiros tupamaros.

Além de Mujica, a PF proibia dezenas de outros tupamaros de virem ao Brasil. Um deles, Lucia Topolanski Saavedra, atual senadora e primeira-dama do Uruguai.


Poucos meses depois, Mujica foi detido no Uruguai e ficou 14 anos na prisão, até 1985. Hoje, ele é considerado um dos presidentes mais carismáticos da América Latina. Doa 90% do seu salário para ONGs e, em março, negou-se a comparecer à missa que inaugurou o pontificado do papa Francisco por ser ateu e defender o Estado laico no Uruguai.

Comissão da verdade

Enquanto isso, no Brasil, a Comissão da Verdade completou um ano nesta semana e tenta restaurar a memória coletiva do país, indicando os agentes responsáveis pela tortura e a repressão. Isso sem saber, devido à Lei da Anistia, se eles serão julgados pelas violações aos direitos humanos, como tem ocorrido em outros países da América Latina, como a Argentina. 

Wikicommons

Mujica e a primeira-dama do Uruguai, Lucia Topolanski Saavedra


No que se refere à luta armada, da qual fizeram parte os grupos de Dilma e Mujica, a Comissão da Verdade esclareceu que esse tipo de ação só foi iniciada após a tortura. "A tortura começou a ser praticada nos quartéis em 1964. A tortura está na origem da ditadura militar. Ela ocorre antes da luta armada", afirmou a historiadora Heloísa Starling, integrante do grupo de pesquisadores.

Uma das principais justificativas para a implementação do AI-5, que instituiu oficialmente a repressão em 1968, era o combate aos “subversivos que queriam um regime comunista no país”.  


(http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/29073/ditadura+militar+proibiu+mujica+de+entrar+no+brasil+em+1970.shtml). 

domingo, 19 de maio de 2013

Mujica rejeita título de “presidente mais pobre do mundo”

Mujica rejeita título de “presidente mais pobre do mundo”
DIARIO DO CENTRO DO MUNDO 18 DE MAIO DE 2013 15


Pobres são aqueles que precisam de muito para viver.
Mujica
Mujica
O artigo abaixo foi publicado originalmente no site Opera Mundi.
O presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou esta semana à rede estatal chinesa Xinhua que não concorda com o título que lhe foi atribuído pela imprensa internacional de “presidente mais pobre do mundo”, em razão de seu estilo de vida simples.Segundo ele, esse título é incorreto porque “pobres são aqueles que precisam de muito para viver”. Sua vida austera tem como objetivo “manter-se livre”.
“Eu não sou pobre. Pobre são aqueles que precisam de muito para viver, esses são os verdadeiros pobres, eu tenho o suficiente”, afirmou.
“Sou austero, sóbrio, carrego poucas coisas comigo, porque para viver não preciso muito mais do que tenho. Luto pela liberdade e liberdade é ter tempo para fazer o que se gosta”, disse o presidente. Ele considera que o indivíduo não é livre quando trabalha, porque está submetido à lei da necessidade. “Deve-se trabalhar muito, mas não me venham com essa história de que a vida é só isso”.
Assim como já fez com outros correspondentes internacionais, Mujica recebeu a equipe de reportagem chinesa em sua modesta propriedade rural em Rincón del Cierro, nos arredores de Montevidéu, ao lado dos cães e galinhas que cria.
Aos 77 anos, Mujica doa 90 % de seu salário de 260.000 pesos uruguaios (quase 28 mil reais) a instituições de caridade. Não possui cartão de crédito nem conta bancária. Sua lista de bens em 2012 inclui um terreno de sua propriedade e dois com os quais conta com 50% de participação, todos na mesma área rural – diz ter alma de camponês, e se orgulha de sua plantação de acelgas, e já pensa em voltar a cultivar flores.
Possui dois velhos automóveis dos anos 1980 (entre eles um Fusca com o qual vai ao trabalho) e três tratores. Segundo o presidente uruguaio, essa opção de vida surgiu durante os anos em que viveu preso sob duras condições (1972-1985) em razão de sua atividade de guerrilheiro. Ele foi membro dos Tupamaros, grupo que lutou contra a ditadura militar.
“Por que cheguei a esse ponto? Porque vivi muitos anos em que, quando recebia um colchão à noite para dormir, já me dava por contente. Foi quando passei a valorizar as coisas de maneira diferente”, disse ele sobre seus tempos de cárcere, quando disse ter conversado com rãs e formigas para “não enlouquecer”.
Ele afirmou duvidar que a próxima eleição presidencial, marcada para 2014, vá atrapalhar sua gestão, e se diz animado com um projeto pessoal para quando deixar o Executivo, em março de 2015: “Quando terminar esse trampo (changa em espanhol, referindo-se à Presidência) que tenho agora, vou me dedicar a fazer uma escola de trabalhos rurais nesta região”.
Quando perguntado se após deixar o governo ele tentará acumular fortuna, ele disse: “Depois terei de gastar tempo para cuidar do dinheiro e muito mais tempo da minha vida para ver se estou perdendo ou ganhando. Não, isso não é vida.”
(http://www.diariodocentrodomundo.com.br/mujica-rejeita-titulo-de-presidente-mais-pobre-do-mundo/). 



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Anistia. Milhares de uruguaios protestam contra validade de lei de anistia

Última Instância - Milhares de uruguaios protestam contra validade de lei de anistia

Terça, 26 de Fevereiro de 2013

DITADURA MILITAR

Milhares de uruguaios protestam contra validade de lei de anistia

Victor Farinelli, do Opera Mundi - 26/02/2013 - 15h22

No fim da tarde desta segunda-feira (25/2), ao redor da Coluna da Paz, monumento simbólico da Plaza Cagancha, em Montevidéu, havia pouco mais de 25 mil uruguaios em protesto. Após cinco minutos de silêncio, vieram os aplausos, abraços, lágrimas e o hino do país.


Terminada a parte protocolar do ato, os gritos passaram a ser variados, e direcionados a um dos flancos da praça, onde está o prédio da Suprema Corte de Justiça do Uruguai. Foi de lá que saiu, na última sexta-feira (22/2), a decisão que motivou aquele evento.

O mais alto tribunal de Justiça do país declarou inconstitucionais os dois artigos centrais da chamada Lei de Interpretação, aprovada pelo Congresso do país em 2011, e que anulava os efeitos da Lei de Caducidade (similar à Lei de Anistia no Brasil), pela qual se determina a prescrição dos crimes da ditadura uruguaia (1973-1985).

Por meio da Lei de Interpretação, o Estado Uruguaio buscava mudar a classificação dos delitos cometidos durante a ditadura, citados pela Lei da Caducidade como crimes penais comuns, e que passariam a ser tratados como crimes contra a humanidade, o que os tornaria imprescritíveis.

A Suprema Corte considerou que o item da lei que impedia a aplicação de prescrição não se adequava às normas constitucionais do país. Outro artigo rechaçado pelo Tribunal foi o que permitiria que casos aos quais havia sido aplicada a prescrição pudessem ser reeditados e julgados novamente sob a nova regra de imprescritibilidade.

A decisão inspirou o evento desta segunda, convocado durante o fim de semana por diversas organizações sociais e grupos de familiares de vítimas da ditadura e realizado na praça onde fica a sede do Poder Judiciário. A iniciativa foi abraçada pela Frente Ampla, coalizão governista uruguaia, que levou várias de suas figuras ao protesto, incluindo alguns ministros de Estado.

Uma das figuras presentes foi o subsecretario de Educação e Cultura, Oscar Gómez da Trindade, que viu na manifestação “um fio de esperança diante de uma situação complexa, porque há cada vez menos instâncias onde podemos reverter as vitórias dos que lutam pela impunidade”.

A própria Lei de Interpretação, uma medida simbólica do governo de José Mujica — já que ele mesmo foi vítima da ditadura, que o torturou e o manteve preso em uma solitária por dez anos, entre 1974 e 1983 —, foi uma reação da Frente Ampla ao resultado do plebiscito que ocorreu em 2010, simultaneamente às últimas eleições presidenciais. Naquela ocasião, 47% dos uruguaios votaram a favor da anulação a Lei de Caducidade (como é chamada a Lei de Anistia uruguaia), não sendo alcançada a maioria simples, necessária para a aprovação da proposta.

Outra presença marcante no evento foi a do jornalista e escritor Eduardo Galeano, que classificou como “triste” a decisão da Justiça de seu país. “Está cumprindo o papel que foi encomendado pelos políticos que os nomearam, que são os mais interessados em apagar a memoria e perpetuar o medo”, afirmou o escritor, que logo concluiu: “a multidão que está aqui presente é a evidência de um país que não quer ser prisioneiro do medo, e não falo somente dos que vieram, me refiro, sobretudo, àqueles que, sem estar, estão”.

Transferência da juíza Mota

A sentença de inconstitucionalidade contra os dois artigos da Lei de Interpretação não foi a única decisão criticada pelos manifestantes durante do evento. Na segunda-feira anterior (18/2), a Suprema Corte do Uruguai tomou outra medida também polêmica, considerada pelas organizações presentes como um preâmbulo do que foi anunciado quatro dias mais tarde.
Trata-se da transferência da juíza Mariana Mota, que encabeçava mais de 50 casos de direitos humanos ligados à ditadura. Na semana passada, a Suprema Corte anunciou que Mota não atuará mais em casos do Tribunal Penal, e que passará a trabalhar no Tribunal de Família.

Também na semana passada, o Congresso Uruguaio enviou ao Poder Judiciário um convite para dar explicações sobre o remanejamento da juíza Mota, que rechaçou a possibilidade de enviar um representante ao parlamento, mas afirmou que estaria disposta a responder um questionário enviado pelos legisladores a respeito do tema.

Durante a manifestação, em uma coletiva improvisada na Praça Cagancha, a senadora Lucía Topolanski (Frente Ampla), esposa do presidente Mujica, declarou que “a Corte é soberana para decidir o que decidiu sobre a juíza Mota, mas também cabe ao Legislativo consultar sobre as razões dessas decisões, que inquietam toda a cidadania. Basta ver o que dizem as milhares de pessoas aqui presentes”.

Topolanski quer que o questionário inclua também uma pergunta sobre como a sentença de inconstitucionalidade da Lei de Interpretação incide sobre os casos de militares já condenados. Atualmente, há cerca de 20 pessoas condenadas por violações aos direitos humanos durante a ditadura no Uruguai, entre elas o próprio ditador Juan María Bordaberry (1973-1976), sentenciado em fevereiro de 2010 pela própria juíza Mariana Mota, que lhe impôs uma pena de 30 anos de cadeia. O ditador faleceu no ano seguinte, enquanto cumpria prisão domiciliária.

Oposição fala em pressão

A oposição uruguaia, por sua vez, solicitou uma cadeia nacional de rádio e televisão para “defender a República contra os ataques à autonomia do Poder Judiciário”, como justificou por Twitter o deputado Max Sapolinski, secretário-geral do Partido Colorado (ao qual pertencia o ditador Bordaberry).
Posteriormente, através de nota oficial do partido, Sapolinski alegou que “a Frente Ampla está tentando orientar as decisões judiciais em favor de grupos minoritários, que não são representantes da leis e da sociedade uruguaia, como é a nossa Suprema Corte de Justiça”.


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domingo, 20 de janeiro de 2013

Expansão brasileira é considerada imperialista por alguns vizinhos (Deutsche Welle)

Expansão brasileira é considerada imperialista por alguns vizinhos

Internacional


Deutsche Welle

16.01.2013 09:42


Expansão brasileira é considerada imperialista por alguns vizinhos


No início, os uruguaios ainda gostavam da cerveja brasileira. As filiais do Banco Itaú na capital Montevidéu tampouco eram um problema. Porém, em 2006, quando as firmas brasileiras passaram a comprar os armazéns frigoríficos do país, muitos ficaram desconfiados. De uma hora para outra o grosso dos negócios com a carne bovina, campeã de exportações do país, encontrava-se em mãos brasileiras.
Frigoríficos no Uruguai, plantações de soja no Paraguai, usinas hidrelétricas no Peru: as empresas do Brasil conquistam a América do Sul. E com cifras de impor respeito. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, o total das exportações nacionais para o restante da América Latina e o Caribe saltou de 11,5 bilhões para 57 bilhões de dólares, entre 2002 e 2011. Isso situa a região como segundo mais importante mercado para o comércio externo brasileiro, depois da Ásia.
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Frigoríficos no Uruguai, plantações de soja no Paraguai, usinas hidrelétricas no Peru: as empresas do Brasil conquistam a América do Sul
Admiração e rejeição
Porém os demais latino-americanos observam com ceticismo a ascensão econômica do país. “Em muitos aspectos, os países veem o Brasil com um olhar semelhante ao que a América do Sul tinha sobre os Estados Unidos”, expõe Oliver Stünkel, professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas, em entrevista à DW Brasil. “É uma mistura de admiração e rejeição.”
O clima político é especialmente tenso no Paraguai. A atitude brasileira após a posse do então presidente Fernando Lugo, em junho de 2012, ainda é encarada como uma intervenção descabida. “Quando o Brasil pressionou para que o Paraguai fosse suspenso do mercado comum Mercosul, voltou a aflorar o sentimento de que o país se comporta como uma potência colonial”, explica Stünkel.
O ex-ministro brasileiro do Exterior Luiz Felipe Lampreia também classifica como uma gafe diplomática o comportamento de seu governo na época. “Essa decisão política despertou um grande mal-estar no Paraguai”, admitiu em entrevista à DW.
No entanto, o diplomata considera absurda a acusação de que o Brasil estaria se comportando de forma colonialista. “Os brasileiros pagam impostos, exportam mercadorias e criam postos de trabalho, tanto no Paraguai como no Uruguai ou na Bolívia”, contra-argumenta Lampreia.
África, o alvo preferencial
Chefes de Estado Lula (esq.) e José Eduardo dos Santos, de Angola, em 2010
Chefes de Estado Lula (esq.) e José Eduardo dos Santos, de Angola, em 2010
Quer como amigo, quer como inimigo, a expansão econômica e política do Brasil segue a passos largos. A mineradora Vale S.A. pretende investir no exterior, até 2014, um total de 9,6 bilhões de dólares, em especial em países africanos como Moçambique, Angola e Zâmbia. Com 17 mil funcionários, a multinacional Odebrecht é a maior empregadora privada de Angola. E a semiestatal Petrobras explora petróleo em Angola e na Nigéria.
A expansão brasileira no continente africano é fruto de uma intenção política. Lá, o gigante sul-americano está representado com, no mínimo, 37 embaixadas. E, ao oferecer créditos acessíveis, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também ajuda a financiar grandes projetos domésticos.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou os países ao sul do Saara mais de uma dezena de vezes durante seus dois mandatos, de 2003 a 2011. Também sua sucessora Dilma Rousseff segue apostando na cooperação sul-sul. Com resultados palpáveis: de 2000 até agora, o volume anual de negócios Brasil-África cresceu de 4,2 bilhões para mais de 20 bilhões de dólares.
Mais uma nação imperialista?
Entretanto também na África lusófona a expansão brasileira gera tensões. Em julho de 2010, manifestantes enfurecidos invadiram a mina de ferro da Vale S.A. na Guiné, por violações dos direitos dos trabalhadores. Também em Moçambique, no leste africano, pequenos agricultores protestaram no último ano contra a empresa mineradora, por desalojá-los, a fim de dar lugar à exploração de carvão mineral em Moatize.
Mina de carvão em Moatize, Moçambique
Mina de carvão em Moatize, Moçambique
“Em Moçambique, a relação da Vale com a população local é tão ruim que, para muitos, a atual imagem do Brasil é pior do que a de Portugal da época colonial”, escreveu Carlos Tautz para O Globo. Se o governo não lembrar as firmas brasileiras do respeito às normas internacionais, no futuro o Brasil será percebido “como mais uma nação imperialista”, advertiu o jornalista.
O professor Oliver Stünkel, contudo, não partilha essa opinião. “A reputação do Brasil na África é muito boa. Para o país, ainda se desenrola o tapete vermelho”, afirma o perito econômico.

domingo, 11 de novembro de 2012

Legalização do aborto no Uruguai


Legalização do aborto no Uruguai

(05/11)

Algo inédito ocorre na América Latina, surpreendendo até mesmo muitos liberais: o Uruguai acaba de descriminalizar o aborto e os parlamentares ainda discutem a legalização da maconha.
Ambas as iniciativas dão destaque internacional ao pequeno país de 3,3 milhões de habitantes, ainda que medidas de cunho conservador também estejam sendo debatidas no país.

Na quarta-feira (17/10/12), o Senado uruguaio aprovou a descriminalização do aborto até o primeiro trimestre de gestação. A lei determina que mulheres (apenas cidadãs uruguaias) que queiram pôr fim à gravidez nesse período sejam submetidas a um comitê formado por ginecologistas, psicólogos e assistentes sociais, que lhe informarão sobre riscos e alternativas ao aborto.

Se a mulher desejar prosseguir com o aborto mesmo assim, poderá realizá-lo imediatamente em centros públicos ou privados de saúde. Abortos que não sigam esses procedimentos continuarão sendo ilegais. Também é permitido o aborto em casos de riscos à saúde da mulher, de estupros ou de má-formação fetal que seja incompatível com a vida extrauterina, até 14 semanas de gestação.

O presidente José Mujica disse recentemente à BBC Mundo que não pretende vetar o projeto, já aprovado na Câmara dos Deputados. Para Mujica, a despenalização permitirá "salvar mais vidas", ao restringir a prática de abortos clandestinos.

Caso seja aprovado também o projeto que legaliza a maconha, o Uruguai passa a ser uma exceção nos dois controversos temas e confirma uma tradição liberal cultivada desde o início do século 20 - o país, de Estado laico desde 1917, foi pioneiro regional ao permitir o divórcio de iniciativa da mulher (em 1913) e o voto feminino (decidido em plebiscito em 1927).

"A ideia geral de que o Uruguai é um país mais liberal que o resto da região é provavelmente correta", diz à BBC Mundo Ignacio Zuasnabar, diretor da empresa uruguaia de pesquisas Equipos.

Fonte: BBC

Do Portal IBCCRIM: (http://ibccrim.org.br/site/noticias/conteudo.php?not_id=14096). Acesso em: 11/nov/2012.