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domingo, 26 de maio de 2013

O diktat alemão (Boaventura de Sousa Santos)


26 DE MAIO DE 2013 - 8H44 

Boaventura de Sousa Santos: O diktat alemão


Na reunião de 9 de Abril entre o Secretário do Tesouro norte americano e o Ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble ficou provado que o fundamentalismo neoliberal domina hoje mais na Europa que nos EUA. 

Por Boaventura de Sousa Santos, no blog da Boitempo


Boaventura
Boaventura de Sousa Santos

À recomendação feita por Jacob Lew de que a Europa atenue a ênfase na austeridade e promova o crescimento econômico, respondeu desabridamente o ministro alemão que “na Europa ninguém vê uma contradição entre consolidação fiscal e crescimento” e que “devemos parar com este debate que nos diz que temos de optar entre austeridade e crescimento”.


Provar que há alternativas ao diktat alemão do nacional-austeritarismo e que elas são politicamente viáveis é o maior desafio que as sociedades europeias, a portuguesa incluída, hoje defrontam. O desafio é comum, ainda que a sua concretização varie de país para país. A história europeia mostra de maneira muito trágica que não é um desafio fácil. A razão alemã tem um lastro de predestinação divina que o filósofo Fichte definiu bem em 1807, quando contrapôs o alemão ao estrangeiro desta forma: o alemão está para o estrangeiro como o espírito está para a matéria, como o bem está para o mal. Perante isto, qualquer transigência é sinal de fraqueza e de inferioridade. O próprio direito tem de ceder à força para que esta não enfraqueça.

Quando, no começo da Primeira Guerra Mundial, há quase um século, a Alemanha invadiu e destruiu a Bélgica, sob o pretexto falso de se defender da França, violou todos os tratados internacionais, dada a neutralidade daquele pequeno país (as agressões alemãs tendem historicamente a tomar como alvo inicial os países mais fracos). Sem qualquer escrúpulo, o chanceler alemão declarou no Parlamento: “Procuraremos reparar a ilegalidade que praticamos assim que tivermos atingido o nosso desígnio militar. Quando se é ameaçado e se luta por um bem supremo, cada qual se governa como pode”.

Esta arrogância não exclui alguma magnanimidade, desde que as vítimas se portem bem. Da nota que a chancelaria alemã enviou à chancelaria belga em 2 de Agosto de 1914 – um documento que ficará na história como um monumento de mentira e felonia internacionais – constam as condições 3. e 4. que rezam assim:

“3. Se a Bélgica observar uma atitude benévola, a Alemanha obriga-se, de acordo com as autoridades do Governo belga, a comprar contra dinheiro contado tudo quanto for necessário às suas tropas e a indenizar quaisquer danos causados na Bélgica pelas tropas alemãs.


4. Se a Bélgica se comportar de um modo hostil às tropas alemãs e se, especialmente, levantar dificuldades à sua marcha… a Alemanha será obrigada, com grande desgosto seu, a reputar a Bélgica como inimiga”.
 

Ou seja, se, como diríamos hoje, os belgas fossem bons alunos e se deixassem instrumentalizar pelos interesses alemães, o seu sacrifício, se bem que injusto, receberia uma hipotética recompensa.


Caso contrário, sofreriam sem dó nem piedade. Como sabemos, a Bélgica, inspirada pelo Rei Alberto, decidiu não ser boa aluna e pagou por isso o elevado preço da destruição e dos massacres, uma agressão tão vil que ficou conhecida como a “violação da Bélgica”.

Dada esta superioridade über alles, humilhar a arrogância alemã tem sempre envolvido muita destruição material e humana, tanto dos povos vítimas dessa arrogância como do povo alemão. Claro que a história nunca se repete e que a Alemanha é hoje um país sem poder militar e governado por uma vibrante democracia.

Mas três fatos perturbadores obrigam os restantes países europeus a levarem em conta a história. Em primeiro lugar, é perturbador verificar que o poder econômico alemão está hoje convertido em fonte de uma ortodoxia europeia que beneficia unilateralmente a Alemanha, ao contrário do que esta quer fazer crer. Também em 1914 o governo imperial pretendia convencer os belgas de que a invasão alemã do seu país era para seu bem, “um dever imperioso de conservação”, e que “o Governo alemão sentiria vivamente que a Bélgica reputasse [a invasão] como um ato de hostilidade”, como se escreve na infame declaração já referida. Em segundo lugar, são perturbadoras as manifestações de preconceito racial em relação aos países latinos na opinião pública alemã.

Vem à memória o antropólogo racista alemão, Ludwig Woltmann (1871-1907) que, inconformado com a genialidade de alguns latinos (Dante, Da Vinci, Galileu, etc.), procurou germanizá-los. Conta-se, por exemplo, que escreveu a Benedetto Croce para lhe perguntar se o grande Gianbattista Vico era alto e de olhos azuis. Perante a resposta negativa, não se desconcertou e replicou: “Seja como for, Vico deriva evidentemente do alemão Wieck”. Tudo isto parece hoje ridículo, mas vem à memória sobretudo tendo em mente o terceiro fato perturbador. Um inquérito realizado há pouco mais de um ano aos alunos das escolas secundárias alemãs (entre 14 e 16 anos de idade) revelou que um terço não sabia quem fora Hitler e que 40% estavam convencidos de que os direitos humanos tinham sido sempre respeitados pelos Governos alemães desde 1933.

*Boaventura de Sousa Santos é Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. Atualmente dirige o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e coordena o Observatório Permanente da Justiça Portuguesa. Pela Boitempo, publicou Renovar a teoria crítica e reinventar a emancipação social (2007) .

** Publicado originalmente no Público, de Portugal, em 4 de maio de 2013.

Disponível em: Boaventura de Sousa Santos: O diktat alemão - Portal Vermelho

Lula rechaça complexo de vira-lata (Altamiro Borges)

quinta-feira, 23 de maio de 2013


Lula rechaça complexo de vira-lata

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Por Altamiro Borges


"Quando assumi a Presidência, tinha consciência de que o Brasil precisava conversar com quem tinha maior compromisso histórico ou proximidade com a gente. Isso era essencial para nosso crescimento, para nossa expansão. Acabou o tempo em que a gente fica na expectativa do que os americanos iriam gostar. Acabou o tempo em que a Europa ditava as regras. O Brasil está aprendendo o seu tamanho, a sua importância, a sua capacidade de fazer as coisas", afirmou Lula ontem (22), durante o seminário "As relações do Brasil com a África - A nova fronteira do desenvolvimento global", organizado pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e pelo jornal Valor Econômico.


A declaração do ex-presidente deve irritar ainda mais os barões da mídia colonizada, que padecem do velho complexo de vira-lata e que sempre pregaram o servilismo diante das potências capitalistas. Ela expressa bem a nova orientação dada à política externa no governo Lula e que segue em andamento,  embora de forma mais tímida, na gestão de Dilma Rousseff. Ao romper com a subserviência diante dos EUA e Europa - o chamado "alinhamento automático" imposto pelo tucano FHC - e ao priorizar as relações com os países da América Latina e do sul do planeta, o Brasil se projetou no cenário mundial e tornou-se menos vulnerável à violenta crise que atingiu a economia capitalista.


Como afirmou Lula no evento, o país hoje é mais respeitado no mundo. Isto é o que garantiu a eleição do brasileiro Roberto Azevedo como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) - o primeiro latino-americano a ocupar o posto - e também a escolha de José Graziano da Silva, em 2011, como diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). "Quem diria que o Brasil teria a diretoria da OMC e da FAO? Em 2016, seremos a quinta economia do mundo, mas [o crescimento econômico] precisa estar umbilicalmente ligado ao desenvolvimento social".



Para o ex-presidente, o país deve jogar um papel ainda mais ativo e altivo no cenário mundial. "Ou o Brasil vira um agente global para disputar cada milímetro de espaço no jogo comercial ou vamos ficar para trás... Hoje o mundo comercial é competitivo e ninguém vai dar colher de chá para nós”, disse. Ele também destacou a importância da integração latino-americana e insistiu na necessidade de se estreitar laços com os países africanos. "A construção de um mundo mais equilibrado passa pela África... Não queremos repetir na África os mesmos erros que ingleses e americanos cometeram no Brasil há algumas décadas. Temos que humanizar as relações sociais com os países africanos".

Dispnível em: Altamiro Borges: Lula rechaça complexo de vira-lata

terça-feira, 19 de março de 2013

Novas elites globais mudam a cara da Europa (Conal Urquhart)


19/03/2013 - 15h00

Novas elites globais mudam a cara da Europa


CONAL URQUHART
DO "OBSERVER"


As praias, os resorts e as atrações turísticas diversas da Europa estão passando por uma revolução na surdina --uma transformação comparável ao boom das férias no exterior desencadeado na década de 1960 pela chegada dos pacotes turísticos baratos. Os russos não estão mais chegando --eles já chegaram. E os chineses estão a caminho, em número ainda maior.
Com suas praças bonitinhas e igrejas antigas, Montecatini é uma cidade típica da Toscana. Mas é uma cidade cujo prefeito propôs que todas as placas de ruas sejam escritas no alfabeto cirílico russo, refletindo a invasão sem precedentes de turistas vindos do leste.
A situação se repete no resto do continente. Russos, asiáticos e árabes estão reescrevendo as regras do turismo europeu, com novos magnatas e beneficiários de classe média das economias mundiais em crescimento comprando imóveis e ocupam espaço nas praias antes reservadas aos europeus do norte.
Hélio Schwartsman/Folhapress
Vista do burgo de Bagnone, na Toscana, um dos locais preferidos dos magnatas russos na Itália
Vista do burgo de Bagnone, na Toscana, um dos locais preferidos dos magnatas russos na Itália

O número de turistas da Europa ocidental e dos EUA que viajam para outros países se manteve mais ou menos estável nas últimas décadas, mas o volume de turismo em sentido inverso é espantoso. Tome-se o caso da China, onde o boom de viajantes acompanha o crescimento econômico vertiginoso do país. Os 5 milhões de chineses que viajaram para o exterior em 1996 converteram-se em 60 milhões em 2010. Nesse mesmo período, os 12 milhões de visitantes vindos de Moscou, São Petersburgo e do resto da Rússia aumentaram para quase 40 milhões.
Enquanto os países da zona do euro e o Reino Unido se perguntam de onde pode vir um crescimento econômico sustentado, na esteira deprimente da crise dos bancos, os governos dos países do sul da Europa, com suas economias enfraquecidas, estão fazendo todo o possível para atrair visitantes de fora da União Europeia que tenham dinheiro de sobra. Para energizar seus mercados imobiliários, países como Portugal, Chipre e Espanha chegam a oferecer vistos de residência a estrangeiros que comprem imóveis no país.
Joanna Leverett, da corretora imobiliária Savills, disse que há várias tendências visíveis. "Os russos continuam a comprar no sul da França, Toscana e Turquia. Compradores dos Emirados Árabes Unidos, Kuait e Qatar começaram a adquirir imóveis na Turquia, além do sul da França. Marbella, na Andaluzia, ainda é um destino muito procurado. Eles tendem a comprar chalés em resorts com serviços de hotelaria. Os americanos continuam a comprar na Itália e França. Chineses vêm abocanhando apartamentos novos em Paris e Londres, mas nesses casos a finalidade é educacional e de obtenção de visto, e não tanto turístico."
No contexto da crise na zona do euro, parecem ter começado algumas liquidações de imóveis. No início de março o emir de Qatar comprou seis ilhas gregas por £7 milhões, dando continuidade a uma tendência lançada pelo rei Fahd, da Arábia Saudita, em 1974, quando se rendeu aos encantos de Marbella. O rei passava até dois meses na Costa del Sol todos os anos, no verão; boa parte da corte saudita e muitos outros príncipes do Oriente Médio se juntavam a ele. Ao que consta, cada visita real injetava £60 milhões na economia local.
Marbella ainda atrai muitos visitantes do Oriente Médio. A família real saudita é proprietária do complexo de Nahda, de 200 acres, que inclui uma clínica, uma mesquita e uma réplica da Casa Branca, entre outros palácios. O xeque Abdullah al-Thani, do Qatar, é dono do clube de futebol Málaga. Mas nos últimos anos a riqueza russa vem tendo influência maior.
Jelena Cvjetkovic, também da corretora Savills, disse que milionários ricos continuam a procurar comprar imóveis que chamem a atenção e que no ano passado um deles adquiriu um imóvel por mais de £40 milhões em St. Tropez. A última moda entre os muitos ricos, disse ela, é comprar uma propriedade no campo, além do imóvel de praia.
"O interesse pela Toscana vem aumentando. As pessoas já têm um imóvel na praia e agora querem também um imóvel no campo, com vinhedo. Muitas dessas vendas são feitas diretamente, sem corretores, mas ouvi falar, por advogados, de muitas propriedades sendo compradas por £30 milhões a £40 milhões", ela revelou.
Enquanto isso, a emergente classe média russa --pessoas apenas bem de vida, em oposição aos muito ricos-- vem transformando o mercado de turismo de massas e ampliando seus próprios portfólios imobiliários, mais modestos. Em 2011, os russos formaram o maior grupo de visitantes à Europa --24,6 milhões deles foram ao continente--, seguidos pelos EUA, com 20,6 milhões, China, com 4,7 milhões, Canadá, com 4,2 milhões, e Japão, 4,1 milhões.
Muitos desses visitantes também estão comprando bens. Mike Bridges, editor da revista russa de imóveis "International Residences", comentou: "Hoje a maioria dos compradores russos é da classe média e dispõe em média de €500 mil. Normalmente eles pagam em dinheiro e não precisam de financiamento. A economia russa está indo muito bem, e a classe média é imensa."
Graças a isso, grandes comunidades russas estão surgindo no nordeste da Espanha, em Montenegro e em Chipre, onde há lojas e serviços russos oferecidos. Bridges comentou: "Os russos procuram lugares de onde existam vôos diretos para São Petersburgo e Moscou. Eles precisam de muitos intérpretes nos países que frequentam. As construtoras geralmente precisam de funcionários que falem russo. A Bulgária e Montenegro são muito procurados devido às semelhanças linguísticas, mas a Espanha é popular em função dos baixos preços dos imóveis."
Hoje, 9% dos imóveis na Costa del Sol pertencem a russos, enquanto alemães são donos de 7%. Mas ambos perdem muito para os britânicos, donos de 35% das propriedades.
O novo fluxo turístico tem seu lado mais sombrio, com acusações de corrupção e atividade mafiosa. No Chipre, em 2010, um tribunal libertou sob fiança um russo acusado de espionagem nos EUA, dando-lhe a oportunidade de fugir. Na Espanha, empresários russos e políticos espanhóis foram acusados de corrupção em colaboração.
Mas, com o aumento inexorável do poder de compra das novas potências da economia global, os novos turistas vão tornar-se mais numerosos. E, se os russos são o presente, os chineses são o futuro. Os jovens chineses estão deixando de viajar em grupos organizados para viajar de modo independente, fazendo reservas e comprando suas passagens online e não se limitando a conhecer as atrações turísticas principais.
A ONU prevê que 100 milhões de turistas chineses vão viajar para algum lugar do mundo em 2020. A Europa, ou pelo menos, seus lugares mais atraentes, tem tudo para virar o playground dos novos-ricos do Oriente. É tudo muito distante da Costa Brava em 1970.

AS NOVAS ELITES TOMAM CONTA DE UM CONTINENTE
REINO UNIDO
Por Joanne O'Connor

O clima britânico não atrai turistas não europeus à procura do sol, mas a corrida para abocanhar imóveis de alto valor está cada vez mais intensa. Em janeiro, quando os proprietários malaios do empreendimento imobiliário a ser erguido no local da usina elétrica de Battersea, em Londres, puseram à venda o primeiro lote de 600 apartamentos, todos foram arrematados em dois dias.
"Estamos no olho da tempestade", diz James Moran, diretor de vendas do escritório em South Kensington da corretora imobiliária internacional Winkworth. "As vendas subiram 60% em relação ao ano passado, e estamos vendo os compradores tradicionais, como franceses e italianos, serem substituídos por compradores da Rússia, Ásia e Oriente Médio."
A primavera árabe também teve como consequência um aumento na demanda de compradores do Egito, Líbia e Irã, interessados em um lugar seguro para investir seu dinheiro.
FRANÇA
Por Kim Willsher
Os russos continuam a querer casas de férias na Riviera francesa, mas agora estão se juntando a eles escandinavos loucos por sol e egípcios endinheirados. O chamado "Triângulo Dourado" --formado por Cannes, Cap d'Antibes e Châteauneuf-- ainda é muito procurado. Fredrik Lilloe, da corretora Estate Net Prestige-Knight Frank, diz que a firma vem recebendo compradores do Oriente Médio, especialmente egípcios. Os chineses manifestam grande interesse por vinhedos na Borgonha, mas geralmente não vivem nas propriedades. Contratam pessoas para administrá-las e enviam o vinho para a China.
Mark Harvey, da equipe francesa da Knight Frank em Londres, disse que Paris é procurada por compradores do Oriente Médio e americanos, além de russos e italianos.
A ameaça do presidente François Hollande de elevar impostos levou muitos compradores a deixar o país e procurar refúgio em lugares como Mônaco e Suíça.
ESPANHA
Por Giles Tremlett
Com a queda do mercado imobiliário após o estouro da bolha imobiliária residencial, cinco anos atrás, compradores de qualquer nacionalidade andam escassos. Mas consta que o presidente russo, Vladimir Putin, foi um dos que teriam visitado o condomínio de alto luxo de La Zabaleta, em Marbella, no ano passado.
O governo espanhol está tão ansioso por vender estimados 1 milhão de imóveis novos e não ocupados que pensa em mudar as leis de visto, dando direito de residência no país a não europeus que gastem mais de €160 mil na compra de uma casa.
O secretário de Estado para o Comércio, Jaime García-Legaz, disse que a iniciativa tem por objetivo específico atrair compradores russos e chineses de alto poder aquisitivo. Com os preços tendo caído mais de 30%, no ano passado os russos passaram à frente dos alemães para se tornarem o segundo maior grupo comprador de imóveis na Costa del Sol, no sul da Espanha, perdendo apenas para os britânicos. Em Alicante, no leste do país, eles compram os imóveis mais caros.
Enquanto isso, compradores chineses também andam encarando investimentos muito maiores. Um consórcio chinês cogita adquirir um terreno de 11,6 km² nos arredores de Madri, para erguer um novo centro financeiro.
Mas nada disso se compara ao terreno em Alcorcón, nas proximidades de Madri, onde o bilionário americano Sheldon Adelson planeja construir um novo complexo conhecido como EuroVegas.

ITÁLIA
Por Tom Kington

Oligarcas russos e suas mulheres loiras oxigenadas são vistos há anos na Costa Smeralda da Sardenha, lotando o bar da boate Billionaire de Flavio Briatore. Desde então a maré russa já chegou à Itália continental. O prefeito do resort toscano de Forte dei Marmi ficou tão alarmado com o aumento vertiginoso dos preços dos imóveis que decidiu reservar imóveis novos exclusivamente para moradores locais.
Mais para o interior, no ano passado Svetlana Medvedeva, esposa do primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, ocupou com seu séquito de 30 pessoas um hotel e spa inteiro em Montecatini Terme, levando o prefeito a sugerir a colocação de placas de rua em russo, na esperança de que a chegada de Medvedeva leve a um boom na presença de russos de alto poder aquisitivo.
Árabes vindos de países do Golfo estão presentes em grande número no país, e esse número está previsto para subir, desde que, no ano passado, a família real do Qatar fechou um negócio para comprar do proprietário americano a Costa Smeralda, um trecho belíssimo de litoral da Sardenha desenvolvido inicialmente pelo Aga Khan. Há rumores de que os qatarianos pretendem construir em grande escala na região, suscitando temores de que as baías tranquilas fiquem repletas de mansões ocupadas por árabes do Golfo.
Enquanto isso, os hotéis espanhóis procuram meios de atrair parte dos turistas chineses que chegam em número cada vez maior, oferecendo mimos que vão desde servir o chá correto até obedecer as normas do Feng Shui.
Seu medo é que empreendedores chineses comprem hotéis para alojar turistas chineses, excluindo os italianos da corrida ao ouro. Milão já tem seu próprio hotel chinês, o Huaxia.

Hoje é comum ver turistas indianos nas ruas de Roma, tomando o lugar dos grupos tradicionais de japoneses, com seus bonés de beisebol e câmeras fotográficas.
ALEMANHA
Por Kate Connolly
A Alemanha não é um país acostumado com investidores estrangeiros. Num comentário de franqueza característica, o tablóide "Bild" lamentou recentemente que "russos, chineses, indianos e árabes" estejam "enchendo os bolsos" com "bons negócios alemães".
"E eles não estão de olho apenas em nossos melhores cortes de carne", disse o jornal. Cada vez mais estaleiros do norte da Alemanha estão passando para mãos estrangeiras, para o desdém de muitos alemães, que consideram que a entrega dos estaleiros não passa da ponta do iceberg de uma invasão estrangeira muito maior da Alemanha corporativa, deixando a maior economia da Europa exposta à especulação e a visões de curto prazo.

MONTENEGRO
Por Conal Urquhart

Quando fazia parte da Iugoslávia, Montenegro era o destino favorito da classe média sérvia. A baía de Kotor foi a última base da marinha iugoslava, e o resort de Herceg Novi era conhecido como "pequena Belgrado", devido ao grande número de turistas da capital sérvia que vinham todos os anos no verão.
Hoje em dia, o número de russos que viajam a Montenegro quase se iguala aos sérvios, mas os russos vêm comprando muitos bens. O jornal russo "Novaya Gazeta" informou no ano passado que 40% dos imóveis montenegrinos pertencem a russos. O oligarca russo Oleg Deripaska é dono da fábrica de alumínio de Montenegro, a maior indústria do país.

GRÉCIA
Por Helena Smith

Depois de três anos de crise econômica, a Grécia está começando a atrair investidores. O emir do Qatar confirmou no início de março que o país afundado em dívida é um mercado ótimo para compradores, abocanhando seis ilhas no mar Jônico por meros £7 milhões.
"Os imóveis perderam 50% do valor desde 2007, e os estrangeiros que farejam uma oportunidade estão chegando", comenta Christos Vergos, da filial ateniense da corretora imobiliária Remax. As ofertas são tão tentadoras que o monarca qatariano, Hamad bin Khalifa al-Lani, quer comprar outras 12 ilhas ao largo de Ithaca, com o objetivo de erguer palácios de verão para cada um de seus 24 filhos.
Especialistas imobiliários dizem que centenas de libaneses e israelenses ricos vêm comprando casas de férias na ilha de Mykonos.
"São pessoas com dinheiro disponível e que conseguem um bom negócio", comentou Roi Deldimou, representante da imobiliária Beauchamp na ilha. Investidores turcos também estão chegando à Grécia, adquirindo hotéis no coração histórico de Atenas, onde o Estado, sem dinheiro e desesperado para atender as exigências dos credores internacionais, também anda vendendo propriedades.
Os chineses, que recentemente compraram os direitos de operação do porto de Pireaus, vêm aproveitando os preços deprimidos para adquirir imóveis em torno da capital grega.
A onda de novos investidores na Grécia é liderada por russos. Após a compra de um imóvel imenso em Corfu por Roman Abramovich, oligarcas russos vêm adquirindo residências luxuosas na Riviera ateniense.

CHIPRE
Por Helena Smith

A ilha é um paradigma do esforço de não europeus para investir na União Europeia. Com a queda do mercado britânico de residências de férias, os chineses ocuparam o espaço, comprando casas em número recorde.
"Desde novembro do ano passado, cerca de 700 imóveis foram vendidos a investidores chineses", diz Peter Christofi, gerente de marketing no exterior da Antonis Louizou and Associates.
A promessa de vistos de residência permanente, oferecidos aos compradores de imóveis de mais de €300 mil, é o que vem alimentando o interesse. "Nossa experiência nos diz que a atração se deve a esta lei que envolve vistos de residência, não guardando muita relação com o próprio Chipre", disse Christofi.
Com seus impostos mais baixos e sol abundante, a ilha também vem atraindo russos praticamente desde a queda do império soviético. A comunidade de 40 mil russos se fixou em torno de Limassol e vem fazendo investimentos imobiliários enormes.
Tradução de CLARA ALLAIN.
Disponível em: (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1248241-novas-elites-globais-mudam-a-cara-da-europa.shtml). Acesso em: 19/mar/2013. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Estados Unidos e Europa preparam a maior área de livre comércio do mundo (Raquel Landim)

Estados Unidos e Europa preparam a maior área de livre comércio do mundo


Estados Unidos e Europa preparam a maior área de livre comércio do mundo

Estados Unidos e União Europeia anunciaram ontem que vão negociar um acordo de livre comércio. Se for bem-sucedida, a iniciativa pode estabelecer a maior zona comercial do planeta, respondendo por metade da produção e 30% das trocas de bens e serviços globais. A notícia representa uma enorme pressão para os grandes países emergentes, como China e Brasil.
A reportagem é de Raquel Landim e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 14-02-2013.


As conversas entre americanos e europeus devem começar em junho com o ambicioso prazo de serem concluídas em dois anos, quando termina o mandato da atual Comissão Europeia. O comunicado conjunto sobre as negociações foi divulgado após o presidente dos EUA, Barack Obama, mencionar o assunto em seu discurso à nação.



"Comércio justo e livre pelo Atlântico significa milhões de bons empregos para os americanos", disse Obama. Em entrevista em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse que o acordo representa uma "mudança no jogo" do comércio global.



A iniciativa também significa a "última pá de cal" na Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC). "Americanos e europeus querem passar a mensagem de que confiam no comércio para superar a crise, mas colocaram pressão na OMC e nos emergentes", disse Rubens Ricupero, ex-secretário geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).



Estados Unidos e União Europeia já são mercados relativamente abertos. A alíquota de importação média está em 3,5% nos EUA e 5,2% na UE. O grande desafio do acordo é estabelecer regras comuns para temas tão diversos, mas que interferem diretamente no comércio, quanto meio ambiente, padrões de segurança ou produção cultural.



A tarefa é muito complicada. Segundo experientes negociadores ouvidos pelo Estado, EUA e UE têm "filosofias" diferentes. Os europeus utilizam o princípio da precaução, em que um alimento transgênico, por exemplo, não é liberado enquanto não se prove que não há riscos, enquanto os americanos trabalham com "riscos aceitáveis" e aprovam produtos se os benefícios são maiores que as perdas.

Padrões globais

"Se conseguirmos estabelecer padrões com os Estados Unidos, eles têm chance de se tornarem padrões globais. Isso é da maior importância para nossas indústrias", disse Karel De Gutch, comissário de Comércio da UE. E é nesse tema que está a maior preocupação dos países como o Brasil.


Fontes do Itamaraty afirmam que a estratégia de EUA e UE é colocar pressão na China. "Americanos e europeus vão criar padrões para a fabricação de aviões ou qualquer outro produto e os chineses estarão sempre um passo atrás", disse um diplomata. Os EUA também estão negociando um parceria de comércio e investimentos com países do Pacífico, menos a China.



O Brasil também é atingido, pois teria de simplesmente aceitar novas regras que hoje são discutidas em fóruns multilaterais. A situação do País é ainda mais delicada, porque não fechou acordos bilaterais nos últimos anos. "Num mundo que se regionaliza, o Brasil tem poucos acordos", avaliou Sérgio Amaral, ex-ministro do Desenvolvimento.



Não é a primeira vez que EUA e UE tentam selar um acordo de livre comércio. Desde o surgimento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 1949, eles falam em criar algo equivalente no comércio. A diferença é que, agora, a crise pode impulsionar as negociações.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Alemanha pode apoiar sistema bancário unificado (Dow Jones)


Europa | 03/06/2012 20:12

Alemanha pode apoiar sistema bancário unificado

País dá sinais de que apoiará emissão de títulos europeus unificados ou união do sistema bancário se líderes europeus também decidirem desistir da soberania

©AFP / Mychele Daniau
Moeda de euro sobre bandeira da UE
Se medidas forem adotadas, países irão redesenhar a união monetária europeia

Berlim - A Alemanha está enviando fortes sinais que poderá apoiar a emissão de títulos europeus unificados ou uma união do sistema bancário se os líderes europeus também decidirem desistir da soberania e transferir poderes sobre orçamentos nacionais para Europa. Se adotado, esse passo irá redesenhar a união monetária europeia.
Países como França acreditam que a Europa pode criar instrumentos como os títulos de euro para colocar o peso da dívida em muitos ombros. Outros, especialmente a Alemanha, dizem que uma moeda comum requer uma política fiscal comum e transferência da soberania sobre os orçamentos para a Europa.
Agora, pela primeira vez, a Alemanha está mostrando sinais de fortalecer sua posição. Mas Berlim quer que estas questões sejam discutidas de forma mais ampla juntamente com o futuro da Europa e a estrutura da zona do euro.
"Quanto mais os outros estados membros estiverem preparados para desistir de seus direitos soberanos para envolver de forma mais efetiva as instituições europeias, mais nós estaremos preparados para ter um papel ativo no desenvolvimento de mecanismos como a união do sistema bancário", disse uma autoridade alemã familiar com a questão ao The Wall Street Journal.
Muitas das ideias que estão sendo discutidas não são novas, mas a ressurgência da crise do euro no último mês, que ameaça dividir o bloco, está forçando os líderes europeus a notar que a estratégia de resolver o problema localmente não está dando resultado.
Porém, não existe garantia que estes líderes irão lidar com as diferenças que eles não conseguiram superar no passado. Qualquer movimento para abandonar a soberania sobre os orçamentos nacionais irá enfrentar forte resistência nos estados membros, instigados por partidos políticos populistas e uma batalha acirrada em função da constituição dos direitos dos países.
Mas a ideia, defendida de forma veemente pela chanceler alemã Angela Merkel, que a crise deve ser usada como uma oportunidade para criar uma união política para impulsionar a moeda comum pode ganhar movimento.
As informações são da Dow Jones.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Um mundo cheio de carros (Deonísio da Silva)


Um mundo cheio de carros

Por Deonísio da Silva em 27/12/2011 na edição 674
Alguns sinais de riqueza e de independência, ou de seus contrários, pobreza e dependência, podem ser observados também nos automóveis que os estadistas usam para se locomover e se exibir. O jornalista Leonídio Paulo Ferreira lembra hoje (19/12) no Diário de Notícias que Barack Obama, o número um do mundo, desloca-se em luxuoso Cadillac, fabricado nos EUA, naturalmente. Hu Jintao, o mandatário número um da China, usa uma limusine Hongqi, de tecnologia chinesa, claro. Angela Merkel troca de carro como de vestido. Ora, vai de BMW (1,5 milhões de carros em 11 meses), ora de Mercedes ou de Audi (essas duas marcas venderam mais de 1,19 milhões de carros cada uma). O antecessor de Angela Merkel, Gerhard Schroeder, só andava de Audi, com os quatro anéis lembrando seus quatro casamentos. Sua sucessora ainda está no segundo matrimônio e Merkel não é seu nome de família.
Bem, esses estadistas usam carro próprio, digamos assim, pois que feitos por seus próprios países. A maioria dos outros prefere carros deles. Talvez a Mercedes lidere a preferência dos pedidos de estadistas. Cristina Kirchner prefere Audi. Os chefes de Estado do Egito e da Índia deslocam-se em Mercedes.
Esses dados seriam apenas curiosidades, não fosse o seguinte: a indústria do automóvel é um pilar da economia mundial, especialmente da Alemanha, mas não há como ignorar que as ruas de todo o mundo estão cheias também de Toyota e de outras marcas asiáticas, onde também trafegam milhões de carros italianos.
Por que não emigra ele mesmo, o primeiro-ministro?
Mas quem é Angela Merkel? Esse Merkel é do ex-marido, Ulrich Merkel. O atual chama-se Joachim Sauer. Seu nome de batismo é Angela Doroteia Kasner. É filha de pastor e por isso acompanhou o pai quando este foi cuidar de uma paróquia na então Alemanha Oriental. Lá ela viveu até cair o muro, em 1989, e doutorou-se em Química. É uma política de centro, mas tem pressa: “Na Alemanha estamos sempre enfrentando o perigo da nossa própria lentidão. Temos que acelerar as reformas.” Isso, naturalmente, equivale a tirar direitos de trabalhadores, pois é assim que se conjuga o verbo reformar em todo o mundo. Para melhorar a vida dos trabalhadores, o verbo é outro, é necessário fazer uma revolução. O caso é que Angela Merkel está ao volante de um poderoso carro alemão. Estava em boa velocidade em 2010: a economia alemã cresceu 3,6%. Para este ano estava previsto um crescimento de 2,9%, mas a crise derrubou as previsões de 2012 para 1%.
E o Brasil? Esperemos que os políticos brasileiros não imitem os de Portugal, cujo primeiro-ministro aconselhou os professores qualificados a procurarem emprego em outros países. Como não são os professores que estão enterrando país, por que não emigrava ele mesmo, o primeiro-ministro? Será que algum país daria emprego a um político que quebrou o país dele? Ainda que bons professores sejam bem aceitos em todo o mundo, remunerá-los à altura de suas qualificações, é outro problema. Um carro é fabricado em pouco tempo. Um professor demanda quase meia vida para formar-se e não para de aperfeiçoar-se a vida inteira.
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[Deonísio da Silva é escritor, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, professor e um dos vice-reitores da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, autor de A Placenta e o Caixão, Avante, Soldados: Para Trás e Contos Reunidos (Editora LeYa)]
Do Portal Observatório da Imprensa: (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed674_um_mundo_cheio_de_carros). Acesso em: 30/dez/2011.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Crise Européia. "Mão (in)visível do Liberalismo Italiano" pretende cobrar fatura dos direitos sociais e trabalhistas

Itália planeja novo pacote que pretende reduzir direitos trabalhistas

Mario Monti afirmou que os leilões de títulos do governo foram positivos, mas a volatilidade no mercado continuará. Ele defende rodada de reformas em janeiro e promete crescimento
Publicado em 29/12/2011, 15:16
Última atualização às 15:16
  
Itália planeja novo pacote que pretende reduzir direitos trabalhistas
O premier italiano, Mario Monti, durante entrevista coletiva em Roma(Foto:Tony Gentile/Reuters)
São Paulo – O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, disse nesta quinta-feira (29) que seu governo buscará apresentar até o fim de janeiro um amplo pacote de medidas liberalizantes, alterações em benefícios sociais e reformas que pretendem flexibilizar as leis trabalhistas. A iniciativa é justificada pelo chefe de governo do país europeu como uma forma de impulsionar o crescimento econômico do país, que vive uma crise de confiança sobre a capacidade de pagamento de suas dívidas, além de uma forte recessão.
A aprovação, na semana passada, de um pacote de medidas de "austeridade" para "salvar a Itália" foi a primeira tarefa de seu governo, disse Monti a repórteres em uma coletiva de imprensa de encerramento do ano. Seu segundo ato será apresentar alternativas para "fazer a Itália crescer", o qual terá como objetivo tornar mais competitiva a economia italiana.
Os planos do governo serão apresentados aos ministros de Finanças da União Europeia em 23 de janeiro, disse Monti. Até agora, as reações de governos da zona do euro para confrontar a crise têm sido voltadas a reduzir despesas do setor público, mesmo que isso tenha consequências de agravar a estagnação econômica.
Por isso, sindicatos e movimentos sociais realizaram diversos protestos contra redução de aposentadorias, aumento da idade mínima para ter acesso a benefícios de seguridade social além de congelamento de salários do funcionalismo público. Embora possam auxiliar a conter o crescimento de gastos, as medidas acabam retirando dinheiro de circulação e dificultando ainda mais a recuperação, na visão dos críticos.

Leilão

Na coletiva, o primeiro-ministro italiano ainda comemorou o resultado do segundo leilão de títulos da dívida do governo, que arrecadou  7 bilhões de euros com rendimentos menores que as taxas das vendas do mês anterior. No entanto, o premier alertou que a turbulência dos mercados ainda não chegou ao fim e que o governo precisa fazer mais para convencer os investidores de que a Itália pode administrar as dívidas que fez o país ser o foco da crise da zona do euro.
Monti assumiu o cargo em novembro, substituindo Silvio Berlusconi. Além de ter um histórico de polêmicas e escândalos sexuais e de corrupção, o antecessor não foi capaz de oferecer uma saída concreta para a crise que assola a Itália. De perfil conservador e ortodoxo, "Supermario" Monti, como foi tratado pela imprensa local durante os anos 2000, quando foi conselheiro da União Europeia, tenta recuperar a confiança de investidores do mercado e de outros países da zona do euro.
Com informações da Reuters