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domingo, 4 de março de 2012

Primavera Russa. Feministas protestam nuas no colégio onde Putin votou...


Mobilização | 04/03/2012 10:01

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Feministas protestam nuas no colégio onde Putin votou

As ativistas da Femen ficaram famosas no mundo todo pelas ações provocativas que promovem em defesa dos direitos das mulheres

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Wikimedia Commons
Ativistas do Femen em Kiev
Ativistas seminuas do Femen em Kiev. Foto de protestos de 2010: A polícia retirou-as imediatamente hoje do prédio e tratou de cobrir seus corpos nus com casacos
Moscou - Três ativistas da organização feminista ucraniana 'Femen' tiraram as roupas neste domingo para protestar contra o candidato favorito a vencer as eleições presidenciais russasVladimir Putin no colégio onde minutos antes ele havia votado.
As jovens entraram no local 15 minutos depois de Putin sair, tiraram a roupa e gritaram frases em coro como: 'Putin fora!' e 'Putin ladrão!'. Elas ainda derrubaram a urna eletrônica em que o candidato votou.
A polícia retirou-as imediatamente do prédio e tratou de cobrir seus corpos nus com casacos, onde traziam inscrições do tipo 'Ratos do Kremlin'.
O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, citado pela imprensa russa, comentou o episódio: 'As meninas são tontinhas. Acham que isso é romântico. Mas falando sério, primeiro, é uma violação da ordem pública. Segundo, pelo que posso entender, ofereceram resistência aos agentes de segurança'.
Peskov falou depois que Oxana Shachko, Anna Deda e Irina Fomina fossem detidas pela Polícia.
Apesar disso, os representantes da campanha de Putin deixaram claro que não vão denunciar às ativistas, revelou a agência 'Interfax'.
As ativistas da Femen ficaram famosas no mundo todo pelas ações provocativas que promovem em defesa dos direitos das mulheres e contra seus opositores políticos.

Russos elegem presidente em meio a clima de ceticismo


Russos elegem presidente em meio a clima de ceticismo

Atualizado em  4 de março, 2012 - 08:32 (Brasília) 11:32 GMT
Putin discursa em evento realizado na Rússia, no sábado (AP)
Putin deve ser reeleito, mas enfrenta onda de ceticismo
Os russos foram às urnas neste domingo, para a eleição presidencial na qual Vladimir Putin espera ser reconduzido à Presidência para um terceiro mandato, após ter sido primeiro-ministro por quatro anos.
Putin governou o país de 2000 a 2008, mas a Constituição russa impede que um presidente se candidate a um terceiro mandato consecutivo. Ele enfrenta quatro oposicionistas, três dos quais já derrotou em ocasiões anteriores.
A votação acontece em meio a uma forte onda de protestos, indignação popular e ceticismo, provocada por acusações de que teriam ocorrido fraudes generalizadas a favor do partido de Putin, Rússia Unida, nas eleições parlamentares de dezembro.
As denúncias provocaram uma série de manifestações em diferentes pontos do país que reuniram cerca de 90 mil pessoas, que desafiaram um inverno rigoroso e temperaturas abaixo de zero.
A fim de aplacar os críticos, Putin anunciou a instalação de webcams nos 90 mil postos eleitorais do país, mas muitos na Rússia e entre a comunidade internacional questionam a eficácia da iniciativa.
Em um relatório, a Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) afirmou que ''câmeras não podem capturar todos os detalhes do processo de votação, em especial a contagem de votos''.
Uma missão conjunta da OSCE e do Conselho Europeu formada por 250 pessoas irá monitorar as eleições. Milhares de russos se voluntariaram como fiscais eleitorais e receberam treinamento para saber identificar e denunciar possíveis fraudes.

'Dança das cadeiras'

O pleito presidencial já vinha sendo questionada por vários russos após Putin ter anunciado que faria, na prática, um ''revezamento'' com o atual presidente, Dimitri Medvedev, que foi o seu primeiro-ministro durante a sua presidência, e que agora irá retomar o antigo cargo - caso se confirme, é claro, a esperada eleição de Putin.
De acordo com correspondentes internacionais na Rússia, há um debate em vigor no país sobre se Putin seria a melhor pessoa para a Rússia e se é chegado o momento de realizar mudanças.
O repórter da BBC em Moscou Richard Galpin está acompanhando a votação na cidade de Novosibirsk, onde houve um aumento no número de pessoas se voluntariando para agir como fiscais eleitorais, após as denúncias de fraudes de dezembro passado.
Militantes chegaram até a realizar um programa de treinamento oferecido a milhares de novos monitores eleitorais.
''As conclusões alcançadas pelas equipes de monitores russos e internacionais a respeito da lisura do pleito será crucial para a legitimidade do novo presidente do país'', afirma Galpin.
De acordo com relatos da mídia russa, o Ministério do Interior deslocou 6 mil policiais moscovitas para outras regiões do país.

Candidatos

Putin foi votar ao lado de sua mulher, Ludmila. Em entrevista ao jornal russo Izvestia, ele afirmou: "Espero um bom índice de comparecimento, porque eleições presidenciais são um evento importante.Estou confiante de que as pessoas irão agir de forma responsável''.
O oposicionista com maiores chances é o comunista Gennady Zyuganov, que já concorreu em outras quatro ocasiões.
Vladimir Zhirinovsky e Gennadi Zyuganov
Nacionalista Zhirinovsky (à esq.) e comunista Zyuganov estão entre os desafiantes de Putin
Os demais candidatos são o ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky, o oligarca Mikhail Prokhorov, que está concorrendo como um ndependente, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Sergey Mironov, do partido de centro-esquerda Uma Rússia Justa.
Candidatos ligados ao movimento que organizou os protestos contra a suposta manipulação de votos foram impedidos de participar do pleito.
Caso Putin não conquiste o equivalente a mais de 50% dos votos no primeiro turno, ele irá disputar uma segunda rodada com o rival que obtiver o maior número de votos.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120122_russia_putin_bg.shtml

sábado, 31 de dezembro de 2011

Primaveras. Revoluções. Estamos em plena revolução conduzida pela classe média... Veja observações do Historiador Hobsbawm...


Revoluções de 2011 'me lembram 1848', diz Hobsbawm

Atualizado em  31 de dezembro, 2011 - 19:01 (Brasília) 21:01 GMT
Eric Hobsbawn
Para o historiador, é a classe média e não os operários quem impulsiona as atuais revoltas
O prestigiado historiador britânico Eric Hobsbawm comparou as revoltas no mundo árabe em 2011 às revoluções que explodiram na Europa no fatídico ano de 1848.
Em entrevista à BBC, Hobsbawm ressaltou que desta vez os movimentos de contestação são impulsionados pela classe média, e não pelo proletariado.
"Foi uma grande alegria redescobrir que é possível que as pessoas saiam às ruas para se manifestar e derrubar governos", disse o historiador, que passou toda sua vida ligado às revoluções.
Hobsbawm nasceu poucos meses antes da Revolução Russa, de 1917, e foi comunista a maior parte de sua vida, assim com um influente pensador marxista. Um de seus livros mais conhecidos, a Era das Revoluções, que retrata justamente as revoltas de 1848, é um clássico da historiografia.
Além de escrever sobre as revoluções, Hobsbawm também apoiou algumas revoltas. Com mais de 90 anos, sua longa paixão pela política aparece no título de seu mais novo livro:How to change the World (Como mudar o mundo) e em seu enorme interesse pela Primavera Árabe.
"A verdade é que eu tenho um sentimento de excitação e alívio", disse, ao receber a reportagem em sua casa em Hampstead Heath, bairro no norte de Londres.

Democracias árabes?

Para Hobsbawm, 2011 lembra outro ano de revoluções.
"Me lembra 1848, outra revolução impulsionada de forma autônoma, que começou em um país e depois se estendeu por todo um continente em pouco tempo", diz.
"A esquerda tradicional estava orientada para um tipo de sociedade que já não existe mais ou está deixando de existir. Acreditava-se sobretudo no movimento operário como o grande responsável pelo futuro. Bem, nos desindustrializamos e isso já não é possível"
Eric Hobsbawn
Naquele ano, um levante popular em Paris acabou se alastrando pela área da atual Alemanha e Itália e pelo Império Habsburgo (hoje Áustria).
Para quem ajudou a encher a praça Tahir, no Cairo, derrubando o regime de Hosni Mubarak, em fevereiro, e agora teme pelo destino da revolução egípcia Hobsbawm tem uma palavra de alento.
"Dois anos após 1848, tudo parecia como se houvesse fracassado. Mas no longo prazo não houve fracasso. Conseguiu-se uma boa quantidade de avanços liberais. De modo que foi um fracasso imediato, mas um êxito parcial no médio prazo, ainda que não tenha sido na forma de revolução", diz.
Talvez com exceção da Tunísia, Hobsbawm não vê grandes possibilidades da democracia liberal ou governos representativos ao estilo ocidental triunfarem no mundo árabe.
O historiador ressalta ainda as diferenças entre os vários países varridos pela atual onda revolucionária.
"Estamos no meio de uma revolução, mas não de uma única revolução", diz.
"O que une (os árabes) é um descontentamento comum e forças de mobilização comuns: uma casse média modernizadora, sobretudo jovem, estudantes e, principalmente, uma tecnologia que permite que hoje seja muito mais fácil mobilizar os protestos", afirma.

Indignados e 'Occupy'

A importância das redes sociais também ficou evidente em outro movimento que marcou 2011: os protestos dos indignados e as ocupações que ocorreram na Europa e na América do Norte.
Segundo Hobsbawm, o movimento remonta à campanha eleitora de Barack Obama, em 2008. Na ocasião, o então candidato mobilizou com sucesso uma juventude até então apática à política por meio da internet.
"As ocupações, em sua maioria, não foram protestos de massa, não foram os 99% (da população), mas de estudantes e membros da contracultura. Em momentos, isso encontro eco na opinião pública. É o caso dos protestos contra Wall Street e as ocupações anticapitalistas", afirma.
De todo modo, a velha esquerda, da qual Hobsbawm tomou parte, manteve-se às margens das manifestações.
"A esquerda tradicional estava orientada para um tipo de sociedade que já não existe mais ou está deixando de existir. Acreditava-se sobretudo no movimento operário como o grande responsável pelo futuro. Bem, nos desindustrializamos e isso já não é possível", destaca o historiador.
Praça Tahir, Egito. Reuters
Hobsbawn lembra que houve revezes após as revoluções de 1848, mas o saldo foi positivo
"As mobilizações de massa mais efetivas hoje são aquelas que começam em meio a uma classe média moderna e em particular em um grupo grande de estudantes. São mais efetivos em países onde, demograficamente, os jovens são mais numerosos", diz.

Compreender o passado

Eric Hobsbawm não espera que as revoluções árabes tenham maiores ecos no mundo, ao menos não como uma antessala de uma revolução mais ampla.
Será mais provável, assegura, uma dinâmica que compreenda reformas graduais do estilo das que "ocorreram na Coreia do Sul nos anos 1980, quando uma classe média jovem passou a disputar o poder com os militares".
Sobre o drama político que ainda se desenrola nos países árabes, o historiador diz que vale a pena recordar o Irã de 1979, cenário da primeira revolução que teve o Islã como elemento político.
Esse aspecto da revolução iraniana teve reflexos na Primavera Árabe.
"Quem fez concessões ao Islã sem ser religioso acabou marginalizado. Dentre eles os reformistas, liberais e comunistas", diz, destacando outros grupos que se somaram aos religiosos para derrubar a monarquia iraniana alinhada ao Ocidente.
"A ideologia das massas não é a ideologia dos que começaram as manifestações", pontua.
Embora diga que a Primavera Árabe lhe tenha causado alegria, Hobsbawm diz que o elemento religioso no movimento é "desnecessário e não necessariamente bem-vindo".

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sábado, 17 de dezembro de 2011

Batalha pela internet agrava crise na Rússia e assusta a Europa (Carlos Castilho)


CÓDIGO ABERTO

Batalha política pela internet agrava crise na Rússia e assusta a Europa

Por Carlos Castilho em 10/12/2011
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Alguns já chamam a crise de Primavera Russa enquanto outros não escondem a preocupação pelo que pode ocorrer no que sobrou da antiga União Soviética, onde está fermentando uma situação que podeagravar ainda mais a atual crise no modelo politico e financeiro da União Européia.
Como já havia acontecido em países árabes e no movimento Ocupar Wall Street, a mobilização dos manifestantes russos está sendo feita basicamente pela internet, que incorpora de vez as ferramentas digitais no arsenal dos protagonistas dos principais conflitos sociais contemporâneos.
Já não se trata mais de uma excentricidade ou curiosidade política, mas de um novo modelo de ação política que, pelo menos até agora, não tem um antídoto rápido desenvolvido pelos sistemas governamentais de segurança.
No fundamental, o modelo se baseia na disseminação viral de informações cujo potencial político é maximizado pela existência de um ambiente de exaustão ou de duvida. No caso das rebeliões árabes, foi o cansaço em relação a regimes autoritários vigentes havia décadas. No caso dos protestos em Wall Street, Grécia, Espanha e agora em Moscou, é a dúvida sobre a legalidade de procedimentos políticos e/ou eleitorais.
caso russo é complexo porque é generalizada a impressão de que as eleições parlamentares do dia 4 de dezembro foram manipuladas pelo governo do primeiro ministro Wladimir Putin, que pretende voltar a ser presidente, em 2012. O premier reagiu de forma dura ordenando que a Policia Federal Russa (FSB) obrigasse a principal rede social do pais, a VKontakte, a bloquear todo o tráfego de mensagens políticas entre usuários da internet.
Em vez de recorrer ao fechamento puro e simples da rede, seguindo o exemplo do ex-presidente egípcio Osni Mubarak, os adeptos de Putin resolveram partir para a guerra nas próprias redes sociais, criando centenas de milhares de contas no Twitter para congestionar a circulação de notícias sobre novas manifestações de protesto. A estratégia surpreendeu os opositores, mas não impediu novos protestos de rua no sábado (10/12), os mais violentos registrados em Moscou desde o fim da União Soviética há exatos 20 anos.
Os acontecimentos dos últimos dias na Rússia indicam que a informação passou a ser a arma preferida tanto pelos opositores a Putin, entre os quais se destaca o Partido Comunista, o segundo maior país, como pelo governo. Nesse conflito, os jovens russos, a maioria dos quais ainda era criança quando o comunismo foi afastado do poder, mostram um maior dinamismo político mesmo sendo absolutamente céticos com relação à política.
Para eles, usar a internet e as ferramentas digitais para protestar é uma afirmação existencial mais do que uma profissão de fé em ideologias. É que eles cresceram escutando histórias sobre a burocracia e a corrupção no sistema comunista e agora testemunham a mesma corrupção num regime que prometera  combatê-la. Eles estão desiludidos com todas as formas tradicionais de protestar e passam a usar as redes sociais com o entusiasmo de quem está descobrindo algo novo.
A crise russa é muito importante porque ela pode funcionar como estopim para a explosão de conflitos sociais na maioria dos países que se tornaram autônomos depois da implosão da União Soviética. Esses países são politicamente considerados como verdadeiros barris de pólvora porque passaram a ser governados por políticos oportunistas, e onde a corrupção também cresceu rapidamente e com ela a desilusão das pessoas.
Uma convulsão na Europa central agora é tudo o que os líderes da União Européia não querem, porque pode precipitar o Velho Mundo no período de instabilidade critica, com conseqüências para o resto do mundo.