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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Assange denuncia imperialismo na Internet (Hamilton Octavio de Souza)


Assange denuncia imperialismo na Internet

19/02/2013

Hamilton Octavio de Souza

O australiano Julian Assange ficou mundialmente conhecido como o editor-chefe do site WikiLeaks, que há pouco mais de dois anos passou a divulgar milhares de documentos secretos do governo dos Estados Unidos, muitos dos quais relativos aos despachos de diplomatas sobre suas atividades em outros países. Perseguido pelo governo estadunidense e ameaçado de prisão na Europa, ele está asilado há quase um ano na embaixada do Equador, em Londres.
Defensor da liberdade de expressão na Internet e militante do movimento cypherpunk, que prega a adoção da criptografia (linguagem cifrada) para proteger a privacidade dos indivíduos, empresas e Estados, Assange reuniu, em 20 de março de 2012 (quando se encontrava em prisão domiciliar no Reino Unido), três amigos e colegas especializados e dedicados à Internet, para um debate sobre a situação e o futuro da rede, especialmente no que diz respeito ao enfrentamento do crescente domínio autoritário do que circula no ciberespaço.
O encontro resultou no livro “Cypherpunks – Liberdade e o Futuro da Internet”, de Julian Assange, Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann, lançado no Brasil pela Boitempo Editorial, com apresentação da jornalista Natália Viana e prefácio e introdução do próprio Assange.
É exatamente no prefácio para a América Latina, datado de janeiro de 2013, que o criador do WikiLeaks avança na análise da dimensão política da Internet num mundo marcado pela desigualdade entre países, com diferenças e domínios estabelecidos pela tecnologia, capacidade financeira, poderio militar, etc. Para ele, a luta por soberania, agora, precisa levar em conta a autonomia e a proteção de cada país contra o enorme sistema de vigilância criado em toda a rede, controlado pelos Estados Unidos e alguns grupos privados.
Diz Assange: “A vigilância de uma população inteira por uma potência estrangeira naturalmente ameaça a soberania. Intervenção após intervenção nas questões da democracia latino-americana nos ensinaram a ser realistas. Sabemos que as antigas potências colonialistas usarão qualquer vantagem que tiverem para suprimir a independência latino-americana”.
Mais adiante, ele lembra que todos os caminhos da Internet na América Latina, via fibra óptica ou satélites, passam pelos Estados Unidos, e que “todos os dias centenas de milhões de mensagens vindas de todo o continente latino-americano são devoradas por órgãos de espionagem norte-americanos e armazenadas para sempre em depósitos do tamanho de cidades”.
É claro que os governos negligentes com a soberania de seus países, ou alheios aos projetos nacionais, não se importam com esse tipo de apropriação e controle estratégicos. Ao mesmo tempo, segundo Assange, governos e militares latino-americanos que adquiriram, no mercado, programas criptográficos para a proteção de seus segredos de Estado, foram simplesmente logrados – porque a maior parte das empresas que vendem tais dispositivos “possuem vínculos estreitos com a comunidade de inteligência norte-americana”. Assim, o que deveria proteger segredos, serve para roubar segredos.
Ao defender a criptografia – contra a vigilância da Internet – para proteger as liberdades civis e individuais, assim como a soberania e independência dos países, o editor-chefe do WikiLeaks afirma: “Ela [a criptografia] pode ser utilizada para combater não apenas a tirania do Estado sobre os indivíduos, mas a tirania do império sobre a colônia”.
O livro é mais um alerta para todos nós, cidadãos, que utilizamos diariamente a rede mundial. E é também um bom puxão de orelhas nos governos que, ingenuamente, ainda não se deram conta do novo campo de atuação do imperialismo. Alertar não faz mal a ninguém.

Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor
(http://www.brasildefato.com.br/node/12017). 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A guerra de Assange (Entrevista à Gianni Carta)

A guerra de Assange


Entrevista com o fundador do WikiLeaks


02.02.2013 07:46

A guerra de Assange




De Londres
Julian assange esclarece o motivo de nossa entrevista: discutir seu livro Cypherpunks: Liberdade e o futuro da internet, a ser lançado pela Boitempo no início de fevereiro, no Brasil. É o que leio no enésimo e-mail do editor-chefe do WikiLeaks, retransmitido pela sua assessora de imprensa em São Paulo para o meu celular. Parece um contrato: Assange sublinha a importância de o repórter (ele cita meu nome e sobrenome) e da revista CartaCapital terem entendido as condições da entrevista.
Na verdade, ao receber mais esse e-mail já estou com Olivia Rutherford, a fotógrafa, em um café a escassos passos da Embaixada do Equador no elegante bairro de Knightsbridge, onde Assange pediu asilo sete meses atrás. Se colocar os pés fora da representação equatoriana, o australiano de 41 anos será imediatamente preso e extraditado à Suécia, onde é acusado de ter abusado sexualmente de duas moças. Assange nega. As relações, diz, foram consensuais. Ele chegou até a propor, através da diplomacia equatoriana, que os procuradores suecos fossem interrogá-lo na embaixada. Mas, por “circunstâncias” não especificadas por uma magistrada de Estocolmo, o julgamento – no qual, diga-se, Assange não foi indiciado – deve ocorrer em solo sueco.
O temor bastante compreensível do fundador do WikiLeaks seria uma segunda extradição, esta da Suécia para os Estados Unidos, onde querem julgá-lo por espionagem, e, no caso, ele poderia ser condenado à pena de morte. O crime de Assange foi ter divulgado documentos militares e diplomáticos através de sua plataforma digital WikiLeaks em parceria com diários de renome como o The New York Times. Vidas e mais vidas teriam sido colocadas em risco, alegam, embora sem provas, os detratores de Assange. Em abril, meses antes de publicar os comprometedores documentos secretos em meados e no fim de 2010, o WikiLeaks havia adquirido a fama ao divulgar um vídeo no mínimo constrangedor para os EUA. Nele vemos soldados norte-americanos em ação no Iraque atirando de um helicóptero sobre 12 civis desarmados.
Olivia quis chegar cedo ao encontro com Assange para tratar os detalhes de como usaríamos o limitado tempo concedido. A fotógrafa londrina insistia que, além das fotos durante a conversa, pretendia usar um tripé para fazer retratos com um pano de fundo. “Você quer que ele pose?”, indaguei entre goles de espresso. “Temos de tentar”, retrucou, enquanto, através da parede de vidro do café, observava pessoas entrar e sair da mítica Harrods. Não havia mais tempo para uma rápida sondagem, mas que diriam sobre Assange aquelas pessoas? Certamente, se leitoras da mídia britânica e mesmo internacional, diriam para Olivia esquecer a possibilidade de conseguir uma pose daquele sombrio hacker “estuprador” de suecas.
Julian Assange em foto de 23 de outubro de 2010. Foto: ©AFP/Arquivo / Leon Neal
Julian Assange em foto de 23 de outubro de 2010. Foto: ©AFP/Arquivo / Leon Neal
De fato, até diários de centro-esquerda como o britânico The Guardian têm publicado relatos negativos de Assange. Foi o caso da repórter desse importante jornal que, ao entrevistar o “fugitivo”, admite, não sem razão, ser o livro “convincente” e “assustador”. No entanto, a repórter questiona os “dramas” dos últimos dois anos e meio – certamente uma alusão às suecas –, seu “estado de espírito” (ele é paranoico?) e “credenciais” para julgar abusos de poder. Outra colega me avisou que “seus músculos faciais” são imóveis, de poker face. Outro alertou não ser fácil entrevistá-lo, aparentemente pelo fato de ser ele “desconfiado”.
Cauteloso Assange é e tem de sê-lo. Seu filho foi ameaçado de morte. Ele é tido como um “terrorista” a dirigir uma organização “terrorista” em meio a uma “ciberguerra”, segundo senadores americanos que já aventaram o plano de matá-lo pelo emprego até de aviões não tripulados. O soldado Bradley Manning, acusado de ter cedido informações ao WikiLeaks, teria sido torturado e poderá ser condenado à prisão perpétua. Vigiado, entre outros, por FBI e CIA, o WikiLeaks já foi infiltrado. Os três coautores do livro – Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann – foram detidos, interrogados e ameaçados.
Por essas e outras, Assange insiste para que se fale do seu livro, não de sua vida. Além da caterva de e-mails, antes da entrevista pediu cópias dos passaportes, detalhou os minutos para entrarmos, entrevistá-lo e sair da embaixada. À porta da embaixada, o policial não quis ver nossos passaportes. Mesma reação teve o seu colega no saguão diante da porta da embaixada. “Mostrem os passaportes para os diplomatas equatorianos, nosso trabalho é só prender o homem caso ele saia.”
Foi o que fizemos a benefício do único diplomata a nos receber dentro da embaixada. Chega Ethan, um rapaz cordial da equipe de Assange. Impressiona o fato de a embaixada, a despeito do endereço e do luxo do prédio do lado exterior, ser tão espartana no interior e não maior do que um apartamento médio. Somos conduzidos para uma sala, a única, com uma grande mesa. Olivia não perde tempo. Começa a armar seu tripé, pano de fundo etc. Logo, entra outro integrante da equipe com um contrato sobre as fotos, que só poderão ser usadas na edição deCartaCapital.
Antes de sair da sala, Ethan, com ar solene, indaga: “Ficou claro que estamos aqui para falar do livro?” Mais claro impossível. O livro elucida até o mais ferrenho dos tecnofóbicos. Na introdução, Assange resume: “À medida que os Estados se fundem com a internet e o futuro da nossa civilização se transforma no futuro da internet, devemos redefinir as relações de força”. A questão-mor parece ser: queremos uma internet com poderes para emancipar a humanidade, ou assistir à sua transformação em uma “distopia de vigilância pós-moderna”? Isso, aliás, “já pode estar acontecendo”. Trata-se de uma guerra. E Assange e seus amigos combatentes sabem do que falam porque, como escreve, “nós nos vimos cara a cara com o inimigo”. O inimigo é o Estado com seus serviços secretos e as corporações coniventes que atuam como um exército para oprimir os mais fracos. Mas os cypherpunks, defensores da criptografia e de uma rede alternativa, podem criar mudanças sociais e políticas. E o leitor do livro, continua Assange, tem de entender o que está acontecendo para poder agir.
Revelações. O soldado Manning, acusado de ter facilitado os vazamentos sobre a Guerra do Iraque, teria sido torturado e agora se arrisca à prisão perpétua. Foto: David Furst/AFP e Mark Wilson / Getty Images/ AFP
Revelações. O soldado Manning, acusado de ter facilitado os vazamentos sobre a Guerra do Iraque, teria sido torturado e agora se arrisca à prisão perpétua. Foto: David Furst/AFP e Mark Wilson / Getty Images/ AFP
Na apresentação da versão em português, a brasileira Natalia Viana, jornalista e editora da Pública, organização de jornalismo investigativo sem fins lucrativos e parceira do WikiLeaks, faz um tour de force sobre a plataforma digital, inclusive com os relatos da embaixada norte-americana na Tunísia a descrever o quanto era corrupto o governo de Ben Ali. Esses documentos, diga-se, “foram um incentivo para a revolta tunisiana” e, por tabela, para a futura Primavera Árabe. Viana também detalha a influência do WikiLeaks no Brasil.
E eis Julian, enverga uma camisa da Seleção Brasileira, com o número 7 e o nome Julian nas costas. Apesar dos cabelos brancos, encanecidos, dizem, na contenda pela custódia do filho, o rosto é jovem. Aperto de mãos, digo meu nome. Não é o nome do passaporte, diz. É o diminutivo, aquele é o oficial. “Mas você pode dar um Google no meu nome”, digo. Assange solta uma gargalhada. Ele, é claro, detesta o Google, que trabalha, como ele diz no livro, com os serviços secretos e, por tabela, armazena informações privadas em permanência.
No primeiro contato, logo fica transparente que o homem é descontraído e bem-humorado. Faz perguntas, ri com frequência, é irônico e por vezes deixa de ser o entrevistado para ser o entrevistador. “Como é viver na França, melhor que aqui?” Ao abordar temas no livro, ele reflete antes de falar e, com frequência, a pausa é longa e tem-se a impressão de que ele terminou. Mas quando faço outra pergunta, Assange, que parece mergulhado em um transe, a ignora e continua a dar a resposta anterior.
Não ajuda o fato de Ethan, o rapaz cordial, estar empoleirado em um sofá de onde faz a contagem regressiva como um papagaio. “Faltam 15… 10… 5 minutos.” Indago a Assange se ele não está cansado de falar com jornalistas, por conta do livro. “Estive preso por mais de dois anos… (pausa)… portanto, não estou acostumado a lidar com as pessoas.” Mas ele gosta de conversar? “Gosto, mas é estranho.” Na introdução, argumento, você diz que o livro não é um manifesto, é um alerta. Mas o livro é um manifesto de formato mais arrojado.
Por que, então, não chamá-lo de manifesto se Assange até pergunta “o que pode ser feito?” – e oferece opções no capítulo final? “Eu não queria arruinar o mercado para o próximo livro”, retruca, em tom jocoso, Assange. Risos. Com ar sério, ele retoma a palavra: “Este livro é uma coletânea de anotações de um grupo a atuar nas linhas de frente. Foi escrito no meio de uma guerra e, portanto, não houve tempo para termos uma necessária e propícia reflexão”. Pausa. “Este livro dá o vislumbre de algo muito importante: outro livro, talvez um manifesto adequado.”
Argumentos estampados por manifestos são enfadonhos e talvez o deste livro seja o formato certo para atrair leitores. Assange concorda. Foram horas e horas de entrevistas gravadas e no final a equipe aplaudiu. “Não atribuo os aplausos ao fato de finalmente termos terminado o debate, mas ao fato de terem gostado de seu conteúdo”, pondera. “Há algo de moderno e honesto neste livro. Ele disseca a interseção entre o avanço da civilização e da política e da sociedade.”
Lembro a frase, tão repetida por ele, Assange, e pelos cypherpunks: “Privacidade para os fracos, transparência para os poderosos”. Para criar esse mundo livre e democrático, alternativo àquele controlado por Estados e serviços de inteligência, a criptografia, software gratuito para todos e máquinas sobre as quais teremos maior controle seriam as melhores armas? São formas de luta. Essencial, continua, é saber por que existe essa luta. “A internet é agora o sistema nervoso da civilização que envolve futuras decisões e a distribuição do poder.”
Discussão que não li no livro, entre privacidade e anonimato. Privacidade é um direito, já o anonimato, na minha opinião, tem limites. É covarde, por exemplo, um anônimo falar barbaridades como li outro dia ao filtrar o site de CartaCapital: “É impossível – dizia o navegante – ter havido 6 milhões de judeus mortos no Holocausto; um número mais razoável seriam 500”. Assange: “Acho muito interessante as pessoas sentirem a necessidade de se tornar anônimas. É quase sempre o resultado do medo de retribuição. Claro, algumas retribuições são legítimas. Se você roubar o saco de frutas de uma velhinha, eu diria que uma retribuição será provavelmente legítima. Mas em vários casos a retribuição não é legitíma e, de qualquer forma, as pessoas deveriam ter o direito de opinar, sendo elas anônimas ou não, e até porque elas têm de ser criticadas”.
A resposta acima, vinda de uma pessoa que está presa em uma embaixada porque se posiciona contra soldados que matam civis me deixa perplexo. Assange: “Eu também tenho meus limites. Não critiquei, por exemplo, o sistema britânico de Justiça porque meus advogados me desaconselharam”. Sim, mas… “Faltam dez segundos”, avisa Ethan. Então, vamos à última pergunta: quanto tempo você acha que vai ficar nesta embaixada? Assange: “Trata-se de uma questão diplomática, política e legal. Algumas das questões são demasiado complexas. Mas, graças ao apoio do governo do Equador e da América Latina de forma geral, que defendeu a posição do Equador, a batalha foi levada de um processo legal pervertido de volta para o terreno político”.
Ainda segundo Assange, existe uma questão mais importante do que seu futuro: o WikiLeaks terá sucesso na batalha de dois anos e meio contra os Estados Unidos e de um bloqueio bancário, isento de qualquer processo judicial? Visa, Mastercard e PayPal, entre outras, subvencionaram , mas foram obrigadas a deixar de fazê-lo. Hoje, o WikiLeaks  tem de sobreviver apelando para as reservas. “Mesmo assim, combatemos intimidações com mais ataques.” Em 2013, a organização publicará 1 milhão de documentos.
Ethan: “Agora temos de encerrar”. Assange, que já desrespeitou outros pedidos do jovem, se levanta. Mas antes de sair da sala posa para a máquina fotográfica de Olivia. Indago se ele gosta de futebol. “Gosto de jogar mais do que de assistir.”

domingo, 19 de agosto de 2012

A mulher que acusa Julian Assange de ‘violação’ está vinculada à CIA

A mulher que acusa Julian Assange de ‘violação’ está vinculada à CIA


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071210_arkinRaw Story - [David Edwards, tradução do Diário Liberdade] Uma das mulheres que acusa o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de delitos sexuais parece ter trabalhado com um grupo que tem conexões com a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos.

    James D. Catlin, um advogado que representou recentemente Assange, afirmou que a investigação por delito sexual contra o fundador do WikiLeaks se baseia em afirmações de que não usou camisinha durante sua relações sexuais com duas mulheres suecas.
    Fontes da Fiscalização sueca disseram a AOL News na semana passada que Assange não era buscado por violação como se informou, mas por algo chamado “sexo surpresa” ou “sexo inesperado”.
    Uma das acusadoras, Anna Ardin, parece ter “vínculos com grupos financiador pelos Estados Unidos contra Fidel Castro e por grupos anticomunistas”, de acordo com uma investigação publicada por Israel Shamir e Paul Bennett no CounterPunch. Ardin, nascida em Cuba, trabalhou a favor das “Damas de Branco”, um grupo de mulheres que se opõem ao governo cubano.
    Shamir e Bennett também descrevem Ardin como uma suposta “esquerdista” que “publicou diatribes anti-Castro (veraqui e aqui) em língua sueca para a Revista Assinaturas Cubanas difundida por Miscelâneas de Cuba”. Disse o professor Michael Seltzer que o grupo está sendo dirigido por Carlos Alberto Montaner, um homem vinculado com a CIA.
    Shamir e Bennet disseram que “As Damas de Branco recebem financiamento dos EUA e contam entre seus partidários com Luis Posada Carriles”.
    Um documento desclassificado em 1976 revelou que Posada era então agente da CIA e seus advogados sustentaram que manteve vínculos com a agência por 25 anos. Esteve vinculado a ataques terroristas que mataram dezenas de pessoas.
    Ardin “está vinculada a militantes pela igualdade de gênero na Universidade de Uppsula, que optaram por se associar a esse grupo de mulheres cubanas financiado pelos EUA e apoiado abertamente pelo terrorista e assassino de massas”, observou Kirk James Murphy em Firedoglake.
    Em agosto, Assange disse a Al Jazzeera que as acusações eram “claramente uma campanha de desprestígio”. “Nos advertiram que, por exemplo, o Pentágono está planejando usar truques sujos para destruir nosso trabalho”, disse Assange ao diário sueco Aftonbladet.
    O fundador do WikiLeaks disse que foi advertido de ter cuidado com “as armadilhas do sexo”. Teria Assange caído em uma dessas armadilhas? – Talvez sim. Talvez não.”, disse.
    advogado Catlin disse que tanto Ardin como Sofía Wilén, a segunda acusadora, enviaram mensagens SMS e tweets alardeando de suas conquistas depois da suposta “violação”.
    “No caso de Ardin, está claro que até fez uma festa em homenagem a Assange em seu apartamento depois dele cometer o “delito” e ela assegurou a seus seguidores no Twitter que ele era “uma das pessoas mais simpáticas e inteligentes do mundo, é incrível!”, escreveu. (A mensagem em sueco original está apagada do Twitter da Anna Ardin, entretanto foi publicado por um blogueiro sueco e pode se acessado no cachê dessa página, neste link – Nota de Cubadebate)
    “O conteúdo exato dos textos do telefone móvel de Sofía Wilén não é conhecido, entretanto, mas sua ostentação e o nervosismo da personagem foram confirmados pela justiça sueca. Nem Wilén, nem Ardin se queixaram de uma violação após manter relações com Julian”, disse Catlin.
    Ardin também publicou um guia de sete passos sobre como se vingar de mentiras dos namorados. Quando as acusações foram apresentadas pela primeira vez em agosto, o diário digital Gawker colocou pela primeira vez a suspeita de que Ardin estava trabalhando para a CIA.
    “Em todo caso, a opinião de Ardin tende a debilitar a teoria conspirativa contra Assange, pois é uma acusadora muito vulnerável, sendo como é uma figura de tendência esquerdista na Suécia, frequentemente indiscreta em seu blog pessoal e uma entusiasta promotora da visita de Assange ao país”, escreveu Gawker.

    Traduzido do inglês para o espanhol por Cubadebate
    Traduzido do espanhol para o português para o Diário Liberdade por Lucas Morais (@luckaz)

    sábado, 18 de agosto de 2012

    A democracia e seus perseguidos (Vladimir Safatle)

    A democracia e seus perseguidos | Carta Capital

    Vladimir Safatle

    18.08.2012 08:10

    A democracia e seus perseguidos


    O governo do Equador deu asilo ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange. O Reino Unido, com seu conhecido respeito seletivo pela legislação internacional, desenterrou uma lei bisonha para afirmar que poderia invadir a embaixada do país latino-americano, a fim de capturar seu inimigo público. Até onde consigo lembrar, esta será a primeira vez que uma embaixada é invadida pela polícia do país no qual ela está situada. Nem mesmo em ditaduras algo parecido ocorreu.


    Um retrato de Assange é visto na frente da embaixada equatoriana em Londres. Manifestantes se juntaram no local para apoiar o fundador do WikiLeaks. Foto: Will Oliver / AFP

    Há de se perguntar se todo esse zelo do Reino Unido pelo cumprimento de um pedido de extradição feito pela Suécia vem realmente do amor à lei. Ou será que devemos dizer que Assange é o protótipo claro de um perseguido político pela democracia liberal?

    Alguns tendem a defender a posição dos governos britânico e sueco com o argumento de que, enfim, ninguém está acima da lei. Independentemente do que Assange represente, isso não lhe daria direito de “estuprar” duas garotas. É verdade que a definição de estupro pela legislação sueca é mais flexível do que a habitual. Ela engloba imagens como: um homem e uma mulher que estão na cama de comum acordo, sem nenhum tipo de coerção, mas que, em um dado momento, veem a situação modificada pelo fato de a garota dizer “não” e mesmo assim ser, de alguma forma, forçada.


    Vale a pena lembrar que tal definição é juridicamente tão complicada que, quando a acusação contra Assange foi apresentada pela primeira vez à Justiça sueca, ela foi recusada por uma magistrada que entendeu ser muito difícil provar a veracidade da descrição. A acusação só foi aceita quando reapresentada uma segunda vez, não por acaso logo depois de o WikiLeaks começar a divulgar telegramas comprometedores da diplomacia internacional.

    Mas não faltaram aqueles de bom coração que perguntaram: se a acusação é tão difícil de ser provada, então por que Assange não vai à Suécia e se defende? Porque a Suécia pode aceitar um pedido de extradição para os EUA, onde ele seria julgado por crime de espionagem e divulgação de segredos de Estado, o que lhe poderia valer até a pena de morte. Não seria a primeira vez que alguém enfrentaria a cadeira elétrica por “crimes” dessa natureza.

    Nesse sentido, é possível montar um quebra-cabeça no qual descobrimos a imagem de uma verdadeira perseguição política. Persegue-se atualmente não de uma maneira explícita, mas utilizando algum tipo de acusação que visa desqualificar moralmente o perseguido. Assange não estaria sendo caçado por ter inaugurado um mundo onde nenhum segredo de Estado está seguramente distante da esfera da opinião pública. Um mundo de transparência radical, no qual os interesses inconfessáveis do poder são sistematicamente abertos. Ele estaria sendo caçado por ser um maníaco sexual. Seu problema não seria político, mas moral.

    Desde há muito é assim que a democracia liberal tenta esconder seu totalitarismo. Ela procura desmoralizar seus perseguidos, isso em vez de simplesmente dar conta das questões que tais pessoas colocam. No caso de Assange, ele apenas colocou em prática dois princípios que todo político liberal diz respeitar: transparência e honestidade. Mostrar tudo o que se faz.

    Sua perseguição evidencia como vivemos em um mundo em que todos sabem que os governos não fazem, na política internacional, aquilo que dizem. Há um acordo tácito a respeito desse cinismo. Mas, quando essa contradição é exposta de maneira absoluta, então ela torna-se insuportável.

    Lembrem, por exemplo, das razões aventadas pelos governos dos países centrais para a não publicação dos telegramas: eles colocariam em risco a vida de funcionários e diplomatas. Na verdade, eles só colocaram em risco o emprego de analistas desastrados, ditadores como o tunisiano Ben-Ali (que teve seus casos de corrupção divulgados) e negociadores de paz mal-intencionados. Por isso, a boa questão é: o mundo seria melhor ou pior com pessoas dispostas a fazer o que Julian Assange fez?

    Por fim, vale dizer que aqueles que realmente se interessam por uma mídia livre precisam saudar a decisão do governo equatoriano. A mídia mundial não tem direito à ambiguidade neste caso. Nunca a liberdade de imprensa esteve tão ameaçada quanto agora, diante do problema do WikiLeaks. Pois o site de Assange é o modelo de um novo regime de divulgação de informações e de pressão contra os Estados. Ele é a aplicação da cultura hacker na revitalização do papel da mídia como quarto poder.

    Crítica a Assange reflete pressão dos EUA (Paulo Moreira Leite)

    Crítica a Assange reflete pressão dos EUA

    Crítica a Assange reflete pressão dos EUA


    Quando  o WikiLeaks ofereceu 500 000 documentos secretos da diplomacia americana, Julian Assange tornou-se uma celebridade mundial. Foi cortejado pelos jornais, revistas, emissoras de TV, que divulgavam avidamente as informações que ele havia obtido. Falou-se no surgimento de um novo jornalismo e o próprio Assange foi apresentado como seu profeta.

    Com o passar dos anos, o tratamento mudou. O tratamento a Assange adquiriu um tom essencialmente negativo. Oscila entre a futilidade mais rasteira do jornalismo de celebridade – como lembrar  que sua mãe era hippie, que ele teve 37 endereços diferentes até os 16 anos, que seu padrasto era violento – até a crítica a  seus métodos de gestão. Ele é acusado de narcisismo e de esconder talentos que ajudaram o WikiLeaks a fazer sucesso. Sem ficar envergonhado, um jornalista escreveu que Assange  esconde as fontes de seu trabalho. Quer dizer que o tal sigilo das fontes não vale para o WikiLeaks?

    Já ouvi relatos de que é temperamental demais, arrogante e assim por diante. Em breve, leremos algum espertinho dando lições de auto-ajuda para o rapaz. Este tratamento, que chega a lembrar um obituário precoce, cumpre uma função : esconder que Assange é, hoje, um perseguido político.

    Não é preciso simpatizar com a visão vagamente anarquista de suas ideias para juntar alguns neurônios. Num ato que envergonha as frequentes proclamações democráticas do governo americano, o soldado Bradley Manning, que foi,  supostamente, responsável pelo vazamento dos 500 000 documentos,  encontra-se preso, incomunicável, sem julgamento, há dois anos e meio. O governo sueco alega que gostaria de levar Assange para  Estocolmo para que seja julgado  pela acusação de crimes sexuais mas não oferece garantias de que não será extraditado para os EUA. O próprio governo norte-americano faz silêncio sobre o assunto. Não é difícil imaginar a razão.

    Essa postura  me deixa envergonhado. Assange  não se tornou pior nem melhor depois que divulgou os 500 000 documentos. Seus métodos de gestão não se revelaram mais questionáveis em função disso. A mudança é de natureza política.

    Ele passou a ser tratado como inimigo pelo governo dos Estados Unidos – e o tratamento que recebe de outros governos, de grandes corporações com interesses em Washington, é apenas um reflexo disso. Jornais e jornalistas que assumem essa postura apenas atuam como porta-vozes dessa pressão. Confesso que essa reação não é tão surpreendente.Só não era possível adivinhar que fosse tão completa e automática.

    No caso brasileiro, o esforço para ignorar a importância de Assange tem um aspecto  especialmente bocó. Estamos em luta há pelo menos três décadas pela abertura de arquivos do regime militar, capazes de esclarecer aspectos relevantes de nossa história. Esses segredos, que insultam nossa memória e nossa cidadania, deveriam ajudar a entender a importância dos documentos que Assange revelou.
    Não custa recordar, também, que boa parte da história política do país – antes, durante e depois da ditadura  permanece em segredo nos EUA – por decisão do governo norte-americano, que não tem interesse que se conheça a verdade.

    E aqui chegamos ao centro da questão. O gesto de Assange foi uma transgressão de regras e costumes. Nós sabemos que o governo norte-americano divulga periodicamente seus documentos oficiais. Mas o acesso não é liberado inteiramente, como muitas pessoas acreditam. Isso se faz de acordo com regras rígidas e controles severos. Os prazos de divulgação autorizada são longos e nem sempre são cumpridos. Os serviços secretos podem vetar a divulgação de um texto sempre que consideram que isso pode ser inconveniente para os interesses do país. Imagine como seria importante conhecer,  por exemplo, os arquivos da CIA, com seus agentes e informantes das últimas décadas? Não seria útil esclarecer – por exemplo – o papel de oficiais americanos no treinamento das técnicas de tortura?

    Assange quebrou isso. Atravessou  controles burocráticos e acertos políticos que envolvem a divulgação de informações realmente sensíveis, para expor segredos e verdades sem hora marcada. Num mundo onde as grandes notícias exclusivas, os grandes furos, sempre atendem a um interesse que permanece oculto e bem protegido, Assange abriu os arquivos e colocou no ar — doa a quem doer. É respeitável pelo que fez e também pelo exemplo que deixou. É perseguido pelas mesmas razões.

    E é por isso que tentarão puní-lo de forma exemplar. Neste jogo, vale tudo. Inclusive empurrar Assange para os braços do inimigo e depois acusa-lo de ter-se aliado aos adversários.  A tese, agora, é dizer que se tornou aliado de Rafael Correa, o presidente do Equador que é aliado de Hugo Chávez. Seria condenável porque afinal, Correa é acusado de pressionar a imprensa de seu país.

    Queriam o quê? Uma aliança com Obama, que mandou cortar o acesso do Wikileaks a seus financiamentos? Com o primeiro ministro inglês David Cameron, com muitos amigos no império de Rupert Murdoch e seu jornalismo sujo?

    quarta-feira, 2 de novembro de 2011

    Fundador do WikiLeaks perde batalha contra extradição na justiça britânica

    02/11/2011 - 08h05

    Fundador do WikiLeaks perde batalha contra extradição na justiça britânica

    Do UOL Notícias
    Em São Paulo
    • Julian Assange deixa a corte britânica nesta quarta-feira, em Londres, após dois dias de audiências
      Julian Assange deixa a corte britânica nesta quarta-feira, em Londres, após dois dias de audiências

    O Tribunal Superior de Londres decidiu nesta quarta-feira que o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, deve ser deportado para a Suécia para responder às quatro acusações de supostos abusos sexuais. As informações são do jornal britânico “The Guardian”.
    Com a decisão, Assange poder ser extraditado para a Suécias em até 10 dias. No entanto, segundo a publicação, ele deve retornar ao país apenas no final deste mês.
    O fundador do WikiLeaks ainda tem 14 dias para entrar com um recurso na Suprema Corte contra a decisão do tribunal. Se a Suprema Corte acatar sua apelação, ele permanecerá em Londres aguardando uma nova audiência.
    A Suécia acusa Assange de três delitos de agressão sexual e um de estupro após a denúncia de duas mulheres que garantiram que os fatos aconteceram em agosto de 2010. Já a defesa alega que a extradição a Suécia seria "injusta e ilegítima".

    O caso
    Em fevereiro, um juiz britânico aprovou a entrega de Assange às autoridades suecas ao argumentar que o diretor do WikiLeaks teria um julgamento justo, mas essa decisão foi recorrida em março pelos advogados do ativista no Tribunal Superior de Londres.

    Ao dar sinal verde para extradição em fevereiro, o juiz Howard Riddle argumentou que o sistema judiciário sueco é suficientemente sólido para considerar que Assange enfrentará um julgamento com garantias.

    O juiz também observou que as declarações das duas mulheres que apresentaram as denúncias demonstraram que não houve consentimento na relação sexual e afirmou que no Reino Unido essas acusações também seriam consideradas como estupro.

    Um dos requisitos legais neste país para dar sinal verde a uma ordem europeia de detenção e entrega é que o delito possa ser equiparado na legislação nacional.

    Riddle rejeitou também o argumento de que os direitos humanos do australiano estariam ameaçados se fosse processado no sistema judiciário sueco.

    Porém, em sua apelação, Assange pediu em julho à Justiça que atenda seu recurso por considerar que o processo é "juridicamente defeituoso" e esconde motivos políticos.

    Se o recurso no Tribunal Superior de Londres não for aceito, a defesa de Assange pode apelar à Corte Suprema, instância máxima judicial britânica.

    O jornalista, cujo site revelou os detalhes de milhares de informações confidenciais das embaixadas dos Estados Unidos em todo o mundo, foi detido em Londres em dezembro de 2010 depois que as autoridades britânicas receberam a ordem de extradição das autoridades suecas.


    Do Porta Uol: (http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2011/11/02/tribunal-de-londres-decide-extraditar-fundador-do-wikileaks-para-a-suecia.jhtm). Acesso em: 02/nov/2011.