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domingo, 17 de junho de 2012

UNB prova que urna eletrônica é vulnerável (Ricardo Rodrigues)

UNB prova que urna eletrônica é vulnerável

Entre os riscos, a prática do “voto de cabresto digital”, em municípios onde o “coronelismo” é exercido com rigor, e até a clonagem de urnas


EUGENIO MORAES
diego
Diego de Freitas Aranha: “Se falhas não forem corrigidas, as eleições não terão o curso perfeito”


Ao contrário do que o Tribunal Superior Eleitoral reitera há anos, a inviolabilidade da urna eletrônica é mera figura de retórica. A convite do próprio TSE, equipe da Universidade de Brasília (UnB), liderada pelo professor Diego de Freitas Aranha, mostrou em testes que o sistema utilizado no Brasil apresenta falhas. Uma delas é o risco de imperar o “voto de cabresto digital”, em municípios onde o “coronelismo” é exercido com rigor, e até a clonagem de urnas.


“Vulnerabilidades da urna eletrônica representam um ataque à imagem e à confiabilidade da autoridade eleitoral”, diz. O mais grave de tudo é que a falha era conhecida na área de segurança há pelo menos 17 anos.
A brecha que permitia a quebra de sigilo do voto foi relatada ao TSE por Aranha, que se prontificou a ajudar na solução das vulnerabilidades. Convite do tribunal para isso nunca chegou ao mestre e doutor em Ciência da Computação, especialista em implementação eficiente de algoritmos criptográficos e projeto de primitivas criptográficas para fornecimento de anonimato computacional.

Ele cita o caso de partido que já pagou para quebrar a inviolabilidade da urna eletrônica, mas não dá detalhes. “Os partidos podem falar mais sobre isso do que eu”.
Para atender “requisitos mínimos” de segurança, o acadêmico sugere que a urna adote o voto verificável pelo eleitor. A impressão do voto foi aprovada no Congresso e valeria a partir de 2014, mas foi suspensa pelo STF, sob a alegação de que imprimir o voto compromete o direito ao sigilo, oferecendo “uma falsa e cara sensação de segurança”.

Qual brecha permitia a quebra de sigilo do voto?
O software de urna não oferece segurança na forma como embaralhava o registro dos votos. Na prática, se alguém soubesse a ordem de votação – por exemplo, que você foi o quinto a votar –, era possível determinar, também, em quem você votou, sem que a urna fosse violada para isso. Nas eleições, isso significa que é possível determinar a ordem em que cada voto foi realizado e, sabendo a ordem de eleitores de uma sessão, determinar em quem eles votaram. Por isso, o RDV (registro digital do voto) tem os votos fora de ordem. O método (algoritmo) utilizado pela urna era previsível. Derrotamos o mecanismo de embaralhamento dos votos para armazenamento no RDV, única medida tomada pelo software para proteger o sigilo. Esse tipo de erro é conhecido na área de segurança há pelo menos 17 anos, mas só agora foi detectado e corrigido na urna brasileira.

É a volta do coronelismo e do voto de cabresto digital?
Temos a figura do ‘atacante’ capaz de comprar votos, exercer pressão política e monitorar eleitores. Há, pelo menos, três modalidades de voto de cabresto digital: os eleitores são coagidos a votar logo na abertura da seção; o primeiro eleitor coagido usa um marcador de bloco (números primos, por exemplo); os eleitores votam em horas ou posições pré-determinadas.

Como ocorrem ataques ao sistema eletrônico de votos?
Ataque direto é feito a partir da semente pública (código-fonte), que permite recuperar os votos em ordem do RDV – o substituto eletrônico do papel onde eram registrados os votos – um arquivo público disponibilizado aos partidos após o fim da eleição. Ataque indireto faz a busca exaustiva da semente e compara os ‘buracos’ do RDV. Hoje, só com informação pública é possível fazer ataques ao sistema de votação eletrônica. A partir do LOG (público aos partidos) é possível associar voto à hora de votação; recuperar votos em ordem a partir da semente pública; recuperar a semente a partir dos votos fora de ordem. Assim, fica derrotado completamente o único mecanismo de urna para proteger o sigilo do voto.

Como proteger o sigilo?
Mecanismos de segurança têm de resistir até a ataques internos. Esse embargo precisa ser feito para não afetar a segurança e sigilo do voto, pois o programa de urna tem de deixar informação para a auditoria dos partidos. O que pode ser feito para corrigir esses problemas é usar gerador de números verdadeiramente aleatórios em hardware; gerador nativo do GNU/Linux (random) com qualidade criptográfica; gerador nativo do GNU/Linux (urandom) sem qualidade criptográfica, mas superior. A questão exige estudo mais aprofundado para descobrir, na prática, se eles são viáveis e seguros.

O TSE utiliza práticas não recomendáveis?
Chaves criptográficas são declaradas no código-fonte. Mídias de todas as urnas são cifradas com a mesma classe criptográfica. Se vazou, abre meio milhão de urnas sem dificuldade. É como trancar a casa e por a chave debaixo do tapete, na esperança de que o ladrão não vai procurá-la ali. Essa vulnerabilidade poderia ser verificada por qualquer ferramenta de análise de código. Mas a integridade de bibliotecas dinâmicas não era verificada pelo TSE. À ausência de ferramentas de análise de código se somam a utilização de algoritmos obsoletos, implementações repetidas de primitivas criptográficas, além de informação sobre servidores, usuários e senhas.

O que mais preocupou os “investigadores” no teste?
A presença de uma chave secreta usada por todas as urnas brasileiras no código-fonte. O vazamento da chave compartilhada tem impacto devastador. Há preocupação demasiada em ofuscação ao invés de segurança. Ênfase em atacantes externos e não em atacantes internos, que compartilham dados de 500 mil urnas. Agentes internos têm muito mais potencial de exercer a fraude. O discurso de que a urna é inviolável distorce o senso crítico de quem trabalha com ela. Atualmente, há 100% de privacidade e 0% de verificação. O ideal seria 95% de privacidade e 95% de verificabilidade.

O ‘atacante’ já conhece o sistema desde muito antes?
Não sei se houve resultados alterados em eleições passadas. Desde 2003, o embaralhamento dos votos é feito (pelo RDV). Ou nas anteriores ele era melhor, ou era pior, seja lá o que isso significa, ou era equivalente. As três hipóteses são igualmente preocupantes. No nosso caso, apenas o equipamento “sabe’ para quem é o voto de cada eleitor.


Leia mais na Edição Eletrônica
(http://hj.digitalpages.com.br/acesse).

Do Portal Hoje em Dia: (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/politica/unb-prova-que-urna-eletronica-e-vulneravel-1.460716). Acesso em: 17/jun/2012.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Universidades Brasileiras estão entre as melhores do mundo...


USP fica entre as 20 melhores do mundo; UFRGS está entre as 100 
14 de fevereiro de 2012  10h47  atualizado às 12h03


A Universidade de São Paulo (USP) ficou entre as 20 melhores universidades do mundo no ranking divulgado no início deste ano pela Webometrics Ranking Web of World Universities, que avalia a visibilidade na internet das instituições de ensino superior. No último ranking, divulgado em julho de 2011, a instituição aparecia na 43ª colocação e hoje está em 20ª. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que chegou a 71ª colocação nesta publicação é a segunda instituição brasileira a aparecer entre as cem melhores.
A USP continua sendo a instituição brasileira mais bem colocada no ranking geral e lidera entre as melhores na América Latina. Confira aqui o ranking mundial.
As universidades americanas lideram as primeiras 16 posições. Aliás, entre as 20 melhores do mundo há apenas uma brasileira e uma canadense (University of Toronto, que ocupa a 17ª posição). As três primeiras colocadas são a Harvard University, Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Stanford University. Harvard e MIT inverteram as posições em relação ao último ranking. A mais bem colocada universidade da Europa é a Swiss Federal Institute of Technology, em 24ª posição.
UFRGS aparece pela primeira vez entre as 100 melhores
No ranking das universidades latino-americanas, a USP lidera em primeiro lugar, seguida da Universidad Nacional Autónoma de México e da UFRGS, que subiu 79 posições desde o último levantamento - de 150º para 71º lugar. Entre as 100 melhores da América Latina há 45 instituições do Brasil, sendo que no top 10 estão também a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, em 4º; a Universidade Federal de Santa Catarina, em 5º; Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 7º; Universidade de Brasília, em 8º; Universidade Estadual de Campinas, em 9º; e Universidade Federal do Paraná, em 10º.
Sobre o ranking
O Webometrics Ranking Web of World Universities é promovido pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC, na sigla em espanhol) da Espanha. Estatísticas relacionadas ao número de visitantes em páginas da internet pertencentes a universidades são consideradas. Outro aspecto é o número de publicações em citações bibliográficas dentro do banco de dados Google Scholar, que tem boa cobertura dos repositórios institucionais das universidades em todo o mundo.
A ideia do ranking é motivar as instituições e pesquisadores a estarem presentes na web, divulgando com precisão suas atividades. Além disso, de acordo com a organização do ranking, se o desempenho da universidade na web estiver abaixo da posição esperada em função da excelência acadêmica, deveria haver um esforço maior por parte da universidade na divulgação das publicações no âmbito online. Outras informações podem ser obtidas no site www.webometrics.info.