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sábado, 18 de agosto de 2018

Exclusivo: em reunião fechada Banco prevê segundo turno com Bolsonaro x PT (Rodrigo Vianna)




17 DE AGOSTO DE 2018, 12H12

Exclusivo: em reunião fechada, Banco prevê segundo turno com Bolsonaro x PT

Hoje, a maior probabilidade é de que o ex-capitão do Exército enfrente o candidato do PT (Lula ou Haddad), no segundo turno. Essa é a previsão de um dos maiores bancos de varejo brasileiros! Foi obtida com exclusividade pelo blogueiro, junto a uma fonte que participou da reunião reservada. Alckmin, segundo os donos da grana, tem chances remotas de avançar. Eleição ocorrerá sob o signo "anti-sistema" - e Lula preso e perseguido só ajuda o PT no imaginário social.
por Rodrigo Vianna
A reunião aconteceu em São Paulo, na última quinta-feira (16/agosto). Foi um encontro pequeno, típico da gente de mercado: apenas doze pessoas do “board” (é o termo que se usa entre a turma da grana) de uma grande empresa europeia – que acaba de adquirir participação em empresa subsidiária de um dos maiores bancos privados do Brasil.

Os estrangeiros queriam entender  o complexo quadro político brasileiro. Do outro lado da mesa, estava um economista (brasileiro) do Banco, que analisou a corrida eleitoral, apresentando a seguinte previsão:  hoje, a maior probabilidade é de que Bolsonaro enfrente o candidato do PT (Lula ou Haddad), no segundo turno.
Essa é a previsão de um dos maiores bancos de varejo brasileiros! Em privado, na hora de orientar negócios, eles não participam das jogadas da Globo e seus mervais amestrados. Nada de levantar a bola pro Alckmin.
A hora (nos bancos) é de realismo. E o realismo indica: Bolsonaro x PT. Ponto final.
A partir daqui, a análise é do blogueiro, e não do Banco.

Quando o PSDB conseguiu fechar a grande aliança com o “Centrão”, surgiram dezenas de “análises” dando como certo que Alckmin avançaria inexoravelmente ao segundo turno. Era torcida. Pura torcida.
Este blogueiro sempre lembrou: esta é uma eleição “anti-sistema” (e aqui falamos da batalha que se trava no chamado “imaginário social”). O apoio do Centrão, mais que nunca, transforma Alckmin no candidato da política, do sistema, das negociatas, o candidato do apodrecido Michel Temer.
É irônico: a Globo e a direita dita liberal inocularam no Brasil, desde 2013, o veneno da anti-política. A ideia de “fora todos os partidos”, “política é sujeira”, “Estado é corrupto”: tudo isso foi usado para construir o discurso que levou milhões de patos amarelos à rua, ajudando a derrubar Dilma.
Não conhecem história. No pós 64, o fim de Lacerda foi melancólico, enquanto o trabalhismo seguiu forte – mesmo perseguido.
O Golpe de 2016 e a prisão de Lula jogaram o PT (aos olhos do eleitor mais simples) pra fora do sistema.
O eleitor pobre/descamisado/subempregado não se impressiona com Lula preso, porque conhece na rua/quebrada/família alguém que também sofreu as agruras de ter sido preso – mais ou menos injustamente.
O PT de Lula é um dos pólos dessa eleição anti-sistema. O outro pólo é Bolsonaro com seus 10 segundos de TV. Os bancos já sabem disso.
Alckmin vai jogar pesado nas próximas semanas (e justiça seja feita: ele atua no limite de suas possibilidades, e sem perder a coerência; até a Reforma Trabalhista ele defendeu em debate na TV).
Mas o tempo atual não é de um candidato que encarne o sistema político, mas de quem represente (no imaginário do eleitor) a chance de enfrentar esse sistema injusto – que gera corrupção, desemprego, e mantem preso o maior líder popular brasileiro.
O mesmo economista de Banco – que (garante minha fonte, presente ao encontro) previu PT x Bolsonaro no segundo turno – fez outra projeção durante a reunião fechada: tanto o candidato fascista quanto o petista tendem a caminhar ao centro quando (e se) chegarem ao poder.
A vitória do PT, diz o Banco, geraria uma reação inicial negativa no mercado, mas seria seguida de maior capacidade de fechar acordos e governabilidade no Congresso. Já Bolsonaro, se vencer, será mais festejado inicialmente nos mercados, mas terá imensas dificuldades de governar.
Essa avaliação – que circula entre banqueiros e empresários, mas não entre  eleitores que seguem a ser enganados pela Globo e seus satélites – explica porque Haddad já faz uma inflexão ao centro: o PT pode, no fim das contas, ser o fiador da retomada democrática e econômica do Brasil.*
Explica também porque a quase falida revista da marginal dedica sua capa neste fim-de-semana ao economista de Bolsonaro.
Os bancos (que agora mandam na Veja) já trabalham com esse cenário: é PT x Bolsonaro.
Faço a ressalva de que uma reviravolta sempre pode acontecer. Afinal, Alckmin tem a Globo e o Judiciário – que podem muito, mas não podem tudo…
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* No meu entender, o diálogo com o centro será mesmo necessário, na hipótese de uma vitória petista. Mas desde que a direção do PT compreenda que não poderá desmobilizar as bases dessa vez. As bases serão a garantia da negociação, tal qual uma tropa na trincheira é garantia para assinatura de um acordo de paz. O Brasil precisa de um novo acordo, nova Constituinte, e ela só será conquistada com mobilização.
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domingo, 28 de fevereiro de 2016

“Hoje, neste país, há um partido chamado Globo, um partido chamado Veja” (Lula)

Postagem 28/fev/2016...

Lula: “Hoje, neste país, há um partido chamado Globo, um partido chamado Veja”



Em evento que celebrou os 36 anos do PT no Rio de Janeiro, ex-presidente criticou o tratamento recebido pela imprensa, lembrando ainda da mansão da família Marinho. “A Globo fala tanto de democracia e intimou os blogueiros a tirarem as notícias dos Marinho em Paraty”
Por Redação

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Em seu discurso no evento que celebrou os 36 anos do Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro na noite deste sábado (28), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o tratamento recebido pela mídia e disse que, se julgar necessário, será candidato à presidência em 2018.
“Eles pensam que vão me tirar da luta. Se quiserem me derrubar, vão ter que me enfrentar na rua. (…) Podem estar certos de uma coisa, se for necessário eu estarei com 72 anos, com tesão de 30, para ser candidato”, disse.
Lula dedicou parte do seu discurso para criticar o comportamento da mídia tradicional. “A gente não tem hoje um grande partido de oposição. Nós temos um partido chamado Globo, um partido chamado Veja, chamado outros jornais, que é quem de verdade lidera a oposição no país. E é preciso que essas pessoas saibam de uma coisa dita por nós, olhando pra nossa cara. Se eles quiserem voltar ao poder, vão ter que aprender a ser democráticos, a disputar eleições e a acatar o resultado. Fazer sacanagem nós não aceitamos. Tentar dar golpe, não vão dar”, disse.
O ex-presidente voltou a negar que seja o dono do apartamento no Guarujá e do sítio em Atibaia. O último, segundo ele, foi comprado por seu amigo Jacó Bittar para que sua família o utilizasse quando deixasse a presidência. “Não imaginava que uma parte do MP era subordinado a uma parte da imprensa”, ironizou.
Lula ainda lembrou da mansão da família Marinho e questionou a postura da emissora de notificar blogueiros para que tirem do ar as reportagens sobre o tema. “A Globo fala tanto de democracia e intimou os blogueiros a tirarem as notícias dos Marinho em Paraty.”
No ato, o ex-presidente ainda conclamou o partido a se unir em defesa do governo federal.  “Por mais que tenha discordância em alguma coisa, a Dilma tem que ter certeza de que o lado dela é esse. Ela precisa de nós para poder sobreviver aos ataques que ela vem sofrendo no Congresso Nacional pelos nossos adversários”, falou.
Foto de capa: Nacho Lemus/TeleSURtv

quarta-feira, 27 de março de 2013

Sociedade protesta contra Feliciano e petistas reiteram incompatibilidade com comissão (Rogério Tomaz Jr.)

Sociedade protesta contra Feliciano; petistas reiteram incompatibilidade com comissão


Sociedade protesta contra Feliciano; petistas reiteram incompatibilidade com comissão

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Após três semanas da sua eleição como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) tem enfrentado forte rejeição no Congresso, nas ruas e nas mídias sociais, além de duras críticas de personalidades do mundo artístico e da política. Mas reafirma disposição para continuar no cargo. 


O presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), cobrou pessoalmente do PSC a substituição de Marco Feliciano. O próximo “capítulo” dessa história deve se desenrolar na próxima terça-feira (2), quando o colégio de líderes partidários deve discutir novamente o assunto, a pedido de Henrique Eduardo Alves.  



Nesta quarta-feira (27), Feliciano ordenou a prisão de um manifestante que o chamou de racista, durante audiência pública da comissão. Após o incidente e os protestos de quem estava na sessão, o deputado determinou a troca de plenário e a audiência pública prosseguiu, sem a presença do público.



Para a deputada Erika Kokay (PT-DF), o deputado do PSC inaugurou uma nova modalidade de atividade na Câmara, a “audiência pública sem público”, e não tem condições de permanecer no cargo. “A cada dia que passa o presidente tem reafirmado a sua incapacidade para presidir esta comissão, porque tem posturas absolutamente incompatíveis com os direitos humanos e, além disso, quer impor, através da força, uma normalidade que não existirá enquanto ele permanecer na presidência”, declarou a parlamentar, que se disse perplexa com as atitudes de Feliciano à frente da CDHM.



Já o deputado Nilmário Miranda (PT-MG) considera que a função da CDHM está sendo desrespeitada. “A Comissão de Direitos Humanos é a porta de entrada da Câmara dos Deputados para quem tem os seus direitos violados. As decisões do deputado Feliciano representam uma inversão completa do papel desta comissão. Ele não está dando certo e nem dará certo, por isso temos que trocar a presidência da comissão”, cobrou Miranda, que foi o primeiro presidente da CDHM, em 1995, e voltou a comandar a comissão em 1997.



Na opinião do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), diante do histórico de Marco Feliciano, era previsível que o imbróglio para a CDHM e para a Câmara fosse ocorrer. “Raramente um deputado que é escolhido para presidir uma comissão tem um histórico de trabalho contrário ao objeto dessa comissão. No caso de Feliciano, o que está acontecendo hoje tem relação direta com o seu histórico, que é de condenar os direitos humanos ao expressar opiniões racistas, homofóbicas e machistas”, disse Rosinha, que preside a Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF).



O deputado Domingos Dutra (PT-MA), elogiou as manifestações da sociedade e espera para uma resolução para esse problema. “A reação da sociedade demonstra que a Comissão de Direitos Humanos possui um apelo simbólico e uma importância muito grande. E a rejeição ao pastor Marco Feliciano mostra que a cidadania brasileira não está passiva, muito ao contrário. Espero que o Parlamento saiba interpretar essas manifestações como um desejo por respeito aos direitos humanos e que, portanto, possa solucionar essa questão o mais rapidamente possível”, declarou Dutra, que presidiu a CDHM em 2012.



Na última segunda-feira (25), um ato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro reuniu dezenas de artistas, militantes de direitos humanos, líderes religiosos e parlamentares que pediram a saída de Feliciano da presidência da CDHM. Entre os manifestantes estavam o cantor Caetano Veloso, o ator Wagner Moura, a cantora Preta Gil, as atrizes Fernanda Montenegro, Leandra Leal e Dira Paes, entre outros.



Em âmbito internacional, já ocorreram atos reunindo brasileiros e estrangeiros em Buenos Aires, Londres e Paris. Também na segunda-feira passada a Anistia Internacional divulgou nota oficial sobre o caso. “As posições claramente discriminatórias em relação à população negra, LGBT e mulheres, expressas em diferentes ocasiões pelo deputado Marco Feliciano, o tornam uma escolha inaceitável para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Proteção de Minorias”, diz o texto.



A apresentadora Xuxa chamou Feliciano de “monstro”. Os apresentadores Marcelo Tas e Luciano Huck também criticaram a escolha do pastor para presidir a CDHM, assim como o autor de novelas Aguinaldo Silva.



No campo religioso, o Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), que congrega inúmeras ordens cristãs, inclusive evangélicas, emitiu duras críticas ao deputado, afirmando que o seu comportamento “o descredencia para liderar a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados” e solicitando o seu “imediato afastamento” do órgão.



Em pelo menos vinte cidades brasileiras ocorreram atos que pediram a renúncia de Feliciano e também criticaram a postura “insensível” do seu partido, que já cogitou apresentar outro nome para dirigir a CDHM, mas recuou e voltou a apoiar o contestado pastor.



Na Internet, além das constantes opiniões críticas, Feliciano também tem contra si um abaixo-assinado que, até a quarta-feira (27) acumulava mais de 457 mil assinaturas pedindo a sua saída da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

Rogério Tomaz Jr.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Nota do PT sobre a Ação Penal 470

Nota do PT sobre a Ação Penal 470


14/11/12 - 18h14
Nota do PT sobre a Ação Penal 470
Rui Falcão (D), presidente nacional do PT,junto com o secretário de Comunicação, André Vargas (PT-PR) - Foto: Luciana Santos/PT

Leia o documento aprovado nesta quarta-feira durante reunião da Comissão Executiva Nacional do PT, em São Paulo


O PT E O JULGAMENTO DA AÇÃO PENAL 470
O PT, amparado no princípio da liberdade de expressão, critica e torna pública sua discordância da decisão do Supremo Tribunal Federal que, no julgamento da Ação Penal 470, condenou e imputou penas desproporcionais a alguns de seus filiados.
1. O STF não garantiu o amplo direito de defesa
O STF negou aos réus que não tinham direito ao foro especial a possibilidade de recorrer a instâncias inferiores da Justiça. Suprimiu-lhes, portanto, a plenitude do direito de defesa, que é um direito fundamental da cidadania internacionalmente consagrado.
A Constituição estabelece, no artigo 102, que apenas o presidente, o vice-presidente da República, os membros do Congresso Nacional, os próprios ministros do STF e o Procurador Geral da República podem ser processados e julgados exclusivamente pela Suprema Corte. E, também, nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os ministros de Estado, os comandantes das três Armas, os membros dos Tribunais superiores, do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática em caráter permanente.
Foi por esta razão que o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, logo no início do julgamento, pediu o desmembramento do processo. O que foi negado pelo STF, muito embora tenha decidido em sentido contrário no caso do “mensalão do PSDB” de Minas Gerais.
Ou seja: dois pesos, duas medidas; situações idênticas tratadas desigualmente.
Vale lembrar, finalmente, que em quatro ocasiões recentes, o STF votou pelo desmembramento de processos, para que pessoas sem foro privilegiado fossem julgadas pela primeira instância – todas elas posteriores à decisão de julgar a Ação Penal 470 de uma só vez.
Por isso mesmo, o PT considera legítimo e coerente, do ponto de vista legal, que os réus agora condenados pelo STF recorram a todos os meios jurídicos para se defenderem.
2. O STF deu valor de prova a indícios
Parte do STF decidiu pelas condenações, mesmo não havendo provas no processo. O julgamento não foi isento, de acordo com os autos e à luz das provas. Ao contrário, foi influenciado por um discurso paralelo e desenvolveu-se de forma “pouco ortodoxa” (segundo as palavras de um ministro do STF). Houve flexibilização do uso de provas, transferência do ônus da prova aos réus, presunções, ilações, deduções, inferências e a transformação de indícios em provas.
À falta de elementos objetivos na denúncia, deducões, ilações e conjecturas preencheram as lacunas probatórias – fato grave sobretudo quando se trata de ação penal, que pode condenar pessoas à privação de liberdade. Como se sabe, indícios apontam simplesmente possibilidades, nunca certezas capazes de fundamentar o livre convencimento motivado do julgador. Indícios nada mais são que sugestões, nunca evidências ou provas cabais.
Cabe à acusação apresentar, para se desincumbir de seu ônus processual, provas do que alega e, assim, obter a condenação de quem quer que seja. No caso em questão, imputou-se aos réus a obrigação de provar sua inocência ou comprovar álibis em sua defesa—papel que competiria ao acusador. A Suprema Corte inverteu, portanto, o ônus da prova.
3. O domínio funcional do fato não dispensa provas
O STF deu estatuto legal a uma teoria nascida na Alemanha nazista, em 1939, atualizada em 1963 em plena Guerra Fria e considerada superada por diversos juristas. Segundo esta doutrina, considera-se autor não apenas quem executa um crime, mas quem tem ou poderia ter, devido a sua função, capacidade de decisão sobre sua realização. Isto é, a improbabilidade de desconhecimento do crime seria suficiente para a condenação.
Ao lançarem mão da teoria do domínio funcional do fato, os ministros inferiram que o ex-ministro José Dirceu, pela posição de influência que ocupava, poderia ser condenado, mesmo sem provarem que participou diretamente dos fatos apontados como crimes. Ou que, tendo conhecimento deles, não agiu (ou omitiu-se) para evitar que se consumassem. Expressão-síntese da doutrina foi verbalizada pelo presidente do STF, quando indagou não se o réu tinha conhecimento dos fatos, mas se o réu “tinha como não saber”...
Ao admitir o ato de ofício presumido e adotar a teoria do direito do fato como responsabilidade objetiva, o STF cria um precedente perigoso: o de alguém ser condenado pelo que é, e não pelo que teria feito.
Trata-se de uma interpretação da lei moldada unicamente para atender a conveniência de condenar pessoas específicas e, indiretamente, atingir o partido a que estão vinculadas.
4. O risco da insegurança jurídica
As decisões do STF, em muitos pontos, prenunciam o fim do garantismo, o rebaixamento do direito de defesa, do avanço da noção de presunção de culpa em vez de inocência. E, ao inovar que a lavagem de dinheiro independe de crime antecedente, bem como ao concluir que houve compra de votos de parlamentares, o STF instaurou um clima de insegurança jurídica no País.
Pairam dúvidas se o novo paradigma se repetirá em outros julgamentos, ou, ainda, se os juízes de primeira instância e os tribunais seguirão a mesma trilha da Suprema Corte.
Doravante, juízes inescrupulosos, ou vinculados a interesses de qualquer espécie nas comarcas em que atuam poderão valer-se de provas indiciárias ou da teoria do domínio do fato para condenar desafetos ou inimigos políticos de caciques partidários locais.
Quanto à suposta compra de votos, cuja mácula comprometeria até mesmo emendas constitucionais, como as das reformas tributária e previdenciária, já estão em andamento ações diretas de inconstitucionalidade, movidas por sindicatos e pessoas físicas, com o intuito de fulminar as ditas mudanças na Carta Magna.
Ao instaurar-se a insegurança jurídica, não perdem apenas os que foram injustiçados no curso da Ação Penal 470. Perde a sociedade, que fica exposta a casuísmos e decisões de ocasião. Perde, enfim, o próprio Estado Democrático de Direito.
5. O STF fez um julgamento político
Sob intensa pressão da mídia conservadora—cujos veículos cumprem um papel de oposição ao governo e propagam a repulsa de uma certa elite ao PT - ministros do STF confirmaram condenações anunciadas, anteciparam votos à imprensa, pronunciaram-se fora dos autos e, por fim, imiscuiram-se em áreas reservadas ao Legislativo e ao Executivo, ferindo assim a independência entre os poderes.
Único dos poderes da República cujos integrantes independem do voto popular e detêm mandato vitalício até completarem 70 anos, o Supremo Tribunal Federal - assim como os demais poderes e todos os tribunais daqui e do exterior - faz política. E o fez, claramente, ao julgar a Ação Penal 470.
Fez política ao definir o calendário convenientemente coincidente com as eleições. Fez política ao recusar o desmembramento da ação e ao escolher a teoria do domínio do fato para compensar a escassez de provas.
Contrariamente a sua natureza, de corte constitucional contra-majoritária, o STF, ao deixar-se contaminar pela pressão de certos meios de comunicação e sem distanciar-se do processo político eleitoral, não assegurou-se a necessária isenção que deveria pautar seus julgamentos.
No STF, venceram as posições políticas ideológicas, muito bem representadas pela mídia conservadora neste episódio: a maioria dos ministros transformou delitos eleitorais em delitos de Estado (desvio de dinheiro público e compra de votos).
Embora realizado nos marcos do Estado Democrático de Direito sob o qual vivemos, o julgamento, nitidamente político, desrespeitou garantias constitucionais para retratar processos de corrupção à revelia de provas, condenar os réus e tentar criminalizar o PT. Assim orientado, o julgamento convergiu para produzir dois resultados: condenar os réus, em vários casos sem que houvesse provas nos autos, mas, principalmente, condenar alguns pela “compra de votos” para, desta forma, tentar criminalizar o PT.
Dezenas de testemunhas juramentadas acabaram simplesmente desprezadas. Inúmeras contraprovas não foram sequer objeto de análise. E inúmeras jurisprudências terminaram alteradas para servir aos objetivos da condenação.
Alguns ministros procuraram adequar a realidade à denúncia do
Procurador Geral, supostamente por ouvir o chamado clamor da opinião pública, muito embora ele só se fizesse presente na mídia de direita, menos preocupada com a moralidade pública do que em tentar manchar a imagem histórica do governo Lula, como se quisesse matá-lo politicamente. O procurador não escondeu seu viés de parcialidade ao afirmar que seria positivo se o julgamento interferisse no resultado das eleições.
A luta pela Justiça continua
O PT envidará todos os esforços para que a partidarização do Judiciário, evidente no julgamento da Ação Penal 470, seja contida. Erros e ilegalidades que tenham sido cometidos por filiados do partido no âmbito de um sistema eleitoral inconsistente - que o PT luta para transformar através do projeto de reforma política em tramitação no Congresso Nacional - não justificam que o poder político da toga suplante a força da lei e dos poderes que emanam do povo.
Na trajetória do PT, que nasceu lutando pela democracia no Brasil, muitos foram os obstáculos que tivemos de transpor até nos convertermos no partido de maior preferência dos brasileiros. No partido que elegeu um operário duas vezes presidente da República e a primeira mulher como suprema mandatária. Ambos, Lula e Dilma, gozam de ampla aprovação em todos os setores da sociedade, pelas profundas transformações que têm promovido, principalmente nas condições de vida dos mais pobres.
A despeito das campanhas de ódio e preconceito, Lula e Dilma elevaram o Brasil a um novo estágio: 28 milhões de pessoas deixaram a miséria extrema e 40 milhões ascenderam socialmente.
Abriram-se novas oportunidades para todos, o Brasil tornou-se a 6a.economia do mundo e é respeitado internacionalmente, nada mais devendo a ninguém.
Tanto quanto fizemos antes do início do julgamento, o PT reafirma sua convicção de que não houve compra de votos no Congresso Nacional, nem tampouco o pagamento de mesada a parlamentares. Reafirmamos, também, que não houve, da parte de petistas denunciados, utilização de recursos públicos, nem apropriação privada e pessoal.
Ao mesmo tempo, reiteramos as resoluções de nosso Congresso Nacional, acerca de erros políticos cometidos coletiva ou individualmente.
É com esta postura equilibrada e serena que o PT não se deixa intimidar pelos que clamam pelo linchamento moral de companheiros injustamente condenados. Nosso partido terá forças para vencer mais este desafio. Continuaremos a lutar por uma profunda reforma do sistema político - o que inclui o financiamento público das campanhas eleitorais - e pela maior democratização do Estado, o que envolve constante disputa popular contra arbitrariedades como as perpetradas no julgamento da Ação Penal 470, em relação às quais não pouparemos esforços para que sejam revistas e corrigidas.
Conclamamos nossa militância a mobilizar-se em defesa do PT e de nossas bandeiras; a tornar o partido cada vez mais democrático e vinculado às lutas sociais. Um partido cada vez mais comprometido com as transformações em favor da igualdade e da liberdade.
São Paulo, 14 de novembro de 2012.
Comissão Executiva Nacional do PT.

domingo, 18 de setembro de 2011

"O PT é a esquerda que o Brasil conseguiu ter" (Lincoln Secco, entrevista à Caros Amigos)


Entrevista Lincoln Secco
"O PT é a esquerda que o Brasil conseguiu ter"
O professor da USP acaba de lançar livro em que analisa a trajetória do PT e fala sobre o papel de Lula na história da agremiação
Por Júlio Delmanto

“O PT ampliou o seu discurso para cima (burguesia) e para baixo e conquistou parte das classes desamparadas. Assim, não podemos negar que Lula e o PT tiveram a capacidade de compreender as contradições sociais de seu tempo. Eles encontraram a forma na qual as contradições podiam se mover. E este é, no fim das contas, o método pelo qual elas são resolvidas segundo disse Marx. Ao menos até o instante em que o leito em que adormecem os conflitos se torne estreito demais para acomodá-los.”

O parágrafo final do livro História do PT (Ateliê Editorial), de Lincoln Secco, professor da matéria desde 2003 na USP, resume bem o tom e os objetivos da obra recém publicada. Como aponta o autor, não há uma história do Partido dos Trabalhadores, nem mesmo uma oficial feita pela agremiação que governa o país desde 2002.

A partir de um olhar que “não se pretende nem oficial nem de um dissidente”, é a complexidade da trajetória de um partido que nasce negando as vanguardas e o Leste Europeu, em meio a diversidade de formas políticas que voltaram a ganhar fôlego com o ocaso da ditadura configura- se com uma inédita convivência de tendências e com o tempo acaba colocando como horizonte organizador da vida partidária não mais estas tendências, mas os parlamentares e o jogo institucional que Lincoln Secco (autor também de Caio Prado Júnio - o sentido da revolução - Boitempo) apresenta e analisa em seu novo livro, e sobre a qual conversou com a Caros Amigos na entrevista que segue.

Caros Amigos - Em primeiro lugar, gostaria que você comentasse o que o motivou a escrever esta história do PT. Nota-se que há preocupação em que o livro seja leve e acessível ao público em geral, para além da academia, gostaria que comentasse essa opção também.
Lincoln Secco - Eu notei que não havia uma história abrangente do PT e que agora era o momento de alguém fazer isso, porque o PT passou por todas as fases possíveis, das greves do ABC paulista ao governo do Brasil. Eu também fui testemunha ocular de algumas coisas, embora na base do partido. Assim, pude ver bagrinhos de ontem tornarem-se os capas pretas de hoje, como se diz no jargão petista. Numa condição assim, eu nem poderia fazer uma obra estritamente acadêmica. Além disso, eu acho que a história do PT pode ser lida de maneira mais equilibrada pelos jovens que nem tinham nascido em 1989, por exemplo, e por um público amplo, politizado, mas nem sempre partidarizado.

Em diversos momentos do começo da história do PT você tem o cuidado de ressaltar o número de vezes em que a palavra “socialismo” é pronunciada, em encontros e documentos, por exemplo. É possível dizer que o PT nasce como um partido socialista?

Ele nasce como espaço em disputa por muitas tendências socialistas ou não. Florestan Fernandes achava que o PT era operário e socialista, ainda em 1990. Ele tinha que dizer isso, porque estava disputando o PT. Eu sempre fui admirador dele no partido e ainda penso que ele foi o intelectual mais importante que o PT teve. Mas hoje, vejo que o PT nasceu com linguagem radical e extraparlamentar até que se tornasse o contrário disso por volta de 1990. Ou seja: o futuro do PT não estava definido em 1980, mas uma vez que o caminho trilhado se completou, nós podemos vê-lo como uma típica trajetória social democrata.

Em seu livro notam-se algumas datas chave na história do PT, como 1978, 1984, 1989, 2002 e 2005. Algum destes momentos pode ser destacado como mais marcante nesta trajetória?

É difícil escolher. Mas eu apontaria dois muito próximos: a chegada de Lula à presidência em 2002 e a crise do PT em 2005, quando pareceu que Lula poderia ter sofrido um impeachment de consequências mortais para o partido.

Você destaca muito o papel, retórico e prático dos núcleos de base na trajetória do PT, especialmente nos anos 1980. A perda de importância dos núcleos é causa ou consequência da crescente priorização da via eleitoral na vida do partido?

Esta é uma excelente questão, porque ambos os processos andaram combinados. Eu diria que um alimenta o outro. Como eu mostro no livro, os núcleos do PT não desapareceram. Eles estão aí ainda hoje. Por outro lado, mesmo no início eles tinham dificuldade de influenciar a vida partidária. A tensão dialética entre o impulso eleitoral e a força militante se resolveu na forma de um partido ao mesmo tempo parlamentar e hegemônico nos movimentos sociais. Mas lembremos que a burocratização não foi só do PT. Não ocorre o mesmo com a CUT e, em menor medida, com a UNE e o MST?

O PT teve, desde seu início, forte ligação com movimentos sociais. Como você avaliaria o peso de movimentos como CUT e MST na história do PT? O partido sempre criticou a tática de movimentos serem utilizados como “correia de transmissão” de ideais partidários, é possível dizer que, com o tempo, o próprio PT acabou atuando desta forma em relação aos movimentos sociais?

O que aconteceu é que os movimentos sociais também se submeteram à lógica da sociedade que os acolheu. Assim como o PT foi se inserindo na Ordem, os movimentos também foram. A situação mudou em 2002. Ali, sim, os movimentos se submeteram, mas não ao PT e sim ao Governo Federal. O próprio PT submeteu-se inteiramente ao governo.

Qual o papel que a derrota nas eleições de 1989 tem na trajetória subsequente do PT? Caso Lula vencesse, seria possível governar o país com as proposições e a conjuntura daquele momento?

Como historiador, eu devo dizer que só em circunstâncias muito específicas me interessa o que deveria ou poderia ter acontecido. Esta é uma delas, porque nos faz pensar nas vias que a esquerda tentou para chegar ao poder na América Latina. É provável que a um hipotético Governo Lula, em 1990, fosse um fracasso do ponto de vista econômico e terminasse desmoralizado pela inflação, embora não por corrupção, como aconteceu com Alan Garcia no Peru. Mas o que importa é o fato de que a derrota foi importantíssima para que o PT escolhesse de vez o caminho da integração à Ordem estabelecida, até mesmo expulsando as tendências que não concordavam com o aggiornamento.

Para ler a entrevista completa e outras matérias confira edição de setembro da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.