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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Bombeiros podem interditar casas sob risco de incêndio

Bombeiros podem interditar casas sob risco de incêndio


Bombeiros podem interditar casas sob risco de incêndio

13 de fevereiro de 20130
Se vale o que está escrito no papel não há qualquer necessidade de alteração na atual legislação estadual sobre incêndio para que o Corpo de Bombeiros possa interditar estabelecimentos, mesmo sem comunicar as prefeituras. A necessidade de mudança de postura havia sido tratada pelo governador Tarso Genro em entrevista ao programa TVCom 20h na semana passada. "Vamos tomar medidas que estão diretamente relacionadas à competência legal dos bombeiros, para que, enquanto não se regula, possa haver uma ação ofensiva para não acontecer de novo, mesmo à margem da lei”, disse ele.
Lei que permite que Bombeiros façam a interdição é de 1997
Foto: Fernando Ramos / Agência RBS
Só que nada precisa ser "à margem da lei". A lei estadual 10987/97 deixa claro no artigo 2º, parágrago 5º, que a possibilidade já existia 16 anos antes do incêndio da Boate Kiss. Diz o texto: os prédios que oferecem risco de vida aos seus usuários ou transeuntes, por apresentarem elevada probabilidade de incêndio ou desabamento, e aqueles tornados perigosos pela ausência de itens mínimos de segurança contra incêndios poderão ter sua evacuação ou interdição determinada pelo Corpo de Bombeiros". O texto não deixa dúvida.
Por que os Bombeiros não vinham agindo desta forma? Por que não a Kiss? Perguntas que aguardam resposta.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Tragédia de Santa Maria. "O depois e o antes" (Tulio Milman)


Opinião29/01/2013 | 04h01

Tulio Milman: "O depois e o antes"


Tulio Milman: "O depois e o antes" Jean Schwarz/Agencia RBS
Foto: Jean Schwarz / Agencia RBS




Talvez seja uma antinotícia. Talvez alguns leitores desanimem na segunda linha e nem cheguem ao fim do texto. Paciência. O fato é que, na tragédia de Santa Maria, o Estado foi Estado. Os atores principais: governo federal, estadual e prefeitura. Me defendo de antemão. O elogio é baseado em fatos reais. Minutos depois do incêndio, a coordenação de crise definiu suas três linhas de ação.

1) Assistência aos feridos.

2) Assistência aos familiares e amigos.

3) Reconhecimento dos mortos.

A partir daí, a máquina andou. Em poucas horas, a estrutura estava montada. Na mesma área, um ginásio recebia os corpos. Ao lado, a transição para as funerárias. No espaço mais amplo, a central de informações e o velório coletivo.

A atenção e a presença da presidente Dilma Rousseff foram fundamentais. Quando saiu do Chile para Santa Maria, Dilma mandou um recado a sua equipe. "Façam funcionar". O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assumiu pessoalmente a coordenação da sua área. Some-se a isso as presenças do governador Tarso Genro e do prefeito Cezar Schirmer. Pouco mais de 24 horas depois do incêndio, a Defesa Civil Nacional avisava: "Não está faltando nada, não precisamos de doações". Remédios, leitos, luvas, médicos, enfermeiras, assistentes sociais, policiais, psicólogos. Em quantidade suficiente e nos lugares certos.

As entrevistas iniciais foram cautelosas, sem omitir a verdade. Quem estuda gestão de crise sabe que é fundamental manter a opinião pública informada. Investir na frequência e intensidade da comunicação. Porque se as autoridades não falarem, alguém vai falar. Prefeito, governador, ministro, comandantes da Polícia e da Brigada estavam disponíveis para responder às questões da imprensa, muitas delas ainda sem resposta.

Na tarde posterior à tragédia, não houve registro de tumultos no ginásio municipal. Um por um, os parentes iam sendo chamados. Acompanhados por um psicólogo e por um policial, entravam no ginásio. Olhavam para o chão. E no chão estavam os corpos. Na saída, atrás de um tapume grafitado, amigos e familiares entendiam logo a reposta. E quase sempre a reposta certa era a pior.

O calor de mais de 30ºC dentro do ginásio exigiu uma logística especial. Dezenas de voluntários carregando caixas de papelão circulavam entre a multidão oferecendo copos de água. Havia biscoitos e sanduíches. Alguém pode, legitimamente, rebater: não fizeram mais que a obrigação. Fizeram sim. Mas é certo que, quando as tragédias já aconteceram, deveria ser sempre assim.

Esse texto, que começou com um elogio, termina com um desejo possível: que o poder público copie a si mesmo e tenha, no antes, a mesma eficiência que teve no depois. Leis claras e fiscalização que não poupe nem os amigos seria um bom começo.

Então, finalmente, não haveria mais o depois.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Os "doidos" e Dilma (Denise Rothemburg)

blog da denise


Segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 04:17 pm

OS "DOIDOS" E DILMA

Mesmo quem não gosta de Dilma há que elogiar a sua sensibilidade para o que afeta diretamente a população e a sua incapacidade de esconder emoções, como ficou visível ontem

O ônibus alugado para levar os meninos a um simples passeio escolar estaciona no local designado pela escola. Não passam cinco minutos e, antes de as crianças entrarem, uma das mães "invade" o veículo, verificando o estado dos bancos, se tem cinto de segurança, etc. O motorista olha meio incrédulo para um dos monitores do passeio, como quem diz: "É doida".
A cena acima aconteceu de fato. Não só comigo, mas com vários pais e mães que, às vezes, são tachados de malucos por aí apenas porque exigiram o mínimo de precaução para um caso de emergência. Invariavelmente, muita gente tacha de "doidos" aqueles que se preocupam com algo básico, como equipamentos de segurança e prevenção.
A boate Kiss, em Santa Maria (RS), é um exemplo da falta que faz um "doido", digo, precavido. Uma cidade daquele tamanho jamais poderia admitir um estabelecimento com capacidade para mais de mil pessoas e apenas uma saída. O "esperto" há de responder: "Ah, depois de ocorrida a tragédia é fácil falar. O difícil é prever". Mas é aí que entram os "doidos". Ou, na melhor linguagem, os previdentes.
Talvez agora vire lei — temos tantas, uma a mais não faz diferença — que uma boate tenha saídas mais acessíveis em caso de incêndio, ou que os donos sejam obrigados a manter equipes de resgate a postos no local para atendimentos de emergência. E, se a prefeitura tem leis nesse sentido, que coloque fiscais "doidos", capazes de cobrar os cumprimentos das medidas básicas de segurança.
O mesmo vale para as pessoas contratadas para trabalhar nesses locais. Quantas vezes não nos deparamos com verdadeiros "armários", de pé nas portas das boates, apenas para evitar os "prejuízos"? Por um acaso foram treinados para lidar com situaçãoes desse tipo? Têm o bom senso de perceber uma situação de emergência em vez de simplesmente trancarem as portas a fim de evitar que as pessoas saiam sem pagar a conta? Ao que tudo indica, há muito por fazer em relação às casas de espetáculos. Enquanto isso, é melhor prestar atenção no que dizem os "doidos".
Por falar em conta... 
Talvez muitos critiquem a atitude da presidente Dilma Rousseff, de cancelar a agenda no Chile e voar até Santa Maria para prestar solidariedade aos familiares das vítimas da tragédia na boate Kiss. Mas, se alguém tiver o cuidado de ouvir a população, verá que a maioria aplaudiu o gesto presidencial. E, se há algo a se elogiar diante do jeitão da presidente, é a sua incapacidade de esconder emoções. Quando da tragédia da escola de Realengo, no Rio, Dilma falou com a voz embargada.

Ontem, sua tristeza era perceptível. Dilma tem um quê de quem não consegue disfarçar quando não gosta de algo, quando se emociona ou ainda quando uma conversa lhe agrada. Ponto para a presidente. Em meio a tantas tragédias que o país vive e viveu, é um alento ter alguém que esteja atento e sensível à realidade das pessoas e àquilo que as comove. Oxalá ajude para que isso não se apague daqui para frente.
No mais... 
A semana, que seria marcada pelas eleições no Senado e na liderança do PMDB, agora será pautada pela apuração de responsabilidades sobre a tragédia. Em Rhode Island, nos Estados Unidos, em 2003, houve tragédia semelhante. Todas as pessoas envolvidas no evento foram punidas, dos patrocinadores e músicos aos donos da boate. Espera-se que por aqui não seja diferente. Meus sinceros e profundos sentimentos a todos os familiares das vítimas do incêndio na boate Kiss.

A 'doença' de Reinaldo Azevedo (Cadu Amaral)

Blog do Cadu: A 'doença' de Reinaldo Azevedo:


SEGUNDA-FEIRA, 28 DE JANEIRO DE 2013


A 'doença' de Reinaldo Azevedo





Nem tudo dá para se medir. A imbecilidade é uma delas. Se for a do Reinaldo Azevedo de Veja, até a palavra imensurável é obsoleta. Aliás, afirmar que Reinaldo Azevedo é portador desse adjetivo é pleonasmo. Quando se pensa que não há nada que ele possa fazer para mostrar sua principal característica, ele se supera.

Agora nos “brinda” com a acusação de oportunismo, de Lula e sua esposa Marisa, ao emitirem nota de solidariedade às famílias das vitimas da tragédia de Santa Maria/RS. Tudo para tentar vender o peixe de que Lula que se sobrepor à Dilma.

Diz o mentecapto em seu blog no site de Veja: “tem o cheiro inevitável da exploração política, é a nota de Lula e sua mulher, Marisa. Ele não exerce mais cargo público”. Para Azevedo, somente quem exerce função pública pode se manifestar sobre a tragédia.

Sim, porque antes de ser militante político, Lula é um ser humano. Com virtudes e defeitos e como tal tem o direito de se expressar.

Como uma simples nota de solidariedade pode causar tanto medo e ódio desta criatura feita de carbono?

“O Brasil inteiro está triste e de luto pelas mortes ocorridas no incêndio em Santa Maria. Nesse momento difícil, expressamos nossa solidariedade aos amigos e familiares das vítimas e a toda a população da cidade, mas em especial aos pais e mães por essas perdas irreparáveis. Nossos sentimentos. Marisa Letícia e Luiz Inácio Lula da Silva”.

O que há demais nessa nota?

Reinaldo precisa é de doses cavalares de Prozac.

Sem falar no oportunismo. Reinaldo Azevedo usa a tragédia para atacar Lula. Milhões de brasileiros e brasileiras, detentoras de função pública ou não se solidarizam com os familiares das vítimas da tragédia no Rio Grande do Sul.

Além do tradicional ódio de classe contra Lula, Dilma, o PT e a esquerda em geral exposto em seu blog diuturnamente, ele agora que ditar quem pode e quem não pode manifestar solidariedade às famílias das vítimas.

Se pudesse proibia Lula de sair à rua ou visitar alguém. Não somente ele – toda a “grande imprensa” deseja isso também – mas é Reinaldo Azevedo quem mais vocifera rancor e preconceito contra o ex-metalúrgico.

Azevedo, além de oportunista e possuidor de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) com Lula, se mostra a cada dia, um pelanco de ditador.

É difícil legislar contra idiotas (Gilmar da Rosa)

Gilmar da Rosa: É difícil legislar contra idiotas:



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


É difícil legislar contra idiotas

O fogo na casa noturna do Brasil: Idiotia e Progresso
Jan 28, 2013 12:36pm
O horrível incêndio na casa noturna do Sul do Brasil no fim de semana vai, como Samantha Pearson escreveu na segunda-feira, aumentar o escrutínio sobre o Brasil. Para um país escalando a tábua da liga econômica global e que se prepara para mostrar seu progresso na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos, a lista de erros e fracassos que levou ao fogo da noite de sábado é o pior tipo de propaganda.

Mas é justo questionar o governo de um país quando um idiota solitário começa um incêndio num palco?
Muitas perguntas estão sendo feitas sobre as origens do incêndio de sábado. A mídia local noticiou, por exemplo, que a casa noturna estava no processo de renovar sua licença de operação e que a licença dos bombeiros tinha expirado em agosto. Mas não dá para apontar o Brasil como único lugar que tem casas noturnas problemáticas.
Além disso, houve notícia de que os seguranças inicialmente impediram que as pessoas escapassem do clube antes de pagar a conta (é uma prática comum para visitantes de bares e clubes no Brasil abrir uma conta para pagar na saída). Mas, seja qual for o tempo que se passou antes que descobrissem o que realmente estava acontecendo, seria difícil esperar que fizessem o contrário.
Outras perguntas são mais difíceis de descartar. Havia apenas uma saída em funcionamento, aparentemente mal sinalizada. (Muitas pessoas morreram presas nos banheiros, ou porque achavam que era a saída ou porque esperavam sair pelas janelas). O teto do clube estava coberto por isolamento acústico que qualquer inspetor dos bombeiros teria identificado como perigosamente inflamável. Um extintor de incêndio entregue a um integrante da banda para lidar com o início do incêndio aparentemente não funcionou.
Os regulamentos básicos, propriamente cumpridos, teriam evitado a tragédia e salvado a vida de 231 jovens. As autoridades, com razão, vão passar por duro escrutínio.
Finalmente, e quanto ao ato que diretamente causou as mortes? Existe confusão sobre o que aconteceu. Alguns relatos mencionam um sinalizador aceso por um integrante da banda; outros mencionam estrelinhas; outros falam num fogo de artifício colocado no palco que se chama “sputnik”, que solta faíscas coloridas.
O uso de qualquer aparato pirotécnico em espaço público confinado é ilegal no Brasil. E, certamente, qualquer idiota, em qualquer lugar, sabe que isso é incrivelmente estúpido e perigoso?
Não o idiota que o fez em Santa Maria, no sábado. Ele aparentemente disse depois que nunca tinha tido problemas no passado.
Falando à Folha de S. Paulo, Valdir Pignatta da Silva, um especialista em segurança contra incêndios da Universidade de São Paulo, disse que esta é uma questão cultural. Os brasileiros, ele disse, não estão alertas sobre a ameaça de incêndios — ao contrário dos ingleses, que relembram incêndios desde o século 17.
A ideia de que os frequentadores de casas noturnas britânicas são protegidos pela memória coletiva do Grande Incêndio de Londres não resiste a uma avaliação. E os brasileiros, tão rápidos em enfatizar e questionar seu papel no mundo, não deveriam se culpar muito pela idiotia de Santa Maria.
O empresário que soltou fogos de artifício durante um show de heavy metal no clube Station, em Rhode Island, nos Estados Unidos, em 2003, causando a morte de 100 pessoas, não se comportou de forma menos idiota.
Existem idiotas em todo o mundo e é difícil legislar contra eles. Até sábado, o Brasil não tinha tido uma tragédia nesta escala em mais de meio século. Se os eventos terríveis do fim-de-semana resultarem em aplicação mais severa das regulamentações, o Brasil terá feito progresso.
Leia também:
Texto extraído do Vi o Mundo

Prazos processuais suspensos por três dias em Santa Maria...


28.01.13 
“Estamos consternados com toda essa situação”, afirmou Bertoluci em visita a Santa Maria







Além de ir à cidade para prestar solidariedade, a OAB/RS anunciou que irá ainda nesta segunda-feira (28), ingressar formalmente nos autos do inquérito policial.

Em decorrência da tragédia que ocorreu na madrugada deste domingo (27), em uma casa noturna, em Santa Maria, que vitimou 231 pessoas e feriu centenas de jovens, o presidente da OAB/RS, Marcelo Bertoluci esteve na cidade para prestar solidariedade.

Na ocasião, acompanharam Bertoluci, o coordenador-geral da Comissão de Direitos Humanos da entidade, Rodrigo Puggina; o coordenador das Comissões e conselheiro seccional Armando Perin; os conselheiros seccionais Jorge Fernando Estevão Maciel, José Fernando Lutz Coelho e Ricardo Munarski Jobim.

Em uma reunião com o presidente da subseção, Péricles Lamartine Palma da Costa e dirigentes da OAB local, Bertoluci afirmou que a Ordem gaúcha auxiliará da forma que for necessária todos os colegas que precisarem de qualquer tipo de apoio.

O presidente da subseção de Santa Maria, Péricles Lamartine Palma da Costa afirmou que "é muito importante a vinda da OAB à nossa cidade, pois desta forma nos sentimos amparados".

A Ordem gaúcha, em uma ação conjunta com a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RS  e com a subseção de Santa Maria, decidiu por  ingressar, ainda nesta segunda-feira (28), formalmente  nos autos do inquérito policial. "Estaremos atentos a cada detalhe das investigações, acompanharemos cada passo da apuração das responsabilidades dessa tragédia que não só consternou familiares e amigos, mas todo o Brasil", destacou Bertoluci.

Já na noite do domingo, a comitiva da Ordem gaúcha também reuniu-se com o presidente do TJRS, Marcelo Bandeira Pereira; com o procurador-geral de Justiça, Eduardo de Lima Veiga; e com o secretário de segurança, Airton Michels.

Suspensão de prazos em Santa Maria

No início da tarde deste domingo, o presidente da OAB/RS, requereu ao presidente do TJRS, Marcelo Bandeira Pereira, a suspensão, por três dias, de prazos em Santa Maria, requerimento que foi prontamente atendido. O TRT4 informou por meio de sua página na internet que os prazos estão suspensos por três dias. No âmbito federal, a desembargadora Marga Inge Barth Tessler responderá a questão nesta segunda-feira (28).

Juliana Jeziorny
Jornalista
MTB 15.416

(http://www.jornaldaordem.com.br/noticia_ler.php?id=28948).