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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

La reunión entre el papa y el patriarca: ¿Por qué es importante para el mundo?

Postagem 12/fev/2016...

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La reunión entre el papa y el patriarca: ¿Por qué es importante para el mundo?:

El patriarca de Moscú y de toda Rusia, Kiril, ha llegado a La Habana, donde comienza su histórico viaje por los países de América Latina...

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Em Aparecida a Igreja entre a retórica e a prática (Ricardo Kotscho)

Publicado em 25/07/13 às 13h39
papa basilica.jpeg Em Aparecida, a Igreja entre a retórica e a prática
Nos meus tempos de aluno do Colégio Santa Cruz, instituição modelar de ensino criada por padres canadenses, que tinham uma verdadeira preocupação social, embora a escola fosse frequentada pela elite paulistana, nas noites frias de inverno nós saíamos numa Kombi sempre acompanhados de algum padre ligado à OAF (Organização de Auxílio Fraterno), para levar não apenas abraços, mas sopa farta e quente, pão, café e cobertores para o povo da rua no centro de São Paulo. Foi até hoje o trabalho mais importante que fiz na vida e o que mais me gratificou.
Isso faz mais de meio século e a OAF ainda existe, graças a batalhadores como o padre Júlio Lancelotti, sempre perseguido, nunca vencido. Lembrei-me dele e destes meus tempos de colégio de padre ao terminar de ler o caudaloso noticiário publicado pelos três principais jornais brasileiros sobre a visita do papa Francisco a Aparecida nesta quarta-feira.
Todos registraram na íntegra os pronunciamentos do papa e a presença de mais de 200 mil pessoas na cidade, que em sua grande maioria passaram ao relento a madrugada mais fria dos últimos 50 anos, mas apenas a Folha deu destaque ao drama dos peregrinos, dando manchete de página: "Em Aparecida, frio e chuva levam mais de cem fiéis ao hospital".
"No total, 106 fiéis foram socorridos no hospital militar no local. O Corpo de Bombeiros fez 60 atendimentos. A maioria dos casos era de hipotermia, por conta do frio, e mal súbito _ algumas pessoas ficaram 24 horas sem comer para não perder lugar na fila para entrar na basílica. (...) O quadro piorou no início da manhã, quando a chuva intermitente na madrugada engrossou. Muitos desmaiaram diante da basílica", relatam os repórteres Diógenes Campanha, Daniela Lima e Fernanda Reis.
 Em Aparecida, a Igreja entre a retórica e a prática
Solidariedade, fraternidade, amor aos mais pobres, foram algumas das palavras mais ouvidas nas manifestações de Francisco e dos religiosos que acompanham sua visita. Tudo muito bom, muito bonito, mas entre a retórica dos sermões e a prática da vida real, a visita do Papa a Aparecida revelou que ainda existe um abismo enorme, apesar de toda a sua simpatia e boa vontade.
Claro que o Papa Francisco, hospedado na sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro, no alto do Morro do Sumaré, não poderia saber o que se passava nas ruas de Aparecida naquela madrugada, mas será que todas as centenas de bispos, padres, monsenhores, seminaristas, voluntários e funcionários de diferentes governos, sem falar nos católicos que vivem na cidade, não foram capazes de enxergar este sofrimento do povo e providenciar pelo menos sopa quente, café e cobertores para quem padecia no frio, ou um abrigo para os idosos e as crianças?
Segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim, em informação publicada pelo "Estadão", há 14.306 militares envolvidos na Jornada  Mundial da Juventude em função da agenda do Papa no Rio. Só em Aparecida, havia outros 4.040. Será que nenhum deles foi capaz de tomar uma providência antes que mais de cem peregrinos fossem hospitalizados por fome ou frio, ainda mais numa região, o Vale do Paraíba, no meio do caminho entre o Rio e São Paulo, onde proliferam unidades militares?
Como tantos outros católicos, também fiquei encantado com os gestos, os beijos, abraços e palavras de carinho do carismático papa argentino, mas na vida real, entre tantas louvações de entusiasmo e "babações de ovo" cheias de esperança reproduzidas pelos jornalões, sou obrigado a concordar com o que escreveu meu velho amigo Clóvis Rossi em sua coluna desta quinta-feira na Folha, com o título "O papa, sinais e substância":
"Acho que é cedo para esta  beatificação em vida do papa. Tudo bem que ele tenha emitido sinais simpáticos. Tudo bem que símbolos são importantes. Mas vamos combinar que símbolos só se tornam de fato decisivos quando acompanhados de substância. E vamos combinar também que, em matéria de substância, o papa ainda deve tudo. Nem se diga que a pregação de uma igreja ao lado dos pobres já é substância. Desde pelo menos a Rerum Novarum de Leão 13, velha de 122 anos, a retórica da igreja tem forte retórica social".
Rossi disse tudo, mas poderia acrescentar que neste ponto a Igreja Católica e a imprensa brasileira se equivalem no distanciamento obsequioso que mantém da vida real do povo. O carioca O Globo, que vem dedicando um caderno diário de dez páginas à visita desde a chegada do papa, reservou apenas sete linhas de jornal para falar dos fiéis que ficaram do lado de fora da basílica, assim mesmo citando o arcebispo de Aparecida, Raymundo Damasceno:
"Para o cardeal, chamaram a atenção o carinho e a presença dos milhares de fiéis, que não desistiram de esperar pela passagem do papa apesar da chuva intensa".
Nas quatro páginas publicadas pelo Estadão, somente sobre a visita de Francisco a Aparecida, encontrei apenas uma pequena foto de Tiago Queiroz, com a legenda: "Chuva e frio. Fiéis acompanham missa fora da igreja".
Ou os editores não se interessaram pelas matérias ou as dezenas de repórteres enviados à cidade fizeram como as autoridades da Igreja e dos governos: fecharam os olhos e esqueceram-se do povo congelado na sofrida e inesquecível madrugada de Aparecida. Os Júlio Lancelotti, infelizmente, ainda são muito poucos. Que papa Francisco os multiplique.
(http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2013/07/25/em-aparecida-a-igreja-entre-a-teoria-e-a-pratica/). 

sábado, 27 de julho de 2013

Cardeal argentino hoje Papa Francisco era o pesadelo da alta cúpula da Igreja (Entrevista. Andreas Englisch)


22 julho 2013


Cardeal argentino, hoje Papa Francisco, era o pesadelo da alta cúpula da Igreja

"Acontece agora uma revolução latino-americana no Vaticano".

‘Bergoglio era o pesadelo da Cúria’

"Enquanto os votos da quinta rodada são apurados, a esperança dos cardeais da Cúria afunda a olhos vistos. "Bergoglio, Bergoglio, Bergoglio", ressoa novamente pela Capela Sistina. Tarcisio Bertone simplesmente não pode entender." 

Quem revela o clima da votação que elegeu Francisco é o jornalista Andreas Englisch.


Vaticanista há 25 anos, ele escreveu sobre João Paulo II, Bento XVI e, agora, traz Francisco – o papa dos humildes (ed. Universo dos Livros, R$ 39,90). Na obra, bastidores do conclave, como o desespero da Cúria com a eleição do papa argentino, e as mudanças já percebidas nos corredores do Vaticano.



Entrevista publicada em O Estado de S. Paulo, 14/07/2013



Os cardeais escolheram um "papa forte". O interesse da Cúria, liderada pelo cardeal Tarcisio Bertone, seria por outro papa apolítico, tal qual Bento XVI?
Exatamente. João Paulo II tomou o poder da Cúria. Bento XVI devolveu. Por seu perfil, Bergoglio era o pesadelo da Cúria durante a eleição. Ele é completamente anticúria.



Francisco abriu mão do palácio para viver em uma suíte da Casa Santa Marta. Mais do que evitar o luxo, o senhor diz que foi uma estratégia para saber tudo o que ocorre no Vaticano. É um sinal de que a Cúria perdeu o poder?
Sim. Tenho certeza de que nunca nenhum outro papa conseguiu reduzir o poder da Cúria tão drasticamente como Francisco. Ele quebrou a estrutura de isolamento. A Cúria sabe que pode controlar qualquer papa, desde que ele esteja isolado do restante da Igreja.



Havia uma expectativa de que Francisco mudasse de imediato a estrutura da Cúria. Ele já não deveria ter feito isso, a começar pela demissão de Bertone?
Ele precisa demitir Bertone, mas Bergoglio é muito inteligente. Sabe que ninguém espera mudanças drásticas no Vaticano. Por isso, criou uma comissão com oito cardeais. Se decide com o aval e a participação da comissão, terá respaldo para outras decisões difíceis.



Na mídia, durante o conclave, Bergoglio não aparecia na lista de favoritos. Para os cardeais sua vitória também foi surpresa?
Para entender isso, é preciso considerar que Bergoglio foi eleito porque os cardeais estavam completamente aborrecidos com o péssimo trabalho da Cúria, o que inclui o escândalo do banco do Vaticano.



O senhor diz que Bento XVI era um admirador de Bergoglio. Será que ele imaginava que teria o argentino como sucessor?
Tenho certeza de que não. Bento XVI não sabia o quão mal avaliados estavam seu governo e sua Cúria. Ele nunca imaginou que a ira dos cardeais estivesse tão grande a ponto de escolherem pela revolução. Bergoglio era o pesadelo da Cúria. Nenhum outro cardeal foi tão maltratado como ele durante seu tempo em Buenos Aires. Uma das críticas era porque enviava os melhores padres para os pobres e não para as paróquias ricas da cidade.



Como você avalia a primeira encíclica de Francisco? Teólogos dizem que o texto foi totalmente escrito por Bento XVI.
Francisco foi instado a publicar a encíclica de Ratzinger. Não teve outra opção, senão permitir que sua primeira encíclica, a primeira declaração do que ele pensa sobre a fé, fosse escrita por Bento XVI. Ele foi gentil e a publicou com o seu nome, mas a fé não é o ponto principal para Francisco. Ele não acredita que se encontra Deus lendo livros sobre a fé. Para ele, se encontra Cristo ajudando os pobres, os doentes e as pessoas desesperadas.



Como você vê as mudanças no banco do Vaticano, como a prisão de um padre e a demissão de um diretor?
Por décadas, bispos e padres, mesmo quando culpados, eram protegidos pelo Vaticano. Exemplo: o cardeal americano Bernard Law, de Boston, ganhou um passaporte do Vaticano para escapar da Justiça dos EUA (ele é acusado de encobrir casos de pedofilia). Mas Francisco disse ao governo italiano que isso acabou. Agora, o Vaticano vai ajudar a encontrar os sacerdotes culpados.



Francisco prega uma "Igreja pobre para os pobres". O que ele já fez em direção a isso?
Fez a coisa certa: disse à Igreja que o tempo de não fazer nada, apenas de estudar e rezar, acabou. Para ele, é desnecessário dizer a alguém no que acreditar e como se comportar, se essa pessoa está desesperadamente com fome. Primeiro a ajude, depois fale sobre Deus.



A Cúria repreendeu o papa por lembrar o "suntuoso Vaticano que tudo começou com o pobre Jesus de Nazaré", como o senhor diz no livro?
A Cúria não tem qualquer influência sobre ele. Isso ficou claro quando se recusou a ir a um concerto de gala no Vaticano. Toda a Cúria foi, mas ele declarou que não gosta de compromissos da sociedade elegante. Acontece agora uma revolução latino-americana no Vaticano, em que as famílias europeias aristocráticas não são melhores do que as outras.



QUEM É



Jornalista alemão, mudou-se para Roma em 1987. É autor dos livros João Paulo II, o segredo de Karol Wojtyla (2002), Habemus papam (2005), O papa dos milagres (2011) e O homem que não queria ser papa (2013).
  
Disponível em: Antonio Lassance: Cardeal argentino, hoje Papa Francisco, era o pesa...

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O apartamento vazio do Papa Francisco assusta o Vaticano (Marco Politi)

Quarta, 26 de junho de 2013

O apartamento vazio do Papa Francisco assusta o Vaticano

Em 100 dias, o Papa Bergoglio pôs em marcha uma revolução, que representa um enigma. Ele já deixou claro que não vai mais para o apartamento do Palácio Apostólico. Rejeita-o abertamente. Assim como rejeita os grilhões de agendas pré-estabelecidas.
A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 23-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A decisão é tão inédita e chocante que o pântano conservador – aninhado no Vaticano e na Igreja universal, embora provisoriamente silenciado pelo fracasso do pontificado ratzingeriano – tenta rebaixar o gesto como "estilo pessoal", um pequeno tique de originalidade. Mas é como se Obama deixasse a Casa Branca, ou a rainha da Inglaterra desertasse o Buckingham Palace, preferindo um alojamento ao lado da Victoria StationBergoglio desvaloriza radicalmente o Palácio, exalta o verdadeiro chefe da Igreja – Cristo – e se coloca abertamente entre os "pecadores" como são os fiéis aos quais ele se dirige.
Os símbolos contam muito. Especialmente quando são arquivados. Dia após dia, o papa que veio do fim do mundo desmontou a simbologia imperial e quase divina dos pontífices. Ele rejeitou o manto e os sapatos púrpuras dos imperadores romanos, eliminou as mitras triunfalistas, ficou na chuva com os fiéis, explicou que viver isolados como soberano não lhe é possível por "motivos psiquiátricos", como se dissesse que é coisa de anormais se encerrar em uma torre de marfim.
Ele disse a expressão mais afiada – que muitos no Vaticano e nas esferas cardinalícias tentam esquecer – a uma menina (escolha precisa de se dirigir aos inocentes: Bergoglio, assim como João XXIII, nunca fala por acaso). Quem busca o papado, proferiu, não é uma pessoa equilibrada. "Uma pessoa que quer ser papa não quer bem a si mesma, e Deus não a abençoa".
O monarca humanizado
O Palácio vazio, redimensionado como sede de trabalho, expressa uma reviravolta epocal. Inquieta dentro e fora da Cúria. Despedaça o ícone ideológico da "sede apostólica" como centro de um poder de cunho divino. Impede que a burocracia vaticana se cubra de pretensões de infalibilidade. Reforça o pedido aos bispos do mundo para que não adoeçam com a "psicologia de príncipes".
Bento XVI, abdicando, humanizou o papel papal. Francisco tira as suas consequências, apresenta-se somente como "bispo de Roma" e arquiva a aura onipotente de Pontífice Máximo. Bergoglio não é o primeiro papa global – Wojtylamarcou o salto de qualidade –, mas é o primeiro papa que descarta a ideologia da onipotência.
O início do pontificado foi marcado por sinais claros. A Igreja deve ser pobre, clero e bispos não são autorreferenciais, os padres devem se projetar para as periferias existenciais. Não se trata de cuidar do próprio rebanho dentro dos muros das paróquias, porque agora não é a única ovelhinha que está perdida, mas são as "99 ovelhas" de 100 que estão longe. A corrupção e o escândalo de vidas duplas hipócritas no Vaticano (gays ou heterossexuais, pouco importa) deve ser resolvido.
Um pensamento forte de Bergoglio antes da eleição foi revelado em uma reportagem viva e animada doL'Osservatore Romano sobre o livro de Cristian Martini Grimaldi (Ero Bergoglio, sono Francesco, Ed. Marsilio), trazendo o testemunho de um padre de Buenos Aires: "Um dia, o cardeal Bergoglio me disse: 'Se a minha mãe e a sua mãe ressuscitassem hoje, elas implorariam ao Senhor para enviá-las de volta para debaixo da terra, para não assistirem à degradação desta Igreja'".
Note-se bem: "A degradação desta Igreja!". Capta-se nesse desafogo o eco do testamento de Carlo Maria Martini, que denunciava uma Igreja empoeirada, de estruturas vazias e de pompa inútil, dramaticamente atrasada com relação à hora presente.
Bergoglio conseguirá dar um salto à frente? Transferir padres na diocese de Buenos Aires do centro para as favelas era bastante fácil. O exemplo pessoal já contava muito. Mas aqui se trata de colocar em trilhos novos o imenso corpo de uma Igreja, dirigida por centenas de milhares de quadros, varrendo carreirismo, corrupção e obediências de conveniência.
Negócios, Cúria e IOR: uma difícil operação de limpeza
O enigma desse início de pontificado está aqui. Reestruturar a Cúria Romana não é difícil, limpar o IOR também não é impossível. Mas reformar a Igreja Católica, habituar os bispos a serem missionários sóbrios no estilo de vida e não potentados locais, reprogramar o pessoal vaticano e o clero a um trabalho essencialmente pastoral e não de funcionários mais ou menos sistematizados, erradicar tráficos, tirar da Cúria o papel milenar de centro burocrático e de poder incontestável, fazendo dela um instrumento de unidade em espírito de colaboração com os episcopados do mundo... é um objetivo gigantesco.
Sem falar da crise dos padres, que Wojtyla e Ratzinger nunca realmente quiserem enfrentar, e do papel de codecisão que cabe às mulheres na Igreja. Se as palavras do Papa Bergoglio permanecerem como expressões isoladas de uma única pessoa e não provocarem mudanças concretas de comportamento de todos os níveis das estruturas eclesiais, a carga de novidade do seu pontificado será lentamente reabsorvida.
Isso é o que esperam – nos bastidores – os católicos temerosos do futuro, satisfeitos com um pontífice que saiba tocar o coração dos fiéis e que seja mais simpático à mídia. É isso que esperam também os grupos conservadores da sociedade, ateus mais ou menos devotos, que desde sempre preferem uma Igreja autoritária, que enquadre fiéis obedientes e se limite a fazer assistência social.
Note-se a sutil censura com que, nos meios de comunicação, é sufocada morbidamente a insistente denúncia deFrancisco contra as novas escravidões econômicas e o poder excessivo financeiro sobre massas de cidadãos em crise. O papa disse várias vezes que quem não caminha, no fim, volta atrás.
Ir em frente é o imperativo desse enigmático pontificado. Significa, também, fazer cair algumas cabeças em um contraste estridente demais com os padrões agora invocados. "Limpar a Cúria" – como Bergoglio desejava às vésperas da sua viagem a Roma – é uma ação que todos devem ser capazes de ver. O tempo corre. Historicamente, a renúncia por idade já entraram no horizonte do papado. E dez anos, por exemplo, não são muitos.
(http://www.ihu.unisinos.br/noticias/521381-o-apartamento-vazio-do-papa-francisco-assusta-o-vaticano). 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Novo Papa, Desarticulador da Esquerda na America do sul (Ismael Cardoso)


QUINTA-FEIRA, 21 DE MARÇO DE 2013

Novo Papa, Desarticulador da Esquerda na America do sul



EMBORA GEOGRAFICAMENTE O PONTÍFICE ESTEJA CORRETO – ELE É DO SUL DA ARGENTINA –, A AFIRMAÇÃO ESCONDE A VERDADEIRA DECISÃO DA CÚRIA ROMANA, FRANCISCO I FOI ELEITO COM O MESMO OBJETIVO QUE JOÃO PAULO II A MAIS DE 30 ANOS ATRÁS, A ÉPOCA O PONTÍFICE AJUDOU A DESARTICULAR A ESQUERDA EUROPEIA, ABRINDO CAMINHO PARA A VITÓRIA DO CAPITALISMO NO LESTE EUROPEU.



Bergóglio lutará para retomar o protagonismo da igreja, com uma linha parecida com a de João Paulo II, derrotar a esquerda, desta vez, na maior região católica do mundo, a América latina.

Voltemos ao passado. Em 1978 assume o pontificado o Papa João XXIII, com um discurso mudancista e de combate à corrupção interna, é apoiado pela teologia da libertação. João XXIII propõe alterações radicais no banco do vaticano e na própria cúria romana, ou seja, busca desarranjar o esquema daquela igreja extremante reacionária e corrupta.

Em 1976, o Partido Comunista Italiano (PCI) alcança 35% dos votos nas eleições, seu secretário geral, Enrico Berlinguer, propõe um acordo para unir o país, o chamado “compromisso histórico”, que se resumia numa aliança entre os comunistas e a democracia cristã (aliados do Papa João XXIII), partido do primeiro ministro italiano Aldo Moro. O acordo foi aceito por Moro.

Ora, vivíamos em plena guerra fria, de um lado a OTAN (Organização do Trato do Atlântico Norte), braço militar dos países ocidentais, de outro lado o Pacto de Varsóvia, aliança militar formada em 1955 pelos países socialistas, como o próprio nome diz, o pacto é realizado na Polônia, maior país católico dos países socialistas.

Neste momento a bola estava nos pés dos progressistas, na fé e na política.

Sendo a Itália um país membro da OTAN, o papa alinhado com a esquerda e o governo dirigido numa aliança católico/comunista, algo cheirava mal para os países capitalistas, a OTAN estava em xeque.

Só havia uma opção, desarranjar o pacto de Varsóvia antes que o mesmo desarranjasse a OTAN.

O plano é posto em ação, as peças se encaixariam como um brinquedo de lego. Se de um lado a direita católica queria ver João XXIII fora do trono, os EUA queriam Aldo Moro e o PCI fora do poder na Itália.

Em 9 de março de 1978, Aldo Moro é assassinado depois de ter sido sequestrado pela brigada vermelha (os trotskistas na contra revolução, como sempre!). O historiador Sergio Flamigni aponta que as brigadas teriam sido usadas pela Gladio, rede de espionagem italiana dirigida pela OTAN. Com o sequestro e morte de Aldo Moro, o compromisso histórico é completamente desarticulado.

Ora se antes o problema geopolítico se concentrava na Itália, com a derrota da esquerda neste país chegava a hora de uma nova ofensiva contra o leste europeu e, Karol Wojtyła, cardeal polonês, era a ultima peça deste imenso lego sinistro da guerra fria, uma peça de encaixe perfeito.

Em Setembro de 1978, depois de um mês de papado, João XXIII é encontrado morto em seus aposentos no vaticano, esta história é retratada pelo filme O poderoso Chefão. Outras duas mortes ainda pouco explicadas pairam como sombras no vaticano, o banqueiro italiano Calvi, que tinha relações com a igreja, é encontrado enforcado sob uma ponte de Londres com os bolsos cheios de pedra e, por ultimo, a morte do Camerlengo, Jean-Marie Villot, que havia feito à transição de João XXIII para João Paulo II.

Em meio ao conchavo sinistro da cúria, elege-se João Paulo II, como já disse acima, a Polônia era o maior país católico dos países socialistas. Enfim, o jogo se inverte, o Papa é de direita, porém de um país socialista, país sede do pacto de Varsóvia, xeque mate! O final da história já conhecemos.

Bergóglio é jesuíta, uma das doutrinas mais disciplinadas dos católicos, disciplina militar para uma igreja em guerra com a esquerda, católica e não católica. A argentina vive um momento de radicalização política, em muitos casos, em choque direto com a igreja católica, o próprio Bergóglio é tido como uma espécie de líder moral da oposição. A argentina é o 11º país mais católico do mundo, são cerca de 31 milhões de fiéis, sem o incomodo da igreja evangélica. Bergóglio, ao contrário de Bento XVI, é popular, vai a campo, ao povo, ou seja, um general de front e não de quartel, pois, os católicos não desejam uma nova teoria, mas, um novo rebanho, novas conquistas.

A América latina é sem dúvida o continente que se avermelha neste momento da história, a luta pelo socialismo pulsa por todos os cantos abaixo da linha do equador. A derrota da igreja católica aqui, seria a maior de toda a sua história, por tanto, a escolha de Bergóglio não é fortuita, assim como o polonês, o argentino do fim do mundo surge como uma peça chave para evitar o fim da igreja.

Esqueceu-se, no conclave, de uma frase muito importante de Karl Marx, “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

* Ismael Cardoso é estudante de ciências da natureza da USP, diretor de comunicação e solidariedade internacional da UJS

(título original "A geopolítica e a luta contra a esquerda no centro do vaticano" alterado por redaçãoVermelho)