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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Um atentado à soberania e à segurança (Pedro Estevam Serrano)

publicado 02/09/2013 14:38, última modificação 02/09/2013 14:46

Um atentado à soberania e à segurança

Assumir um papel estratégico no mundo tem seus custos. Não existe economia forte de país fraco

Agência Brasil
Força Nacional
Formatura da segunda turma do Batalhão Especial de Pronto Emprego da Força Nacional
Ainda não confirmada, a notícia de que a presidente Dilma Rousseff e seus assessores foram espionados pela Agencia de Segurança Nacional dos EUA é gravíssima.
Se verdadeira a informação, trata-se de um grave atentado à soberania e à segurança nacional brasileira.
Urge a adoção de medidas graves no plano diplomático, exigindo um pedido de desculpas dos EUA e seu compromisso de interromper qualquer atividade nesse sentido no futuro.
Além das medidas diplomáticas garantidoras de nossa soberania, o ocorrido exige do governo e da cidadania uma sincera reflexão sobre um tema pouco tratado em nossa mídia e nos discursos de governantes.
Com seu novo papel econômico e estratégico nas relações mundiais, o Brasil carece de alterar a sua forma de encarar os investimentos em defesa nacional e inteligência militar e civil.
Contar com Forças Armadas mais bem aparelhadas e com maior remuneração, ideologicamente adaptadas a democracia e com melhor treinamento profissional é uma medida que urge.
Precisamos romper de vez com a visão das Forças Armadas como corpo sempre pronto a uma ação política interna, uma força mais voltada a coagir brasileiros que forças externas, para encará-las como corpo profissional de defesa nacional.
Cabe-nos construir Forças Armadas democráticas e profissionais, e não se acomodar no papel da desconfiança e critica niilista.
Da mesma forma, os serviços de inteligência devem se voltar menos a acompanhar a política interna e mais a prover os interesses nacionais face às forças externas.
A rigor, a notícia de espionagem pela Rede Globo é um sinal de ineficiência total de nossos serviços de inteligência. Também necessitam de mais verbas e mais cobrança de eficiência profissional.
Assumir um papel estratégico no mundo tem seus custos. O crescimento econômico e seu consequente aumento de poder na economia global trazem necessidades, como a de melhorar a defesa nacional. Não existe economia forte de país fraco.
registrado em:   
(http://www.cartacapital.com.br/internacional/um-atentado-a-soberania-e-a-seguranca-4527.html). 

domingo, 26 de maio de 2013

Sobre Luis Roberto Barroso (Pedro Estevam Serrano)

Sobre Luis Roberto Barroso
A sua nomeação foi indubitavelmente a mais feliz do governo Dilma. Talvez a mais acertada de nosso período democrático
por Pedro Estevam Serrano — publicado 24/05/2013 20:21

A nomeação de Luis Roberto Barroso como ministro do Supremo Tribunal Federal é para ser comemorada por todos aqueles que lutam pelos direitos da pessoa humana e que tem uma visão de mundo mais comprometida com a solidariedade que com o ganho e a competição
A presidenta Dilma Rousseff obviamente optou por uma candidatura dotada de uma autoexplicação na comunidade jurídica. A vida acadêmica e profissional de Barroso dispensam apresentação.

Sem favor nenhum um dos maiores constitucionalistas do Brasil, Barroso significa inegavelmente um ganho no âmbito técnico-jurídico para a composição de nossa Corte.
Sua militância de décadas como advogado cunhou em Barroso uma visão garantista, para usar o inadequado jargão, pois de fato garantista é nossa Constituição, não seus interpretes. Mas sem duvida sua correta perspectiva dos direitos fundamentais servirá de contraponto à sanha punitivista de Joaquim Barbosa
Orador poderoso, saberá defender seus pontos de vista com firmeza e sedução retórica sem perder o tirocínio. É o que vemos em suas palestras e exposições em Congressos especializados.
Sua militância em causas defensoras dos direitos das pessoas e das minorias é conhecida e pública.
Nada em Barroso remete à falta de transparência em juízos jurídicos, políticos e morais. Sua conduta, creio, será previsível: o que mais se espera em termos de segurança jurídica e coerência da jurisdição
Pode-se divergir das posições jurídicas de Barroso. A racionalidade do argumento jurídico pressupõe sua refutabilidade, pois ato de razão, não de fé. Mas não se pode divergir do juízo quanto a seu valor como intelectual, acadêmico e profissional do Direito.
Como nada que é humano são só flores, confesso que não sou adepto de sua concepção de serviço público e do papel que deve ter o Estado nessas atividades. Creio que tendem a ter tolerância demasiada com a onda neoliberal que tomou conta do direito público brasileiro nos últimos tempos, o que, a meu ver, conflita com o modelo de Estado e com o plano ideológico da Constituição de 88.
Mas esse fato não afasta de mim a impressão de que a sua nomeação foi indubitavelmente a mais feliz do governo Dilma e talvez a mais acertada desde o inicio de nosso período democrático.
Que o Senado saiba transformar sua arguição num momento nobre e que sua atuação no STF corresponda a toda expectativa positiva que sua nomeação traz a comunidade jurídica.
(http://www.cartacapital.com.br/politica/sobre-luis-roberto-barroso-5715.html).