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sábado, 30 de junho de 2012

Chefe da Junta Militar egípcia diz que apoia presidente eleito

Chefe da Junta Militar egípcia diz que apoia presidente eleito - Internacional - Notícia - VEJA.com

Chefe da Junta Militar egípcia diz que apoia presidente eleito

Hussein Tantawi desejou êxito a Mohamed Mursi, empossado nesse sábado

Marechal Hussein Tantawi era a autoridade máxima no Egito até a eleição de Mursi Marechal Hussein Tantawi era a autoridade máxima no Egito até a eleição de Mursi (AFP)

O chefe da Junta Militar egípcia, marechal Hussein Tantawi, disse neste sábado, durante cerimônia de transferência de poder, que o Exército apoia a vontade do povo e o recém-empossado presidente do país, o islamita Mohamed Mursi.

Entenda o caso


  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, egípcios iniciaram, em janeiro, sua série de protestos exigindo a saída do então ditador Hosni Mubarak, que renunciou no dia 11 de fevereiro de 2011.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em choques com as forças de segurança de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua acusado de premeditar e ordenar esses assassinatos.
  3. • A Junta Militar assumiu o poder logo após a queda do ditador e até a posse do novo presidente eleito, Mohamed Mursi.

"As Forças Armadas apoiam a vontade do povo e apoiaremos o presidente eleito pelo povo", disse Tantawi, durante o ato realizado nos arredores do Cairo. Tantawi, que foi a autoridade máxima do país após a queda do regime de Hosni Mubarak, desejou êxito ao novo chefe de estado, que ganhou as eleições com 51,7% dos votos e que renunciou a sua militância na Irmandade Muçulmana após a vitória.

"Cumprimos com o compromisso assumido por nós mesmos de entregar o poder a um presidente eleito", afirmou Tantawi. O marechal reiterou que "não há alternativa à legitimidade desejada pelo povo" e lembrou que durante a revolução que derrubou o regime de Mubarak as Forças Armadas velaram pela "segurança interna e os bens públicos e privados, além de garantirem a realização das eleições legislativas e presidenciais".

Presidente - Após Tantawi, Mursi fez seu terceiro discurso do dia, no qual disse que aceitava seu cargo e assegurou que os direitos dos militares não serão prejudicados. "O estado necessita das Forças Armadas, quero que mantenham os olhos abertos, centrem seus esforços e que se preparem para proteger a segurança do país diante de qualquer um que possa agredir o Egito", afirmou o presidente.
(Com agência EFE)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Primavera Árabe. Turquia acusa Síria de minar fronteiras, refugiados chegam a dez mil...


Oriente Médio | 20/02/2012 08:36

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Turquia acusa Síria de minar fronteiras

Operação do regime de Assad seria para impedir a fuga de civis

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Getty Images
Protestos na Síria
Número de refugiados sírios nos acampamentos do sul da Turquia se aproxima dos 10 mil
Ancara - A Turquia afirmou que o regime de Bashar al Assad na Síria minou as fronteiras para impedir a fuga de civis, uma operação que pode se estender também para a fronteira turca.
O jornal turco "Hürriyet" disse nesta segunda-feira que o ministro turco de Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, incluirá esta informação no dossiê que apresentará na Conferência de Países Amigos da Síria, que acontecerá na Tunísia na próxima sexta-feira.
Segundo o relatório, o regime de Assad já minou a fronteira da Síria com a Jordânia e com o Líbano, e pode ter feito o mesmo com a turca.
A publicação acrescenta que o número de sírios que fogem para a Turquia voltou a aumentar na última semana, e que os refugiados sírios nos acampamentos do sul do país já se aproximam dos 10 mil.
O número tinha caído até os 7 mil em novembro, mas desde então aumenta de forma progressiva.
Segundo o jornal turco, o dossiê de Davutoglu indica que a morte de 40 a 50 pessoas por dia nas mãos do regime de Assad já se transformou em uma rotina, e o mundo se acostumou com a situação.
"Isto tem que mudar. A comunidade internacional não sabe o que faria se o regime começasse a matar de 400 a 500 pessoas por dia. Não há nenhuma decisão", diz uma frase do dossiê citada pelo jornal.
"É uma situação muito perigosa para o povo sírio: para onde escaparão as pessoas se começarem massacres ainda maiores?", pergunta o relatório, segundo o "Hürriyet".

domingo, 15 de janeiro de 2012

Dividida oposição síria parece avançar em direção à unidade contra o regime ditatorial...


Oriente Médio | 15/01/2012 09:36

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Divida oposição síria parece avançar em direção à unidade

Mudanças são necessárias para abalar as estruturas do regime comandado por Bashar al Assad

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Wikimedia Commons
Bashar al Assad, presidente da Síria
Damasco - Eclética e ainda dividida, a ampla e variada oposição síria começou a dar passos em busca da unidade necessária para abalar as estruturas do ainda firme regime de Bashar al Assad.
Islamitas, laicos, opositores no exílio e resistentes no interior do país compartilham objetivos comuns, mas diferem em questões fundamentais como os métodos para alcançá-los, quem deve liderar a luta e se deve haver intervenção estrangeira.
As diferenças levaram a que, quase dez meses após o início dos protestos, o regime pereça sólido e os avanços tenham sido mínimos, fruto da inércia e do entusiasmo do que de uma planejada estratégia.
Ao contrário do ocorrido em movimentos similares, como na Líbia, onde os rebeldes adquiriram reconhecimento internacional em apenas um mês e com mais um pouco conseguiram controlar Benghazi, segunda cidade do país, os revolucionários sírios precisam de apoio concreto e não foram capazes de assumir grandes cidades.
Durante meses, a diplomacia mundial não soube com toda clareza a quem se dirigir, antes de decidir os prós e os contras de uma custosa ação militar como a que conduziu à derrocada de Muammar Kadafi.
'Acho que não é momento de discussões. O essencial é expulsar o ditador e devemos nos estabilizar para isso primeiro. Depois haverá tempo para solucionar outros problemas', explica à Agência Efe Ahmad Sahrar, que se apresenta como membro da oposição 'à espreita' nos subúrbios de Damasco.
Até o momento, o principal grupo opositor é o denominado Conselho Nacional Sírio (CNS), assentado na Turquia, dirigido por Burhan Ghalioun, um tecnocrata residente em Paris com fama de conciliador. Compõe o CNS críticos laicos no exílio, a Irmandade Muçulmana e líderes curdos.
Embora sua liderança seja discutida, o certo é que desde que acedeu à liderança foi recebido pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, conseguiu que Londres nomeasse um enviado especial e abriu negociações com a criticada Liga Árabe.
Parece ter fracassado, entretanto, na hora de estreitar a brecha entre islamitas e laicos, e de atrair o denominado Comitê de Coordenação Nacional (CCN), segundo grupo da oposição.
O CCN, formado em sua maioria por opositores e resistentes que ainda vivem na Síria, critica a excessiva influência dos islamitas, e em particular da Irmandade Muçulmana, no CNS.
Além disso, dialogou com o regime e se opõe a uma eventual intervenção estrangeira no conflito, uma opção que o CNS rejeita de forma oficial, mas que tem o apoio pessoal de um número cada vez mais crescente de membros.
As divergências ficaram patentes em dezembro quando o conselho do CNS - e em particular a Irmandade Muçulmana - rejeitou um documento que o próprio Ghalioun havia pactuado com o CCN, no qual esboçava uma transição democrática e devia ser entregue à Liga Árabe neste mês.
Nesta atmosfera de confusão, as notícias do acordo de colaboração entre o CNS e o denominado 'Exército Livre Sírio', braço armado opositor que luta no território, e a deserção do general Mustafa Ahmed al-Sheikh foram recebidas neste fim de semana com entusiasmo.
Aparentemente, Sheikh - o oficial de maior categoria que até o momento abandonou as fileiras do regime - será o encarregado de coordenar a ação entre a oposição civil e os grupos armados, além de criar uma estrutura para absorver e integrar o crescente número de desertores.
Responsável pela segurança no norte do país, zona onde a repressão é mais dura, o general, de 54 anos, garantiu que se atreveu a dar esse passo por causa da 'excessiva brutalidade do regime'.
Sheikh é considerado peça fundamental, não só por conhecer o território, mas porque pode atrair outros oficiais para as fileiras comandadas pelo coronel Riad al-Assad.
Embora a política de Bashar al Assad nos últimos anos tem sido debilitar e dividir o Exército em favor dos serviços secretos para evitar um golpe de Estado, o certo é que as Forças Armadas são um dos pilares do regime.
Dados do próprio 'Exército Livre Sírio' contabilizam 40 mil homens, dos quais metade seriam desertores. Um número que põem em quarentena analistas internacionais, que estimam seja bem menor.
Desertar na Síria é sinônimo de um enorme risco: primeiro para as famílias dos que fogem - que sofrem punições - e depois para os próprios desertores.
'Os que são capturados, são torturados, e depois seus nomes e seus corpos são usados para acusar à oposição', argumenta Sahrar.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Primaveras. Revoluções. Estamos em plena revolução conduzida pela classe média... Veja observações do Historiador Hobsbawm...


Revoluções de 2011 'me lembram 1848', diz Hobsbawm

Atualizado em  31 de dezembro, 2011 - 19:01 (Brasília) 21:01 GMT
Eric Hobsbawn
Para o historiador, é a classe média e não os operários quem impulsiona as atuais revoltas
O prestigiado historiador britânico Eric Hobsbawm comparou as revoltas no mundo árabe em 2011 às revoluções que explodiram na Europa no fatídico ano de 1848.
Em entrevista à BBC, Hobsbawm ressaltou que desta vez os movimentos de contestação são impulsionados pela classe média, e não pelo proletariado.
"Foi uma grande alegria redescobrir que é possível que as pessoas saiam às ruas para se manifestar e derrubar governos", disse o historiador, que passou toda sua vida ligado às revoluções.
Hobsbawm nasceu poucos meses antes da Revolução Russa, de 1917, e foi comunista a maior parte de sua vida, assim com um influente pensador marxista. Um de seus livros mais conhecidos, a Era das Revoluções, que retrata justamente as revoltas de 1848, é um clássico da historiografia.
Além de escrever sobre as revoluções, Hobsbawm também apoiou algumas revoltas. Com mais de 90 anos, sua longa paixão pela política aparece no título de seu mais novo livro:How to change the World (Como mudar o mundo) e em seu enorme interesse pela Primavera Árabe.
"A verdade é que eu tenho um sentimento de excitação e alívio", disse, ao receber a reportagem em sua casa em Hampstead Heath, bairro no norte de Londres.

Democracias árabes?

Para Hobsbawm, 2011 lembra outro ano de revoluções.
"Me lembra 1848, outra revolução impulsionada de forma autônoma, que começou em um país e depois se estendeu por todo um continente em pouco tempo", diz.
"A esquerda tradicional estava orientada para um tipo de sociedade que já não existe mais ou está deixando de existir. Acreditava-se sobretudo no movimento operário como o grande responsável pelo futuro. Bem, nos desindustrializamos e isso já não é possível"
Eric Hobsbawn
Naquele ano, um levante popular em Paris acabou se alastrando pela área da atual Alemanha e Itália e pelo Império Habsburgo (hoje Áustria).
Para quem ajudou a encher a praça Tahir, no Cairo, derrubando o regime de Hosni Mubarak, em fevereiro, e agora teme pelo destino da revolução egípcia Hobsbawm tem uma palavra de alento.
"Dois anos após 1848, tudo parecia como se houvesse fracassado. Mas no longo prazo não houve fracasso. Conseguiu-se uma boa quantidade de avanços liberais. De modo que foi um fracasso imediato, mas um êxito parcial no médio prazo, ainda que não tenha sido na forma de revolução", diz.
Talvez com exceção da Tunísia, Hobsbawm não vê grandes possibilidades da democracia liberal ou governos representativos ao estilo ocidental triunfarem no mundo árabe.
O historiador ressalta ainda as diferenças entre os vários países varridos pela atual onda revolucionária.
"Estamos no meio de uma revolução, mas não de uma única revolução", diz.
"O que une (os árabes) é um descontentamento comum e forças de mobilização comuns: uma casse média modernizadora, sobretudo jovem, estudantes e, principalmente, uma tecnologia que permite que hoje seja muito mais fácil mobilizar os protestos", afirma.

Indignados e 'Occupy'

A importância das redes sociais também ficou evidente em outro movimento que marcou 2011: os protestos dos indignados e as ocupações que ocorreram na Europa e na América do Norte.
Segundo Hobsbawm, o movimento remonta à campanha eleitora de Barack Obama, em 2008. Na ocasião, o então candidato mobilizou com sucesso uma juventude até então apática à política por meio da internet.
"As ocupações, em sua maioria, não foram protestos de massa, não foram os 99% (da população), mas de estudantes e membros da contracultura. Em momentos, isso encontro eco na opinião pública. É o caso dos protestos contra Wall Street e as ocupações anticapitalistas", afirma.
De todo modo, a velha esquerda, da qual Hobsbawm tomou parte, manteve-se às margens das manifestações.
"A esquerda tradicional estava orientada para um tipo de sociedade que já não existe mais ou está deixando de existir. Acreditava-se sobretudo no movimento operário como o grande responsável pelo futuro. Bem, nos desindustrializamos e isso já não é possível", destaca o historiador.
Praça Tahir, Egito. Reuters
Hobsbawn lembra que houve revezes após as revoluções de 1848, mas o saldo foi positivo
"As mobilizações de massa mais efetivas hoje são aquelas que começam em meio a uma classe média moderna e em particular em um grupo grande de estudantes. São mais efetivos em países onde, demograficamente, os jovens são mais numerosos", diz.

Compreender o passado

Eric Hobsbawm não espera que as revoluções árabes tenham maiores ecos no mundo, ao menos não como uma antessala de uma revolução mais ampla.
Será mais provável, assegura, uma dinâmica que compreenda reformas graduais do estilo das que "ocorreram na Coreia do Sul nos anos 1980, quando uma classe média jovem passou a disputar o poder com os militares".
Sobre o drama político que ainda se desenrola nos países árabes, o historiador diz que vale a pena recordar o Irã de 1979, cenário da primeira revolução que teve o Islã como elemento político.
Esse aspecto da revolução iraniana teve reflexos na Primavera Árabe.
"Quem fez concessões ao Islã sem ser religioso acabou marginalizado. Dentre eles os reformistas, liberais e comunistas", diz, destacando outros grupos que se somaram aos religiosos para derrubar a monarquia iraniana alinhada ao Ocidente.
"A ideologia das massas não é a ideologia dos que começaram as manifestações", pontua.
Embora diga que a Primavera Árabe lhe tenha causado alegria, Hobsbawm diz que o elemento religioso no movimento é "desnecessário e não necessariamente bem-vindo".

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