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domingo, 7 de julho de 2013

25 verdades sobre ocaso Evo Morales / Edward Snowden (Salim Lamrani)

03/07/2013 - 18h35 | Salim Lamrani | Paris
25 verdades sobre o caso Evo Morales/Edward Snowden
Caso mostra que União Europeia é um engodo político e  diplomático, sempre subserviente às exigências de Washington


O caso Edward Snowden está na raiz de um grave incidente diplomático entre a Bolívia e vários países europeus. Por ordem de Washington, França, Itália, Espanha e Portugal proibiram o avião presidencial de Evo Morales de sobrevoar seus territórios.


1 – Depois de uma viagem oficial à Rússia para assistir a uma cúpula de países produtores de gás, o presidente Evo Morales pegou seu avião para voltar à Bolívia.



2 – Os Estados Unidos, pensando que Edward Snowden, ex-agente da CIA e da NSA, autor das revelações sobre as operações de espionagem de seu país, estava no avião presidencial, ordenou que quatro países europeus – França, Itália, Espanha e Portugal – proibissem que Evo Morales sobrevoasse seus respectivos espaços aéreos.



3 – Paris cumpriu imediatamente a ordem procedente de Washington e cancelou a autorização de sobrevoo de seu território, que havia outorgado à Bolívia em 27 de julho de 2013, enquanto o avião presidencial estava a apenas alguns quilômetros das fronteiras francesas.



4 – Assim, Paris colocou em perigo a vida do presidente boliviano que, por falta de combustível, precisou fazer uma aterrissagem de emergência na Áustria.



5 – Desde 1945, nenhuma nação do mundo impediu um avião presidencial de sobrevoar seu território.



6 – Paris, além de desatar uma crise de extrema gravidade, violou o direito internacional e a imunidade diplomática absoluta da qual todo chefe de Estado goza.

Agência Efe

O presidente boliviano Evo Morales em entrevista coletiva no aeroporto de Viena, na Áustria

7 – O governo socialista de François Hollande atentou gravemente ao prestígio da nação. A França aparece diante dos olhos do mundo como um país servil e dócil que não vacila um instante sequer para obedecer as ordens de Washington, contra seus próprios interesses.


8 – Ao tomar tal decisão, Hollande desprestigiou a voz da França no cenário internacional.



9 – Paris também se tornou alvo de piada no mundo inteiro. As revelações feitas por Edward Snowden permitiram descobrir que os Estados Unidos espiavam vários países da União Europeia, entre os quais a França. Diante dessas revelações, François Hollande pediu pública e firmemente a Washington que parasse com esses atos hostis. Ainda assim, por debaixo dos panos, o Palácio do Eliseu seguiu fielmente as ordens da Casa Branca.



10 – Depois de descobrir que se tratava de uma informação falsa e que Snowden não estava no avião, Paris decidiu anular a proibição.



11 – Itália, Espanha e Portugal também seguiram as ordens de Washington e proibiram Evo Morales de sobrevoar seu território, antes de mudar de opinião, quando souberam que a informação não era verídica, e permitir que o presidente boliviano seguisse sua rota.



12 – Antes disso, a Espanha até exigiu revistar o avião presidencial, violando todas as normas legais internacionais. “Isto é uma chantagem; não vamos permitir por uma questão de dignidade. Vamos esperar todo o tempo necessário”, respondeu o presidente boliviano. “Não sou um criminoso”, declarou Evo Morales.



13 – A Bolívia denunciou um atentado contra sua soberania e contra a imunidade de seu presidente. “Trata-se de uma instrução do governo dos Estados Unidos”, segundo La Paz.



14 –  América Latina condenou unanimemente a atitude da França, Espanha, Itália e Portugal.


15 – A Unasul (União de Nações Sul-Americanas) convocou em caráter de urgência uma reunião extraordinária após esse escândalo internacional e expressou sua "indignação" por meio de seu Secretário-Geral, Ali Rodríguez.


16 – A Venezuela e o Equador condenaram "a ofensa" e "o atentado" contra o presidente Evo Morales.



17 – O presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, condenou "uma agressão grosseira, inadequada e não civilizada".



18 – O presidente equatoriano, Rafael Correa, expressou sua indignação: "Nossa América não pode tolerar tanto abuso!".



19 – A Nicarágua denunciou "uma ação criminosa e bárbara".



20 – Havana fustigou o "ato inadmissível, infundado, arbitrário que ofende toda a América Latina e o Caribe".



21 – A presidente argentina, Cristina Kirchner, expressou sua consternação: "Definitivamente, estão todos loucos. O chefe de Estado e seu avião têm imunidade total. Não pode haver esse grau de impunidade".



22 – Por meio de seu Secretário-Geral José Miguel Insulza, a OEA (Organização dos Estados Americanos) condenou a decisão dos países europeus: "Não existe justificativa alguma para cometer tais ações em detrimento do presidente da Bolívia. Os países envolvidos devem dar uma explicação das razões pelas quais tomaram essa decisão, particularmente porque isso colocou em risco a vida do primeiro mandatário de um país-membro da OEA".



23 – A Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América) denunciou "uma flagrante discriminação e ameaça à imunidade diplomática de um Chefe de Estado".



24 – Em vez de outorgar o asilo político à pessoa que lhe permitiu descobrir que era vítima de espionagem hostil, a Europa, particularmente a França, não vacila em criar uma grave crise diplomática com o objetivo de entregar Edward Snowden aos Estados Unidos.



25 – Esse caso ilustra que, se a União Europeia é uma potência econômica, é também um engodo político e diplomático incapaz de adotar uma postura independente em relação aos Estados Unidos.



(*) Doutor en Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relaciones entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama The Economic War Against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade, New York, Monthly Review Press, 2013, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio  de Paul Estrade. Contato: lamranisalim@yahoo.fr ; Salim.Lamrani@univ-reunion.fr.  Página no Facebook.


(http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/29791/25+verdades+sobre+o+caso+evo+moralesedward+snowden.shtml). 

domingo, 3 de março de 2013

O palhaço blogueiro (Luiz Antônio Araujo)

Artigo O palhaço blogueiro


Artigo\ O palhaço blogueiro

03 de março de 20130
Criador do M5S, Beppe Grillo é um cômico politizado pela crise do euro
LUIZ ANTÔNIO ARAUJO*

Aconteceu na Itália há apenas uma semana: um movimento organizado há pouco mais de três anos, sem plataforma política e sem sede, liderado por um ex-comediante e que teve como principal ferramenta de campanha um blog na internet obteve 8,7 milhões de votos na eleição parlamentar.

No Brasil, esse total equivaleria a mais de 20 milhões de votos, superiores à votação de Marina Silva no primeiro turno da eleição presidencial de 2010. Vale lembrar que Marina era uma personalidade internacionalmente reconhecida quando decidiu concorrer à Presidência. Do ponto de vista dos efeitos políticos, a diferença é que, pelo sistema presidencialista brasileiro, os 19,6 milhões de votos de Marina resultaram em uma observação na ata da Justiça Eleitoral: "Não eleita". No sistema italiano, parlamentarista, os 8,7 milhões de votos elegeram a maior bancada partidária na Câmara e quase um quinto do Senado.

O Movimento Cinco Estrelas (ou M5S, sigla em italiano que toma emprestada a grafia usada nas redes sociais) tornou-se a terceira força política da Itália, capaz de se tornar o fiel da balança na formação de um futuro governo. Até o momento, o grupo recusou a aproximação com qualquer uma das forças no parlamento, criando um impasse que pode levar à convocação de novas eleições.

Criador do M5S, Beppe Grillo é um cômico politizado pela crise do euro. Num ambiente marcado pela indignação, especialmente entre a juventude, ele reserva um tratamento agressivo aos políticos tradicionais, num tom a meio caminho entre a sátira e a demagogia. Esculhamba o ex-comunista Luigi Bersani ("está fora da história e não se deu conta"), o direitista Silvio Berlusconi ("cadáver ambulante") e o atual primeiro-ministro, Mario Monti ("Rigor Mortis", referência à postura rígida). Chama os partidos de "câncer da democracia". Durante a campanha, propôs uma reforma do sistema eleitoral, com adoção da representação proporcional direta, estímulo à geração limpa de energia e internet para todos. O verdadeiramente escandaloso, para os observadores europeus, é seu intento de convocar um plebiscito para decidir sobre a permanência da Itália no bloco econômico europeu.

Artistas e comediantes tornaram-se fenômenos midiáticos no passado ao disputar _ às vezes, com algum sucesso _ cargos eleitorais na Europa. Agora, imagine Coluche, o comediante francês, levando até o fim a ideia de se candidatar à presidência da França em 1980 e obtendo os 16% de votos que lhe eram atribuídos por algumas pesquisas. Ou Cicciolina, a atriz pornô italiana que se tornou deputada, liderando a maior bancada da Câmara.

O que há de verdadeiramente novo no M5S é o fato de que, pela primeira vez numa eleição europeia, um movimento organizado via internet obtém um resultado capaz de desequilibrar o balanço de poder. O logotipo do M5S reproduz o endereço eletrônico do blog de Grillo (www.beppegrillo.it). O blog, por sua vez, contém um pedido de doações eletrônicas para o movimento, com o objetivo de arrecadar 1 milhão de euros. Antes da eleição, a revista Forbes chegou a considerá-lo o sétimo blogueiro mais importante do mundo. Seus partidários, em sua maioria jovens _ uma das deputadas eleitas pelo movimento tem 25 anos _, foram apelidados pela imprensa de grillini (grilinhos).

Para quem vê no grilismo uma nuvem passageira, a eleição para a prefeitura de Parma, em abril do ano passado, serve de alerta. Nessa rica cidade de 188 mil habitantes, tradicionalmente governada pela direita, o M5S obteve sua primeira vitória eleitoral expressiva. A administração local foi tomada pela patuleia _ uma horda de professores, donas de casa, estudantes, funcionários públicos e desempregados cuja experiência administrativa não vai muito além de equilibrar o orçamento doméstico.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Crise Européia. "Mão (in)visível do Liberalismo Italiano" pretende cobrar fatura dos direitos sociais e trabalhistas

Itália planeja novo pacote que pretende reduzir direitos trabalhistas

Mario Monti afirmou que os leilões de títulos do governo foram positivos, mas a volatilidade no mercado continuará. Ele defende rodada de reformas em janeiro e promete crescimento
Publicado em 29/12/2011, 15:16
Última atualização às 15:16
  
Itália planeja novo pacote que pretende reduzir direitos trabalhistas
O premier italiano, Mario Monti, durante entrevista coletiva em Roma(Foto:Tony Gentile/Reuters)
São Paulo – O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, disse nesta quinta-feira (29) que seu governo buscará apresentar até o fim de janeiro um amplo pacote de medidas liberalizantes, alterações em benefícios sociais e reformas que pretendem flexibilizar as leis trabalhistas. A iniciativa é justificada pelo chefe de governo do país europeu como uma forma de impulsionar o crescimento econômico do país, que vive uma crise de confiança sobre a capacidade de pagamento de suas dívidas, além de uma forte recessão.
A aprovação, na semana passada, de um pacote de medidas de "austeridade" para "salvar a Itália" foi a primeira tarefa de seu governo, disse Monti a repórteres em uma coletiva de imprensa de encerramento do ano. Seu segundo ato será apresentar alternativas para "fazer a Itália crescer", o qual terá como objetivo tornar mais competitiva a economia italiana.
Os planos do governo serão apresentados aos ministros de Finanças da União Europeia em 23 de janeiro, disse Monti. Até agora, as reações de governos da zona do euro para confrontar a crise têm sido voltadas a reduzir despesas do setor público, mesmo que isso tenha consequências de agravar a estagnação econômica.
Por isso, sindicatos e movimentos sociais realizaram diversos protestos contra redução de aposentadorias, aumento da idade mínima para ter acesso a benefícios de seguridade social além de congelamento de salários do funcionalismo público. Embora possam auxiliar a conter o crescimento de gastos, as medidas acabam retirando dinheiro de circulação e dificultando ainda mais a recuperação, na visão dos críticos.

Leilão

Na coletiva, o primeiro-ministro italiano ainda comemorou o resultado do segundo leilão de títulos da dívida do governo, que arrecadou  7 bilhões de euros com rendimentos menores que as taxas das vendas do mês anterior. No entanto, o premier alertou que a turbulência dos mercados ainda não chegou ao fim e que o governo precisa fazer mais para convencer os investidores de que a Itália pode administrar as dívidas que fez o país ser o foco da crise da zona do euro.
Monti assumiu o cargo em novembro, substituindo Silvio Berlusconi. Além de ter um histórico de polêmicas e escândalos sexuais e de corrupção, o antecessor não foi capaz de oferecer uma saída concreta para a crise que assola a Itália. De perfil conservador e ortodoxo, "Supermario" Monti, como foi tratado pela imprensa local durante os anos 2000, quando foi conselheiro da União Europeia, tenta recuperar a confiança de investidores do mercado e de outros países da zona do euro.
Com informações da Reuters

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Battisti: Itália envia pedido para criar comissão conciliatória  - Brasil - Notícia - VEJA.com


Battisti: Itália envia pedido para criar comissão conciliatóriaGrupo de três juristas se reunirá para tentar acordo sobre extradição do terrorista. Se não houver consenso, Corte de Haia será acionada
Adriana Caitano

O governo italiano enviou ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, nesta sexta-feira, nota verbal solicitando que seja criada a Comissão de Conciliação, prevista na Convenção sobre Conciliação e Solução Judiciária, assinada pelos dois países em 1954. O grupo deveria ter sido ativado em 1957, mas só será acionado agora porque há um impasse sobre a extradição do terrorista Cesare Battisti para ser resolvido.

Na nota, a Itália já indica um integrante para a comissão: Mauro Politi, que foi juiz do Tribunal Penal Internacional e representante da Itália em altas instâncias internacionais. O Brasil deverá indicar na próxima semana seu representante. Em seguida, os dois governos devem chegar a um consenso sobre um terceiro nome, que não pode estar ligado a nenhum dos países envolvidos. Caso não haja um nome comum, a Corte Internacional de Arbitragem sorteará um indicado entre seus integrantes.

Assim que for criada, a comissão terá quatro meses para analisar o ponto levantado pelo governo italiano: o Brasil violou o tratado bilateral de extradição quando decidiu não enviar Battisti de volta?

Corte de Haia - Esgotado o prazo, os três juristas deverão chegar a uma conclusão. De acordo com o documento de 54, se uma das partes discordar, o caso obrigatoriamente vai para o Tribunal Internacional de Justiça, a Corte de Haia, na Holanda. A assessoria de imprensa do Itamaraty informa que o Brasil pretende seguir as normas previstas na convenção bilateral.

O Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu, no dia 8 de junho, libertar Battisti após considerar soberana a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não extraditá-lo. Na Itália, imediatamente estouraram manifestações contrárias ao Brasil. Nesta quarta-feira, em protesto contra a libertação do terrorista, torcedores italianos atiraram laranjas nos jogadores brasileiros de vôlei de praia Emanuel e Alison, durante uma partida em Roma.