Acessos

Mostrando postagens com marcador Harmonia (Vera Felicidade). Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Harmonia (Vera Felicidade). Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de dezembro de 2013

Harmonia (Vera Felicidade)


Thursday, December 12, 2013


Harmonia

O sentido da impermanência, da finitude, só é aceito sem divisões através da coerência. Coerência é ultrapassar divisões, é, detendo-se no instante, transcendê-lo pela ultrapassagem dos limites, pela ultrapassagem dos propósitos. Neste sentido, coerência é iluminação, é destruição de sombras criadoras de espaços, de finitudes arbitrárias. Diante do outro, do dado, sem linhas de convergência ou de divergência, neutralizam-se direções, polaridades. É o equivalente do equilíbrio da chama da vela falado pelos iogues: impermanente e sutil. 


Esta vivência do presente continuamente presente é o que permite unidade. Sem divisão não há constatação, não há avaliação, existe apenas conhecimento, fruição da permanente impermanência, da continuidade do estar no mundo. Ser com o outro é o único definidor. 


Estar desvinculado de tudo e integrar-se no vivenciado é o que permite vida, sensibilidade, conhecimento. Sem esta vivência, a possibilidade humana é drenada nas contingências: vivifica coisas e se desumaniza. Percebendo que percebe, constatando, se avalia, se compara, se decide e se esgota como possibilidade nestes processos, embora se afirme como individualidade estruturada e passível de autonomia. Coerência é o que se impõe para globalizar todo o percebido, contrastes e individualizações. Quanto maiores forem as segmentações, pontualizações, divisões e recortes, mais sombras, iluminação comprometida com efeitos densificadores, mais contradição, ilusões de permanência na impermanente continuidade do estar no mundo.


Disponibilidade, integração e dedicação - a aceitação e a determinação ao enfrentar o contraditório integrador ou alienador - são os estruturantes de coerência, de harmonia. 


Viver é se relacionar com o possível e o impossível, é aceitar o limite, a impotência e a possibilidade infinita de estar no mundo, detendo-se em abismos, superando-os ou sendo por eles tragados ao exercer certezas e enganos. Na coerência não existem ilusões, ou estas são as premissas das transcendências estruturantes, desestruturantes, mas, infinitas por definição, desde que tudo ilumina.













"Phenomenology and existence - toward a philosophy within nature" de Marvin Farber
"Enterrem meu coração na curva do rio" de Dee Brown

Disponível em: Percepção, conhecimento, relacionamento: Harmonia