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domingo, 1 de dezembro de 2013

Uma brasileira no Exército de Israel (Marsilea Gombata)

publicado 28/11/2013 05:25, última modificação 28/11/2013 06:26



Uma brasileira no Exército de Israel

Como, aos 15 anos, a pernambucana Janine Melo decidiu pausar a vida para se tornar comandante na fronteira com o Egito. Por Marsílea Gombata, de Israel
por Marsílea Gombata — 
Marsílea Gombata
De Kfar Saba, Israel
Quando deixou o Recife para visitar a terra da qual seus pais sempre falaram, Janine Melo tinha 15 anos. Nascida e criada na capital pernambucana, ela sonhava em conhecer Israel desde os 10. Mas, ao chegar ao país para um intercâmbio de ensino médio, ela acabou se apaixonando não só pela cultura, mas também por um caráter peculiar do Estado fundado em 1948: suas Forças de Defesa. Decidiu pausar a vida que a esperava no Brasil. Tinha um novo plano: servir ao Exército de Israel.
"No Brasil, nunca gostei do Exército por causa da ditadura que tivemos. Mas depois que entendi a diferença entre o Exército brasileiro e o daqui decidi entrar para o Exército de Israel”, afirma Janine, de família judia. “Aqui a gente não entra nas Forças Armadas e arrisca a vida por dinheiro, status ou poder. Aqui os soldados entram para proteger o país, as famílias, o povo e os cidadãos. Fui, então, gostando da ideia de ser soldado e lutar pelos valores que acredito, pelo meu povo".
Aos 20 anos de idade, hoje Janine é uma das principais comandantes da unidade Karakal (lince, em hebraico), na fronteira de Israel com o Egito. Quando entrou no serviço militar israelense, passou por um treinamento de oito meses, antes de se postular ao curso para comandante. Hoje tem dez soldados sob sua tutela na base no deserto de Neguev. Foi lá que viveu um dos momentos de maior medo da sua vida. Em novembro de 2012, forças israelenses e militantes do Hamas mediam forças na fronteira, enquanto foguetes e mísseis deixavam famílias sem casas. “Foram os piores dias que eu tive no Exército. Na última noite, pouco antes do cessar-fogo, os militantes em Gaza começaram a lançar todos os mísseis que tinham, e eu e minha equipe não conseguimos dormir. Tive muito medo que o pior acontecesse."
Dois anos depois do intercâmbio que começou aos 15 anos, Janine voltou para o Brasil e esperou completar 18 anos para seguir seu novo sonho. “Minha mãe, no início, não gostou muito. Sou filha única. Foi difícil aos 18 anos deixar a minha mãe, que é até hoje a minha maior saudade, e meu namorado na época. Mas queria muito realizar esse sonho”, conta. “Claro que sinto falta de ir à praia no meio da semana, sair com os amigos sem estar morta de cansaço, ter hobbies. Mas daqui a um ano e quatro meses vou poder fazer essas coisas novamente, e acho que vale a pena abrir mão de tudo isso pra um bem maior.”
Nos 17 dias seguidos que fica na base em Neguev Janine se divide entre patrulhar a fronteira, arrumar o alojamento, fazer comida, limpar sua arma, ter aulas sobre a geopolítica israelense e supervisionar os soldados. No seu tempo livre, aproveita para ler – seu livro do momento é Exodus, de Leon Uris, que conta a história do navio usado por judeus para fugir do Holocausto na Europa em direção ao Oriente Médio.
Depois do período intenso na base militar, Janine vai por quatro dias para o apartamento que divide com a amiga mexicana Hanni Monter, em Ramat Gan, perto de Tel Aviv.
“Sei que as pessoas na América Latina têm dificuldade de entender minha escolha, mas porque não estão acostumadas a pensar no outro. Pensam em trabalhar, casar, ter filhos, ter uma vida tranquila”, observa. “Mas eu sei que depois eu vou poder dormir em paz e ter uma vida tranquila somente porque alguém aos 18 anos vai, assim como eu, estar na fronteira para me proteger.”
Para Janine, fazer parte do Exército israelense não significa apenas proteger Israel, mas todos os judeus ao redor do mundo. “Sei que, por pessoas como eu, minha família no Brasil, por exemplo, está segura. Isso faz eu me encher de orgulho quando coloco a farda. Se tivéssemos um Exército forte na Segunda Guerra, o Holocausto dificilmente teria acontecido.”
Quando deixar o posto, dentro de pouco mais de um ano, Janine não pensa em voltar ao Brasil. “Quero estudar cinema, como provavelmente estaria fazendo na Universidade Federal de Pernambuco”, diz. “Aí só vai faltar a minha mãe, que ainda vou trazer para cá.”
* A repórter foi enviada por CartaCapital para Israel para participar do curso Os Meios de Comunicação em Zonas de Conflito, promovido pelo Ministério das Relações Exteriores israelense
Disponível em: (http://www.cartacapital.com.br/internacional/uma-brasileira-no-exercito-de-israel-5580.html).

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Obama 'é um fascista por necessidade', diz Fidel Castro


Opinião | 08/02/2012 07:29

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Obama 'é um fascista por necessidade', diz Fidel Castro

Antigo governante de Cuba não acredita que o presidente dos Estados Unidos acredite que "o fascismo é bom"

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Adalberto Roque/AFP
Fidel e Raúl Castro
Fidel Castro e o irmão e atual presidente de Cuba, Raúl
Havana - O líder cubano Fidel Castro afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é um "fascista por necessidade", e disse que Israel "faz o que tem vontade" porque tem um arsenal nuclear, em um vídeo divulgado nesta terça-feira pela televisão cubana.
O ex-presidente americano Franklin D. Roosevelt (1933-1945) "pelo menos era anti-hitlerista e essa gente é hitlerista, esses são fascistas, alguns por definição e outros por necessidade", disse Fidel sobre os líderes americanos, na apresentação de suas memórias "Fidel Castro. Guerrilheiro do Tempo".
"Obama, eu diria, é um fascista por necessidade, porque não posso pensar que ele acredite de verdade que o fascismo é bom", completou Fidel, 85 anos, que deixou o poder em 2006 por razões de saúde.
"Os outros são fascistas por definição. E alguns são é loucos", completou Fidel, em sua primeira aparição pública desde abril de 2011, quando deixou a chefia do gabinete do Partido Comunista (único), em seu VI Congresso.
O livro, fruto de conversas com a jornalista cubana Katiuska Blanco, foi apresentado na última sexta-feira em um salão do Palácio das Convenções de Havana pelo ministro da Cultura, Abel Prieto, e pelo presidente da União de Escritores e Artistas, Miguel Barnet.
Fidel Castro, que respondeu perguntas do público na apresentação do livro, também atacou Israel.
"Israel tem cerca de 300 projéteis nucleares, dos mais modernos, que podem ser colocados em qualquer lugar do mundo e, além disso, (Israel) faz o que tem vontade", disse.
Obama "é prisioneiro disso. São pessoas meio transtornadas, alguns dos que estão ali. Podem desatar uma guerra tranquilamente", completou.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"O contrato entre o Estado e os cidadãos foi rompido", diz líder dos indignados israelenses (Eduardo Febbro)

Notícias do NPC
"O contrato entre o Estado e os cidadãos foi rompido", diz líder dos indignados israelenses

“O contrato entre o Estado e os cidadãos foi rompido. O Estado fala de segurança. Mas o que ocorre quando o mesmo Estado não faz nada pela saúde e pela moradia? – pergunta Stav Shaffir, a jovem ruiva de 26 anos, líder dos indignados israelenses que saíram às ruas para protestar contra o atual modelo político-econômico do país. "A sociedade despertou em Israel", diz Shaffir. A reportagem é de Eduardo Febbro, direto de Tel Aviv.

Publicado em 28.09.11 – Por Eduardo Febbro, de Tel Aviv, na Carta Maior - Tradução: Katarina Peixoto

Uma mistura de tradição e modernidade: o queijo e o Facebook. As marcas das barracas instaladas no badalado Boulevard de Rotschild, de Tel Aviv, ainda persistem várias semanas depois de o movimento israelense dos indignados ter sacudido o país com uma manifestação que reuniu meio milhão de pessoas no início de setembro. “Uma coisa inédita, de dar arrepios, maravilhosa, cada vez que me lembro não acredito que tenha começado na internet por causa do preço do queijo e que tenha ido parar na rua tão rapidamente e com tanta forla”, diz Alon, um jovem arquiteto com dificuldades para encontrar um lugar para morar.

A referência ao queijo é essencial: o protesto foi primeiro virtual, sobretudo através do Facebook, e tinha como objeto um dos alimentos básicos da comida israelense, o queijo cottage, cujo preço subiu 70%. Esse queijo é um alimento básico, um código culinário e cultural, uma espécie de concentrado da identidade israelense. Graças a esse queijo, “o inimigo externo entrou em Israel com a linguagem e o governo descobriu que os problemas não estavam só nas fronteiras, mas aqui dentro também”, cometa com expressão irônica Araon, outro jovem de Tel Aviv que viveu esses dias de protesto como se tivesse despertado, subitamente, em um sonho.

Seu comentário expõe um paradoxo intencional: as pessoas gritavam em hebraico muitos dos slogans oriundos da Revolução Árabe que iniciou na Tunísia e se propagou por Egito, Yemen, Jordânia, Síria, Bahrein e Líbia. A indignação israelense segue vigente, palpável. “A mecha que alimentou o protesto continuará acesa até haja reformas adequadas, justiça e um controle severo do sistema financeiro que nos encurrala”, acrescenta Araon.

O que os jovens contam na rua é incompatível com o discurso oficial do Estado. Hadar, uma elegante jovem desta zona rica de Tel Aviv, resume isso bem quando diz: “as revoluções árabes nos mostraram um caminho, rapidamente a história deu uma guinada. Até agora nós éramos em Israel a democracia exemplar, o modelo, mas aconteceu que, sem que fosse planejado, os árabes nos estimularam com a consequência do seu movimento. Vimos que tínhamos problemas comuns: corrupção, privilégios de uma casta, preços excessivos, indolência do poder”.

O historiador Shlomo Sand, uma das grandes figuras da esquerda israelense, destaca uma das grandes características do movimento de jovens, de julho e setembro: o antagonismo foi interno, por problemas internos, não houve articulação entre o descontentamento e o discurso sionista”, comenta este intelectual que se inscreve na linha dos historiadores pós-sionistas. Não obstante, com lucidez, Shlomo Sand reconhece que, tal como se configurou, a onda de protestos não parece conduzir a uma mudança fundamental: “nos falta esclarecer as coisas, estabelecer com clareza o que é a esquerda e o que é a direita, questionar os gastos coloniais e militares de Israel, que pesam muito na economia do país. Se os protestos se restringirem a slogans simpáticos, nada mudará”.

Stav Shaffir está convencida do contrário e, ainda que à primeira vista tenha uma aparência frágil, é capaz de convencer a qualquer um. Ela é a jovem que armou o barulho, a líder dos indignados israelenses. Com seus 26 anos e sua cabeleira ruiva agitando-se ao vento, a jovem sustenta com convicção de combatente: “a sociedade despertou em Israel”. Foi ela que, com outros jovens, instalou as primeiras barracas no Boulevard Rothschild, de Tel Aviv. Stav Shaffir pertence à geração que desenvolvendo uma consciência política sem a obsessão do conflito palestino. É jornalista, trabalha em um jornal que recolhe os testemunhos dos refugiados que vieram para Israel desde a Tailândia, Guiné, Filipinas, Darfour ou Etiópia, Eritreia de fato. Como outros jovens de sua idade, sente que foi enganada, que, com o discurso da segurança de Israel como bandeira e prioridade, foi-se privatizando o país sem que ninguém se desse conta disso.

“O contrato entre o Estado e os cidadãos foi rompido. O Estado fala de segurança. Mas o que ocorre quando o mesmo Estado não faz nada pela saúde e pela moradia? – pergunta. Ante seu sorriso radiante e juvenil, impõe-se uma pergunta: e agora que o acontece com essa esquerda israelense que, assim como o governo, não apoiou o que acontecia nas ruas? “É preciso continuar”, diz ela, “com todo o coração”.

A revolução das barracas do Boulevard Rothschild deu origem a um fenômeno novo: um tipo de esquerda da rua, muito distinta da esquerda oficial dos partidos Avoda (trabalhista) e Meretz. O primeiro integrou as últimas coalizões de governos conservadores e não tem discurso frente aos problemas de justiça social, privatizações, aumento do custo de vida, repartição das riquezas. Ambos partidos, por sua vez, mantem uma posição mais do que ambígua ante à ininterrupta expansão das colônias nos territórios ocupados em 1967. Alon, o arquiteto que não pode pagar com o que ganha os 1.100 dólares que custa uma habitação, olha para o céu e diz: “nosso sistema de partidos tornou-se prisioneiro de si mesmo. Governou-se o país como se governa um país em pé de guerra. Assim nasceu uma oligarquia abusadora. Nós, os indignados, nascemos para que a voz de Israel chegue a esses ouvidos surdos por força de só escutarem a si mesmos”.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Internacional. Brasil. Entrevista do Ministro de Assuntos Estratégicos – Brasil não pede licença...

...”Quando se prepara um plano para o país tem de levar em conta os vizinhos. Os laços econômicos e políticos que o Brasil mantém com países vizinhos são intensos. É do nosso interesse contribuir para o desenvolvimento regional e reduzir diferenças. Quanto mais prósperos, mais estáveis social e politicamente serão esses países.”


...“Se tivéssemos entrado na Alca, talvez hoje estaríamos como o México, cujo PIB retrocedeu em mais de 10%. A Alca não é um acordo de livre comércio, ela estabelece regras que eliminam a possibilidade de uma política econômica autônoma. Em um país subdesenvolvido como o Brasil, com enormes diferenças sociais, a ação do Estado é indispensável. Se tivéssemos aderido, o Banco do Brasil não seria mais público, nem existiriam o BNDES ou a Caixa Econômica Federal.”


...“A Venezuela é muito importante para nós, um país muito rico, não só em petróleo. A soberania é parte do povo. Aqui no Brasil houve uma prorrogação de mandato que não foi aprovada pelo povo. Foi um episódio nebuloso, em que pessoas confessaram ter vendido voto. Chávez concorreu a mais de 10 eleições, todas consideradas legítimas.”


...”Antes havia o hábito de se pedir licença, de ser pequeno. O Brasil agora é maior de idade, não pede licença para ter relações com qualquer país. Agora mesmo, veio ao Brasil o presidente de Israel, Shimon Peres. Também está aqui o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Eles não vêm para visitar as belezas naturais. É porque eles consideram importante a posição e a atuação do Brasil.”


Leia o teor da entrevista...



Fone: Diário Catarinense, 22 de novembro de 2009

ENTREVISTA
“O Brasil não pede licença”
Samuel Pinheiro Guimarães, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos

Formulador da política externa na Era Lula, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães recebeu, há um mês, a incumbência de pensar o Brasil de 2022. O diplomata se diz à vontade na Secretaria de Assuntos Estratégicos.
Planeja desenvolver programas interministeriais e políticas para o desenvolvimento da Amazônia, mas foram as controversas relações diplomáticas do Brasil que dominaram a entrevista concedida, na sexta-feira.
Pinheiro é amigo de Hugo Chávez e tachado como representante do anti-imperialismo no Itamaraty.

Sobre o papel do Brasil na política latino-americana e os empréstimos concedidos pelo BNDES aos países vizinhos, é categórico:
– Sou favorável a um Plano Marshall para a América do Sul. Tão grave quanto uma guerra é o subdesenvolvimento.

Bacharel em Direito e mestre em Economia pela Universidade de Boston, em 2006 Samuel recebeu da União Brasileira de Escritores o título de Intelectual do Ano pela obra Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes. Sobre o prêmio, revela uma mágoa:
– Não saiu uma linha na imprensa sobre isso.

Diário Catarinense – A diplomacia do governo Lula é estratégica para o governo. Da sua experiência no Itamaraty, o que o senhor pretende aplicar no ministério em relação ao Mercosul?


Samuel Pinheiro – Quando se prepara um plano para o país tem de levar em conta os vizinhos. Os laços econômicos e políticos que o Brasil mantém com países vizinhos são intensos. É do nosso interesse contribuir para o desenvolvimento regional e reduzir diferenças. Quanto mais prósperos, mais estáveis social e politicamente serão esses países.


DC – O Brasil se envolveu em vários conflitos nos últimos anos, com Argentina, Bolívia, Paraguai.


Pinheiro – Temos disputas comerciais com a Argentina, assim como os Estados Unidos têm com a Europa, com a China. Isso é normal, pois afeta o interesse de empresas que acabam pressionando os governos. São coisas pontuais, de circunstância. Nossa relação com a Bolívia é amistosa. No episódio das refinarias, a imprensa disse que haviam sido expropriadas. Elas foram compradas, por um preço avaliado como justo. O desenvolvimento do Paraguai também é do nosso interesse. Trata-se de um dos países mais ricos do mundo em recursos hídricos, mas tem dificuldade de investimento.


DC – O senhor se arrepende de ter sido contra o ingresso do Brasil na Alca?


Pinheiro – Nem por um décimo de segundo. Se tivéssemos entrado na Alca, talvez hoje estaríamos como o México, cujo PIB retrocedeu em mais de 10%. A Alca não é um acordo de livre comércio, ela estabelece regras que eliminam a possibilidade de uma política econômica autônoma. Em um país subdesenvolvido como o Brasil, com enormes diferenças sociais, a ação do Estado é indispensável. Se tivéssemos aderido, o Banco do Brasil não seria mais público, nem existiriam o BNDES ou a Caixa Econômica Federal.


DC – O senhor tem fama de ser doutrinador na época do Itamaraty, que incentiva leituras de esquerda. Isso é verdade?


Pinheiro – Considero que incentivar leituras é importante. Agora, de esquerda não é verdade. Um dos livros que indiquei é a biografia de Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira.


DC – Por que há tanta controvérsia na sua figura? Dizem que foi o senhor que incentivou a ida do Manuel Zelaya, o presidente deposto de Honduras, para a embaixada brasileira.


Pinheiro – Imagina. Quem disse isso foi o escritor Jorge Castañeda. Não o conheço.


DC – O senhor acha que o Brasil não deve reconhecer a eleição presidencial em Honduras?


Pinheiro – Claro que não. É uma eleição conduzida por um governo ilegal. É um grupo de indivíduos que tomou conta do poder.


DC – O senhor acha que a oposição trata de forma ideológica o ingresso da Venezuela no Mercosul?


Pinheiro – Certamente. Há muita desinformação. Nós temos com a Venezuela o maior superávit comercial.


DC – O senhor é realmente o guru do presidente Hugo Chávez?


Pinheiro – Tenho certeza que não. Alguém fez esse comentário porque ele mencionou uma vez que gostava do meu livro (500 Anos de Periferia).


DC – Há muita controvérsia em relação ao governo de Chávez.


Pinheiro – A Venezuela é muito importante para nós, um país muito rico, não só em petróleo. A soberania é parte do povo. Aqui no Brasil houve uma prorrogação de mandato que não foi aprovada pelo povo. Foi um episódio nebuloso, em que pessoas confessaram ter vendido voto. Chávez concorreu a mais de 10 eleições, todas consideradas legítimas.


DC – Política externa é um assunto árido para a maioria da população, mas no governo Lula conquistou interesse. A que o senhor atribui isso?


Pinheiro – É a dimensão brasileira que mudou. Na política internacional ninguém diz: vou ser líder. Isso é convicção que se forma nos outros. O presidente Lula é um grande líder porque ele interpreta os anseios das pessoas. Isso nos permite influir de forma mais eficaz nas negociações.


DC – O governo irá enfrentar polêmica com a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.


Pinheiro – Antes havia o hábito de se pedir licença, de ser pequeno. O Brasil agora é maior de idade, não pede licença para ter relações com qualquer país. Agora mesmo, veio ao Brasil o presidente de Israel, Shimon Peres. Também está aqui o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Eles não vêm para visitar as belezas naturais. É porque eles consideram importante a posição e a atuação do Brasil.


DC – O chanceler Celso Amorim se filiou ao PT, o senhor se tornou ministro. A diplomacia está indo às urnas?


Pinheiro – Nunca fui filiado a nenhum partido. Não sei quais os objetivos do ministro Celso Amorim, mas há outros diplomatas politicamente engajados. O ministro das Cidades, Márcio Fortes, é filiado ao PP. Há vários diplomatas vinculados à oposição, não sei se são filiados, que nos criticam. Eu prefiro a crítica ao elogio. O elogio me ilude, mas a crítica me aperfeiçoa.


fabio.schaffner@gruporbs.com.br

klecio.santos@gruporbs.com.br


FÁBIO SCHAFFNER E KLÉCIO SANTOS
BRASÍLIA


...Disponível no Portal da RBS / Diário Catarinense: (http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2724831.xml&template=3898.dwt&edition=13571§ion=128). Acesso em: 22.nov.2009.