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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Primavera Árabe. Turquia acusa Síria de minar fronteiras, refugiados chegam a dez mil...


Oriente Médio | 20/02/2012 08:36

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Turquia acusa Síria de minar fronteiras

Operação do regime de Assad seria para impedir a fuga de civis

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Getty Images
Protestos na Síria
Número de refugiados sírios nos acampamentos do sul da Turquia se aproxima dos 10 mil
Ancara - A Turquia afirmou que o regime de Bashar al Assad na Síria minou as fronteiras para impedir a fuga de civis, uma operação que pode se estender também para a fronteira turca.
O jornal turco "Hürriyet" disse nesta segunda-feira que o ministro turco de Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, incluirá esta informação no dossiê que apresentará na Conferência de Países Amigos da Síria, que acontecerá na Tunísia na próxima sexta-feira.
Segundo o relatório, o regime de Assad já minou a fronteira da Síria com a Jordânia e com o Líbano, e pode ter feito o mesmo com a turca.
A publicação acrescenta que o número de sírios que fogem para a Turquia voltou a aumentar na última semana, e que os refugiados sírios nos acampamentos do sul do país já se aproximam dos 10 mil.
O número tinha caído até os 7 mil em novembro, mas desde então aumenta de forma progressiva.
Segundo o jornal turco, o dossiê de Davutoglu indica que a morte de 40 a 50 pessoas por dia nas mãos do regime de Assad já se transformou em uma rotina, e o mundo se acostumou com a situação.
"Isto tem que mudar. A comunidade internacional não sabe o que faria se o regime começasse a matar de 400 a 500 pessoas por dia. Não há nenhuma decisão", diz uma frase do dossiê citada pelo jornal.
"É uma situação muito perigosa para o povo sírio: para onde escaparão as pessoas se começarem massacres ainda maiores?", pergunta o relatório, segundo o "Hürriyet".

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Discípulos de Goebbels contra a Síria (Domenico Losurdo; trad. João Carlos Graça; Blog Altamiro Borges)

Altamiro Borges: Discípulos de Goebbels contra a Síria:


domingo, 11 de dezembro de 2011


Discípulos de Goebbels contra a Síria

Por Domenico Losurdo, no sítio português O Diário:


Qual a natureza do conflito que desde há meses assola a Síria? Com este artigo é meu intuito suscitar em todos os que defendem a causa da paz e da democracia nas relações internacionais algumas perguntas elementares. Pela minha parte, tratarei de responder dando a palavra a órgãos de imprensa e jornalistas insuspeitos de qualquer cumplicidade com os dirigentes de Damasco.


1) Ocorre antes de mais nada perguntar qual a situação deste país do Médio Oriente antes da chegada ao poder, em 1970, dos Assad (pai e filho) e do regime atual. Pois bem, antes daquela data, «a república síria era um estado débil e instável, um palco para as rivalidades regionais e internacionais»; os acontecimentos dos últimos meses significam de fato o regresso à «situação anterior a 1970». Quem se expressa nesses termos é Itamar Rabinovich, ex-embaixador de Israel em Washington, no International Herald Tribune de 19-20 de Novembro. Podemos extrair uma primeira conclusão: a rebelião apoiada em primeiro lugar pelos EUA e pela União Europeia pode fazer a Síria retroceder a uma situação semicolonial.


2) As condenações e sanções do Ocidente e a sua aspiração a uma mudança de regime na Síria estão inspiradas na indignação pela «repressão brutal» de manifestações pacíficas, uma repressão exercida pelo poder? Na realidade, já em 2005 «George Bush pretendia derrubar Bashar al-Assad». Continuam a ser palavras do ex-embaixador israelita em Washington, o qual acrescenta que agora o governo de Telavive se juntou a esta política de regime change na Síria: há que acabar de uma vez por todas com o grupo dirigente que a partir de Damasco apoia «o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza» e estreita relações com Teheran. Sim, «profundamente preocupado pela ameaça iraniana, Israel é de opinião de que, se retirar o tijolo sírio do muro iraniano, a política regional poderia entrar numa nova fase. É evidente que o Hezbollah, tal como o Hamas, se movem agora com mais cautela». De modo que o alvo da rebelião e das manobras com ela relacionadas não é apenas a Síria, são também a Palestina, o Líbano e o Irão: trata-se de desferir um golpe decisivo na causa do povo palestino e de consolidar o domínio neocolonial de Israel e do Ocidente numa região de crucial importância geopolítica e geoeconómica.


3) Como atingir este objetivo? Guido Olimpio, no Corriere della Sera de 29 de Outubro, explica-o claramente: em Antakya, uma região da Turquia confinante com a Síria, opera já o «Exército Livre Sírio, uma organização que pratica a luta armada contra o regime de Assad». É um exército que recebe armas e instrução militar da Turquia. Além disso (continua Guido Olimpio no Corriere della Sera de 13 de Novembro), Ancara «ameaçou criar uma faixa tampão de 30 quilómetros em território sírio». Vemos pois que o governo sírio tem de fazer frente não apenas a uma rebelião armada, mas a uma rebelião armada apoiada por um país que dispõe dum dispositivo militar de primeira ordem, que é membro da NATO e que ameaça invadir a Síria. Quaisquer que sejam os erros ou as culpas dos seus dirigentes, este pequeno país está a sofrer, de fato, uma agressão militar. A Turquia, que tem tido um período de forte crescimento econômico, desde há algum tempo dá mostras de impaciência relativamente ao domínio de Israel e dos EUA no Oriente Médio. Obama responde a essa impaciência empurrando os dirigentes de Ancara para um sub-imperialismo neo-otomano, controlado evidentemente por Washington.


4) Da análise e dos testemunhos trazidos depreende-se que a Síria se vê obrigada a lutar em condições muito difíceis para a manutenção da sua independência, fazendo face a um formidável bloqueio econômico, político e militar. Além disso, a OTAN ameaça direta ou indiretamente os dirigentes de Damasco com a possibilidade de lhes reservar o mesmo fim que teve Khadafi, o assassínio e o linchamento. A infâmia da agressão devia pois ser evidente para todos os que estão dispostos a fazer ao menos um pequeno esforço intelectual. E, todavia, o Ocidente, valendo-se da sua terrível potência de fogo midiático e das novas técnicas de manipulação proporcionadas pelo desenvolvimento da Internet, apresenta a crise síria como um exercício de uma violência brutal e gratuita contra manifestantes pacíficos e não-violentos. Não há quaisquer dúvidas de que Goebbels, o pérfido e brilhante ministro do III Reich, deixou escola. Há que reconhecer, aliás, que os seus discípulos de Washington e Bruxelas conseguiram superar o nunca olvidado mestre.


* Tradução de João Carlos Graça.