Acessos

Mostrando postagens com marcador Peru. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Peru. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de janeiro de 2013

Expansão brasileira é considerada imperialista por alguns vizinhos (Deutsche Welle)

Expansão brasileira é considerada imperialista por alguns vizinhos

Internacional


Deutsche Welle

16.01.2013 09:42


Expansão brasileira é considerada imperialista por alguns vizinhos


No início, os uruguaios ainda gostavam da cerveja brasileira. As filiais do Banco Itaú na capital Montevidéu tampouco eram um problema. Porém, em 2006, quando as firmas brasileiras passaram a comprar os armazéns frigoríficos do país, muitos ficaram desconfiados. De uma hora para outra o grosso dos negócios com a carne bovina, campeã de exportações do país, encontrava-se em mãos brasileiras.
Frigoríficos no Uruguai, plantações de soja no Paraguai, usinas hidrelétricas no Peru: as empresas do Brasil conquistam a América do Sul. E com cifras de impor respeito. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, o total das exportações nacionais para o restante da América Latina e o Caribe saltou de 11,5 bilhões para 57 bilhões de dólares, entre 2002 e 2011. Isso situa a região como segundo mais importante mercado para o comércio externo brasileiro, depois da Ásia.
x
Frigoríficos no Uruguai, plantações de soja no Paraguai, usinas hidrelétricas no Peru: as empresas do Brasil conquistam a América do Sul
Admiração e rejeição
Porém os demais latino-americanos observam com ceticismo a ascensão econômica do país. “Em muitos aspectos, os países veem o Brasil com um olhar semelhante ao que a América do Sul tinha sobre os Estados Unidos”, expõe Oliver Stünkel, professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas, em entrevista à DW Brasil. “É uma mistura de admiração e rejeição.”
O clima político é especialmente tenso no Paraguai. A atitude brasileira após a posse do então presidente Fernando Lugo, em junho de 2012, ainda é encarada como uma intervenção descabida. “Quando o Brasil pressionou para que o Paraguai fosse suspenso do mercado comum Mercosul, voltou a aflorar o sentimento de que o país se comporta como uma potência colonial”, explica Stünkel.
O ex-ministro brasileiro do Exterior Luiz Felipe Lampreia também classifica como uma gafe diplomática o comportamento de seu governo na época. “Essa decisão política despertou um grande mal-estar no Paraguai”, admitiu em entrevista à DW.
No entanto, o diplomata considera absurda a acusação de que o Brasil estaria se comportando de forma colonialista. “Os brasileiros pagam impostos, exportam mercadorias e criam postos de trabalho, tanto no Paraguai como no Uruguai ou na Bolívia”, contra-argumenta Lampreia.
África, o alvo preferencial
Chefes de Estado Lula (esq.) e José Eduardo dos Santos, de Angola, em 2010
Chefes de Estado Lula (esq.) e José Eduardo dos Santos, de Angola, em 2010
Quer como amigo, quer como inimigo, a expansão econômica e política do Brasil segue a passos largos. A mineradora Vale S.A. pretende investir no exterior, até 2014, um total de 9,6 bilhões de dólares, em especial em países africanos como Moçambique, Angola e Zâmbia. Com 17 mil funcionários, a multinacional Odebrecht é a maior empregadora privada de Angola. E a semiestatal Petrobras explora petróleo em Angola e na Nigéria.
A expansão brasileira no continente africano é fruto de uma intenção política. Lá, o gigante sul-americano está representado com, no mínimo, 37 embaixadas. E, ao oferecer créditos acessíveis, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também ajuda a financiar grandes projetos domésticos.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou os países ao sul do Saara mais de uma dezena de vezes durante seus dois mandatos, de 2003 a 2011. Também sua sucessora Dilma Rousseff segue apostando na cooperação sul-sul. Com resultados palpáveis: de 2000 até agora, o volume anual de negócios Brasil-África cresceu de 4,2 bilhões para mais de 20 bilhões de dólares.
Mais uma nação imperialista?
Entretanto também na África lusófona a expansão brasileira gera tensões. Em julho de 2010, manifestantes enfurecidos invadiram a mina de ferro da Vale S.A. na Guiné, por violações dos direitos dos trabalhadores. Também em Moçambique, no leste africano, pequenos agricultores protestaram no último ano contra a empresa mineradora, por desalojá-los, a fim de dar lugar à exploração de carvão mineral em Moatize.
Mina de carvão em Moatize, Moçambique
Mina de carvão em Moatize, Moçambique
“Em Moçambique, a relação da Vale com a população local é tão ruim que, para muitos, a atual imagem do Brasil é pior do que a de Portugal da época colonial”, escreveu Carlos Tautz para O Globo. Se o governo não lembrar as firmas brasileiras do respeito às normas internacionais, no futuro o Brasil será percebido “como mais uma nação imperialista”, advertiu o jornalista.
O professor Oliver Stünkel, contudo, não partilha essa opinião. “A reputação do Brasil na África é muito boa. Para o país, ainda se desenrola o tapete vermelho”, afirma o perito econômico.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Unasul confirma apoio às negociações de paz entre o governo da Colômbia e as Farc...

Sul 21 » Unasul confirma apoio às negociações de paz entre o governo da Colômbia e as Farc

01/12/12 | 10:32


Unasul confirma apoio às negociações de paz entre o governo da Colômbia e as Farc

Da Agência Brasil
Por iniciativa do Brasil, os presidentes da União de Países Sul-Americanos (Unasul), reunidos em Lima, aprovaram na sexta-feira (30) uma declaração de apoio às negociações de paz, entre o governo colombiano e as Forcas Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) – grupo guerrilheiro em atividade há mais de 30 anos. A declaração foi um dos temas tratados na sexta cúpula do bloco integrado por 12 países da América do Sul.
Leia mais:



O vice-presidente Michel Temer, que representou o Brasil na reunião, disse que o encontro também serviu para promover a paz na região. Os presidentes do Peru, Ollanta Humala, e do Chile, Sebastián Piñera, aproveitaram a ocasião para falar da disputa da fronteira marítima entre os dois países, que será decidida a partir da próxima semana pela Corte Internacional de Haia. Os dois presidentes disseram que vão acatar a decisão do tribunal.
Rafael Correia, presidente do Equador, propôs criar um Tribunal Penal da América do Sul. Segundo Michel Temer, se a proposta for aceita, o órgão funcionaria como uma corte de primeira instância. “Os países que quiserem poderiam ainda recorrer à Corte Internacional de Haia”, disse após o encontro.
Na reunião, os países também decidiram explorar e mapear os recursos naturais da região e fomentar a inclusão social. No total, foram aprovadas durante a cúpula da Unasul 16 declarações.

domingo, 15 de maio de 2011

A viagem literária de Vargas Llosa ao coração das trevas (Prosa & Verso: O Globo)


Numa longa reportagem intitulada “Viagem ao coração das trevas”, publicada em janeiro de 2009 no “El País”, Mario Vargas Llosa narrava os horrores da guerra civil do Congo, que, embora tenha durado oficialmente de meados dos anos 1990 a 2003, continua até hoje em conflitos espalhados pelo país. Os leitores do jornal espanhol não sabiam, mas a passagem do escritor peruano pela África foi dividida em duas partes, uma pública e outra secreta. Na primeira, Vargas Llosa percorreu a divisa com Ruanda, escoltado pelos Médicos Sem Fronteiras, documentando as agressões trocadas entre hutus, tutsis e outros grupos da região para a matéria do “El País”. Depois, atravessou o Congo para conhecer as cidades de Boma e Matadi, onde viveu o protagonista do romance que pouca gente sabia que ele estava escrevendo, mas que já tinha título: “O sonho do celta”.

Lançado no fim de 2010 em meio à fanfarra pelo reconhecimento tardio do comitê do Nobel de Literatura, o novo livro de Vargas Llosa, que chega agora ao Brasil pela editora Alfaguara em tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman, mostra o resultado da longa pesquisa feita pelo escritor. “O sonho do celta” conta a história do irlandês Roger Casement, que no início do século XX foi cônsul britânico no Congo e na América Latina (inclusive no Brasil) e escreveu relatórios denunciando os massacres cometidos pelo rei belga Leopoldo II na então colônia africana e os abusos sofridos pelos índios Putumayo no Peru.

Além do Congo, Vargas Llosa foi à Amazônia peruana e à Irlanda para investigar a vida de seu protagonista. No início, não estava seguro sobre o alcance de seu romance histórico, mas depois da viagem à África percebeu que os abusos denunciados por Casement há um século tinham uma ligação profunda com a situação atual do país e do continente. Em entrevista ao GLOBO por e-mail, Llosa recorda o momento em que se deu conta disso, num campo de refugiados com “milhares vivendo em tendas de trapos ou tombados no solo, sem ânimo para se levantar”, onde ouviu o testemunho comovido de um médico sobre os estupros em série cometidos por todas as facções envolvidas na guerra civil.
— Fiz a viagem ao Congo porque queria percorrer os lugares onde Casement tinha vivido e onde se passam os episódios congoleses do meu romance. O que eu não espertava era descobrir que no período que eu descrevia tinha sido forjada toda essa violência atroz que ainda é a realidade cotidiana para milhões de famílias congolesas — recorda.

O personagem que apresentou Vargas Llosa às consequências do colonialismo foi o mesmo que, no início do século passado, abriu os olhos de Joseph Conrad, que chegou ao Congo no barco de uma companhia de Leopoldo II, para o absurdo da ocupação belga, inspiração do romance “O coração das trevas”. Foi numa biografia recente de Conrad que o autor peruano leu pela primeira vez sobre Casement. Ficou “intrigado e fascinado” pelo personagem e por seu “trágico destino”, diz.

Depois de retornar ao Reino Unido como herói, Casement se engajou na luta pela independência da Irlanda. Preso por traição ao governo em 1911, ele se viu isolado depois da publicação de trechos de seus diários em que confessava ser homossexual e pedófilo. Foi enforcado em 1916, e seu legado de defesa dos direitos humanos foi eclipsado por esse escândalo sexual. Suspeitas de que os diários haviam sido forjados para incriminá-lo foram dissipadas por estudos recentes, mas Vargas Llosa se alinha aos que defendem que boa parte dos trechos mais explícitos são apenas fantasias de Casement.
Apesar dessa observação e dos anos de viagens e pesquisa em bibliotecas, o autor peruano sublinha que não quis fazer de “O sonho do celta” um documento histórico.
— Sempre faço uma pesquisa extensa porque, dessa maneira, vou me empapando pouco a pouco do mundo que quero descrever. Isso é um grande apoio para minha fantasia. Mas não sou um historiador e sim um romancista, e em “O sonho do celta” há muito mais invenção e fantasia do que memória histórica.

A mescla de fantasia e História é uma marca de romances importantes de Vargas Llosa, como “A festa do bode”, que repassa três décadas de ditadura na República Dominicana, “A guerra do fim do mundo”, baseado no cerco a Antônio Conselheiro e ao Arraial de Canudos, e “Conversa na catedral”, um registro da vida no Peru de meados do século XX, que o próprio autor considera $obra-prima. O livro novo se aproxima da ambição desses, mas Vargas Llosa diz ter buscado um registro novo:
— Em “O sonho do celta” usei de maneira deliberada um tipo de escrita que se assemelha às crônicas históricas, aos informes e aos diários pessoais, o que não tinha feito nos romances anteriores. Me pareceu que, usando um simulacro desses gêneros, aproximava psicologicamente o livro do tempo em que o romance transcorre, o fim do século XIX e início do XX — explica.

Lançado no mês seguinte ao anúncio do Nobel, o romance se beneficiou da repercussão do prêmio. Grande parte da crítica recebeu o livro com entusiasmo e viu na história de Casement a manifestação quase literal dos elogios feitos a Vargas Llosa pela Academia Sueca, que justificou a decisão destacando “sua cartografia das estruturas do poder e suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota do indivíduo”. Mas não foram poucas as vozes dissonantes que lamentaram a pobreza de estilo do texto (na resenha abaixo, Wilson Alves-Bezerra critica a estratégia adotada pelo escritor de dar à prosa um tom excessivo de crônica histórica).

À polêmica sobre a qualidade do novo romance seguiram-se outras. Em tempos de eleições no Peru, o escritor — que de$de ser derrotado por Alberto Fujimori em sua quixotesca campanha presidencial de 1990 prometeu não se envolver mais com política — se manifestou quando as urnas indicaram os candidatos que disputarão o segundo turno, em 5 de junho. Para o ex-comunista e hoje neoliberal Vargas Llosa, o país tem duas escolhas entre o nacionalista de esquerda Ollanta Humala e Keiko Fujimori, “o suicídio ou um milagre”, disse à imprensa local. Em artigo recente no “El País”, porém, declarou um relutante apoio a Humala, alarmado com as consequências de uma possível vitória da jovem filha de seu velho inimigo.

Em abril, as polêmicas o acompanharam à Argentina. Chamado para abrir a Feira do Livro de Buenos Aires, esteve prestes a ser desconvidado pelo diretor da Biblioteca Nacional por ser um crítico da presidente Cristina Kirchner, que terminou intervindo em favor do escritor. Os conflitos o cansam, mas também previnem contra o que vê como uma “doença” que afeta muitos escritores e tem o rondado desde o Nobel: “tornar-se uma estátua em vida”.
— Não levo muito a sério as referências a mim ou à minha obra relacionadas com esse prêmio. E continuo atuando com a mesma liberdade, inconformismo e atrevimento de antes. Não fujo dessas polêmicas políticas e literárias que, não sei por quê, parecem me acompanhar ao longo da vida como uma sombra.

...Leia integra no original:

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Internacional. Corte Suprema Peruana confirmou condenação de Fujimori por violação de direitos humanos...

Domingo, 3 de janeiro de 2010 20:14:28

Justiça peruana

confirma condenação de Fujimori



Extraído de: Reuters Brasil - 03 de Janeiro de 2010

Por Patricia Vélez

LIMA (Reuters) - A Justiça peruana confirmou de forma unânime a sentença de 25 anos de prisão para o ex-presidente Alberto Fujimori pela morte de 25 pessoas durante a repressão à guerrilha na década de 1990. O recurso pela anulação da sentença apresentado pela defesa foi recusado.


A sentença ditada em abril do ano passado foi a primeira na América Latina contra um presidente eleito e julgado em seu próprio país por causa de abusos contra os direitos humanos.


A Corte Suprema "confirmou por unanimidade a sentença de 25 anos de prisão imposta ao ex-presidente Alberto Fujimori como responsável pelos delitos de homicídio qualificado e lesões graves", disse a Justiça em comunicado divulgado neste domingo.


Nos casos de sequestro agravado do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer Ampudia, a decisão também foi ratificada, mas por quatro votos a um. Para um dos magistrados, o sequestro foi simples, e não agravado.


Gorriti foi sequestrado um dia depois do autogolpe de abril de 1992 por militares e preso no serviço de inteligência. Ampudia foi preso sem ordem judicial no aeroporto de Lima, também em 1992.


A filha de Fujimori, Keiko Fujimori, uma política popular, já afirmou que indultaria o pai se ganhasse a Presidência nas eleições de 2011.


Fujimori permanece detido em uma base policial em um bairro pobre de Lima.


Muitos peruanos reconhecem o matemático Fujimori pela derrota da guerrilha que queria impor um Estado comunista no Peru, e também por ter trazido estabilidade econômica ao país.


Mas outros acusam Fujimori de ter governado com mão dura e de ter promovido abusos aos direitos humanos --como a morte, por militares, de 25 pessoas, incluindo uma criança, acusadas de pertencer ao grupo rebelde Sendero Luminoso.


...Disponível no Portal JusBrasil: (http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2046160/justica-peruana-confirma-condenacao-de-fujimori). Acesso em: 04.jan.2010.