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domingo, 9 de agosto de 2015

Nome. Alteração. Habilitação para casamento. Pedido de retirada do sobrenome materno. Identidade psíquica. Possibilidade. STJ.

Postagem 09/ago/2015...

STJ admite retirada de sobrenome em virtude de casamento

Data: 05/08/2015

É possível suprimir sobrenome materno por ocasião do casamento, desde que demonstrado justo motivo e que não haja prejuízo a terceiros. A decisão é da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que entendeu que a supressão devidamente justificada efetiva importante direito da personalidade, desde que não prejudique a plena ancestralidade nem a sociedade.

A ação foi iniciada com a solicitação de retirada do sobrenome materno e paterno da certidão de casamento da mulher por não representar sua legítima vida familiar. A sentença e o acordão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) admitiram que fosse retirado o sobrenome materno, porém mantido pelo menos o paterno, possibilitando o acréscimo dos sobrenomes do marido.

Entretanto, no recurso ao STJ, o Ministério Público de Santa Catarina afirmou que a supressão do sobrenome "não encontra respaldo no ordenamento jurídico brasileiro", que somente faz referência à possibilidade de acréscimo do sobrenome, e não da sua exclusão.

Excepcionalidade

De acordo com o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do recurso, a alteração do registro civil é admitida em caráter excepcional, por decisão judicial, nas hipóteses legais, devendo ser justificada e não prejudicar terceiros.

Segundo o ministro, apesar de o artigo 57, parágrafo 2º, da Lei 6.015/73 – Lei de Registros Públicos – e artigo 1.565, parágrafo 1º, do Código Civil expressarem apenas a possibilidade de acréscimo ao nome de quaisquer um dos noivos, a interpretação jurisprudencial caminha para outra solução.

Villas Bôas Cueva explicou que o nome deve retratar a "própria identidade psíquica do indivíduo" e que sua função é "identificar o núcleo familiar da pessoa", de forma a evidenciar "a verdade real", ou seja, a unidade familiar no caso concreto.

Ele assegurou que não existe no ordenamento jurídico qualquer impedimento para a supressão de apenas um dos sobrenomes. Conforme os autos, o pedido foi justificado no fato de a requerente ter sido renegada durante a vida por sua família materna. Além disso, a supressão do sobrenome "não impedirá sua identificação no âmbito social e realiza o princípio da autonomia de vontade", afirmou o relator, confirmando a decisão do TJSC.

REsp n. 1.433.187

Original disponível em: (http://www.cc2002.com.br/noticia.php?id=7203). Acesso em: 08/ago/2015.

Processo de origem do TJSC: 2012.074727-7 - Acórdão integral: (Original disponível em: (http://app6.tjsc.jus.br/cposg/pcpoQuestConvPDFframeset.jsp?cdProcesso=01000N5KU0000&nuSeqProcessoMv=53&tipoDocumento=D&nuDocumento=5483093). Acesso em: 08/ago/2015.

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