13/jun/2014...
Eduardo Campos e Aécio Neves perderam uma oportunidade dourada de
exercer e estimular a civilidade em meio a um debate político eivado de
ódio e intolerância.
A respeito dos xingamentos a Dilma num Itaquerão lotado de gente que
daria orgulho às multidões do Coliseu, Campos poderia e deveria ter
dito, entre trezentas coisas, o óbvio: isso não se faz com uma senhora.
Preferiu uma saída covarde. “Quanto às manifestações dentro do
estádio, a gente sabe que há na sociedade um mau humor, uma
insatisfação, que se revela nesses momentos”, afirmou. “Talvez a forma
possa não ter sido a melhor de expressar esse mau humor, essa
discordância, mas o fato é que vale o ditado: na vida a gente colhe o
que a gente planta”.
Que diabo significa isso? Aécio apelou para o mesmo clichê: “Acho que
ela colhe um pouco aquilo que plantou ao longo dos últimos anos. Alguém
que governa com mau humor permanente, com enorme arrogância, sem
dialogar com a sociedade brasileira, de costas para a sociedade, achando
que por ter a caneta na mão tudo pode”.
É uma forma de dizer que a adversária mereceu. De certa maneira, o
que eles estão informando é que, se estivessem na Arena Corinthians,
provavelmente estariam berrando, ao lado da colunista social do Estadão:
“Ei, Dilma, vai tomar no c…”. (Marina não se manifestou — ou, se o fez,
ninguém entendeu nada, como sempre).
Aécio, em especial, sabe o que é uma vaia devastadora de um estádio e
seus efeitos. Em 2008, num amistoso entre Brasil e Argentina, um
Mineirão tomado começou a noite entoando “Adeus, Dunga! Adeus, Dunga”.
Nas cadeiras mais caras, uma plateia VIP formada por, entre outros,
Pelé, Marco Aurélio Mello e José Alencar ainda ouviu: “Ô Maradona, vai
se fo…, o Aécio cheira mais do que você”.
Esse coro não saiu nos jornais há seis anos, ao contrário do de ontem, mas pode ser ouvido até hoje.
Disponível em: (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/aecio-campos-e-o-elogio-as-vaias-a-dilma/). Acesso em: 13/jun/2014.
Nenhum comentário:
Postar um comentário