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domingo, 10 de novembro de 2013

Jango terá cortejo com honras militares no trajeto para exumação passando pelo Congresso e Palácio do Planalto...

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Governo quer povo na rua durante cortejo de Jango

  • Partidos e organizações sociais são chamados para mobilização; corpo de ex-presidente será exumado dia 13
  • FLÁVIO ILHA (EMAIL)

Sepultamento do ex-presidente João Goulart, em São Borja (RS)
Foto: Arquivo O Globo / 7-12-1976FLÁVIO ILHA (EMAIL)
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Sepultamento do ex-presidente João Goulart, em São Borja (RS) Arquivo O Globo / 7-12-1976
PORTO ALEGRE - O governo está mobilizando partidos e organizações sociais para garantir que a exumação do corpo do ex-presidente João Goulart, marcada para o dia 13 deste mês, seja um sucesso de público. A intenção é que haja apoio popular ao cortejo de translado dos restos mortais em São Borja (RS), onde Jango está sepultado, e em Brasília. Na capital federal, o trajeto da Base Aérea até o Instituto Nacional de Criminalística (INC) será feito em carro aberto, provavelmente do Corpo de Bombeiros.
O transporte do corpo terá a escolta de batedores militares nos trajetos entre o túmulo da família e o INC — onde será feita a coleta de material para análise científica. A urna mortuária deverá ser transportada de São Borja para Santa Maria, a cerca de 300 quilômetros, de helicóptero e, dali, em avião da FAB até Brasília. Os restos mortais retornam a São Borja em 6 de dezembro, quando serão completados 38 anos da morte do ex-presidente.
Segundo a ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário, a exumação do Jango faz parte de um contexto de pesquisa histórica e recuperação da memória que responde a um desejo da família e a um anseio humanitário. Para ela, a pesquisa histórica comprovou que o ex-presidente foi monitorado, perseguido e impedido de voltar ao Brasil pelo governo militar da época — mesmo que já tivesse recuperado os direitos políticos cassados por dez anos, em 1964.
— Sem dúvida, a melhor homenagem a Jango é a do povo na rua. Mas, para isso, precisamos da articulação dos partidos e das entidades sociais para garantir que o ato seja um acontecimento, um reconhecimento que ele não teve quando morreu devido às limitações impostas pelo governo militar — afirmou.
Há a possibilidade também de que seja decretado luto oficial de três dias, mas o Planalto ainda não decidiu se a homenagem será feita em Brasília.
Exumação terá técnicos de Uruguai, Cuba e Argentina
O processo de exumação do ex-presidente João Goulart, que morreu supostamente vítima de um ataque cardíaco, ainda está sendo definido pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) em parceria com a Polícia Federal (PF), que coordenará a missão. Mas alguns procedimentos, segundo a ministra Maria do Rosário, já estão decididos.
A exumação será feita na manhã do dia 13, por peritos da PF e de países onde Jango viveu. Argentina e Uruguai terão dois peritos cada um no procedimento. Além disso, haverá dois legistas da Cruz Vermelha, que participa como observadora. Por parte da família do ex-presidente, o trabalho será acompanhado pelo legista cubano Jorge Gonzales Pérez, reitor da Universidade de Ciências Médicas de Havana e que participou da exumação de Che Guevara;
No mesmo dia 13 os restos mortais seguem para Santa Maria, provavelmente em helicóptero da PF, onde ficam sob guarda da Universidade Federal de Santa Maria. Dali, embarcam no dia 14 para Brasília em um avião da FAB. Os técnicos chegam a São Borja no dia 11. Além de isolar o local, os peritos vão verificar as condições do túmulo e participar de uma audiência pública para explicar o procedimento.
Em Brasília, o corpo será escoltado da Base Aérea até o INC em cortejo com honras militares, como forma de homenagear o ex-presidente, único da História que morreu no exílio. É provável que antes de chegar ao setor policial o cortejo passe pelo Congresso e pelo Palácio do Planalto.
Análise em dois laboratórios
Pelo menos dois laboratórios internacionais farão a análise bioquímica de amostras dos restos mortais de Jango, como ossos, cabelos e tecidos. Mas, por questões de metodologia, nem os laboratórios e nem os países serão divulgados. Maria do Rosário garantiu que a exumação será feita com base na ética e respeitando a intimidade da família, “sem visibilidade ampla”.
Segundo o chefe da Divisão de Perícias da PF, Amaury de Souza Júnior, a retirada dos restos mortais deve ser rápida para causar o menor transtorno possível:
— Ainda estamos verificando todas as condições do local, quantos peritos serão necessários e que tipo de especialistas precisaremos levar para garantir a integridade do material a ser coletado. É provável que haja a interdição do local, até para que não haja transtornos aos técnicos que farão o procedimento.
A exumação de Jango foi decidida no dia 24 de abril pela Comissão Nacional da Verdade, diante dos indícios de que a morte de João Goulart, em 6 de dezembro de 1976 durante seu exílio na Argentina, pode ter sido provocada por fatores externos. Há suspeita de envenenamento.

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