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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Divórcio de casamento. União estável anterior. Escritura de Pacto Antenupcial. Adoção do regime de separação de bens abrange também período da união estável. Validade e eficácia da Escritura. TJRS.

Postagem 27/fev/2015...

Ementa: 

EMBARGOS INFRINGENTES. AÇÃO DE SEPARAÇÃO JUDICIAL LITIGIOSA. CASAMENTO. REGIME DE SEPARAÇÃO TOTAL DE BENS. PACTO ANTENUPCIAL. 
É considerado válido o contrato realizado entre partes maiores e capazes. Ausência de vício capaz de invalidar o pacto. Manutenção do acordo de




Acesso ao Acórdão: Inteiro Teor: doc html

Manifesto do Desejo via Mediação Diagonal (Alexandre Morais da Rosa)

Postagem 27/fev/2015...

Manifesto do Desejo via Mediação Diagonal


Por Alexandre Morais da Rosa – 17/02/2015
Jorge Luis Borges escreveu um conto belíssimo e que pode nos conduzir, quem sabe, pela estrada perigosa do que denominamos, Warat e eu, de Mediação Diagonal, “A Intrusa”! Conta Borges que os irmãos Nilsen, Cristian e Eduardo, viviam muito bem na pequena cidade, até que o mais velho trouxe uma mulher, Juliana Burgos, para morar com eles. A amizade fraternal restou ofuscada depois que o mais novo começou a usar Juliana, tida para os dois, no discurso consciente, como um objeto, talvez objeto de desejo. A relação fraternal foi se tornando complicada e foram até uma casa de má reputação e a venderam, dividindo o dinheiro. Depois disso aparentemente a paz voltou, mas eles precisavam agora inventar compromissos sozinhos para ir até a casa de má reputação, até que se encontraram nela. Compraram a mulher novamente e a repartiram. A coisa não ia bem. Até que o mais velho, encontrando o mais novo disse que tinha resolvido a questão: matou Juliana e os dois foram enterrá-la… Retenhamos o sentido.
Além de estarem na moda, a Mediação e a Justiça Restaurativa, apresentam subliminarmente a possibilidade de queda, pagamento e redenção, e isto satisfaz, muito, os neuróticos de sempre. Enfim, com ela, na leitura religiosa, própria dos fiéis crédulos – não dos perversos/paranoicos que manipulam a fé – a qual abrange reacionários católicos de direita até os devotos de uma igreja qualquer, o discurso coloca a mediação como o “procedimento” que privatiza novamente o conflito, usurpado por um Estado Malvado e por seu Judiciário Incompetente. Embora isto possa ter alguma razão, não nos perderemos por este caminho. A pretensão é a de fixar, desde o início, que a mediação precisa ser Laica e que não há, por assim dizer, transcendência, Salvação. Em outras palavras, o sujeito não pode querer se transformar em instrumento de nenhum valor transcendente-metafísico, dentre eles, Paz Social, Bem Comum, Justiça e Equidade, no qual a Mediação é um caminho rumo à Redenção. A questão é muito mais pragmática, do dia-a-dia, do que se arvoram os Mediadores de Jesus. Gente que quer participar da colheita e do pastoreiro, e que encontra a porta da mediação aberta, escancarada. Para estes, talvez, seja o caso de fechar a porta. Bater na cara! Claro que eles podem dar a outra, cujo resultado deixo para uma escolha individual. Que fique bem claro: a porta da Mediação Diagonal está fechada para papa hóstias!
Este Manifesto decorre da necessidade de se estabelecer um lugar na discussão atual sobre as possibilidades e limites da aplicação da “Mediação” no campo da subjetividade. Não se trata de um movimento coeso, mas de uma junção de diversas coordenadas, muitas vezes inconciliáveis ideologicamente, agrupadas sob o mesmo significante. Há, portanto, a necessidade de uma “cartografia” em parte já realizada, bem como a de indicar as bases do que se entende por uma proposta de Mediação Diagonal? Mas o que vem a ser isto? Nunca ouvi falar! De fato, nunca ouviu, justamente porque pretende ser um novo caminho diferenciado, digamos, menos iluminista e mais ofuscante, por vezes carnavalizado.
O desafio para o estabelecimento de um estatuto teórico da Mediação precisa, de fato, dialogar com diversas propostas em implementação no mundo, mas não pode confundir a Teoria com sustentação teórica realizada às pressas pela imensa quantidade de empiristas embalados para presente, sedizentes teóricos da mediação, não raro, juízes. No Brasil o maior obstáculo da Mediação é o Poder Judiciário que, na maioria dos casos, é incapaz de entender a autonomia da Mediação e a entende como um instrumento lateral de auxílio para diminuição da quantidade dos processos. Gente que por tentativa e erro, diante de um número sempre limitado de experiências, acaba sacando leis universais. Além de superados epistemologicamente, devemos lembrar de Bertrand Russel e a demonstração da ingenuidade empirista. Diz Russel que o peru era alimentado todos os dias às 19:00 hs. Como foi alimentado por 4 meses, derivou a lei universal: sou alimentado todos os dias às 19 horas. Mas sempre chega o dia 24 de dezembro e o peru deixa de dançar no seu quadrado, por assim dizer; ela vai dançar na panela e na mesa de alguém. O ingênuo peru é a imagem dos empiristas da Mediação Brasileira. Assim, o que de regra existe não se pode tomar como paradigma de implementação, dado que é necessário levar em conta as especificidades da realidade de cada lugar, pelo menos nos campos da: (i) criminologia; (ii) filosofia; (iii) sociologia; (iv) direito; (v) antropologia. Dito em outras palavras, o estatuto teórico precisa de um refinamento, até porque há uma inescondível confusão na aplicabilidade indistinta da mediação na esfera cível e criminal, tomando-se, não raro, uma coisa por outra, como, por exemplo, “conflito” como “caso penal”.
As práticas incidem, ademais, em face de um sujeito não mais plenamente consciente, como nos herdou a Modernidade, mas descentrado, ou seja, provido de inconsciente e jogado na “inautenticidade” do “a gente” (Heidegger). Claro que a leitura quer se irá fazer não é a da “psicologia comportamentalista”, na pretensão de fortalecer o “eu”, ou seja, ortopédica, dado que a escola americana da psicanálise é um retumbante equívoco ético, por violar a dimensão do desejo, Lacan bem sabia. Assim é que se parte do fato de que não se possui mais um sujeito universal. Esses sujeitos, já que é impossível continuar falando de um, precisam ganhar espaço no processo público de solução de conflitos, para, com eles, construir-se laço social, também e necessariamente, com o lugar renomeado da vítima, até então entendida como um resíduo do ato gerador da intervenção, até porque para o processo criminal ela é um lixo processual. Enfim, a perspectiva é de fomentar a enunciação, a escuta, as responsabilidades pelo fato ocorrido são um dos caminhos. Não numa perspectiva horizontal, porque se mostra muita ingenuidade querer submeter os sujeitos a um procedimento imaginariamente horizontal ou mesmo vertical, uma vez que ambos desconsideram as intrincadas relações existentes antes, durante e depois da mediação, na linha de Juan Carlos Vezzulla. A mediação acontece como um evento encadeado de maneira diversa na realidade, entendida como limite simbólico, de casa um dos envolvidos. Por isto é preciso, quem sabe, refundar as bases desta abordagem, dando-se uma chance para o desejo!
Com efeito, há um perigo, a saber, o de se construir uma Justiça a partir da ética da vítima, como bem apontou Alain Badiou. A distinção entre Justiça e Injustiça encontra na vítima o enunciador de um lugar: eu sou vítima. De regra o “justiçado”, por assim dizer, não se promove, nem fica muito bem dizer isto, salvo por outros interesses. Mas deixemos isto de lado. Enfim, a vítima dá o seu testemunho, a sua versão, do que foi acometida e clama por Justiça. De alguma maneira, pois, a resposta pretendida (Justiça) implica na incidência de alguma coisa sobre o oposto: o agressor, o violentador. E a teoria do Direito, a Mediação e a Justiça Restaurativa partem da vítima para reconstruir os alicerces de um pensamento “responsável”. Aí reside um grande equívoco, pois os sujeitos são previamente colocados nos seus lugares, como no Boxe. No lado direito fica a vítima e do esquerdo o agressor? Comecemos o embate! O imaginário compartilhado gera um curto-circuito subjetivo de reconhecimento diante do Estado e do outro. A resposta tradicional é o reificação da impossibilidade de diálogo. Chega-se, assim, rapidamente, na proposta da Mediação Diagonal.
A ideia da Mediação Diagonal é a de justamente ser a contrária à compreensão da vítima pública, ou seja, daquele que se apresenta com o discurso reivindicatório. Perceba-se que ao se colocar, a priori, o sujeito no lugar de vítima, não se pode esperar outra coisa do que uma reiteração histérica de queixas para sustentar o lugar. Por isto é preciso sacar o sujeito deste lugar nefasto de vítima para o situar num patamar diferenciado, desprovido de pré-determinações de sentido. Quem sabe se possa pensar em relações diagonais, semi-ditas, em que a colocação de antemão, na condição de vítima, seja justamente o que impede, por assim dizer, que a coisa aconteça, postando-a de maneira carnavalizada, a saber, sem pólos de sentido, sem adjetivações, mas com nomes próprios. Sabe-se que abandonar um lugar é muito complicado, ainda mais quando a estrutura mantém este lugar como sendo o que é passível de proteção, por um espaço compartilhado e não de consenso.
Mas em que consiste a distinção entre compartilhado e de consenso? O compartilhado decorre de um manifestar de vontade em que as posições, embora embaralhadas, podem ser compreendidas e, mesmo que o orgulho, o narcisismo ou outro condicionante, de fato, intervenha, possa ensejar a realização do luto, a saber, seguir-se adiante. Daí não se possuir pressa na mediação e o mediador precisa postergar os sentidos, como o analista lacaniano, interrompendo sessões que não podem ser dogmaticamente de 50 minutos… Na busca pelo consenso, muitas e muitas vezes, diante de sua tradução jurídica, procura-se colocar em termos, escritos, repetir o que ficou acordado. Neste momento, penso, que justamente se perde um dos fundamentos maiores da mediação: a credibilidade da palavra, como aponta Luis Alberto Warat.
Ao mesmo tempo que se diz que a palavra deve ser o fundamento, ou seja, em ouvir e ser ouvido, no passo subsequente há uma desconfiança constitutiva e um condicionante herdado da modernidade que quer ver tudo claro e transparente, vertido em palavras escritas. Talvez seja o sintoma de que, na hipótese, a mediação não se deu por sujeitos enunciadores, mas participantes de um simulacro público-privado, em que a atuação estratégica foi preponderante. Dito de outra forma, não houve uma atuação deliberada, mas pensada na lógica dos custo-benefício. Isto não exlcui, claro, a hipótese em que os próprios falantes desejam colocar isto no escrito e levar consigo. Esta decisão, todavia, não pode ser um a priori nem a exteriorização do resultado compartilhado. Pode ser apenas uma parte de um romance entre os envolvidos… Em resumo: a pretensão comum de que o resultado de uma mediação possa ser traduzido por uma narrativa linear destoa e, portanto, desconsidera o tempo em que cada ato é encadeado no romance autobiográfico do sujeito, o qual não acontece por uma pontuação racional, já que o tempo euclidiano é um elemento de conteúdo variável. Ela acontece noutro registro. Assim, dos lugares de enunciação não há possibilidade de um consenso definitivo. O acordo é um evento, da ordem do acontecimento (Badiou).
Talvez uma das chaves para entender a proposta de Warat sobre mediação possa estar na leitura cruzada, ou seja, como metáfora, da Literatura, recurso utilizado por ele diversas vezes. Por isso a invocação de Cortazar e seu fantástico livro “História de Cronópios e Famas”, justamente para indicar duas posições diferentes, a saber, os Famas como sujeitos matemáticos, estatísticos, ordenados, loucos por protocolos de atuação. Já os Cronópios, por seu turno, gente que aceita o convite da vida, do inesperado e de bom grado a surpresa da faticidade, sem querer impor um padrão de vida. Esta opção entre Famas e Cronópios, no caso da mediação, dá a dimensão do que se passa. Embora o discurso seja de aceitar o outro e a violência que ele sempre traz consigo, muitas e muitas vezes o deslizar para “consertar” o sujeito, a relação estabelecida entre os envolvidos, faz com que os Famas-Mediadores neguem o fundamento da mediação, alienadamente. Assim, parece, com acerto, que somente uma postura de Mediador-Cronópio pode promover uma mediação sem Salvação transcendente, já que vivem o mundo poeticamente.
É que não se pode fazer uma leitura linear do conflito, nem o entender como uma imagem. Ele é sempre a narrativa parcial de uma realidade sustentada por um sujeito que enuncia e que precisa de uma fusão de horizontes (Gadamer) num espaço compartilhado, desprovido, ademais, de Verdade Verdadeira/Fundante. A realidade entendida como limite Simbólico, portanto, da ordem do singular, impede que a leitura da realidade única possa se estabelecer, como de regra acontece no plano do Direito. Há um para-além do dito, no qual o sentido de uma possibilidade de interlocução e responsabilização, por básico, demandam um procedimento específico para produção de verdades, sem transcendência. Uma Mediação Laica, assim, parece ser o desafio neste início de milênio. Esta possibilidade não implica na renúncia aos mitos fundadores de qualquer Sistema, mas justamente em reconhecer que a transcendência opera no Real, ou seja, em algo que somente se pode tocar nas bordas, enfim, no qual a palavra irá fundar, por definição, mas que não se pode querer salvar ninguém!
Mais cedo ou mais tarde se percebe que o conflito e sua manutenção ocupam o lugar de um remédio imaginário contra o desalento constitutivo do sujeito, no medo que o desamparo de uma solidão aumente pelo rompimento do vínculo que um processo judicial proporciona, situação mais do que apurada no campo do Direito de Família, em que as separações, divórcios, etc… nunca terminam…., justamente porque os sujeitos não podem dar cabo ao que lhes sustenta…. e a resposta estatal padrão, fundamentada na razão, é manca. Sempre. Há um “para-além” do autos, no silêncio, no semi-dito, que condiciona o sentido do que virá depois…
No campo da mediação se constrói um conto com os materiais significantes disponíveis, sem que já se antecipe o final. Difere de uma decisão judicial que acredita ingenuamente dar a razão para alguma das partes. Rompe-se com o padrão moderno de racionalidade, enfim, muda-se de rumo. Aceita-se a parcialidade de um acontecer. Não há um projeto do que pode ser adequado para os envolvidos. Na singularidade que surgirão, por certo, a procela de significantes que serão dispostos, em algo próximo a uma “bricolage”, em que a garantia decorre da montagem conjunta dos concernidos.
Com efeito, o que se dá, de regra, são atores sociais que amam o Direito, a Mediação, mas odeiam gente, contato, proximidade, como fala Luis Alberto Warat (O Ofício do Mediador). Amam as pessoas à distância, nos seus lugares, desde que os deixem em paz. A paz muitas vezes do discurso consciente contracena com o desprezo, a intolerância em relação ao outro. O encontro é similar a lógica do “amor cortês”, no sentido de evitar o encontro com a “coisa”, enfim, como no “amor cortês” é um falso amor; é um falso respeito. Por detrás do discurso esconde-se, não raro, uma intolerância primordial. Evitar-se o encontro ao máximo, com medo do trauma que daí advém, sempre. E quando acontece o encontro, por exemplo, com a violência, o conflito, a intolerância impera soberana. Por isso que Lacan (Ética da psicanálise), ao afirmar que o Realexiste, mas é impossível, refere-se ao axioma: “ama o teu próximo”, porque ele para ser amado deve permanecer a certa distância, sem encontro, porque quando isto se dá, o trauma acontece. É sobre este trauma que muitas vezes a Mediação é chamada a se manifestar. A sociedade vive numa convivência à distância, um contato sem contato, e os contatos são traumáticos por definição.
Daí o perigo dos discursos de “Paz por Paz”, alienados da dimensão humana e ideológica, na esperança metafísica – e muitas vezes religiosa – de uma perenidade de humanos tornados em anjos, imaginariamente. Este é um projeto inalcançável e que fomenta – muito de boa-fé – as atividades sociais totalitárias. Procura-se, neste pensar, uma desubjetivação, com o apagamento da dimensão de negatividade do sujeito, de sua pulsão de morte (Freud). E os Famas de sempre procuram impor um padrão de subserviência alienada ao desejo, tornando os mediados em marionetes de um discurso opressivo sem sentido. Procura-se, enfim, eliminar o sujeito humano que molesta.
Aceitar o sujeito é admitir que age sem o saber, movido por uma estrutura subjetiva singular, própria, embalada pelo princípio de morte, na eterna tentação de existir. Pode ser que ali, no conflito, uma tentativa de o sujeito se fazer ver, aparecer. A abordagem tradicional busca calar esta voz, não deixar o sujeito dizer de si, de suas motivações, previamente etiquetadas e formatadas. Há um sujeito no conflito. E a Mediação possibilita que ele se faça ver, dando-lhe a palavra, sempre. É com a palavra, com a voz, que o sujeito pode aparecer. A violência em nome da lei, imposta, simplesmente, realimenta uma estrutura de irresignação que (re)volta, mais e mais.
Na Mediação se pretende mostrar que não se pode gozar tudo, pois há um impossível a se gozar em sociedade. Busca-se, ao inverso do discurso padrão, construir laço social, e não a imposição de um respeito incondicional kantiano que, por básico, opera na lógica: “não discuta, cumpra”. Buscar que o sujeito enuncie seu discurso e não despeje enunciados, como diz Lebrun, ocupando um lugar e uma função.  A aposta que se faz, neste contexto, pois, é a de que reconhecer o outro, a alteridade, na medida em que se descobre sujeito. Dito de outra forma, aceitar o outro sob a forma de uma relação conflituosa, para somente assim ocorre laço social. Do contrário, há intolerância. Sempre. Zizek (Arriesgar lo imposible: Conversaciones com Glyn Daly) afirma que é preciso de alguma maneira aceitar a violência, porque a tolerância à distância, própria do modelo liberal, é muito mais cínica. Enfim, arriscar o impossível: aceitar e se relacionar com o outro singular, no que a mediação, via Cronópios, pode ser um sendero.
Cabe retomar para sublinhar que a fantasia popular (judicial) da eleição divina encontra-se disseminada na Mediação. A fixação da crença de uma escolha divina capaz de conduzir os sujeitos á condição de um corpo engrenagem de uma estrutura maior, divina, faz adornar o imaginário na certeza psicótica de possuir a verdade, não qualquer verdade, mas toda a verdade! Embora pareça, neste momento, não estou falando de juízes, embora aplique-se, claro, a eles. Deste lugar não é simples sair, nem resistir, ainda mais quando a adubação imaginária não encontra amarras simbólicas firmes, de um sujeito-indivíduo em busca da redenção.  Este mito da eleição divina, por si, traz o caráter sagrado da missão na terra, tornando o sujeito em instrumento de um projeto maior. De toda forma a fantasia impõe uma séria de obrigações para evitar a catástrofe. Nas mãos do sujeito encontra-se o destino da humanidade, das partes envolvidas, da qual ele não pode ceder um só centímetro, dada sua responsabilidade salvacionista. Claro que existe a possibilidade de se dar conta, mas isto opera somente depois, pois o sentido, como sempre, acontece depois… somente depois, quando deixar de se sentir parte dos eleitos… Por isto, reafirmo, com estes não se pode trabalhar e como acreditar ou não na Salvação é da ordem da crença, deve-se fechar a porta da Mediação para estes, aqui dogmaticamente.
Já é hora de voltar a Borges e propor uma leitura diagonal da intrusa. Perceba-se que não se pode psicologizar o conto e os personagens. O que importa, no caso, é que todos são assujeitados ao seu desejo e a saída violenta, não raro, é só mais uma das saídas, quando a mediação simbólica é impossível. O retorno do reprimido se faz no Real. O conto não continua e não se pode imaginar como ficaram os irmãos depois. O que sublinha, no caso, é que não existe um lugar de vítima, pois todos são, a questão é como se os pode tratar todos como sujeitos sem violar as suscetibilidades simbólicas? Somente carnavalizando a intervenção, desde um ponto de vista vertical, quem sabe numa dança das cadeiras simbólicas.
Para finalizar digo que há um sonho e se há sonho ele é a realização de desejo, não raro imorais. De alguma forma é preciso trair a normalidade moderna da mediação para enfim se estar diante do devir… Com Jean Baudrillard posso dizer: “Já que o mundo se encaminha para um delirante estado de coisas, devemos nos encaminhar para um ponto de vista delirante. Mas vale perecer pelos extremos do que pelas extremidades.” Sem, claro, ceder no nosso desejo! Warat nunca cedeu e pagou o preço. Aliás, todos pagamos.
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alexandre-colunista
Alexandre Morais da Rosa é Doutor em Direito (UFPR). Mestre em Direito (UFSC). Professor do Programa de Mestrado em Direito da UNIVALI (SC). Membro do Núcleo de Direito e Psicanálise da UFPR. Juiz de Direito (TJSC).  Email: alexandremoraisdarosa@gmail.com
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* Fala apresentada no Encontro do GMET, na PUC-RJ, em 30.10.2008, quando do aniversário de Warat. Depois coloquei mais coisa. O tempo pedia.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

“Defender a Petrobras é defender o Brasil, é defender os trabalhadores, é defender a democracia” (Luiz Inácio Lula da Silva)

Postagem 26/fev/2015...

Lula conclama orgulho pela Petrobras em ato de movimentos sociais


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“Defender a Petrobras é defender o Brasil, é defender os trabalhadores, é defender a democracia”, afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ato “Defender a Petrobras é defender o Brasil”. O encontro foi realizado pela Federação Única dos Petroleiros e pela Central Única dos Trabalhadores, na noite de terça-feira (24), no Rio de Janeiro.
Lula falou do seu orgulho de ter visitado inúmeras vezes a Petrobras durante seu mandato e inaugurado diversas plataformas e sondas. “O que a gente não pode é jogar a Petrobras fora por causa de meia dúzia de pessoas.” Ele ressaltou que, historicamente, a mesma estratégia é utilizada: a de criminalizar antes de julgar. O representante da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, Wadih Damous, também falou da importância de não condenar as pessoas antes do devido julgamento.
 Lula frisou ainda a importância do modelo de partilha e os interesses que foram contrariados com eles. Em nome dos movimentos sociais rurais, João Pedro Stédile ressaltou que “o que está em jogo não é a corrupção, é a lei de partilha. O que está em jogo é quem ficará com o lucro do petróleo e eles não aceitam que vá para educação e saúde”.
José Maria Rangel, coordenador geral da FUP, também afirmou que os trabalhadores não devem ter vergonha da empresa. “Nossa Petrobras não é a do Paulo Roberto Costa, do Barusco, desses predadores.” Ele lembrou que a história da Petrobras foi feita nas ruas do país: “Nós defendemos nossa empresa nas ruas e iremos novamente para as ruas para defender a Petrobras, custe o que custar”.
O presidente da CUT, Vagner Freitas. falou que aqueles que acusam a Petrobras não têm moral para fazê-lo e defendeu que, para acabar com a corrupção de verdade, é preciso fazer a reforma política e pôr fim ao financiamento empresarial.
O encontro, que reuniu economistas, artistas, intelectuais, sindicalistas e jornalistas, ressaltou a necessidade de defesa da Petrobras como patrimônio do povo brasileiro.
Instituto Lula

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula


Original disponível em: Lula conclama orgulho pela Petrobras em ato de movimentos sociais

El único "derecho" que no tiene la oposición venezolana es a dar un golpe (Karen Méndez)

Postagem 26/fev/2015...

El único "derecho" que no tiene la oposición venezolana es a dar un golpe

Publicado: 26 feb 2015 18:03 GMT | Última actualización: 26 feb 2015 18:40 GMT
La oposición venezolana, que agrupa a los sectores más adinerados del país, tiene todos sus derechos políticos garantizados: si quieren marchar, marchan; si quieren denunciar por los medios de comunicación nacionales e internacionales cualquier cosa, así sea mentira y no tengan pruebas, lo denuncian; si quieren votar, votan; si quieren postularse a cargos de elección popular se postulan y si son electos se les reconoce; si quieren reunirse, se reúnen; si quieren hablar con el Presidente, hablan con el Presidente; si quieren que venga un funcionario del Vaticano para que sea garante del diálogo, viene un enviado del Vaticano; si se quieren levantar de la mesa y congelar el diálogo con el Presidente, se levantan, lo congelan y no pasa nada; si quieren hacer una gira internacional para denunciar por el mundo “los abusos” del Gobierno con total libertad hacen la gira; si quieren ser visitados por cuestionados ex presidentes, son visitados; y hasta si quieren recibir financiamiento del exterior, lo reciben violando libremente las leyes, tal como lo ha evidenciado el Gobierno deBarack Obama al autorizar para el año 2015 unos 5.5 millones de dólares para apoyar a la oposición venezolana.
La oposición de Venezuela lo tiene todo. El único “derecho” que no tiene es a dar un golpe de estado y con ello provocar una guerra civil en el país.
Nunca antes en la historia de Venezuela una oposición había tenido tantos derechos garantizados, una realidad que nadie puede negar. Sólo basta con revisar la historia y confirmar que durante los 40 años que gobernaron (1958-1998), desaparecieron y asesinaron a más de 3 mil venezolanos opositores de entonces, y encarcelaron y torturaron a otros cientos de estudiantes, trabajadores, sindicalistas e incluso ilegalizaron por cuatro décadas al Partido Comunista de Venezuela. 
Sin embargo, si se lee lo que divulgan las grandes corporaciones mediáticas sobre Venezuela o lo que dicen los partidos de la derecha mundial, se podría llegar a pensar que esta “democrática, sacrificada, noble y recién nacida oposición” esta condenada a ser encarcelada tan sólo por pensar distinto y querer un cambio en el país.
Recientemente hemos visto que distintos personajes alrededor del mundo, encabezados por el propio Presidente Barack Obama, han pedido la libertad de Leopoldo López, condenado el encarcelamiento del Alcalde Metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, implicado por los propios militares convictos y confesos en planes de golpes de estado, y han rechazado el procedimiento legal que se sigue contra María Corina Machado por generar violencia con sus llamados a “la salida” y luego pedir una intervención extranjera.
A estos 3 dirigentes los presentan como las víctimas de un “régimen opresor”. Pero ninguno dice que estos 3 dirigentes son reincidentes en sus acciones antidemocráticas.
Todos fueron protagonistas del golpe de estado de abril de 2002 contra el Presidente Hugo Chávez provocando 19 muertos, que derogaron todos los poderes públicos y suspendieron todas las garantías constitucionales durante las 48 horas en las que fueron gobierno en 2002, que todos  participaron en el golpe petrolero de 2002-2003, que luego de perder el referéndum revocatorio de 2004 llamaron a acciones violentas de calle, que son aliados de los sectores más guerreristas de EEUU, del sionismo israelí y de Álvaro Uribe Vélez. No dicen que en 2009, esta oposición a través del apoyo del terrorista internacional Luis Posada Carriles (cubano formado por la CIA que ejecutó los peores ataques terroristas en la región como la voladura del avión de Cubana de Aviación en 1976) intentó provocar acciones terroristas comandadas por el también terrorista Francisco Chávez Abarca, hoy condenado a 30 años de prisión en Cuba tras haber confesado su participación en cientos de atentados terroristas.
Estos que hoy levantan la voz en apoyo a la oposición, no dicen que en 2013 estos personajes se burlaron de la muerte del Presidente Chávez hasta casi provocar la ira del pueblo chavista y generar un enfrentamiento entre hermanos, y que el 14 de abril de 2013 tras no asumir una nueva derrota electoral llamaron a todos sus grupos violentos a salir a las calles a “drenar la arrechera”, lo que provocó el asesinato de 11 chavistas. Todas estos personajes, que  fueron perdonadas por el Presidente Chávez el 31 de diciembre de 2007 a través de una amnistía, siguen apostando por los caminos violentos y anticonstitucionales. Son ellos los que se han negado al diálogo y a la paz.
El pasado 12 de febrero de 2014 llamaron a toda su militancia a salir a las calles para derrocar al Presidente Maduro, un llamado que incluyó innumerables acciones violentas de calle, infiltración del paramilitarismo colombiano y que provocó el asesinato de 43 personas, la quema de universidades, hospitales, espacios públicos y privados generando pérdidas para la nación calculadas en unos 10 mil millones de dólares, según cifras oficiales.
Las corporaciones mediáticas que hoy hablan todos los días de Venezuela, callaron cuando en este país los gobiernos amigos de EEUU cometieron las más horrendas masacres, como la de Cantaura, Yumare, El Amparo o la del Caracazo, tan sólo en esta última asesinaron a unos 3 mil venezolanos opositores entre el 27 de febrero y el 3 marzo de 1989, y a muchos los sepultaron en fosas comunes. Ahora, sin ningún tipo de vergüenza, arman escándalos internacionales supuestamente indignados porque el Gobierno no respeta los derechos humanos y encarcela a los que “piensan distinto” cuando saben que no hay un solo asesinado, desaparecido, torturado o preso político, porque lo que hay son políticos presos por delitos cometidos. Son estas corporaciones mediáticas las que han creado campaña de satanización y desprestigio contra Venezuela calificando al Presidente Nicolás Maduro como un tirano, déspota y autoritario, tan sólo porque no se deja dar un golpe y permite que la justicia actúe y encarcele a todas aquellas personas vinculadas con acciones violentas, antidemocráticas y anticonstitucionales.
¿Y qué pretendían? ¿Que como Presidente Maduro se cruce de brazos, se siente en un sofá y permita que dirigentes como Leopoldo López, María Corina Machado, Antonio Ledezma y Julio Borges concreten sus planes golpistas y provoquen guerra civil? ¿Debe Maduro permitir que ellos, en complicidad con EEUU, tal como lo han revelado los militares detenidos, bombardeen Telesur, el Ministerio de la Defensa, el Palacio de Gobierno, el Consejo Nacional Electoral y la Asamblea Nacional? ¿Qué haría cualquier Presidente del mundo ante una insurrección de este tipo? ¿Deben los venezolanos complacer los caprichos de una minoría adinerada que quiere borrar del mapa a los más pobres, a los chavistas? No, la oposición tiene todos sus derechos garantizados, lo que no tienen es derecho a asesinar, bombardear, violar la Constitución, pasar por encima de la voluntad popular y provocar una guerra civil.
Ahora sale Estados Unidos, Álvaro Uribe Vélez y los personajes más oscuros del Partido Popular español, todos responsables de miles de muertos alrededor del mundo, a decir que se encuentran horrorizados, perturbados y perplejos porque el pasado 24 de febrero de 2015 un funcionario policial en el Estado Táchira asesinó a un joven inocente de apenas 14 años, hecho repudiado y condenado por toda la sociedad y el Gobierno Bolivariano en pleno. Pero ¿cómo creer que Obama, Uribe, Aznar y sus cómplices, quienes han provocado guerras, invasiones y han masacrado a sus propios pueblos, ahora sientan dolor y pena por la muerte de un joven venezolano?, ¿Cómo entender que el Gobierno de Estados Unidos se sienta preocupado por la muerte de este joven, cuyo asesino ya está preso, imputado y el jefe de la policía de ese estado destituido, y no sientan preocupación por los policías blancos de su país que han asesinado indiscriminadamente a varios jóvenes afroamericanos, y que además están libres y protegidos? ¿Hasta dónde llega la doble moral de estos asesinos?
Es evidente que estos personajes utilizan el tema de los derechos humanos y su defensa a los derechos civiles y políticos como una herramienta para invadir países o instalar Gobiernos títeres, tal como ya lo hicieron con Irak, Afganistán, Libia, Ucrania y Siria, entre otros.
El problema de Estados Unidos contra Venezuela no es con Maduro ni lo fue con Chávez, porque no es un problema de personajes, es un problema de intereses. Estados Unidos, que tiene el 5% de la población mundial consume 20% de la producción petrolera de todo el planeta, necesitan 20 millones de barriles de petróleo diarios para sostener su hegemonía, pero apenas logran producir 9.6 millones de barriles al día, cifra que incluye el petróleo de esquisto que han logrado extraer en estos últimos años a través del método fracking, que tantos daños ha provocado en los seres humanos y en el planeta tierra.
Mientras tanto, Venezuela, país que no controlan desde 1998, tiene las mayores reservas petrolíferas del mundo, aproximadamente 513 mil millones de barriles de petróleo extraíbles, más que cualquier otro país de la OPEP. Se estima que en los próximos 50 años, Venezuela será el único país del hemisferio occidental que podrá exportar petróleo.
Ya después de conocer estas cifras, cualquiera puede comprender “la preocupación” creciente de Estados Unidos por Venezuela, por qué ha emitido más de 50 declaraciones en lo que va de año, por qué sostiene que el Gobierno Bolivariano va en una mala dirección y aseguran que aplicarán sanciones o tomarán cualquier medida para encausarlo. Ya se puede comprender por qué López, Ledezma y Machado en el “Acuerdo de Transición” que firmaron y divulgaron el pasado 11 de febrero de 2015 como señal para activar el golpe de estado, confiesan en ese plan de gobierno que lo primero que harán al tomar el poder es pedir financiamiento al Fondo Monetario Internacional y cambiar la Directiva de PDVSA, la tercera empresa petrolífera más importante del mundo. Dos medidas necesarias para que Estados Unidos recupere el control de Venezuela.
Teniendo la oposición venezolana mecanismos inéditos en su historia y en la historia mundial para cambiar constitucionalmente un Gobierno, como convocar un referéndum revocatorio a la mitad del período presidencial, que en este caso sería a partir de abril 2016 ¿por qué tanto desespero y utilizan los atajos y las salidas violentas, no democráticas?
La guerra del Gobierno de Estados Unidos contra Venezuela está declarada. Sólo basta seguir la ruta del petróleo para saber la ruta de la guerra.
Original disponível em: El único

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O mundo do espetáculo. Virtual e contundente (Gisele Leite)

Postagem 25/fev/2015...


O mundo do espetáculo. Virtual e contundente

Parece que a materialidade da reflexão é realmente realizada pelo próprio corpo. A consciência aprende com o corpo a refletir

Fonte: Gisele Leite

Postado em 24 de Fevereiro de 2015 - 10:42





Parece que a materialidade da reflexão é realmente realizada pelo próprio corpo. A consciência aprende com o corpo a refletir.
É a relação corpo a corpo que nos possibilita ser espacial e ser temporal. Porém, o mundo virtual [1] é desprovido da referência do espaço e do tempo, o que fatalmente desloca o centro de nossa experiência.
O que realmente acontece quando perdemos a espacialidade e a temporalidade de nosso corpo e da nossa experiência?
Estamos, pois atópicos, ou seja, sem espaços e, nos situamos na acronia, ou seja, sem tempo. Identificamos o mundo virtual por essas duas ausências características, a saber: a atonia e acronia.
Atualmente através dos satélites e a informática percebemos que nosso cérebro se expande cada vez mais; E, com isso, se diminui a distância espacial e temporal, chegando mesmo até abolir o espaço e o tempo.
De fato, o universo está online durante vinte e quatro horas ao dia, sem obstáculos de distância e de diferenças geográficas, culturais, sociais, políticas, nem com a distinção entre o dia e a noite, ontem e amanhã.
A contundência do mundo virtual se faz presente em paralelo ao mundo real. E, o influencia. Afinal, tudo se passa exatamente aqui e agora. Nesse exato instante.
Como se vê nas salas de bate-papo (chats) onde é possível conversar com pessoas de outro extremo do planeta e cuja presença online é instantânea e imediata. Então também se percebe que as operações financeiras são realizadas num piscar de olhos entre empresas e bancos, situados em os mais distantes pontos.
Com a revolução da informática estamos diante de nova inserção do saber e da tecnologia no modo de produção capitalista.
Nas revoluções técnicas e tecnológicas anteriores, a pesquisa científica teórica era autônoma e se tornava ciência aplicada quando empregada por meio de tecnologias vinculadas à produção econômica, ou quando os resultados teóricos eram retomados com fins econômicos em laboratórios mantidos por empresas de produção.
Hoje a ciência tornou-se prioritariamente uma força produtiva. Deixando de ser uma força de conhecimento autônoma e de ser suporte para o capital para se converter no principal agente de acumulação e reprodução de capitais. Cogita-se, por exemplo, em capital [2] intelectual das empresas.Consequentemente a força e o poder capitalista encontram-se hoje no monopólio do conhecimento e da informação. E, é isso que dá origem a expressão sociedade do conhecimento [3].
A sociedade do conhecimento é uma nova etapa da sociedade industrial, é a aldeia global da era tecnotrônica. Um dos primeiros a desenvolver o conceito de sociedade da informação foi o economista Fritz Machlup. Seu trabalho culminou o estudo intitulado “The production and distribution of knowledge in United States” em 1962.
O problema da tecnologia e seu papel na sociedade contemporânea têm sido muito discutidos na literatura científica usando uma série de rótulos e conceitos.
Portanto, sociedade da informação [4] também chamada sociedade de conhecimento ou nova economia [5] que surgiu ao final do século XX, com origem no termo globalização. Tal sociedade se encontra em contínua formação e expansão.
Com essa expressão pretende-se indicar que a sociedade e a economia contemporânea se fundam sobre a ciência e a informação graças ao uso competitivo do conhecimento, da inovação tecnológica e da informação nos processos produtivos e financeiros, bem como os serviços como a educação, a saúde e o lazer.
O ponto crucial é saber quem tem a gestão de toda essa massa de informação, quem tem o controle coletor e distribuidor dessa gigantesca massa de informação.
Afinal, quem tem de fato detém o poder da informação [6]?
David Harvey autor da obra “Cidades Rebeldes” que fora publicado em 2014, é um geógrafo inglês, formado pela Universidade Cambridge e atualmente trabalha com diversões e questões ligadas à geografia urbana.
Mas, recentemente, Harvey tem defendido a tese do crescimento zero para a economia global e, durante o fórum social mundial de 2010 afirmou que: “Três por cento de crescimento composto (geralmente considerada a taxa de crescimento mínima satisfatória para uma economia capitalista), está se tornando cada vez menos viável de se sustentar sem recorrer a toda sorte de ficções 7 - (com aquelas que têm caracterizado os mercados de ativos financeiros e o mundo dos negócios ao longo das últimas duas décadas)”.
Há boas razões para acreditar que não há alternativa senão através de nova ordem mundial de governança que afinal deverá gerir a transição para uma economia de crescimento zero.
Em 2013, David Harvey pouco antes das manifestações que dominaram as ruas em junho de 2014, aqui no Brasil, veio aqui para o Seminário Margem Esquerda da Editora Boitempo.
Evento marcou a publicação de uma nova tradução de “O Capital” de Karl Marx e integrou o projeto: “Marx: a criação destruidora” que reuniu nomes como Michael Heinrich, Slavoj Zizek, Chico de Oliveira, José Arthur Gianotti, Robert Scwarz, entre outros, para debater o legado da Magnum opus de Marx.
Em sua obra, “Condição Pós-moderna” publicada em 1993 apontou como consequência da nova forma assumida pelo capitalismo, a chamada globalização, uma transformação, sem precedentes na nossa experiência do espaço e do tempo que é designada por ele como a compreensão do espaço temporal.
Harvey faz uma distinção entre a forma que tinha a organização da produção econômica até o momento em que se inicia a chamada globalização [8] e o que acontece com ela.
No período que antecede a globalização o que predomina é a organização fordista [9] de trabalho. Identificamos o fordismo normalmente como a linha de montagem da produção, mas significa bem mais do que isso. Representa a economia na qual uma empresa detém e controla a produção desde a matéria-prima até a ponta final que é a distribuição e o consumo do produto.
Uma única empresa controla todas as etapas. Para fazer isso de forma racional, ou seja, para gerar lucro, as empresas tendiam a se concentrar em uma única planta. Uma coisa que era típica na produção fordista era um empenho na qualidade final do produto.
Assim um produto era consagrado no mercado, mantido na tradução do mercado e do consumo, expandido, graças a sua qualidade [10].
O primeiro elemento de qualidade para as empresas desta época era a durabilidade. As empresas estavam ligadas a ideia de fazer estoque porque os produtos de boa qualidade eram duráveis e você tinha o estoque para atender à demanda crescente que se faria em torno do produto.
Na era da globalização temos o fim da grande revolução industrial. A produção está inteiramente fragmentada da classe trabalhadora que tinha no local de trabalho como um lugar onde se organizava, onde se criava seus referenciais de identidade e de luta.
Era o modo pelo qual esta se organizava em associações e sindicatos. Quando então isto se esfacela, a classe trabalhadora não tem mais o referencial e precisa reinventar, criar e produzir novos referenciais para ela como classe social.
Porque o que surge agora é apenas um conjunto fragmentado de indivíduos operando isoladamente uns dos outros e, não é por acaso que, nesta nova forma de produção, ressurge o que existiu no início do capitalismo e que depois desapareceu: a empresa familiar.
Temos assim o fenômeno da fragmentação econômica e da dispersão sociopolítica. Todo este processo é negado e ocultado pelo movimento oposto que é o movimento que vai produzir uma unificação sem precedentes.
É essa verificação que Harvey vai chamar de “compressão espaço-temporal”. Com avanço tecnológico eletrônico e de informação há a fronteira e a compressão do tempo [11], onde tudo se passa imediatamente agora, sem passado e também sem futuro.
Assim, a produção no processo de globalização abandonou evidentemente a ideia de qualidade, e abandonou também  e mais veementemente a ideia de estocagem de mercadorias e opera apenas com o descartável.
Enfim, tudo é descartável. Volátil e efêmera a nossa experiência desconhece, portanto qualquer sentido de continuidade e, se esgota em um presente reduzido e urgente, há sempre um instante fugaz.
Nada exemplifica melhor a referida fugacidade temporal e sua respectiva redução que se consolida num só instante, sem passado e sem futuro como o Twitter [12] que estabelece a comunicação [13] em estreitos cento e quarenta caracteres.
Vivemos sob o signo da telepresença e da teleobservação (onde as câmeras de monitoramento se multiplicam tanto no aspecto privado como no público) onde tudo parece nos ser imediatamente dado e oferecido sob a forma de transparência de imagens apresentadas como evidências. E que são armazenadas e acessíveis.
Se compararmos as análises de Maurice Merleau-Ponty [14] sobre o nosso corpo na era contemporânea de atopia e acronia, podemos afirmar que há um mundo novo, um mundo tremendamente virtual e desprovido de espessura temporal-espacial.
Um mundo no qual o nosso corpo o reduz: de um lado à percepção visual de imagens plenas e fugazes e, de outro lado, a atividade mecânica de controle de operações e sinais propostos pelos autômatos.
Um mundo sem lugares, distâncias, profundidades e qualidades. O mundo da utopia.
Um mundo sem tempo no qual nada passa e também nada permanece, pois tudo coexiste sem passado e sem o tempo. No qual nada passa, nada fica, pois tudo coexiste num só presente que é interminável. Enfim, o mundo da acronia. Mas ainda nos interrogamos: o que afinal significa virtual?
Deve-se reconhecer que a sucessão dos regimes de acumulação capitalista muito contribuiu para a modernização da dinâmica dos processos laborais, das formas de regulação, da composição política do proletariado, do tipo de organização de produção.
Tais novas configurações territoriais do capitalismo contemporâneo derivaram em sua grande parte da sucessão de rupturas desencadeada a partir do colapso sistêmico do regime de acumulação fordista na segunda metade do século XX.
E, neste período, o fordismo passa por aguda crise marcada pela baixa lucratividade, elevação inflacionária nos países capitalistas, taxas de juros altos empregados pelos EUA, desvalorização do dólar, crise do petróleo, avanço do modelo de reivindicação das classes sociais, compilação da teoria crítica ao trabalho.
Associado a isso, ainda ocorreram eventos tais como a desintegração vertical das indústrias de produção de massa que se evidenciou nos anos 70 e 80 e, em plena fase de reestruturação econômica e reajustamento político e social, de que as estruturas socioespaciais produzidas na industrialização fordista estavam em dissolução e aniquilamento.
Tais estruturas ao ser parcialmente substituídas por novas formas e novas funções na organização industrial e na vida socioeconômica e política nos países capitalista exige, paulatinamente, o fim da rigidez das relações sociais de produção e consumo e, assim, a emergência de modelo denominado de acumulação flexível.
Na concepção de Harvey a transição de um regime de acumulação fordista para o modelo de acumulação flexível permitiu minar certa rigidez normativa preexistente entre as relações sociais e promover a restauração do progresso do sistema capitalista.
As práticas relacionadas a esta nova etapa de acumulação de capital em resposta à crise do capitalismo, para o qual Harvey aponta as seguintes características: flexibilidade dos processos de trabalho, dos produtos e padrões de consumo; surgimento de serviços financeiros e novos mercados; manutenção de taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional; rápidas mudanças dos padrões do desenvolvimento desigual, tanto entre setores como entre regiões geográficas; valorização do trabalho no setor de serviços; e, finalmente, a inserção de conjunto e práticas industriais em áreas até então, pouco industrializadas que utilizam estratégias arrojadas de atração de capital, mão de obra barata, isenção de imposto e baixo custo de instalação das empresas (Flandres, na Bélgica; Califórnia, nos EUA; Cingapura, em Cingapura; Seul, na Coréia do Sul, entre outros).
Além disso, a profusão de técnicas e tecnologias que permitem a “compressão do espaço-tempo” [15] acompanhada por uma radical reestruturação no mercado de trabalho diante da volatilidade do mercado e do aumento de competição interempresarial e também um retrocesso do poder de luta dos sindicatos trabalhistas.
Esta fase, iniciada na década de 60 e parcialmente completada no início dos anos 90 provocou mudanças estruturais não somente na organização do trabalho e operação produtiva, mas em todos os segmentos do consumo. 
Esse novo princípio contém em único processo de tratamento da produção, desde a mercantilização das formas culturais até a racionalização do trabalho operário.
Por tal razão, identifica-se uma maior mobilidade e flexibilidade do capital, tendendo para uma existência nômade crescente e representando uma relação global em todos os setores da economia, da política e da sociedade.
Inicialmente, o novo modo de desenvolvimento capitalista, estrutura-se mediante o tratamento da informação e a introdução de novas tecnologias a partir da automação das máquinas e sua extensão normativa para os sistemas virtuais de controle na vida social. 
Para Mônica Arroyo, “a informação aparece, então, como o principal motor da vida contemporânea, como a forma de energia predominante no comando de todas as fases do processo de produção”. Neste sentido, a informação se define como um meio eficaz de abordar e seduzir as fragilidades do indivíduo.
Estes novos aliados do modelo capitalista lançam mão de recursos tais como: softwares de interfaces microeletrônicas, a produção de conhecimento para alcançar o pleno desenvolvimento dos meios de acumulação e de gestão organizacional das atividades produtivas.
Este modelo de acumulação, que combina estratégias comerciais, escoamento da produção, gestão de excedentes, teve seu nascimento no Japão durante os anos 70 e ficou conhecido como toyotismo [16]. 
É importante lembrar que este novo conceito de produção e consumo, apesar de ter origem em terras nipônicas, a sua dimensão foi deveras alargada em diversos países, podendo dispor de outras nomenclaturas regionais.
O conjunto de inovações organizacionais que transformou profundamente as estruturas de produção, quanto à relação dos processos de trabalho (contratos, organização no interior da empresa, salários, gestão de recursos humanos) e do convívio social (dinâmica do consumo, lazer, acesso), apresenta como objetivo básico o atendimento dos quesitos necessários para a prosperidade do capital. 
Estas modificações buscam uma maior eficiência produtiva associada à produção sem estoque e de pronta reação à demanda do mercado. 
Para Coriat, essas inovações consistem na combinação de dois princípios: auto-ativação e Just in time. O primeiro, a auto-ativação, procede para um único processo de transformação do trabalhador em atores multifuncionais a partir da linearização da produção e da organização do trabalho em torno de postos polivalentes. 
O segundo, o just in time, refere-se ao maior rendimento do trabalho vivo, centrado na manipulação e observação simultânea da necessidade de suprir no tempo estipulado a quantidade exata de produtos.
Pode-se afirmar que a característica deste refere-se à diminuição do tempo de giro da mercadoria e a racionalização do trabalho. Isto se torna possível mediante a introdução de novas tecnologias de produção, como a automação e robotização dos sistemas, em relação à redução do tempo de circulação do consumo do produto, o denominado tempo de vida substancial. 
Esses dois campos são de grande importância para entender a constituição do capitalismo contemporâneo e as relações de interdependência. 
Segundo Harvey, “a meia vida de um produto fordista típico, por exemplo, era de cinco a sete anos, mas a acumulação flexível diminuiu isso em mais da metade em certos setores (como o têxtil e o de vestuários)”.
Os investimentos foram repassados por ambas as áreas, porém, ocorre uma intensificação na da preparação do novo consumidor. Com efeito, dedica-se uma maior atenção nos artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural ordenada no cenário material da vida.
O modo de funcionamento da reprodução capitalista reside, sobretudo, na imaterialidade (trabalho intelectual/linguístico e trabalho afetivo) e na simbiose entre a produção e o consumo. 
De modo que, no presente período, conhecimento/informação transformam-se na base do processo de valorização e circulação da mercadoria. 
A circulação deve ser concluída em uma determinada extensão de tempo de rotação, socialmente necessária para o consumo e ditada pelas lógicas do mercado antes de se tornarem obsoletas para a sociedade. 
A valorização implica, neste sentido, a forma de acesso ao universo da mercadoria e no exercício de tornar ativa a “pulsão espontânea” de consumo do indivíduo.
O poder do consumo é epidêmico [17], envolve o indivíduo e estimula a dinâmica da sociedade capitalista. O consumo, como argumenta Rolnik, foi (e é) “cafetinado” a serviço da acumulação capitalista. 
Para Santos, “o poder de consumo é contagiante, e sua capacidade de alienação é tão forte que sua exclusão atribui às pessoas a condição de alienados”. 
O que está em jogo é a racionalidade consumista, em moldes não mais apropriáveis pelos antigos conceitos do paradigma produtivista, tais como produção-produção e, sim, pela forma categórica de transformar simples objetos em ícones do consumo. 
Para que isto ocorra, o capitalismo contribui para oprimir o ócio, reduzir o tempo, padronizar o gosto e controlar a natureza intrínseca das coisas. 
O papel do desenvolvimento avassalador do capitalismo reflete-se na transformação dos hábitos cotidianos, das relações entre as pessoas, das percepções dos espaços e dos seus respectivos significados [18]. 
Assim concebida, esta cultura redefine o território e cria  territorialidades orientadas pelo mercado.  (In: COSTA, Pedro Henrique Ferreira; GODOY, Paulo Roberto Teixeira. O capitalismo contemporâneo e as mudanças no mundo do consumo. X Colóquio Internacional de Geopolítica. Disponível em http://www.ub.edu/geocrit/-xcol/330.htm; Acesso em 15/02/2015.)
O mundo virtual é ambiente simulado através de recursos computacionais destinados a permitir a interação dos seus usuários através de avatares. Em geral, são ambientes imersivos ou realidades paralelas. Possuem o conceito de persistência, pois o estado de seus objetos se preserva independentemente de presença do usuário.
MMORPGs [19] (Massively Multiplayer Online Role Playing Games) usualmente lúdico e não se preocupa em replicar as regras e o funcionamento da vida real, seja em como o ambiente se comporta como em quem são os seres que o habitam.
Geralmente determinam uma vida linear, estabelecendo metas e objetivos evolutivos. Para compreendermos o conceito de mundo virtual vale a pena mencionar outro conceito com o qual este tende a ser indevidamente confundido o conceito de possível.
O modo de relação entre o possível e o real, e entre o virtual e o real também, não é o mesmo. Na tradição filosófica do possível é aquele que pode vir a existir se houver um agente ou as circunstâncias que o façam passar a existência.
O real é o que existe efetivamente. O possível é o que pode vir a existir, conforme existam condições favoráveis. Também na tradição filosófica tendia-se a identificar o possível e o virtual.
A semente é a árvore virtual. Ou a árvore possível. Isto é, considerava que o possível e o virtual em simples potencialidades latentes que poderia vir à existência se houvesse um agente ou circunstâncias favoráveis ao acontecimento.
Ainda na perspectiva filosófica, uma expressão como “realidade virtual” como a realidade virtual é não senso, posto que o virtual seja irreal. É mero possível e ainda inexistente, algo irreal.
A revolução cibernética e a informática [20] modificaram o conceito de virtual. O virtual é o real e já existe. Este não se opõe ao real, se opõe ao atual.
Agora se estende por virtual como algo real e existente que aguarda uma atualização. É aquilo que pode ser infinitamente atualizado. O virtual é o que não pode ser determinado por coordenadas espaciais ou temporais porque ele existe sem estar presente em um espaço e tempo determinados.
Ou seja, para o virtual a atopia e a acronia são seu modo de ser. É o seu modo de existir e a atualização é o modo de relação dos indivíduos humanos como sistemas informacionais.
Verifica-se uma diferença entre a forma fordista da organização do trabalho par a relação do capital e a nova forma assumida pela economia com a globalização.
O que é virtualizar uma empresa capitalista? Em um modo empresarial clássico, uma empresa reunia seus empregados num mesmo edifício. O emprego do tempo dos funcionários era especificado or suas horas (horários de trabalho).
Uma empresa virtual, em contrapartida, faz o uso maciço do teletrabalho. E tende-se a substituir a presença física dos empregados nos locais de trabalho pela participação em uma rede de comunicação eletrônica e, o uso de recursos computacionais em uma rede de comunicação eletrônica e, favorecendo a cooperação.
O centro gravitacional da organização contemporânea de trabalho não é mais um conjunto de postos de trabalho e de empregos de tempo, mas sim, um processo dinâmico de coordenação que redistribuiu as coordenadas espaço-temporais, do coletivo de trabalho e de cada um dos membros em razão das diferentes exigências da empresa.
Isto é a fragmentação total onde ninguém precisa encontrar ninguém, bastando apenas uma relação mediada pela telecomunicação e a telepresença.
Com o virtual surge a cibercultura que se encontra ligada ao virtual de duas maneiras: de forma direta e indireta.  A primeira forma refere-se à digitalização da informação que pode ser aproximada da virtualização.
Os códigos dos computadores [21] inscritos nos discos rígidos invisíveis são facilmente copiáveis ou transferíveis de um nó para outro da rede, são quase virtuais que sejam independentes de coordenados espaço-temporais determináveis.
No centro das redes digitais a informação situada em algum lugar, ou seja, em um determinado suporte. Mas ele está também virtualmente presente em cada ponto da rede onde esta seja solicitada.
O mundo virtual considerado como um conjunto de códigos digitais é um potencial de imagens, enquanto uma determinada cena durante uma imersão no mundo virtual se atualiza, este potencial em contexto particular de uso sempre se aprimora.
Indiretamente a digitalização e a virtualização se relacionam porque as redes digitais e interativas [22], no seu desenvolvimento, se favorecem mutuamente. 
Assim, a comunicação contínua como digital, o movimento de virtualização, iniciado há muito tempo com técnicas antigas como a escrita, a gravação de som e imagem, o rádio, a televisão e o telefone.
O ciberespaço [23] encoraja um estilo de relacionamento quase independente dos lugares geográficos: telecomunicações, telepresença e das coincidências dos tempos.
A extensão do ciberespaço acompanha e acelera uma virtualização geral da economia e da sociedade, e a inteligência coletiva [24] do meio multiplica e coloca em sinergia diferentes competências.
Do desígnio à estratégia os cenários são alimentados pelas simulações e pelos dados que são colocados à disposição pelo universo digital.
O ciberespaço [25] julga alguns, é o vetor de um universo aberto, isto é, a depuração de um espaço universal, ou seja, o não espaço. Muito de seus idealizadores e defensores do ciberespaço se refere a ele significativamente como um espaço desincorporado e espiritual.
Possibilidades, segundo alguns, de que nós possamos nos transformar em seres de pura luz, livres da brutalidade, e do caos próprio de nossos corpos, livres do espaço, livres do tempo.
Novos anjos de um novo paraíso terrestre no qual evidentemente não haverá a morte porque poderemos fazer um download de nossas mentes para os computadores e transcendendo a materialidade, o espaço e o tempo, e finalmente viver eternamente no espaço digital.
Ora, como se percebe, nós estamos de volta ao nosso ponto de partida: de volta ao clássico problema filosófico da relação entre o corpo e alma, a matéria e o espírito, o mundo e o pensamento.
É intrigante observar a oposição entre duas atitudes predominantes no mundo contemporâneo. De fato, enquanto a cultura [26] do ciberespaço propõe a desmaterialização do homem, a sua transformação em ser de pura luz sem espaço e sem tempo, por sua vez a genética, a bioquímica e a neurobiologia tomam direção justamente oposta, posto que proponha a pura materialidade do espírito, a indistinção entre cérebro e alma, cérebro e consciência.
Estas duas atitudes estão presentes quando usamos expressões como inteligência artificial, armas inteligentes, tecidos inteligentes, remédios inteligentes, edifícios inteligentes, etc., sem perceber que passamos a utilizar a designação “inteligente” para objetos técnicos.
Desta forma, nós passamos a considerá-los como coisas habitadas por consciências ou almas, enfim, caímos numa concepção animista.
Mas em contrapartida, do lado do ciberespaço [27] nós nos tornamos puras almas angélicas sem corpo enquanto do lado da ciência nós nos tornamos puros corpos sem alma.
Estas questões são discutidas e problematizadas em particular em dois filmes: Matrix e Avatar [28].
Qual o impacto dessa desmaterialização nas relações sociais? Sempre soube desde Weber que a ética protestante foi inseparável do capitalismo porque trouxe aquilo que era indispensável para a exploração do trabalho e defendia a ideia de que o trabalho é virtude suprema e a preguiça representava um pecado mortal.
E, para conseguir todas as energias dos indivíduos e toda energia dos trabalhadores fosse exclusivamente dirigida para o trabalho, se tece a repressão sexual elevada a um nível poucas vezes conhecida na história da humanidade.
Não é por acaso que no período da moral vitoriana que se detém também o nascimento da psicanálise, porque opera com a repressão do desejo como condição de exercício do trabalho.
Todo mundo diz que nós mudamos de registro porque nossa sociedade não é uma sociedade do trabalho de massa, e, sim, a sociedade do consumo em massa.
E que para haver o sucesso do consumo em massa é preciso desreprimir o desejo dar asas soltas ao desejo e, sobretudo, dar asas soltas à busca do prazer.
Lembremos que qualquer liberação feita no modo de produção capitalista não libera coisa alguma.
Então o que é esta suposta liberação do desejo? Este suposto direito ao prazer? E na verdade a maneira pela qual você passa controlar o próprio desejo, não mais através da ética do trabalho, mas através da ética do consumo.
Tudo está ligado, portanto, a ideia do indivíduo de sucesso, competitivo, do sucesso a qualquer preço, que é eternamente jovem e eternamente belo.
O que conduz as mulheres à bulimia e à anorexia das modelos, os homens ao desejo pelos automóveis, todo este emaranhado que é vendido como desejo liberal.
Então refém de uma nova forma de repressão de desejo pelo controle dele e pela determinação de quais são os objetos válidos de desejo.
O resultado desse processo é muito pior do que o anterior porque o no processo anterior havia um esforço enorme de  passar por essa repressão a simbolização [29].
Esse processo de simbolização nós não vemos mais em nossa sociedade contemporânea porque tudo que pertencia ao universo simbólico caiu para a dimensão do signo, virou espetáculo e como signo é aquilo que você aponta e daquilo de que você se apropria.
E como não tem mediação simbólica, o que tem é uma luta mortal pelo acesso desses sinais: o sucesso, a juventude, o poder e a riqueza.
E isso gera uma violência, uma competição absolutamente colossal. Quando passamos por essa acronia, atopia e para a desmontagem do nosso corpo como ser sensível e, como ser simbólico e assim nos reduzimos a sinais virtuais fora do espaço e do tempo, eu acabo sem saber o que sobrou dos seres humanos.
Outros questionamentos nos assombram: qual é o novo ser humano que está surgindo?
Porque parece que aquele que existiu, acabou. Como será o que virá?
Ele vai nascer num campo sem simbolização [30], só de sinalização, sem espaço, sem tempo e sem corpo. Pois tudo será virtual.
Olgária Matos através de seu ensaio "O Mal-estar na contemporaneidade: performance e tempo" propõe uma reflexão apurada sobre a organização institucional e do trabalho segundo as exigências do capitalismo contemporâneo e as dinâmicas da modernidade, derivando na alienação e dominação do homem pelo mercado mundializado ou globalizado.   A educação contemporânea se notabiliza por deixar de ser a educação para a liberdade para se tornara educação para adaptação. 
Referências:
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999;
______. A galáxia da Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003; LEVY, Pierre. O que é o virtual. São Paulo: Ed. 34, 1996;
 ______. As tecnologias da inteligência. São Paulo: Ed. 34, 1997; ______. A inteligência coletiva. São Paulo: Edições Loyola, 1998; ______. A máquina universo. Porto Alegre: ArtMed, 1998; Disponível em: http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/modernidade_republica_em_estado_de_excessao.pdf Acesso em 02.02.2015.
 ______. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999; PELLANDA, Nize Maria Campos; PELLANDA, Eduardo Campos (org.). Ciberespaço: um hipertexto com Pierre Lévy. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2000.
MATOS, Olgária. Modernidade em estado de exceção. Disponível em:http://revolucoes.org.br/v1/sites/default/files/modernidade_republica_em_estado_de_excessao.pdfAcesso em 02/02/2015.
_____________ A cidade perversa e o esgotamento do prazer. Disponível em: http://www.emetropolis.net/download/edicoes/emetropolis_n07pdf   Acesso em 02/02/2015.
_____________ O mal-estar na contemporaneidade: performance do tempo. Disponível em: http://seer.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/159 Acesso em 02/02/2015.
COSTA, Pedro Henrique Ferreira; GODOY, Paulo Roberto Teixeira. O capitalismo contemporâneo e as mudanças no mundo do consumo. X Colóquio Internacional de Geopolítica. Disponível em http://www.ub.edu/geocrit/-xcol/330.htm; Acesso em 15/02/2015. 
HARVEY, David. Condição Pós-Moderna. São Paulo: Loyola, 1993. 
LIMONGI FRANÇA, Ana Cristina; RODRIGUES, Avelino Luiz. Stress e Trabalho – Uma Abordagem Psicossomática. São Paulo: Atlas, 1996.
Notas: 
1 - Do latim virtus (“força” ou “virtude”), virtual é um adjetivo que, no seu sentido original, faz referência àquilo que tem a virtude de produzir um efeito apesar de não o produzir verdadeiramente. No entanto, o conceito está atualmente associado àquilo que tem existência aparente e não propriamente real nem física. O termo é bastante corrente no âmbito da informática e da tecnologia para fazer referência à realidade construída através de sistemas ou formatos digitais.
2 - Trata-se de conhecimento, mas não de qualquer tipo, este tem que ser útil à empresa. Como por exemplo, um empregado pode ser ótimo pianista ou musicista, contudo esta destreza não possui utilidade para o negócio onde trabalho. O conhecimento não se torna capital até o momento em que é capturado e empacotado de maneira que possa ser usado ou alavancado para o bem da companhia. O capital intelectual de uma empresa é encontrado em três lugares: 1. Capital humano: o conhecimento de indivíduos que criam soluções para os clientes. Exemplo: o funcionário cuja sugestão agrega ganhos à empresa. 2. Capital estrutural: os sistemas que foram requeridos para compartir e transportar o conhecimento, feito sistemas ou laboratórios de informação. Ele é necessário para alavancar o poder mental dos funcionários, e, assim, a empresa poderá usá-lo. 3.Capital clientelar: as relações que criam e mantêm com seus clientes. Seu prestígio e suas marcas são exemplo deste tipo de capital.
3 - A sociedade contemporânea também chamada de sociedade da informação é onde a manipulação e o domínio das tecnologias comandam o cenário. As primeiras manifestações sobre uma nova sociedade baseada nas potencialidades da informação inclusive como geração de riqueza fora manifestada por Bell (1978) de acordo com Burch (2005) e Nehmy & Paim (2002). Apesar de Bell não ter proposto a nomenclatura de Sociedade da Informação, foi ele quem trouxe para discussão as alterações realizadas com base nas tecnologias. Particularmente baseado em critérios como alteração no setor de serviços, uma vez que cresceriam os cargos atrelados ao conhecimento, servindo como mola propulsora de concorrência entre empresas, de forma de pesquisa e desenvolvimento e inovações tecnológicas passaria a ser o centro da atenção dos países em desenvolvimento, e a criação ainda de uma elite do conhecimento, que seria uma classe dominante nesta sociedade.  
Foi em 1990, que o termo Sociedade da Informação aparece no bojo do desenvolvimento da Internet e das tecnologias da informação e comunicação. A partir de 1995 o termo é inserido na agenda das reuniões da Comunidade Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (os 30 países mais desenvolvidos do planeta). O termo também foi adotado pelo governo norte-americano bem como pelo Banco Mundial. (Burch, 2005). Porém, para a referida autora (Burch, 2005), o termo Sociedade da Informação passou a ser empregado como construção política e ideológica, de forma unilateral no contexto da globalização, para quem a meta seria: “acelerar a instauração de um mercado mundial aberto e ‘autorregulado’”. Política que, segundo ela, contou e conta com o apoio de organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.  De acordo com Castells (1999) foi de Nora & Minc (1980) a cunha do termo Sociedade da Informação. 
Uma das nomenclaturas mais aceitas e propagadas na atualidade, se não a mais utilizada, para definir a sociedade baseada na economia informacional. Porém, acredita-se que, igualmente baseada na livre concorrência. Também foi na década de 1990 que surge o termo “knowledge society”, termo empregado particularmente pelos meios acadêmicos, como alternativa à visão de mercado adotada pelos organismos econômicos mundiais. (Burch, 2005). Para André Gorz a denominação correta seria Sociedade da Inteligência porque para ele a inteligência é o que de fato é importante.  
Para Toffler (1980) se estaria vivenciando a Terceira Onda, dado o fato de que a primeira onda fora a revolução agrícola, a segunda a revolução industrial e a terceira então seria aquela que começava a ser experimentada pelas nações desenvolvidas em torno das tecnologias emergentes, onde a informatização seria a peça central, causadora inclusive, da geração de ondas de desemprego jamais experimentadas anteriormente na história das Nações. Já pelo polonês Adam Schaff (1986) a nova sociedade é denominada de Sociedade Informática, porque a crise vivenciada por esta sociedade estaria diretamente relacionada com o crescendo da informatização e automação nas fábricas, trazendo a problemática do desemprego, através da substituição do trabalho manufaturado pelo trabalho autômato.
4 - O termo “sociedade da informação” enfatiza o papel da informação na sociedade. Mas afirmo que informação, em seu sentido mais amplo, por exemplo, como comunicação de conhecimentos, foi crucial a todas as sociedades, inclusive à Europa medieval que era culturalmente estruturada e, até certo ponto, unificada pelo escolasticismo, ou seja, no geral uma infraestrutura intelectual (vide Southern, 1995). Ao contrário, o termo informacional indica o atributo de uma forma específica de organização social em que a geração, o processamento e a transmissão da informação tornam-se as fontes fundamentais de produtividade e poder devido às novas condições tecnológicas surgidas nesse período histórico.
5 - A nova economia afeta a tudo e a todos, mas é inclusiva e exclusiva ao mesmo tempo; os limites da inclusão variam em todas as sociedades, dependendo das instituições, das políticas e dos regulamentos. Por outro lado, a volatilidade financeira sistêmica traz consigo a possibilidade de repetidas crises financeiras com efeitos devastadores nas economias e nas sociedades.
6 - A ideia mais difundida de poder está relacionada ao conceito weberiano que o traduz como sendo “a possibilidade de alguém impor a sua vontade sobre o comportamento de outras pessoas”.  Essa ideia de poder correlaciona a dimensão do poder com a capacidade de certos grupos ou indivíduos imporem suas vontades a outros para o atingimento de determinados objetivos. Um outro conceito de poder, de cunho mais sociológico, é apresentado por Diogo Moreira: “O poder é um fenômeno social no qual uma vontade, individual ou coletiva, se manifesta com capacidade de estabelecer uma relação da qual resulta a produção de efeitos desejados, que de outra maneira não ocorreriam espontaneamente”. Para a configuração do poder, então, exige-se a existência de uma “vontade”, de uma “capacidade” para fazer valer a vontade, ou seja, a produção dos “efeitos desejados”, e, finalmente, da certeza de que é preciso agir, pois os efeitos não aconteceriam “espontaneamente”.  Para conhecer, conceber ou divulgar uma “vontade” e também para avaliar a “capacidade” operacional, o poder demanda informação. Por isso também se afirma que informação é poder, ou mais que isso, é fator multiplicador e também medida de avaliação do poder.
7 - Arnold Toynbee considera que as grandes crises contemporâneas resultam do fosso que se cavou entre o fabuloso desenvolvimento das ciências (e do poder que assim é colocado nas mãos dos homens) e a estagnação dos conceitos éticos e políticos (que regem o modo de utilização desse poder). 
É o “gap moral”, para o qual as novas tecnologias informacionais podem contribuir – seja para sua redução, seja para sua ampliação – a partir da formulação e implementação de políticas públicas de acesso à informação que permitam o efetivo exercício da cidadania.
8 - Cláudio Novaes Pinto Coelho alega que um dos principais equívocos sobre a sociedade contemporânea é o argumento de que o conjunto dos meios de comunicação, a mídia, é a instituição social mais poderosa. Fazem parte desse argumento expressões problemáticas como “sociedade midiatizada”, "cultura da mídia", e, etc. Cabe distinguir quais meios de comunicação possuem poder e que tipo de poder exercem. Não há dúvida que conglomerados empresariais como as Organizações Globo, no contexto brasileiro, e a News Corporation, de Rudolph Murdoch, no contexto mundial, são exemplos de instituições poderosas, que movimentam enorme quantidade de capital, influencia comportamentos individuais e coletivos e agem politicamente, defendendo seus próprios interesses e os interesses da sociedade capitalista de modo geral. A própria expressão "sociedade do espetáculo" pode dar margens a diversas interpretações equivocadas Se for entendida como o poder que as imagens exercem na sociedade contemporânea. 
É certo que Guy Debord, o criador do conceito de sociedade do espetáculo, definiu o espetáculo como o conjunto das relações sociais mediadas pelas imagens. A sociedade do espetáculo corresponde a uma fase específica da sociedade capitalista, quando há interdependência entre o processo de acúmulo de capital e o processo de acúmulo de imagens.
O papel desempenhado pelo marketing, sua onipresença, ilustra perfeitamente bem o que Debord quis dizer: das relações interpessoais à política, passando pelas manifestações religiosas, tudo está mercantilizado e envolvido por imagens. Mas, se a sociedade do espetáculo só pode ser compreendida dentro do contexto da sociedade capitalista, isso não quer dizer que só nessa forma de vida social ocorre a produção de espetáculos. 
A produção de imagens, a valorização da dimensão visual da comunicação, como instrumento de exercício do poder, de dominação social, existe, conforme argumenta Debord no livro Sociedade do Espetáculo publicado em 1967, em todas as sociedades onde ha classes sociais, isto é, onde a desigualdade social está presente graças à divisão social do trabalho, principalmente a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual.
9 - O fordismo foi termo criado por Henry Ford em 1914 quando se referiu aos sistemas de produção em massa (linha de produção) e gestão idealizadas em 1913. Trata-se de forma de racionalização d e produção capitalista baseada em inovações técnicas e organizacionais que se articulam, tendo em vista, de um lado uma produção em massa, e, de outro o consumo em massa.
10 - Henry Ford (1863 – 1947) foi um empreendedor americano fundador da Ford Motor Company que, inspirado no método idealizado por Taylor, foi responsável pela criação de um sistema industrial chamado de fordismo. A grande inovação do fordismo em relação ao taylorismo foi à introdução de linhas de montagens, na qual o operário era responsável apenas por uma atividade. (grifo meu)
11 - É sabido que o fordismo e taylorismo constituíram uma rigidez na disposição mente-corpo da subjetividade do trabalho, que o toyotismo é obrigado a flexibilizar sob pena de não constituir o nexo psicofísico capaz de instaurar a nova subsunção do trabalho vivo ao capital.  A nova implicação subjetiva do corpo parece ser afinal a última fronteira de subversão do capital. Por essa razão, o toyotismo constituiu um tipo de compressão psicocorporal. Que é elemento da experiência da condição pós-moderna tão abordada por David Harvey em sue livro "Condição pós-moderna". É claro que as múltiplas mudanças nas experiências do espaço e do tempo, tratadas por Harvey no capítulo “A compressão do tempo-espaço e a condição pós-moderna”, não poderiam deixar de ter rebatimentos nas experiências do corpo, tendo em vista que  o corpo é elemento ineliminável do sujeito e, portanto, da subjetividade.
12 - O twitter foi criado em 2006 por Jack Dorsey, Evan Williams, Biz Stone e Noah Glass nos EUA. A ideia inicial dos fundadores era que o Twitter fosse uma espécie de "SMS da internet" com a limitação de caracteres de uma mensagem de celular.  Inicialmente chamada Twttr (sem vogais), o nome da rede social, em inglês, significa gorjear.
A ideia é que o usuário da rede social está "piando" pela internet. Desde sua criação, o Twitter ganhou extensa notabilidade e popularidade por todo mundo. Algumas vezes é descrito como o "SMS da Internet". Dick Costolo é o CEO da empresa e Jack Dorsey é o Chairman.
No dia 12 de setembro de 2013, por meio do perfil da empresa no próprio Twitter, foi informado que ela havia enviado à SEC (CVM dos EUA) documentos confidenciais para sua abertura de capital na Bolsa de Valores, operação também conhecida como IPO (Oferta Pública Inicial, em inglês). No dia 7 de novembro de 2013, o Twitter fez sua estreia na Bolsa de Nova York. Todas as 70 milhões de ações colocadas no mercado foram vendidas. Seu valor chegou a subir até 90% de alta em relação ao valor estipulado inicialmente na abertura do pregão. Na ocasião, a empresa captou US$1,82 bilhão   no mercado e foi avaliada em US$24,57 bilhões.
No dia 23 de janeiro de 2015 duas novidades foram inseridas. O "Enquanto você estava fora" é um resumo das principais notícias e/ou tweets de quem você segue. Já o "Digits" é feito para desenvolvedores e vai auxiliar no acesso a sites pelo celular.
13 - “Nossos meios de comunicação são nossas metáforas Nossas metáforas criam o conteúdo da nossa cultura”. Como a cultura é mediada e determinada pela comunicação, as próprias culturas, isto é, nossos sistemas de crenças e códigos historicamente produzidos são transformados de maneira fundamental pelo novo sistema tecnológico e o serão ainda mais com o passar do tempo.
14 - Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) foi um filósofo fenomenólogo francês.  Estudou na École normale supérieure de Paris, graduando-se em filosofia em 1931. Lecionou em vários liceus antes da Segunda Guerra, durante a qual serviu como oficial do exército francês. Em 1945 foi nomeado professor de filosofia da Universidade de Lyon. Em 1949 foi chamado a lecionar na Universidade de Paris I (Panthéon-Sourbonne). Em 1952 ganhou a cadeira de filosofia no Collège de France. De 1945 a 1952 foi coeditor (com Jean-Paul Sartre) da revista Les Temps Modernes. Suas primeiras obras procuraram dialogar com a psicologia La Structure du comportement (1942) e Phénoménologie de la perception (1945);  Influenciado pela obra de Edmund Husserl, Merleau-Ponty procura dar carnalidade à consciência intencional de seu mestre e precursor, nesse sentido leva a filosofia de Husserl até as últimas consequência de sua encarnação no mundo da vida. Voltando sua atenção para as questões sociais e políticas, Merleau-Ponty publicou em 1947 um conjunto de ensaios marxistas - Humanisme et terreur ("Humanismo e Terror"),   a mais elaborada defesa do comunismo soviético do final dos anos 1940. Contrário ao julgamento do terrorismo soviético, atacou o que considerava "hipocrisia ocidental".
Porém a guerra da Coreia desiludiu-o e fê-lo romper com Sartre, que apoiava os comunistas da Coreia do Norte. Em 1955, Merleau-Ponty publicou mais ensaios marxistas, Les Aventures de la dialectique ("As Aventuras da Dialética"). Essa coleção, no entanto, indicava sua mudança de posição: o marxismo não aparece mais como a última palavra na História, mas apenas como uma metodologia heurística.  Segundo ele, quando o ser humano se depara com algo que se apresenta diante de sua consciência, primeiramente nota e percebe esse objeto em total harmonia com a sua forma, a partir de sua consciência perceptiva. Após perceber o objeto, este entra em sua consciência e passa a ser um fenómeno. Com a intenção de percebê-lo, o ser humano intui algo sobre ele, imagina-o em toda sua plenitude, e será capaz de descrever o que ele realmente é. Dessa forma, o conhecimento do fenómeno é gerado em torno do próprio fenómeno.
Para Merleau-Ponty, o ser humano é o centro da discussão sobre o conhecimento. O conhecimento nasce e faz-se sensível em sua corporeidade. (In Wikipédia, disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Maurice_Merleau-Ponty Acesso em 15/02/2015).
15 - Já escreveu Toffler, há mais de 36 anos: “Muitos de nós já tivemos uma vaga‘ sensação’ de que as coisas se movem mais rapidamente”. Existe uma sensação generalizada de mal-estar – uma suspeita de que as mudanças fugiram do controle. Tudo isso é verdade mesmo, temos a impressão e o sentimento de que o tempo corre, o mundo corre e nós estamos sendo passados para trás. Por que essa impressão e esse sentimento? A impressão é da mente e o sentimento é do coração, que são afetados pelas cada vez mais rápidas mudanças. A esse fenômeno humano, deque o tempo corre, o mundo corre e nós estamos sendo passados para trás, Toffler chamou de “choque do futuro”, uma coisa tão séria e crítica, que ele o classificou de mal psicológico.
16 - O Toyotismo refere-se ao modelo japonês de produção e que fora criado pelo japonês Taiichi Ohno e implantado nas fábricas de automóveis da marca Toyota, após a Segunda Grande Guerra Mundial. E, nessa época, o novo modelo era ideal para o cenário japonês, ou seja, um mercado menor, bem diferente dos mercados americano e europeu, que utilizavam modelos de produção fordista e taylorista. Foi na década de setenta, e plena crise de capital, o modelo Toyotista espalhou-se pelo mundo e sua principal ideia era produzir somente o necessário, reduzindo estoques (flexibilização de produção), produzindo em pequenos lotes, com a máxima qualidade, trocando a padronização pela diversificação e produtividade. As relações laborais também foram modificadas, pois agora o trabalhador deveria ser o mais qualificado, participativo e polivalente que possível, ou seja, deveria estar apto a trabalhar em mais de uma função. Os desperdícios detectados nas montadoras foram classificados em sete tipos: produção antes do tempo necessário, produção maior do que o necessário, movimento humano (por isso o trabalho passou a ser feito em grupos ou team work), espera, transporte, estoque e operações desnecessárias no processo de manufatura.
17 - As sociedades contemporâneas são marcadas por um processo contínuo de aceleração onde as matérias de expressão tornam-se rapidamente obsoletas. Parece que o mundo transforma-se numa seqüência aleatória e infinita. Neste sentido, a pluralidade configura-se em intensidade e não em densidade. O sujeito desta sociedade vive sob um estado profundo de letargia. Desestabilizado este absorve à determinação das lógicas capitalistas. Atravessados por princípios burgueses o sujeito vive um processo de desterritorialização. Para Machado, “a incoerência nos aflige”. 
O capitalismo contemporâneo permite que as empresas incidem ao sujeito da sociedade de consumo informações suscetíveis de atrapalhar, embaralhar e perturbar a opinião e assim vendem as mercadorias. Tornam-se suas próprias figuras obsoletas muito rapidamente, forçando-a desempenharem uma nova configuração. 
Para Baudrillard, “os objetos nunca se esgotam para que servem”, assim eles constituem um ciclo de renovação, antes de serem descartados pela totalidade da sociedade.
18 - A modificação da sociedade de consumo pelo capitalismo contemporâneo fora discutida por diversos autores que adotaram diferentes caminhos e reflexões. Entre eles, pode-se destacar: “sociedade burocrática do consumo dirigido” (Lefebvre, 1975); “sociedade do consumo” (Boudrillard, 1972); “sociedade dos consumidores” (Arendt, 1958); e “sociedade do espetáculo” (Debord, 1998). 
O fator comum, entre todos, foram os efeitos que o consumo exerce sobre a sociedade e, em particular, sobre o indivíduo.  Assim, o consumo revela-se como termo forte da sociedade contemporânea. Portanto, este resultado pode ser passivo ou ativo. Em nossas análises centramos atenção entre dois pilares: por um lado, o consumo como um querer de coisas e inerente a natureza do indivíduo e, por outro, o consumo como fim do processo produtivo. O consumo não pode, então, ser considerado um momento autônomo, ele se encontra determinado, seja, pelo complexo processo constitutivo dos desejos humanos, seja pela lógica de produção, o que, nas sociedades capitalistas, significa dizer que se encontra estabelecido pela lógica do lucro. 
O que esta em debate, nesse encontro, é a legitimidade das lógicas capitalistas de manipulação da “massa social”, que ativa os estados de consumo nas sociedades modernas. Estas representam, em expressão, certa subsunção ao modo de produção vigente. As necessidades de valorização do capital são maiores que as necessidades humanas, convertem-se em satisfação das exigências das unidades de produção e resguardam, sobremaneira, a expansão do capital.
A sociedade de consumo é um produto do qual o capitalismo contemporâneo assume certa responsabilidade sob a lógica de operação do capital. 
Para o desenvolvimento da sociedade burguesa, no presente período, é necessário submeter-se aos imperativos da economia capitalista. Para esta nova fase, a imagem (representação imaterial do objeto), a partir da publicidade e o marketing, invadem a esfera da mercadoria e agrega outros valores ao produto – o valor subjetivista.
19 - MMORPG é um dos gêneros de videogame mais populares e lucrativos dos últimos anos. Como muitos destes jogos são desenvolvidos para serem jogados durante anos, graças a constantes atualizações, eles possuem uma enorme capacidade de fidelização de jogadores. A sigla MMORPG significa “Massively Multiplayer Online Role-Playing Game” (ou “jogo de representação de papéis online, multijogador em massa”, em tradução livre). O termo “MMORPG” foi usado pela primeira vez em 1997, por Richard Garriott, o criador de Ultima Online – até hoje um dos melhores exemplos do gênero. Como nos RPGs “offline”, os jogadores assumem o papel de um personagem em um mundo virtual, geralmente medieval e/ou mágico, e controlam todas as suas ações, incluindo interação com outros personagens e combate armado.
20 - A Internet, este espaço propiciador da rede, permite a pluralidade e a participação, ainda que de certa forma neste meio também exista a reprodução de padrões sociais já existentes. As sociabilidades são firmadas especialmente em laços fracos, as identidades mudam, as fronteiras são quebradas, as incertezas navegam junto com os indivíduos neste oceano, que ao mesmo tempo permite novas experiências com o pensamento e a cognição, em tempo real e em constante processo de ressignificação.
21 - O computador não é mais um centro, e sim um nó, um terminal, um componente da rede universal calculante. Suas funções pulverizadas infiltram cada elemento do tecno-cosmos. No limite, há apenas um único computador, mas é impossível traçar seus limites, definir seu contorno. É um computador cujo centro está em toda parte e a circunferência em lugar algum, um computador hipertextual, disperso, vivo, fervilhante e inacabado: o ciberespaço em si.
22 - Diante da sociedade de rede, Castells, aponta a existência de uma peculiar cultura da internet, que fora incentivada a partir da conjunção de outras quatro culturas: a tecnomeritocrática, a hacker, a comunitária virtual e a empreendedora. De uma forma geral, a cultura tecnomeritocrática diz respeito à elite científica que foi responsável pelo desenvolvimento da tecnologia informática.  E o grande ideal da cultura tecnomeritocrática é a crença no progresso humano através da incorporação da tecnologia. Por sua vez, a cultura hacker foi outro grupo que deu impulso ao crescimento da Internet. Neste caso, o hacker tem uma concepção diferenciada da que vulgarmente se associa ao “pirata da Internet”, correspondendo aos grupos de programadores que foram responsáveis pelas inovações tecnológicas do meio. A cultura comunitária virtual é formada por todas as pessoas que utilizam a rede e que conhecem em maior ou em menor grau seus recursos em termos de linguagem e de domínio de programações. É nesse espaço da cultura comunitária que as pessoas experimentam as potencialidades do meio, em termos de percepção e de interação. Por fim, a cultura empreendedora também integra a cultura da Internet, composta pelos capitalistas de alto risco que incorporaram o meio como instrumento de geração de riquezas.   23 - O ciberespaço (que também chamarei de “rede”) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço. (LÉVY, 1999, p.17).
24 - Novo pharmakon, a inteligência coletiva que favorece a cibercultura é ao mesmo tempo um veneno para aqueles que dela não participam (e ninguém pode participar completamente dela, de tão vasta e multiforme que é) e um remédio para aqueles que mergulham em seus turbilhões e conseguem controlar a própria deriva no meio de suas correntes.
25 - O aparecimento da internet como uma rede mundial de computadores, veio a confirmar as expectativas de se criar um novo espaço para a expressão, conhecimento e comunicação humana. Porém, trata-se de um espaço que não existe concretamente no campo físico, mas apenas virtualmente, é o chamado ciberespaço. Termo que fora idealizado por William Gibson, em 1984, na obra Neuromancer, referindo-se a um espaço virtual composto por cada computador e usuário conectados em uma rede mundial.   Inegavelmente a revolução cibernético-tecnológica afeta os mais diversos aspectos da vida humana. Com a inserção de contextos virtuais, tal como círculo eletrônico de amizades, por meio de comunidades virtuais, e da possibilidade de navegar pelo mundo inteiro, tornando o presente cada vez mais próximo da ideia de aldeia global.
Porém foi na última metade do século XX, com o surgimento da rede digital e do ciberespaço que fora explicitada a possibilidade de virtualização e então o virtual passou a ser um traço inquestionável nas práticas sociais. O espaço cibernético intensificou transformações sociais nos mais diferentes campos da atividade humana, é o que Manuel Castells chama de sociedade em rede.  No campo da produção de mercadorias surgiram as empresas virtuais que têm a internet como base de atuação, mas também ocorreram importantes alterações socioculturais e politicas que atingiram as principais mídias em decorrência do aceleramento dos meios de comunicação e de informação. Com o ciberespaço constituísse um novo espaço de sociabilidade que é não presencial e que possui impactos importantes na produção de valor, nos conceitos éticos e morais e nas relações humanas.
26 - Cibercultura é a cultura que surgiu, ou surge presentemente, a partir do uso da rede de computadores através da comunicação através de computadores, a indústria do entretenimento e o comércio eletrônico.  É também o estudo de vários fenômenos sociais associados à internet e outras novas formas de comunicação em rede, como as comunidades on-line, jogos de multiusuários, jogos sociais, mídias sociais, realidade aumentada, mensagens de texto, e inclui questões relacionadas à identidade, privacidade e formação de rede O conceito de cibercultura é trabalhado de forma diferente por cada autor. 
Existem quatro linhas de analise do conceito: 1. Utópica, 2. Informativa, 3. Antropológica e 4. Epistemológica Quando trabalhado de forma utópica, o conceito refere-se ao advento de novas mídias e como estas influenciam a sociedade, formando subculturas. Autores como Andy Hawk e Pierre Lévy trabalhavam com o conceito desta forma Quando analisado sob o aspecto informativo, refere-se a um conjunto de práticas culturais que permite novas formas de transmitir-se informação (sem qualquer relação com o cyberpunk, neste caso). Autores como Margaret Morse e Lev Manovic trabalharam com esta visão Quando posto sob um ponto de vista antropológico, o conceito é estudado minuciosamente na história presente.   Refere-se a um conjunto de práticas culturais e estilos de vida gerados pelas TICs. Autores como Arturo Escobar e David Hakken trabalharam com o conceito de modo antropológico Epistemologicamente, o termo é usado para teorizar as novas mídias e as explorar como uma cultura de informação. A cibercultura é autorreflexiva, pois a teoria faz parte de suas narrativas, que impulsionam novas teorias. O autor Lev Manovich analisou o termo sob essa perspectiva.
27 - Como existe um hábito frugal de usar a tecnologia particularmente na vida do jovem e do adulto, as instituições que compõem a educação formal e informal estão tendo que sair dos moldes tradicionalistas e se inserir nesse ciberespaço. Nesse momento existe um choque de gerações entre um público chamado de nativo digital, que engloba as gerações que já nasceram inseridas na cultura digital, com os imigrantes digitais, que tem que se adaptar para aderir às novas ferramentas da cultura digital. Entre os vários autores que trabalham com o conceito de cibercultura, está Pierre Lévy, que traz a ideia de inteligência coletiva, onde as inteligências individuais são compartilhadas (através de novas tecnologias) e se somam. Já outros autores que trabalham nesse tema são Catapam, Pedro Demo e André Lemos. Diante desse peculiar quadro a educação vem passando por diversas reformulações como a introdução de equipamento tecnológico em sala de aulas tais como computadores e tablets, e deveres de casa que são realizados através do meio virtual e até em salas de aula virtuais. Com o fito de integrar a sala de aula com ciberespaço, de matérias específicas na grade curricular como Desenvolvimento de Games, Programação Robótica e cibercultura. Inclusive os espaços de educação informal, tal como museus e centros culturais, tem adentrado esse universo com objetivo de instigar o jovem a frequentar esse espaço físico, fortemente ligado a formação de público.
28 - Avatar é um filme americano de ficção científica de 2009, escrito e dirigido por James Cameron, e estrelado por Sam Worthington, Zoë Saldaña, Michelle Rodriguez, Sigourney Weaver e Stephen Lang. O filme, que foi produzido pela Lightstorm Entertainment e distribuído pela 20th Century Fox, tem seu enredo localizado no ano 2154 e é baseado em um conflito em Pandora, uma das luas de Polifemo, um dos três planetas gasosos fictícios que orbitam o sistema Alpha Centauri. Em Pandora, os colonizadores humanos e os Na'vi, nativos humanoides, entram em guerra pelos recursos do planeta e a continuação da existência da espécie nativa. O título do filme refere-se aos corpos Na'vi-humanos híbridos, criados por um grupo de cientistas através de engenharia genética, para interagir com os nativos de Pandora.  O filme teve sua première em Londres, no dia 10 de dezembro de 2009. 
29 - Já podemos notar que o símbolo é o portador de uma ambiguidade: ele opera, de um lado, a representação subjetiva e, de outro, uma imagem ainda vinculada à existência imediata do objeto. O sentido preciso dessa definição fica mais claro quando o comparamos às observações de Hegel sobre o signo. Neste último, "a conexão que possui o significado e sua expressão (...) é apenas uma junção inteiramente arbitrária. O que indica que os signos propriamente ditos fecham-se num campo autônomo ante as coisas que designam, um campo que tem regras e lógica própria. Daí a arbitrariedade da conexão: "O signo (Zeichen) é uma intuição imediata, mas que representa um conteúdo absolutamente distinto daquele que a intuição [do objeto] tem para si". 
Apesar de, também no caso do signo, Hegel falar em "intuição imediata", o que é preciso reter de sua colocação é justamente a observação quanto "ao conteúdo absolutamente distinto daquele que a intuição tem para si". A esse respeito, é absolutamente pertinente a observação de Safatle: "Estranha 'intuição imediata' esta posta pelo signo já que é uma intuição que conserva a distância entre o conteúdo intuído e o conteúdo representado, entre o que é visado (Meinung) e o que é efetivamente dito", e poderíamos completar entre o significado e a expressão e, em última instância, entre a coisa e a palavra.
30 - Simbolizar significa representar e substituir realidades ideais ou teologais por sinais sensíveis eficazes do mesmo valor que elas, que continuam a existir para darem legitimidade aos seus símbolos. Ocorre com o símbolo algo parecido com alguém que devesse comparecer a uma cerimônia, mas está impossibilitado de fazê-lo.  Enviaria um substituto e representante seu, autorizado a fazer as vezes e a realizar os atos que o titular realizaria, sem tomar o lugar dele.  O substituto representa legitimamente, faz e diz com autoridade as coisas que o titular diria e faria, mas o titular  continua a existir, para dar legitimidade às palavras e atos do seu representante.  Sem a existência efetiva do titular, as ações e palavras do substituto não teriam validade.  A efetiva permanência do titular valida a sua representação. Para a Bandeira e o Hino simbolizarem o Brasil para todos os efeitos, é preciso que o Brasil exista. 
Não pode haver símbolos de coisas inexistentes: faltaria suporte ontológico para eles. Não ocorre o mesmo com o sinal comum: nunca poderá representar nem substituir a realidade da qual é sinal; pois, tanto ele quanto ela podem desaparecer e reaparecer, sem que aconteça nada com a realidade ou sinal. Poder-se mudar o sinal de uma coisa sensível sem consequência para ele ou para ela. Poderei substituir luz por som num semáforo e regular o trânsito do mesmo jeito. Poderei substituir semáforos americanos por chineses, sem prejuízo pra fluidez do trânsito. Impossível com os símbolos: jamais po­deria trocar símbolos de valores por outros, sem prejuízo para a legitimidade deles. Símbolos e valores não poderão ser alterados Existe uma função básica e natural da mente humana que é a de criar símbolos. 
A função humana de simbolizar é essencial à atividade do subconsciente, já que a compreensão de si mesmo é expressa por símbolos: através deles entramos em contato com nossos mistérios internos e da sua interpretação adquirimos conhecimento do que somos. A capacidade humana de simbolizar é uma das coisas que distingue o homem dos animais. O uso dos símbolos faz parte da religião, do misticismo e da mitologia; dos sonhos, das alegorias, dos contos de fadas e dos rituais de passagem.

Autor: Gisele Leite é professora universitária. E-mail: professoragiseleleite@yahoo.com.br