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sábado, 24 de novembro de 2012

Anac orienta passageiros e monitora encerramento das atividades da Webjet (Carolina Sarres)


Anac orienta passageiros e monitora encerramento das atividades da Webjet




Carolina Sarres - Agência Brasil24.11.2012 - 13h42 | Atualizado em 24.11.2012 - 14h08


Nacional de Aviação Civil (Anac) orienta os passageiros que se sentirem lesados por algum problema relacionado ao fim das atividades da empresa aérea Webjet a entrarem em contato com a própria agência, com os órgãos de proteção ao consumidor ou com a Justiça. 

De acordo com a Anac, a situação está sendo monitorada para garantir que a prestação dos serviços oferecidos pela Gol Linhas Aéreas seja mantida. A Gol incorporou a Webjet em outubro deste ano e, ontem (23), foi anunciada a extinção

Outras medidas de assistência integral aos passageiros devem ser tomadas para garantir a manutenção dos contratos de transporte da Webjet, segundo regulamentação da Anac. Em caso de descumprimento, a Gol poderá levar multa de R$ 4 mil a R$ 10 mil por infração. A agência, em nota, explicou que os todos os passageiros da empresa extinta devem ser acomodados em outros voos ou ressarcidos com o valor integral da passagem.

O fim da companhia e a demissão de 850 funcionários deixou muitos passageiros receososquanto à manutenção das atividades nos aeroportos. Ontem (23), trabalhadores do setor aéreo anunciaram que deverão entrar em greve para reivindicar reajustes salariais e protestar contra as demissões da Webjet. 

De acordo com o monitoramento de voos da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que administra os aeroportos brasileiros, não há registro de anormalidade nas atividades, como filas em excesso ou reclamações de passageiros.

No momento, 44 dos dos 36 voos da Webjet previstos para decolar foram cancelados - 81,8% do total. A média de cancelamentos da Infraero é cerca de 15%. De acordo com a Gol, os voos da Webjet não existem mais e todos os passageiros foram reacomodados em novos voos. A Gol ainda informou que os registros de cancelamentos da Infraero são uma questão do sistema, que não é automático e ainda está sendo adaptado à situação. 

Edição: Andréa Quintiere

(http://www.ebc.com.br/2012/11/anac-orienta-passageiros-e-monitora-encerramento-das-atividades-da-webjet).

Por que Rubens Paiva foi morto (Nilson Mariano)

Por que Rubens Paiva foi morto


Por que Rubens Paiva foi morto

Por que Rubens Paiva foi sequestrado em janeiro de 1971, no Rio de Janeiro? Como ele morreu? Onde estão seus restos mortais? Se não era guerrilheiro, por que o engenheiro e ex-deputado federal, então com 41 anos pode ter entrado na lista de executados pelo regime militar?


Em entrevista a ZH, concedida em São Paulo, o escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva aportou revelações e esclarecimentos sobre a trajetória do pai. Antes mesmo do golpe que derrubou o presidente João Goulart, em março de 1964, Rubens Paiva estaria marcado pelos generais linha-dura. Deputado pelo PTB (o antigo de orientação trabalhista, não o híbrido atual), fora vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou as ligações do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) com a CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos.

A reportagem é de Nilson Mariano e publicada pelo jornal Zero Hora, 24-11-2012.


Já em 1963, o Ibad era um ninho de conspiradores contrários ao governo Goulart. Inspirados pelo general Golbery do Couto e Silva – depois mentor da ditadura –, integrantes do Ibad alarmavam que o país estava à beira do comunismo. Ao mesmo tempo, recebiam dólares americanos para financiar o golpe de Estado.



– O meu pai tinha cópias de cheques que iam para o Ibad e o Ipes – destaca Marcelo, referindo-se ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), outra entidade ocupada em detratar o governo civil.



Alinhado com os líderes trabalhistas João Goulart e Leonel Brizola, Rubens Paiva teve o mandato cassado logo após o golpe de 1964. Exilou-se, mas voltou ao Brasil. Fazia oposição política à ditadura, ajudava perseguidos a conseguir exílio no Exterior, especialmente o Chile, então sob o regime socialista de Salvador Allende.



Com 11 anos em 1971, Marcelo lembra que a casa da família, no bairro Leblon, no Rio, recebia visitas de políticos cassados e adversários da ditadura. Às vezes, era o refúgio de quem estava sendo caçado pela repressão.



– Na minha casa, havia roda de pôquer com o Fernando Henrique Cardoso, Paulo Francis e outros. Meu pai era amigo do Antônio Cândido, do Antônio Callado, do pessoal do Pasquim – conta o escritor.



Rubens Paiva foi detido por soldados da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1971, e depois levado para o Departamento de Operações e Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), porque se comunicava com exilados brasileiros no Chile. Uma mulher foi presa, no Aeroporto do Galeão, com uma carta trazida do Chile para ele.



Marcelo admite que o pai, naquele momento, colaborava com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) – uma das organizações guerrilheiras mais ativas. Rubens Paiva não era do MR8, mas se sentia no dever de ajudar seus membros. Fora eleito deputado com votos dos estudantes, que eram maioria nos grupos armados.



– É claro que ele não participou de ação armada, nem sei se concordava com isso. Mas ajudava aqueles garotos a sair do país – diz Marcelo.



Formado em engenharia, Rubens Paiva fora vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Participara de lutas estudantis e das campanhas nacionalistas, como a da criação da Petrobras. Poderia ter continuado no exílio, no pós-64, mas preferiu regressar para continuar se opondo ao regime militar.



– Foram vários elementos que fizeram com que acreditassem que tinham nas mãos um peixe grande, o meu pai. E havia um acerto de contas. Assim que o meu pai entrou na Aeronáutica, um torturador teria lhe dito: “Pois é, deputado, finalmente vamos nos entender com o senhor” – relata Marcelo.

Condenado, Macarrão decidiu: não pagará sozinho...

Condenado, Macarrão decidiu: não pagará sozinho - Brasil - Notícia - VEJA.com


Condenado, Macarrão decidiu: não pagará sozinho

Abandonado, melhor amigo de Bruno impldiu a trama montada para proteger o grupo. Confissão é a prova de que não existe a "ética dos bandidos" que citou o promotor do caso

Macarrão no banco dos réus durante o quinto dia de julgamento
Macarrão no banco dos réus durante o quinto dia de julgamento - Vagner Antônio/TJMG
















Há quem acredite que entre os criminosos impere, acima da lei, o senso de uma ‘ética dos bandidos’. Ética e crime não podem nem devem habitar a mesma expressão, mas foi o formato encontrado pela ingenuidade para supor sobre “os limites” da ação dos grupos criminosos. Uma delas é a de que, mesmo nos acertos de contas entre gangsters as famílias devem ficar de fora – algo que os filmes de máfia já desmontaram há tempos. Outra seria a que garante pactos de silêncio de forma a preservar os cúmplices de um mesmo crime, como vinha ocorrendo no Caso Bruno, no qual os advogados de defesa conseguiram conservar por dois anos e meio o silêncio da turma que comia churrasco enquanto Eliza Samudio era mantida em cárcere privado com o filho recém-nascido, à espera da morte. A estratégia começou a ser quebrada nesta semana - e já culminou na condenação de dois réus, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e Fernanda Castro, ex namorada do goleiro. Os demais serão julgados em março do ano que vem. Macarrão foi condenado a 15 anos de prisão, por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado. Ele se livrou apenas da acusação de ocultação de cadáver. 

A madrugada de quinta-feira foi uma aula sobre o quanto não se deve confiar na existência de algum tipo de princípio vindo de criminosos. Macarrão, que na última semana mirou os jurados e a juíza Marixa Fabiane Rodrigues com o olhar sofrido dos injustiçados, tatuou nas costas, na véspera do sequestro de Eliza Samudio, um juramento de amor ao ex-patrão: “Bruno e Maka, amizade (que) nem mesmo a força do tempo irá destruir, amor verdadeiro”.  Bruno faria uma tatuagem idêntica, disse Macarrão, agora sentindo-se traído. O que eles não sabiam sobre o tempo: passado o prazo de validade de uma amizade sustentada pelo dinheiro – no caso, dinheiro de Bruno – e desgastado o amor capaz de manter em silêncio dois amigos prestes a encarar 10 anos de xilindró, ‘Maka’ não suportou a pressão. Abriu o bico. E tentou salvar a própria pele. “Se alguém destruiu a vida, foi ele quem destruiu a minha”, disse, mostrando que teria, talvez, algum talento para a escrever clássicos da canção brega-romântica na categoria dor-de-cotovelo.

A pena do réu seria de 20 anos de prisão, mas a confissão durante o depoimento em plenário serviu de atenuante. Em 2015, Macarrão poderá solicitar regime semiaberto. "Foi uma vitória com certeza. Como esse caso foi o maior e o mais importante da minha carreira, posso dizer que, tratando-se de um réu confesso de homicídio, foi a minha maior vitória. A confissão foi uma estratégia acertada porque o beneficiou. Não houve acordo. Neste momento, Macarrão está tranquilo", disse o advogado de defesa de Macarrão, Leonardo Diniz.
Para manter o assunto dentro do campo da filosofia de churrasco e botequim, fiel ao universo dos réus, Macarrão cansou de ser ‘mulher de malandro’. Tolerou enquanto pôde o desprezo de Bruno, que foi muito além de não fazer a tatuagem, como combinado. Na semana em que foi preso, o goleiro foi filmado dizendo que “agora ficava difícil confiar” nele (Macarrão). O ex-capitão do Flamento escreve uma carta pedindo ao amigo para assumir o crime, o “plano B” revelado por VEJA em julho. Até aí Maka suportou. Mas chegou a hora de encarar os jurados e Bruno passou dos limites: operou, com seus advogados e o do ex-policial Bola – o tão temido quanto fanfarrão Ércio Quaresma – um desmembramento do processo, para tornar mais fácil sua defesa em um julgamento com menos réus e mais tempo para seus advogados.
É bom ressaltar: nos dias de hoje, por obra da Lei Maria da Penha, até a mulher do 'malandro', daquele que gosta de bater, tem seus direitos garantidos. E o malandro vai preso sem chance de pagar fiança.

A acusação abraçou Macarrão quando Bruno o abandonou. Sensíveis, acostumados às sensações e aos pesadelos que assombram quem ocupa o banco dos réus, promotor e assistentes de acusação perguntaram a Maka: “Vai pagar o preço sozinho, ou vai entregar os que mataram Eliza?” Macarrão ficou com a segunda opção, e deu à Justiça o que faltava, a afirmação em juízo de que Eliza Samudio foi assassinada, e que o mentor do crime foi o goleiro Bruno. Entre eles, passou a haver, além da coleção de artigos do Código Penal, o crime de traição.

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Macarrão foi parcial, e manteve segredo em relação à participação de Bola. Por “ética”? Lealdade? Certamente não. Como deixou claro, tem medo de morrer, e para o Ministério Público o matador do grupo é exatamente o ex-policial.
No momento do debate no Fórum de Contagem, na sexta-feira, o competente promotor de Justiça Henry Vasconcelos citou sua hipótese para o fato de Bola, que asfixiou e esquartejou Eliza, ter poupado o filho da vítima, o pequeno Bruninho. “Criança eu não faço, não”, teria dito o assassino. Para Henry, ele teria “parâmetros éticos que não condizem com o de bandidos mais vulgares”. Pela violência e frieza com que agiu o grupo, é mais seguro crer em uma hipótese mais simples para explicar a opção do algoz de Eliza: matar o bebê não estava no preço.
(Cecilia Ritto, Leslie Leitão, Marcelo Sperandio, Pâmela Oliveira e Pollyane Lima e Silva)

Os sete erros da defesa no Caso Bruno

1 de 7

1 - Seis mulheres e um homem no júri

No primeiro dia do julgamento, o então advogado de Bruno, Rui Pimenta, optou por deixar que seis mulheres e apenas um homem integrassem o conselho de sentença. Foi pimenta quem dispensou dois homens que integravam o grupo – cada parte pode dispensar três integrantes, para nova seleção. Pimenta ainda soltou uma pérola: "As mulheres são mais responsáveis, afinal, nem todo mulher é prostituta". No dia seguinte, foi destituído. As mulheres, como se viu, condenaram os réus. “É fundamental que o advogado de defesa escolha bem as peças", explica o jurista Luiz Flávio Gomes, que acompanhou todo o julgamento.