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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

“Um debate essencial” (Carlos Árabe)

Postagem no Abertura Mundo Jurídico em 08/jan/2018...

Carlos Árabe: “Um debate essencial”
“Todos os instrumentos de ação estatal para o crescimento foram eliminados pela política econômica dos golpistas”, afirma dirigente.
 06/01/2018 10h07


Em recente artigo publicado originalmente na Folha de SP o ex-ministro Nelson Barbosa apresenta uma crítica à política econômica em vigor.
Escolhe a questão central: “A grande questão sobre a recuperação atual não é sua ocorrência. Depois de uma recessão, sempre vem uma recuperação. O ponto principal é: por que tão devagar?”
Ainda que a recuperação lenta seja um aspecto importante do debate, ela só pode ser explicada por uma visão crítica mais substantiva, que implica em questionar a direção da economia depois do golpe. Grosso modo, é isso que explica o ritmo lento da saída da crise: todos os instrumentos de ação estatal para o crescimento foram eliminados pela política econômica dos golpistas. Essa direção inverteu o rumo da economia política do desenvolvimento sob o PT, especialmente dos anos 2008 a 2014.
Obviamente o ângulo de qualquer análise concreta é definido pelo ponto de vista mais amplo sobre o objeto. E o ex-ministro não parece deixar dúvidas: sua questão não é (na verdade, não pode ser) a direção da atual política econômica, pois entre ela e a chamada (por ele) correção de rumos de 2015 há pontos de contato. Ele define seu ponto de vista com base na oposição à política econômica do 1º mandato da presidenta Dilma e na
defesa da chamada correção de rumos do 2º mandato: “Sim, houve equívocos de política econômica em 2012-14. Tanto que a presidente Dilma começou seu segundo mandato tentando corrigi-los. (…) A direção da política econômica de 2012-14 foi um dos motivos que me fizeram deixar o governo, em junho de 2013 (…).”

Exatamente por ter esses pontos de contato com a perspectiva neoliberal sua crítica refere-se ao ritmo, não ao rumo da política econômica. O período criticado é aquele em que a economia brasileira teve de ser defendida face à continuidade da crise internacional. Para isso, o sistema público de bancos passou a ofertar a maior parte do crédito total, superando o conjunto dos bancos privados.
A construção da soberania nacional foi efetivamente lastreada na recuperação e expansão da Petrobras e em forte acumulação de reservas. Mesmo sob a crise internacional, chegamos quase ao nível do pleno emprego, os salários cresceram significativamente. Diversos pontos da política econômica desse período foram criticados no nosso debate. Um deles, a transferência unilateral de recursos aos capitalistas – via desonerações – que não funcionou como alavanca de investimentos.
Mas o que difere nosso debate da crítica neoliberal é o ataque de conjunto, global, à política econômica daquele período. E nesse ponto o ex-ministro se alinha mais aos neoliberais. Por isso, sua questão principal não é a direção da economia sob o golpe.
Esse alinhamento prossegue no elogio à chamada correção de rumos de 2015, da qual foi um dos executores. Ela significou uma forte aproximação com o diagnóstico neoliberal sobre a economia brasileira. Além do desemprego, trouxe de volta a agenda neoliberal, incluída a reforma da previdência, da qual o ex-ministro foi um enfático proponente. E continua sendo, como diz no artigo: “E houve ainda a inacreditável PEC do teto dos gastos, que adiou a reforma da Previdência e aumentou a incerteza fiscal sobre 2019. Só o próximo governo corrigirá esse erro.” (Grifo nosso)
Nos debates partidários realizados durante esse período, no governo e no partido, na CUT e movimentos populares e mais amplamente na esquerda, formou-se uma visão crítica aos rumos seguidos pelo nosso governo em 2015. Na CUT e nos movimentos populares a visão crítica foi majoritária e se expressou de forma explícita no Fora Levy. Infelizmente não logrou sua meta: Levy caiu tarde demais e, mesmo assim, a política econômica não foi alterada.

Aprovado por consenso, o balanço do 6º Congresso afirma: “Ao invés de acelerar o programa distributivista, como havia sido defendido na campanha da reeleição presidencial em 2014, o governo adotou medidas de austeridade sobre o setor público, os direitos sociais e a demanda. O ajuste fiscal, além de intensificar a tendência recessiva, gerou confusão e desânimo na base social petista: entre os trabalhadores, a juventude e a intelectualidade progressista, disseminou-se a sensação, estimulada pelos monopólios da comunicação, de estelionato eleitoral.” (página 28, item 38, da 2ª edição do Caderno de Resoluções do 6º Congresso )

A defesa de Lula e o projeto de reconquistar o governo devem ser acompanhados da construção de um programa consequentemente antineoliberal. Por isso esse debate é essencial.
Carlos Árabe é secretário Nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores

Original disponível em: (http://www.pt.org.br/carlos-arabe-um-debate-essencial/?platform=hootsuite). Acesso em 08/jan/2018.

Quanto pior melhor, também explica recuperação lenta (Nelson Barbosa)

Postagem no Abertura Mundo Jurídico em 08/jan/2018...

Nelson Barbosa: quanto pior, melhor também explica recuperação lenta

Em artigo, ex-ministro elenca que depois do golpe parlamentar também houve erros de política econômica que atrasaram a recuperação, quase todos reversíveis
 28/12/2017 20h29 - atualizado em 29/12/2017 08h55

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tribuna de Debates do PT
Nelson Barbosa
O Brasil saiu da recessão neste ano. O crescimento foi concentrado na agropecuária, mas ainda assim deve ser comemorado. As projeções de mercado indicam aceleração em 2018, puxada por indústria e serviços, outra notícia positiva.
A grande questão sobre a recuperação atual não é sua ocorrência. Depois de uma recessão, sempre vem uma recuperação. O ponto principal é: por que tão devagar?
Comparada com episódios similares de nossa história, a recuperação em curso tende a ser a mais lenta após três anos seguidos de queda do PIB per capita.
Um lado do debate público no Brasil atribui a recessão e a lenta recuperação somente aos governos do PT. Segundo essa visão simplista, tudo deu certo a partir de maio de 2016. Não é preciso ser economista para ver o viés político dessa interpretação.
Uma análise mais isenta ajuda a entender a questão. Sim, houve equívocos de política econômica em 2012-14. Tanto que a presidente Dilma começou seu segundo mandato tentando corrigi-los.
Por limitação de espaço, destaco dois pontos: adiar o enfrentamento do desequilíbrio orçamentário via operações legais, mas não recorrentes, de antecipação de receita e adiamento de despesa (Temer está indo pelo mesmo caminho) e tentar controlar preços para adiar o aumento da Selic (isso a própria Dilma já corrigiu em 2015).
A direção da política econômica de 2012-14 foi um dos motivos que me fizeram deixar o governo, em junho de 2013, após encaminhar a criação do fundo de pensões dos servidores (com sucesso) e a reforma do ICMS (sem sucesso). Mas voltemos ao principal.
Será que os erros de 2012-14 explicam toda a recessão e a lenta recuperação? É claro que não! O momento atual também se deve à estratégia do “quanto, pior melhor” adotada por MDB e PSDB contra o PT.
Em 2015, houve as pautas bombas. Em 2016, o golpe parlamentar. Nos dois casos, o Brasil ficou paralisado -não se aprovava nem “parabéns para você” no Congresso- enquanto a economia só piorava. Aguardo a autocrítica dos incendiários de ontem, embora saiba que ela nunca virá.
Depois do golpe parlamentar também houve erros de política econômica que atrasaram a recuperação, quase todos reversíveis.
O BC demorou a cortar a Selic, mas já está corrigindo isso. A Fazenda ampliou e depois derrubou o gasto discricionário da União, mas depois reconheceu o erro e mudou a meta fiscal.
No crédito, houve grande contração pelo BNDES, em cima do ajuste já feito por Dilma em 2015. Sem alarde, o governo está procurando corrigir esse erro injetando recursos do FGTS na economia e reduzindo o compulsório dos bancos.
E houve ainda a inacreditável PEC do teto dos gastos, que adiou a reforma da Previdência e aumentou a incerteza fiscal sobre 2019. Só o próximo governo corrigirá esse erro.
Nelson Barbosa é ex-ministro da Fazenda
*Artigo publicado originalmente na ‘Folha de S.Paulo’ e reproduzido na Tribuna de Debates do PT

domingo, 7 de janeiro de 2018

Servidora e braço direito de Moro e sua militância anti-PT (Cf. Joaquim de Carvalho. No JGGN)

Postagem no Abertura Mundo Jurídico em 07/jan/2018...

Exclusivo: Ivanice, braço direito de Moro, e sua militância anti-PT, por Joaquim de Carvalho
Dentro do projeto que une o Jornal GGN e DCM, "A Indústria da Delação Premiada", Joaquim de Carvalho traz mais uma reportagem sobre os personagens de Curitiba. Ivanice Grosskopf, diretora de secretaria da 13a. Vara Federal de Curitiba é o braço direito de Moro e tem atuação político-partidária forte. Outras matérias da série podem ser vistas aqui.
 
 
A Indústria da Delação Premiada
 
Ivanice, braço direito de Moro, e sua militância anti-PT
 
por Joaquim de Carvalho
 
No futuro, quando os historiadores descreverem o uso do lawfare no Brasil para destruir uma liderança política, Sergio Moro será retratado com certeza. Páginas e páginas se escreverão sobre ele. Mas não seria justo fazer o registro sem que se conhecesse também as pessoas que o ajudaram nessa tarefa. E além de Rosângela Moro, dedicada a manter as massas mobilizadas com o uso da rede social, um nome não poderá ser omitido: Ivanice Grosskopf, diretora de secretaria da 13a. Vara Federal de Curitiba.
 
Ivanice trabalha com Moro desde o tempo de Cascavel, quando o juiz se tornou titular pela primeira vez, meados dos anos 90, na sucessão de João Pedro Gebran Neto (houve um juiz entre eles, que ficou pouco tempo lá). Na época, Moro passou por uma situação constrangedora, como recorda o procurador da república Celso Três, que trabalhava na jurisdição. 
 
Um advogado apresentou mensagem divulgada por Rosângela Moro, advogada, que informava o telefone do gabinete do marido como seu próprio contato profissional. Poderia ser interpretado como exploração de prestígio ou irregularidade equivalente, mas o caso não foi levado adiante. 
 
“Na época, eu ouvi as explicações de Moro e achei que não tinha havido dolo. Pareceu mesmo que foi um equívoco”, disse o procurador, conhecido desde o Banestado pela tenacidade com que conduz suas investigações — Três já teve o carro perfurado a bala quando apurava o envolvimento de policiais civis do Paraná num esquema de extorsão de sacoleiros que faziam compra no Paraguai.
 
Ivanice já era conhecida de todos, e se atribui a ela a redação de despachos do juiz, inclusive sentenças, o que não é incomum no Judiciário, dado o excesso de tarefas do magistrado e a relação de confiança que existe entre este e alguns subordinados. São estes que tocam a Vara, o juiz dá as diretrizes e confere o trabalho antes de assinar, para que nada saia fora de sua orientação.
 
Quando Moro deixou Cascavel e foi para Curitiba, onde implantou a Vara especializada em lavagem de dinheiro, Ivanice o acompanhou, para ocupar o posto de funcionária número 1, chefe do cartório. Na transcrição do vídeo com o depoimento de Lula à Polícia Federal, sob condução coercitiva, em março de 2016, o nome de Ivanice aparece como responsável pela tarefa. 
 
A neutralidade e a imparcialidade são requisitados que se exige do magistrado, para o bom desempenho de suas funções, mas seria ainda melhor que suas pessoas de confiança mantivessem postura semelhante. Mas não é o que acontece na 13a. Vara de Curitiba.
 
Se, em Moro, a parcialidade é enrustida, em Ivanice é escancarada, pelo menos até 3 de agosto de 2016, data da última postagem pública em seu facebook. Nesse dia, ela postou o link com a entrevista de Deltan Dallagnol ao Programa do Jô. 
 
Ivanice também revela em sua rede social um papel ativo nas manifestações convocadas pelo Vem Pra Rua. Compartilha publicações de uma tal organização que se define pelo slogan “Curitiba, a capital mais direita do Brasil”. Deu publicidade também a manifestações do senador Ronaldo Caiado contra o assim chamado Foro de São Paulo, um assunto recorrente em sua rede social.
 
Compartilhou texto de Olavo de Carvalho, com ilustração em que aparece um bispo do xadrez com a estrela do PT alterada com foice e martelo e o aviso do ativista de extrema-direita de que havia postado um comentário na “página da CNBBosta”. Ivanice convocou para um twittaço e facebookaço com a hashtag “Agora Somos Todos Moro”. 
 
Compartilha textos do site de extrema-direita O Antagonista, texto do movimento escola sem partido e de grupos que defendem a liberação do porte de armas no Brasil — “vinte fatos que comprovam que posse de armas deixa uma população mais segura”. 
 
Revela as viagens que fez aos Estados Unidos, com direito a foto em frente à estátua de Abrahan Lincoln em Washington, e uma publicação que trata da importância de se fundar no Brasil algo como o Tea Party nos Estados Unidos — na verdade, existe, é o MBL, de cujas postagens ela compartilha, como, por exemplo, um fake news que atribui a um deputado do PT a iniciativa de “calar mídia à força” depois das eleições (em 2014).
 
 
No dia do segundo turno da eleição para presidente, postou mensagem com o seguinte teor:
 
"Hoje é o dia de você exercer o direito de ir às urnas e escolher o próximo presidente do Brasil. Caso ocorra alguma situação diferente, no momento da votação, que te impeça de votar, avise o mesário e nos informe, enviando uma mensagem para aeciocampanha2014@gmail.com ou para o whatsapp (11) 952104827, com seu nome e telefone, para fazermos contato. 
Obrigado. #MudaBrasil"
 
Na véspera, postou o vídeo de aecistas na rua, cantando:
 
“Ah, eu tô feliz, eu vim para a rua mudar o meu País. Aécio! Aécio! Aécio!”
 
 
Ela já indicava apoio a Aécio na véspera do primeiro turno, quando postou pesquisa com o título: “Aécio Neves ultrapassa Marina Silva”. Sua militância antipetista é ostensiva, como mostra o texto de Veja que repercute:
 
“Marginais do PT saquearam a Petrobras”, diz professor Villa - TVEJA (Marco Antônio Villla).
 
Além da militância antipetista, a diretora da secretaria da Vara de Sergio Moro se dedica a atacar pessoalmente Lula e posta memes ofensivos e um texto que, hoje, assume especial importância, por se tratar o triplex do Guarujá, objeto do processo que levou à condenação de Lula a nove anos e meio de prisão, cujo recurso será julgado dia 24 de janeiro, pelo Tribunal Regional Federal da 4a. Região.
 
O texto saiu no blog Vide Versus, do ativista de extrema-direita Vítor Vieira, em dezembro de 2014, e contém uma série de dados que não encontram relação com a verdade factual. Diz que o triplex era de Lula e que ele passaria lá o Reveillon. "De sua ampla sacada, poderá ver a queima de fogos, que acontece na orla bem defronte do seu prédio, feito pela OAS, empresa investigada pela Operação Lava-Jato”, escreve.
 
"A reforma do apartamento 164 é tocada por seu filho Lulinha, segundo funcionários do edifício, e foi vistoriada por dona Marisa o tempo todo — acrescenta o cascateiro. 
 
“Ela mesmo providenciou a decoração do local, visitado por Lula apenas três vezes. A família Lula construiu um elevador privativo para levá-los do 16º ao 18º, que no projeto original tinha apenas escadas internas. Lulinha usou também parte do quarto de empregada e um canto da sala para fazer um escritório. Mandou também colocar porcelanato em tudo. A cobertura com piscina também recebeu uma boa área gourmet.”
 
 
Hoje já se sabe que a reforma foi feita pela OAS, que tentou entregar o triplex a Lula, mas ele nunca foi dono do imóvel. Visitou o triplex uma vez e recusou. Com a popularidade de Lula, é razoável supor que ele teria liberdade para descansar do balneário de Guarujá, um dos mais movimentados do litoral de São Paulo?
 
Sequer passou uma noite no local, como ficou claro no processo — apesar disso, foi condenado. Na Vara de Curitiba, parece que o fake news, presente nas publicações da diretora da Secretaria Ivanice Grosskopf, prevaleceu sobre o conteúdo do processo.
 
Lula foi condenado numa Vara onde, por baixo de ternos, gravatas e tailleurs, servidores púbicos vestiram camiseta de militantes anti-petistas. E alguns, como a importante Ivanice, sequer esconderam isso nas redes sociais.
 

sábado, 6 de janeiro de 2018

Beluzzo explica como a Lava Jato destruiu a economia (Do DCM)

Postagem no Abertura Mundo Jurídico em 06/jan/2018...

Beluzzo explica como a Lava Jato destruiu a economia

Postado em 28 de dezembro de 2017 às 12:22 pm
 
São Paulo – Em seminário do qual participou em dezembro de 2014, nove meses depois de deflagrada a operação Lava Jato, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo alertou: “Estou observando uma tendência na sociedade brasileira de achar que não tem importância destruir a Petrobras e as empreiteiras”. Na ocasião, disse que era preciso combater a corrupção, mas ao mesmo tempo preservar a estatal e as grandes construtoras, “responsáveis por uma parcela muito importante do investimento no país”. O economista recomendava “substituir a direção das empresas e preservá-las”.
Três anos depois, a avaliação de Belluzzo se confirma, com o país em recessão e a Petrobras sofrendo uma perversa política de desinvestimento, a indústria naval em rápida decadência e os empregos do setor de óleo e gás em depressão profunda.
A constatação do economista, hoje, não poderia ser outra. “Eles estão destruindo não só o setor, estão destruindo todos os espaços de coordenação da economia brasileira, que foram sendo construídos ao longo de 50 anos. Mesmo os governos militares não abandonaram isso, continuaram preservando as estruturas  de coordenação: a relação entre empresa estatal e privada, Tesouro, bancos etc.”, diz Belluzzo à RBA. “Essa é a maior forma de organização da economia capitalista, que na sua forma mais avançada são os chineses que estão fazendo. E nós estamos desfazendo.”
(…)
“Vamos pegar os Estados Unidos, por exemplo. Eles puniram os caras que praticaram infrações penais. Mas destruíram algum banco que produziu a crise do subprime?”, lembra, em referência à crise do setor financeiro de 2007-2008, decorrente dos empréstimos hipotecários norte-americanos de alto risco. “Isso é tão óbvio no mundo inteiro que eu fico espantado que a gente tenha que falar isso.”
Outro exemplo, também mencionado pelo coordenador da Frente Única dos Petroleiros, José Maria Rangel, é a gigante coreana Samsung, cujo herdeiro e vice-presidente, Lee Jae-yong, foi condenado e preso por corrupção pela Justiça da Coreia do Sul.
“Está preso. E eles destruíram a Samsung? Não”, afirma Belluzzo. Em sua opinião, promotores, juízes e membros do sistema judiciário brasileiro, de modo geral, não conseguem entender um aspecto crucial e básico: “Na verdade, a empresa é uma instituição social, e aqui eles – desatinadamente – quase que praticamente destruíram um setor, o setor de óleo e gás, onde se tinha muitos investimentos a se fazer.
Uma das questões que se relacionam com essa incapacidade de compreensão é “a visão parcial” de promotores e juízes que comandaram o processo da Lava Jato. “Eles não são capazes de avaliar, porque não têm formação para isso, o que é um defeito da especialização. Não estou dizendo que estão fazendo de propósito, mas não sabem o que estão fazendo.”
O economista não se mostra adepto de teorias da conspiração segundo as quais as ofensivas contra a Petrobras e as empreiteiras fazem parte de uma estratégia deliberada. “O pessoal diz que estavam fazendo um serviço para as empresas estrangeiras ocuparem o mercado. Mas eles não precisavam estar a serviço de ninguém, estavam fazendo o serviço por conta própria, por causa das limitações deles. Não têm nenhuma noção. Isso é uma coisa típica de um país que tem mecanismos de controle e avaliação muito precários”, avalia.
(…)

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Igualdade substantiva e democracia substantiva (István Mészáros. Blog da Boitempo)

Postagem no Abertura Mundo Jurídico em 04/jan/2018...

Mészáros: Igualdade substantiva e democracia substantiva

No aniversário de István Mészáros, disponibilizamos o último artigo escrito por ele para a revista semestral da Boitempo, a Margem Esquerda.

Por István Mészáros.

Hoje, István Mészáros completaria seus 87 anos. Ele nos deixou no dia 1º de outubro deste ano, mas lega uma obra teórica e uma trajetória de vida da mais alta importância para as próximas gerações de lutadores sociais. Em homenagem a seu aniversário, o Blog da Boitempo disponibiliza aqui o último artigo que ele escreveu para a revista semestral da Boitempo, a Margem Esquerda, cujo conselho editorial ele também compunha. Publicado no segundo semestre de 2015, na edição de número 25 da revista, o artigo discute o problema fundamental das determinações substantivas, fundamental para pensar conceitos como “igualdade” e “democracia” para além do capital. A tradução é de Nélio Schneider.
Boa leitura.
* * *
O problema das determinações substantivas se refere a uma mudança fundamental de uma futura sociedade, que, para se tornar historicamente sustentável, precisa ter a igualdade substantiva como princípio norteador vital do seu metabolismo social. Da mesma forma, nem é preciso dizer que alguns outros conceitos reguladores (como o da democracia substantiva) não podem ser dissociados desse requisito, no sentido de que todos eles precisam ser concebidos e implementados no espírito da igualdade substantiva.
Para mim, é da maior importância política, tanto na teoria quanto na prática, contrastar nossa concepção do metabolismo social radicalmente diferente do futuro – sem o qual a humanidade não sobreviverá – com as formas existentes. É por isso que uso a expressão “substantivamente democrático” (e, é claro, “democracia substantiva”, cujas características definidoras fundamentais a tornam indissociável da “igualdade substantiva”) em contraste inclusive com a concepção de democracia, que já foi genuinamente liberal e que, sob nenhuma condição, poderia ser substantiva, mesmo que tenha conseguido ser mais ou menos substancial em um sentido político limitado. Nesse sentido limitado, a política pode ser mais ou menos “substancialmente democrática” sob um regime liberal, mas jamais poderá ser substantivamente democrática. No caso do contraste feito aqui por mim, não pode haver política “mais ou menos substantivamente democrática” ou “mais ou menos substantivamente igual”. Ou ela é substantivamente democrática e substantivamente igual ou não é. Em outras palavras, no último caso ela de modo algum é substantiva. Em contraposição, sob certas condições históricas é perfeitamente legítimo falar de relações políticas/sociais “mais ou menos substancialmente democráticas” ou “mais ou menos substancialmente iguais”.
É nesse sentido que usei a expressão “substantiva” em Para além do capital e que continuo a usá-la no livro que estou escrevendo sobre o Estado. De fato, já discuti esses problemas nos mesmos termos em meu livro sobre A teoria da alienação em Marx, que comecei a escrever no ano de 1959 em Londres. Isso porque a profunda preocupação que tenho com a substância crucial desse assunto na verdade remonta bem explicitamente ao outono de 1951, a uma conversa que tive com Lukács, na época em que o governo húngaro aumentou o preço dos itens vitais alimentação e vestuário em 300% e os salários em somente 18 a 21%.
Na ocasião discutimos essa medida na Associação Húngara de Escritores com Márton Horváth (que atacou Lukács com veemência no “debate Lukács” dos anos 1949-1951), membro do Politburo do Partido responsável pelos assuntos culturais/ideológicos. Alguns dos meus amigos escritores e colegas recitaram a resposta que Horváth queria ouvir, dizendo que o povo aprovou entusiasticamente a referida mudança. Eu me mantive em silêncio total, mas ele se voltou para mim e perguntou: “E você, camarada Mészáros, o que você ouviu?” Minha resposta foi esta: “Eu não sei que parte do país meus amigos visitaram, mas onde eu vivo, que é um distrito da classe trabalhadora, as pessoas estão praguejando e maldizendo o Partido e o governo”.
Como lhe era típico, ele respondeu: “Camarada Mészáros, espera-se que você os lidere, não que siga atrás deles!” Isso mostrou que ele sabia muito bem o que o povo em geral estava pensando; o que ele queria saber era como os escritores propagandeariam a decisão do Partido. Dada a grande diferença entre a receita dos trabalhadores e a dos principais escritores, os aumentos de preço dos alimentos e do vestuário não afetaram significativamente os escritores, mas atingiram duramente os trabalhadores. O aumento de 18 a 21% no salário dos escritores proporcionou-lhes uma compensação razoável, ao passo que os trabalhadores sofreram uma redução importante em sua necessidade principalmente de suprimentos essenciais de alimentação e vestuário como resultado de seus salários inadequados.
No dia seguinte, contei a Lukács essa experiência desconcertante na Associação de Escritores e ele riu comigo em um tom irônico e até sarcástico, sinalizando que desaprovava o comportamento de Horváth. E então ele explicou para mim que uma solução mais equitativa seria impossível, pois requereria somas elevadas com que a economia não conseguiria arcar. Na ocasião, a única coisa que consegui dizer foi: “Eu entendo, mas deve haver outra maneira”. Naquela altura da vida, eu não fazia a menor ideia do que poderia e deveria ser essa “outra maneira” e de como se poderia colocar em prática uma alternativa real às enormes desigualdades existentes. Eu só sabia que “deve haver outra maneira”. Naturalmente eu também sabia que as massas do povo estavam praguejando e maldizendo e que delas faziam parte meus camaradas de classe e companheiros de infância.
Precisei de algumas décadas de trabalho duro, em um período de fortes agitações e reviravoltas históricas, para entender as complexas ramificações históricas e sociais da diferença vital entre o que é chamado de “mais igualdade” (que significa nenhuma igualdade real) e o requisito historicamente irreprimível de igualdade substantiva.
As sociedades democráticas liberais frequentemente afirmam sua pretensão de legitimidade política insuperável proclamando sua intenção de instituir reformas políticas que promovam a “democracia representativa” e “mais igualdade” (junto com “taxação progressiva” etc.) e prometendo proteger a sociedade da “interferência excessiva do Estado”. Na realidade, poucas dessas pretensões e intenções resistem a um exame sério. Mas as sociedades do tipo soviéticas pós-revolucionárias tampouco lograram viver à altura dos princípios que haviam proclamado e acabaram retrocedendo ao mais desigual dos moldes capitalistas (ver Gorbachev etc.). Ao derrubar temporariamente o Estado capitalista, elas foram capazes de introduzir por certo tempo algumas reformas sociais limitadas, mas não a mudança estrutural necessária que surgiu no horizonte histórico na forma do desafio objetivo para a realização da igualdade substantiva.
Na verdade, a questão da igualdade substantiva está ligada a um certo número de assuntos vitais, que posso apenas mencionar sumariamente aqui. Ela diz respeito ao capital como tal (isto é, ao sistema do capital em sua totalidade) e não apenas ao capitalismo.
Igualmente, ela diz respeito ao Estado do sistema do capital como tal (isto é, ao Estado do capital em toda a sua variedade conhecida e factível), e não apenas ao Estado capitalista. Em outras palavras, trata-se da redefinição e reprodução permanente e historicamente viável do metabolismo social em sua totalidade, e não apenas da derrubada do domínio político estabelecido.
As ilusões associadas à noção de “democracia direta” etc. precisam ser avaliadas nessa linha, dentro do quadro de referência do modo radicalmente redefinido de reprodução societária. A razão disso é que as projeções irrealizáveis da “democracia direta” permanecem irrealizáveis precisamente por estarem presas na armadilha das limitações estruturais do domínio político vigente, enquanto o desafio histórico inevitável é a transformação radical de todos os níveis do metabolismo social de uma maneira não hierárquica. A política pode iniciar mudanças sociometabólicas importantes e de fato fundamentais, mas não pode constituir uma mudança por si só. Ela pode afetar de maneira significativa as condições da reprodução material, mas ela própria é dependente – inclusive quanto ao modo de articular suas demandas por uma mudança importante – da natureza de dado ou visado quadro de referência reprodutivo de ordem material (bem como, é claro, do seu correspondente cultural e ideológico).
Mudanças políticas estratégicas são sempre formuladas nos termos de tal quadro estrutural de ordem material – não importando que ele não esteja explicitado ou até tenha sido cinicamente camuflado –, o que ocorreu sob as condições da história passada, marcada pelos dados objetivos da determinação e da espoliação classistas. E quando se visa, em nosso tempo, a uma tomada de decisão globalmente política de cunho socialista para o futuro, esta precisa deixar claro seus próprios termos práticos de referência em conformidade com o quadro de referência reprodutivo de ordem material visado para a nova sociedade. O “diretamente político” significa muito pouco nesse tocante, se é que significa algo, ao passo que o materialmente substantivo faz toda a diferença (“sob o teto de nossas casas”, como já dizia Babeuf).
Em função de sua viabilidade histórica, esse tipo de redefinição de política e sociedade requer que o capital seja erradicado totalmente do metabolismo social. Sem isso não pode haver igualdade substantiva (ou democracia substantiva). Naturalmente esse requisito acarreta também a erradicação total (ou o “fenecimento”) do Estado como o conhecemos. O metabolismo reprodutivo do capital não pode ser erradicado sem isso, pois, em seu âmago, o Estado é necessariamente hierárquico. Ele foi historicamente constituído como o expropriador e usurpador da tomada de decisão global do processo de reprodução societária. Além disso, o quadro de referência reprodutivo de cunho material da ordem metabólica social do capital não teria nem condições de funcionar sem os processos de tomada de decisão hierárquica estruturalmente arraigados do Estado do capital correspondente.
Uma consideração adicional precisa igualmente receber a devida ênfase nesse ponto: a capacidade de restauração do capital. Pois, por sua natureza, o capital só pode ser inexoravelmente onipotente, já que não é capaz de reconhecer qualquer limite. Daí o absurdo completo da fantasia de Gorbachev (e de qualquer outra similar), postulando uma “sociedade de mercado controlada”. (Como bem sabemos, essa fantasia pode ter muitas variedades ilusórias, especialmente em condições de severas crises econômicas.)
Tendo em vista todas essas considerações, a única solução historicamente sustentável para o futuro é a reconstituição radical do metabolismo social no espírito do princípio orientador da igualdade substantiva. Isso só poderá ser visualizado bem além da irrealizável terra do nunca e do lugar nenhum “substancialmente mais equitativo” da esperança piedosa. De modo algum causa surpresa que, no curso do desenvolvimento histórico conhecido, apregoado nos termos dos postulados ilusórios da concepção democrático-liberal da “redistribuição mais equitativa da riqueza” (em nome do “Estado de bem-estar” ou do que quer que seja), as promessas feitas não deram em absolutamente nada. As relações sociais resultantes não só não são “substancialmente mais equitativas”, como não são nem sequer um pouquinho mais equitativas. Pelo contrário, temos testemunhado a obscena concentração cada vez maior da riqueza. Tanto que até mesmo alguns economistas políticos neoclássicos decentes, como Thomas Piketty, expuseram-na em seus escritos, mesmo que não tenham apresentado qualquer solução.
Reorganizar a sociedade, transferindo o poder da tomada de decisão aos produtores livremente associados, é o único modo factível de introduzir o planejamento significativo. Isso é condição absoluta, totalmente incompatível com a natureza inerente do capital, devido à sua centrifugalidade estruturalmente insuperável. Essa dimensão do metabolismo social fundamental de nossa ordem estabelecida – isto é, sua incompatibilidade com o planejamento global, mas não com o “planejamento” parcial/gerador de antagonismos das grandes corporações – é agravada pelo requisito sistêmico do metabolismo reprodutivo de ordem material do capital, que tende inexoravelmente para a globalização materialmente invasiva, sem que haja qualquer processo correspondente e factível de tomada de decisão global no plano político legitimador do Estado. Pois seria nada menos que um absurdo completo se (ou quando) os apologistas da ordem metabólica social estabelecida do capital visarem a um sistema global do seu gosto sem um processo de planejamento globalmente viável e historicamente sustentável.
É claro que um processo de planejamento racional não antagônico em um plano global e amplo é inconcebível sem a correspondente modalidade apropriada de intercâmbio entre as células constitutivas – que podem ser chamadas de “microcosmos” – da abrangente ordem social. Nesse sentido, o planejamento globalmente viável só é factível sobre a base de um processo de reprodução societário horizontalmente coordenado (isto é, verdadeiramente não hierárquico). Essa é uma questão paradigmática de reciprocidade social, no centro da qual encontramos o requisito histórico da igualdade substantiva. Sem planejamento, o inevitável intercâmbio global em nossa reprodução societária presente e futura não pode ser considerado historicamente sustentável. Ao mesmo tempo, o planejamento em escala global é inconcebível sem a remoção das desigualdades hierárquico-estruturais tão evidentes no mundo atual.
Quanto a esse aspecto, uma vez mais, defender o “substancial” (em termos de alguma mudança postulada, mas irrealizável) não significa absolutamente nada, porque seu quadro de referência orientador e a correspondente medida que delimita os melhoramentos dos seus projetos permanecem a ordem hierárquica existente, estruturalmente arraigada. O assim chamado “mais equitativo” pode até ser, em um sentido parcial, “relativamente mais substancial” do que sua variedade anterior, mas ele inevitavelmente falha – como fica amplamente comprovado no desenvolvimento histórico real – no sentido vital de que não representa nenhum desafio real à ordem social existente no que se refere a seus parâmetros estruturais autossustentáveis e autojustificadores, muito bem ilustrados pela apregoada pretensão liberal do “mais equitativo”. (Ver as projeções originais – feitas por liberais como lorde Beveridge e outros – a respeito do “Estado de bem-estar” e sua realização histórica patética e liquidação definitiva até mesmo nos poucos países capitalistas privilegiados.) Para sair dessa ordem social estruturalmente desigual necessitamos de uma igualdade substantiva qualitativamente diferente como princípio orientador e também da medida apropriada de sua realização.
Esse também é o único modo pelo qual a questão da transição para uma transformação socialista da ordem metabólica social pode adquirir um significado apropriado: provendo os critérios e a medida pelos quais poderão ser confirmadas as realizações particulares rumo a uma sociedade substantivamente equitativa em sua totalidade.
Por razões historicamente compreensíveis, os movimentos políticos particulares que tentam afirmar suas políticas certamente têm de prometer resultados tangíveis aos seus potenciais seguidores. Esse é um problema muito difícil porque se tende a impor as demandas colocadas pelas expectativas de curto prazo dos movimentos políticos, em vez de se operar com a perspectiva historicamente sustentável de longo prazo. Na verdade, porém, a transformação estrategicamente viável não é factível sem a plena observância dos requisitos objetivos e subjetivos de longo prazo. Infelizmente, contudo, a distinção entre “estratégia e tática” frequentemente é usada para justificar a negligência em relação ao longo prazo, quando se diz que “isso e aquilo” foram pensados “apenas taticamente”, embora se encontrassem em contradição direta ao longo prazo estrategicamente viável.
O fato é que a adoção de tais táticas pode provocar um descarrilamento sério da necessária estratégia de longo prazo. Além disso, não haverá estratégia viável sem um quadro de referência orientador apropriado às determinações globais das tendências e potencialidades de longo prazo historicamente determináveis. É por isso que nossa preocupação com o contraste entre substantivo e substancial é de importância vital. Quando se visualiza uma transformação socialista historicamente sustentável não se pode abandonar o princípio orientador radical e a medida da igualdade substantiva, os quais podem permitir a constante avaliação do período de transição para uma ordem metabólica social fundamentalmente diferente.
Tudo isso é perfeitamente compatível com as opiniões de Marx. Porém, em nosso período histórico, o quadro de referência conceitual deve ser articulado no sentido anteriormente exposto, refletindo as condições agravadas e cada vez piores da irreversível fase descendente de desenvolvimento do capital, com sua tendência para a destruição global da humanidade, que só poderá ser evitada através da constituição de uma ordem sociometabólica substantivamente equitativa. Nossa crítica ao Estado deve ser concebida a partir dessa perspectiva.
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István Mészáros é autor de extensa obra, ganhador de prêmios como o Attila József, em 1951, o Deutscher Memorial Prize, em 1970, e o Premio Libertador al Pensamiento Crítico, em 2008, István Mészáros se afirma como um dos mais importantes pensadores da atualidade. Nasceu no ano de 1930, em Budapeste, Hungria, onde se graduou em filosofia e tornou-se discípulo de György Lukács no Instituto de Estética. Deixou o Leste Europeu após o levante de outubro de 1956 e exilou-se na Itália. Ministrou aulas em diversas universidades, na Europa e na América Latina e recebeu o título de Professor Emérito de Filosofia pela Universidade de Sussex em 1991. Entre seus livros, destacam-se Para além do capital – rumo a uma teoria da transição (2002), O desafio e o fardo do tempo histórico (2007) e A crise estrutural do capital(2009), A obra de Sartre, e O conceito de dialética em Lukács todos publicados pela Boitempo. 
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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Manifesto de apoio a Lula começa ano com 105 mil assinaturas (Do Blog do Esmael Morais)

Postagem no Abertura Mundo Jurídico em 02/jan/2018...

O ano de 2018 começou com 105 mil assinaturas no manifesto de apoio ao ex-presidente Lula, que se vê ameaçado de não poder concorrer nas eleições de outubro. Sob a palavra de ordem “Eleição sem Lula é fraude”, o documento … Continue lendo →



Manifesto de apoio a Lula começa ano com 105 mil assinaturas: