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domingo, 2 de março de 2014

Como a Globo manipula a justiça brasileira através do Instituto Innovare (Paulo Nogueira)

02/mar/2014...


Como a Globo manipula a justiça brasileira através do Instituto Innovare

Postado em 02 Mar 2014
O Innovare é discutido pelo comando da Globo, na sede da emissora: Roberto Irineu Marinho está de costas, de camisa axul, no primeiro plano
O Innovare é discutido pelo comando da Globo, na sede da emissora: Roberto Irineu Marinho está de costas, de camisa axul, no primeiro plano
Poucas coisas são tão destrutivas quanto uma má iniciativa disfarçada de boa.
É o caso do Instituto Innovare, com o qual as organizações Globo mantêm relações abjetamente promíscuas com o sistema judiciário brasileiro.
O Innovare é uma iniciativa da Globo alegadamente dedicada a reconhecer boas práticas nos tribunais. O que ocorre no entanto é a negação da melhor prática que pode haver em qualquer justiça de qualquer país: a distância saudável e intransponível entre juízes e mídia.
O ministro Ayres Britto é o atual presidente do conselho superior do Innovare.
Ele saiu diretamente do supremo – no qual teve trágico papel no julgamento do mensalão para os braços do Innovare, portanto da Globo.
Na última premiação do Innovare estavam presentes Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e Roberto Irineu Marinho, presidente da Globo. A cerimônia recebeu uma cobertura extraordinariamente longa do Jornal Nacional. Foram 2 minutos e meio de reportagem.
Numa demonstração de quando é ambivalente a relação do governo com a Globo, também o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também estava lá. O Ministério da Justiça é um dos patrocinadores de uma entidade que conspurca a noção essencial de justiça.
Gilmar dá palestra
Gilmar dá palestra
Como você pode pretender que a justiça brasileira julgue qualquer processo da Globo com o mínimo de isenção? O fato é de que com seu estilo de não deixar feridos a Globo ocupou o judiciário brasileiro.
São vividas as lembranças de Ayres Britto abraçado a Merval Pereira, quando este lançou um livro sobre o mensalão. Era uma imagem repulsiva quando se pensa na independência que o judiciário tem que manter da mídia, mas mesmo assim, Ayres e Merval trataram de divulga-la alegremente.
Fora tudo o Innovare promove palestras – uma fonte certeira de dinheiro fácil.
E quem são os palestrantes em sua maior parte? Exatamente aqueles em que você está pensando, Barbosa, Mendes e por aí vai.
Qualquer prática na justiça brasileira é insignificante se ela não for precedida da mãe de todas a boas práticas – a independência, em relação à a mídia e por extensão ao poder econômico.
O Innovare, por isso, muito mais que uma premiação, é uma chaga para o país.

Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Disponível em: (http://linkis.com/blogspot.com.br/972Yk). Acesso em: 02/mar/2014.

EUA e dono do eBay financiaram oposição ucraniana... (Charles Nisz)

02/mar/2014...


01/03/2014 - 13h00 | Charles Nisz | São Paulo

EUA e dono do eBay financiaram oposição ucraniana, indicam documentos

Pierre Omidyar é dono do site de comércio eletrônico eBay e financiador do blog de jornalismo independente 'The Intercept'
Documentos vazados pelo site de notícias PandoDaily mostram como o governo dos Estados Unidos e Pierre Omidyar, dono do eBay e do site jornalístico The Intercept, ajudaram a financiar os oposicionistas ucranianos. O governo dos EUA doou dinheiro aos ucranianos por meio da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Já a outra parte do dinheiro veio do bilionário norte-americano, que já trabalhou com o governo dos EUA.

Reprodução/PandoDaily

Um dos documentos obtidos pelo site de notícias PandoDaily que demonstraria envolvimento de Omidyar com opositores ucranianos

Pierre Omidyar é dono do site de comércio eletrônico eBay e financiador do blog de jornalismo independente The Intercept, editado pelo jornalista Glen Greenwald. Greenwald foi o repórter responsável por vazar os documentos obtidos por Edward Snowden sobre a espionagem feita pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA).

Leia mais:




Ou seja, numa reviravolta, Omydiar passa de financiador de projetos para desmacarar governos a apoiador de iniciativas políticas capazes de causar instabilidade numa região do globo. De modo algum os documentos vazados pelo PandoDaily atestam um golpe de Estado apoiado pelos EUA, mas como o financiamento externo impulsionou muitos dos grupos envolvidos na derrubada do presidente Viktor Yanukovych.

Reprodução

Além disso, não pode ser desprezado da direita neo-nazista ucraniana na crise. Mas muito do poder político envolvido no processo está nas mãos de políticos pró-União Europeia, como Oleh Rybachuk. Ribachuk era o braço direito de Viktor Yuschenko, líder da chamada Revolução Laranja - movimento contra fraudes eleitorais e corrupção ocorrido em 2004.

[Omidyar é dono do site de comércio eletrônico eBay e financiador do blog de jornalismo independente The Intercept]


Em dezembro, o jornal britânico Financial Times mostrou como a New Citizen, ONG fundada por Rybachuk desempenhou importante papel nas manifestações contra o governo de Yanukovych. Além da New Citizen, outras ONGs como a Centre UA, Chesno e Stop Censorship alvejaram aliados de Yanukovych em campanhas no interior do país antes de desembocar nos massivos protestos na capital Kiev.



A articulação dessas ONGs foi tão forte ao ponto do governo ser acusado de “jogo sujo” para impedir os protestos, segundo reportagem do jornal Kyiv Post. Essas organizações tiveram força - e isso significa dinheiro, sublinha a reportagem do PandoDaily – para resistir aos ataques do governo. Qual é a fonte desse dinheiro?



Cerca de US$ 180 mil, 36% do orçamento de 2012 da Centre UA vieram da Omidyar Network, empresa de Pierre Omidyar. Outros US$ 220 mil do orçamento de 2012 da Centre UA vieram da USAID. Ou seja, 90% dos recursos utilizados por uma das principais forças oposicionistas ucranianas vieram dos EUA. Já em 2011, Omidyar doou US$ 335 mil para a New Citizen, a ONG liderada por Rybachuk.



Omidyar sempre falou com orgulho sobre a New Citizen: “usando mídia e tecnologia, a New Citizen coordena esforços de membros da sociedade civil preocupados com o país, aumentando suas possibilidades de moldar e definir políticas públicas”, diz o texto no site da ONG. “Com apoio da Omidyar Network, a New Citizen vai aumentar seus esforços em trazer mais transparência e engajar cidadãos em assuntos importantes para eles”.



Rybachuk segue um roteiro comum nas ex-repúblicas soviéticas: de bem-relacionado com a KGB (serviço secreto da antiga URSS) a lobista pró-neoliberalismo nas repúblicas independentes. Ele chefiou o departamento de relações internacionais do Banco Central da Ucrânia sob as ordens de Yuschenko. No governo, Rybachuk comandou a privatização das estatais ucranianas. Nesse período, o futuro líder de ONG estabeleceria contatos com governos ocidentais e instituições de ajuda financeira internacionais. Na época, um dos doadores para ONGs na Ásia Central era o investidor George Soros.



Logo, se instalou um conflito de interesses para Omidyar: ao mesmo tempo que trabalha ao lado do governo dos EUA para derrubar governos estrangeiros e financiar a queda de um regime democraticamente eleito, o empresário investe em um grupo de jornalistas independentes para investigar as ações do governo dos EUA dentro e fora do território ianque. No mínimo, contraditório.



Ao contratar Greenwald e outros jornalistas independentes, Omidyar ganhou elogios e nenhum criticismo por parte da imprensa, de acordo com o DailyPando. A história sobre o financiamento da oposição ucraniana foi levantada por Marcy Wheel, uma das estrelas do jornalismo investigativo contratadas por Omidyar. No Twitter, Marcy perguntou quem estaria financiando a segunda revolução laranja na Ucrânia. A ironia foi ela descobrir que um dos patronos da insurgência era seu próprio chefe.



Orçamento da ONG Chesno (Honestamente) para 2012 (PDF), mostrando ajuda da USAID e da Omidyar Network.



Disponível em: (http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/34188/eua+e+dono+do+ebay+financiaram+oposicao+ucraniana+indicam+documentos.shtml). Acesso em: 02/mar/2014.

Analista alemã confirma: EUA manipulam 'protestos' em todo mundo (Miguel do Rosário)

02/mar/2014...


Analista alemã confirma: EUA manipulam “protestos” em todo mundo

2 de março de 2014 | 11:41 Autor: Miguel do Rosário
ukr
(Na foto, John McCain, senador do Partido Republicano dos EUA, ao lado do líder do partido neonazista da Ucrânia, o Svoboda)
Entrevista com Sara Burke, feita pela Folha, traz algumas afirmações bombásticas que o próprio jornal preferiu abafar, dando destaque a trechos mornos.
A analista política da fundação Friedrich Ebert, ligada à centro-esquerda alemã, com sede em Nova York, é uma das maiores pesquisadores de protestos e manifestações populares do mundo, tendo já escrito diversos livros sobre o assunto.
Burke não tem papas na língua. Separei dois trechos que ilustram o que ela pensa de alguns assuntos mais quentes. Alguém poderia sugerir a FHC que lesse com lupa essa entrevista. Talvez aprendesse a ser menos colonizado.
A analista explica que a razão pela qual o presidente da Ucrânia não assinou os acordos políticos e comerciais com a Europa, em novembro último (o que motivou os protestos), era que eles exigiriam, como contrapartida do governo, uma série de reformas e medidas dolorosas para a população, em troca de empréstimos que o FMI se dispunha a dar.
Engraçado, nunca li isso em nossa imprensa!
Em outra parte da entrevista, Burke é bem direta sobre o patrocínio externo aos protestos: “Isso fica mais complicado – na Ucrânia e na Venezuela, como a Síria – com o fato de as potências externas usarem o confronto local para praticarem suas guerras por procuração.”
Em seguida, a analista lembra uma conversa da Secretária de Estado, Victoria Nuland, com o embaixador americano na Ucrânia, e sugere que isso revela que o governo dos EUA estava tentando “direcionar os protestos para seus próprios objetivos, para aquilo que alguns alegam ser um golpe de Estado contra um presidente eleito e não uma solução democrática.”
Ora, aqui no Brasil, até mesmo setores da ultra-esquerda, como vimos na declaração recente de Luciana Genro, candidata a vice-presidente pelo PSOL, festejaram o golpe na Ucrânia como uma “revolução popular”…
Burke poderia ter acrescentado ainda que o golpe na Ucrânia se deu com financiamento a grupos neonazistas, conforme se pode ver em centenas de fotos e denúncias de dezenas de blogs e sites.
Abaixo, um trecho (já citado) da entrevista:
ScreenHunter_3411 Mar. 02 11.25


















































































Disponível em: (http://tijolaco.com.br/blog/?p=14814). Acesso em: 20/mar/2014.

Da carnavalização do Direito ao baile de máscaras no STF (André Karam Trindade e Alexandre Morais da Rosa)

02/mar/2014...


DIÁRIO DE CLASSE

Da carnavalização do Direito ao baile de máscaras no STF



Warat e a carnavalização do Direito


Escrever em pleno sábado de Carnaval sobre ensino do Direito exige a convocação de Luis Alberto Warat. Como festa histórica, o Carnaval é a liberação da carne, mais especificamente, dos prazeres da carne. Há uma suspensão, por assim dizer, da ordem estabelecida, período no qual quase tudo é permitido. As máscaras ocultam a identidade, algumas ações e comportamentos são aceitos somente nesse período, enfim, uma vez oculto, o sujeito se faz ver. Em seguida, surge a repressão da Quaresma e o reestabelecimento da ordem.
Para Bakhtin, intelectual russo conhecido por seu conceito literário de polifonia, “o Carnaval é um espetáculo sem ribalta e sem divisão entre atores e espectadores. No Carnaval, todos são participantes ativos, todos participam da ação carnavalesca. Não se contempla e, em termos rigorosos, nem se representa o carnaval, mas vive-se nele, e vive-se conforme as suas leis enquanto estas vigoram, ou seja, vive-se uma vida carnavalesca. Esta é uma vida desviada da sua ordem habitual, em certo sentido uma vida às avessas, um mundo invertido” (Problemas da poética de Dostoiésvski. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1981, p. 105).
Nesse mesmo sentido, é possível aproveitar a indicação de Warat quando diz que, na sociedade atual, nos parecemos com Forrest Gump, rodeados de circunstâncias tênues, excedidos em transparência e sem capacidade de simbolização. Alguém que vive e vai se deixando levar pela vida, à deriva. Os objetos estão na vitrine, para consumir, bastando um ato, muitas vezes, sem mediação simbólica. Daí que a inveja se instaura, sem referências, na falta, substituindo objetos incessantemente, na lógica do que for útil.
O discurso masculino, viril, do uso e abuso da força e da coerção desfilam como um abre-alas dos Acadêmicos do Direito, vinculado aos discursos normativos que apostam na solução de todos os problemas do mundo a partir da subsunção perfeita entre texto normativo e mundo da vida, não se dando conta de que o mundo é inapreensível e de que aceitar essa impotência é condição de possibilidade para a alteridade. O problema, conhecido de todos e negado por muitos, é que a alteridade promove o encontro com algo estranho e, ao mesmo tempo, tão próximo, a saber, a violência constitutiva da sociedade. Ela se identifica e incorpora, de alguma maneira, o discurso normativista — baseado numa imaginária paz perpétua —, mediante intervenções violentas para, paradoxalmente, promovê-la.
Em seu Manifesto do Surrealismo Jurídico, Warat propunha a reinvenção do ensino do Direito através do amor, da magia, da poesia e da loucura — sem se esquecer dos desvios instaurados pelo inconsciente atravessados pelo desejo —, a partir dos aportes do surrealismo e da carnavalização. Esta mesma “fórmula” se encontra em seu A Ciência Jurídica e seus dois maridos, cuja leitura é desde logo recomendada!
Brincando de mocinho na democracia constitucional


Se uma coisa é a carnavalização do Direito, nos termos propostos por Warat, a partir dos aportes teóricos de Bakhtin, outra, bem diversa, é o baile de máscaras que se observa no Supremo Tribunal Federal.

Talvez boa parte dos magistrados e membros do Ministério Público tenha, quando criança, brincado de mocinho e bandido. A dinâmica era simples: o bem contra o mal. Na luta eterna, idealizada pela mídia e super-heróis, era assim que preenchíamos o imaginário infantil. Flávio Kothe, professor de estética da UnB, aponta que a narrativa trivial encena um ritual banal de vitória do bem contra o mal. Essas dicotomias são dadas desde antes, maniqueisticamente, e beiram ao obsessivo e doentio retorno do mesmo. Diz Kothe: “Sob a aparência de diversão, faz uma doutrinação, em que os preconceitos do público são legitimados e auratizados”.
Isso nos mostra que a convivência democrática não se faz presente para aqueles cujo retorno é sempre atrelado a ocupar o lugar de mocinho, imaginário por excelência, que ficou retido na vida, aparentemente, adulta. A luta por defenestrar o mal, acabar com os ditos “criminosos”, punir todos que fazem objeção à cruzada pela salvação social é o mote. Nessa luta pelo bem, claro, podem existir juízes que dizem não! Há regras a se cumprir. Sabemos, por Agamben, que a necessidade de purificar a sociedade não encontra barreiras. Tal necessidade faz a sua lei, sempre de exceção, contando, também, com o apoio do público, no espetáculo da destruição subjetiva do outro.
Tudo isso, quem sabe, possa servir para entender o que se passa com o julgamento recente da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal. Não se trata de discutir o mérito da decisão. A decisão está fundamentada, o relator ministro Joaquim Barbosa disse expressamente que aumentou a pena para não prescrever, ou seja, o julgamento foi condicionado pela prescrição, e não pela pena adequada. Daí que a discussão precisa ser recomposta. Realinhar a discussão no campo jurídico, e não sob os holofotes, é um caminho importante em tempos de linchamento público e de pessoas amarradas em postes. O Poder Judiciário tem essa função de evitar a vingança privada, colocando-se como barreira. Isto não significa, todavia, que os juízes possam assumir o papel de mocinhos (e nem de bandidos). Sua função é resgatar o processo civilizatório dentro de limites democráticos. Todavia, nos últimos tempos, sua atuação ganhou contornos de Salvação dos Bons.
Agostinho Ramalho Marques Neto nos pergunta: “Quem nos salvará da bondade dos bons?” O perigo de uma cruzada dessas foi representado na história por Robespierre e outros tantos, para os quais o discurso precisa ser forte, entendendo, todavia, que não adianta o querer convencer. Estão eclipsados em suas fantasias de mocinhos eternos, insuflados por eles mesmos, para os quais, nada adianta dizer...
André Karam Trindade é doutor em Teoria e Filosofia do Direito (Roma Tre/Itália) e coordenador do Programa de Pos-Graduação em Direito da IMED.
Alexandre Morais da Rosa é juiz em Santa Catarina, doutor em Direito pela UFPR e professor de Processo Penal na UFSC.

Revista Consultor Jurídico, 1º de março de 2014
Disponível em: (http://www.conjur.com.br/2014-mar-01/diario-classe-carnavalizacao-direito-baile-mascaras-stf#autores). Acesso em: 02/mar/2014.



sábado, 1 de março de 2014

CUT enfrenta Juiz de Execuções (Paulo Henrique Amorim)

01/mar/2014...


Publicado em 01/03/2014

CUT ENFRENTA
JUIZ DE EXECUÇÕES

Encarceramento de Delúbio em regime fechado é uma arbitrariedade!
Barbosa e Ribeiro: à gloria eterna no PiG

O Conversa Afiada reproduz nota pública da CUT:

CENTRAL DEFENDE O DIREITO INALIENÁVEL AO TRABALHO DO SR. DELÚBIO SOARES, NOS TERMOS DO DIREITO, DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE E DO QUE FOI ESTABELECIDO NA CONCESSÃO



Escrito por: CUT Nacional

Tendo em vista as decisões tomadas pelo juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções Penais (VEP) de Brasília no dia de ontem (27/02), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), vem a público esclarecer que quando do oferecimento de emprego ao Sr. Delúbio Soares de Castro, cumprimos rigorosamente todos os trâmites e prazos legais estabelecidos pelo Sr. juiz responsável pela VEP. Em nenhum momento, solicitamos ou obtivemos quaisquer privilégios para a realização dos trâmites que culminaram na sua contratação como assessor da nossa Central.

A partir da sua contratação, a CUT tem cumprido rigorosamente com todos os compromissos assumidos perante à VEP, inclusive disponibilizando o devido transporte para que ele possa se deslocar cumprindo com folga os horários estabelecidos. Assim como o Sr. Delúbio vem cumprindo com suas obrigações de trabalho, nos termos que foi proposto pela CUT e concedido pelo magistrado.

Em nenhum momento, o carro da CUT entrou nas dependências do Centro de Progressão Penitenciária de Brasília/DF para buscá-lo e levá-lo, bem como nunca efetuamos quaisquer solicitações, seja em caráter formal ou informal, para que tivéssemos acesso às dependências internas do CPP. Como se pode verificar das inúmeras fotos dos assessores e/ou funcionários, amplamente publicadas e divulgadas pela grande imprensa, que buscam e deixam o Sr. Delúbio Soares no portão do CPP.

Reafirmamos que nenhum dirigente da CUT ou dos seus sindicatos filiados esteve no CPP ou em qualquer outro estabelecimento prisional, para fazer reunião com o Sr. Delúbio. Até porque, como assessor da CUT ele pode no cumprimento das suas funções profissionais propostas e aceitas pela VEP, reunir-se com eles no escritório da CUT onde cumpre seu expediente.

A CUT não foi notificada de nenhum procedimento irregular e também das recentes decisões tomadas pelo juiz. Defendemos o direito inalienável ao trabalho do Sr. Delúbio Soares de Castro, nos termos do direito, da legislação pertinente e daquilo que foi estabelecido quando da sua concessão. A interrupção abrupta dessa concessão sem qualquer comunicado prévio causa prejuízos ao trabalho que estava e está sendo desenvolvido por ele.

Assim sendo, manifestamos nossa estranheza no ato da suspensão temporária do contrato de trabalho do Sr. Delúbio, posto que o mesmo está desempenhando suas atividades de forma satisfatória e esperamos que o mesmo retorne em breve às suas funções.

São Paulo, 28 de fevereiro de 2014.

Vagner Freitas
Presidente da CUT


Em tempo:
 neste sábado, suspeita-se que o Juiz Bruno Ribeiro – que tem brilhante carreira à frente – resolva manter Dirceu mais 365 dias em regime fechado, porque recebeu duas visitas absolutamente legais.

Como se sabe, Bruno Ribeiro, de futuro promissor, investiga o telefonema que a Folha ofertou ao Dirceu. As investigações se concluirão, pelo visto, quando o Alckmin acabar com o PCC.

Clique aqui para ler sobre a aritmética pigal do Barbosa e aqui para ler que até a Foljha jogou Barbosa ao mar.


Paulo Henrique Amorim

Disponível em: http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/03/01/cut-enfrenta-juiz-de-execucoes/). Acesso em: 01/mar/2014.

'Cai o castelo de cartas do ministro Barbosa' (Breno Altman)

01/mar/2014...


28/2/2014 09:46

'Cai o castelo de cartas do ministro Barbosa'

Em artigo exclusivo para o 247, o jornalista Breno Altman narra a derrota jurídica de Joaquim Barbosa, aponta seus inacreditáveis insultos que atingem até a presidente Dilma Rousseff – um deles configurando crime de Estado – e prevê o fracasso de sua aventura política; "O ministro Barbosa afunda-se em um pântano de mentiras e artimanhas antes de ter dado sequer o primeiro passo para atravessar a praça rumo ao Palácio do Planalto", diz ele; sobre seu destino, um vaticínio: "Ao final dessa jornada, o chefe atual da corte suprema sucumbirá ao ostracismo próprio dos anões da política e da justiça"; leia a íntegra

As palavras finais do presidente da corte suprema, depois da decisão que absolveu os réus da AP 470 do crime de quadrilha, soaram como a lástima venenosa de um homem derrotado, inerte diante do fracasso que começa a lhe bater à porta. A arrogância do ministro Barbosa, abatida provisoriamente pelo colegiado do STF, aninhou-se em ataque incomum à democracia e ao governo.

"Sinto-me
autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo", discursou o relator da AP 470. "Esta maioria de circunstância foi formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso, levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012."

Sua narrativa traz uma verdade, um insulto e uma fantasia.

Tem razão quando vê risco de desmoronamento do processo construído sob sua batuta. A absolvição pelo crime de quadrilha enfraquece fortemente a acusação. Se não há bando organizado, perde muito de sua credibilidade o roteiro forjado pela Procuradoria Geral da República e avalizado por Barbosa. A peça acusatória, afinal, apresentava cada passo como parte minuciosa de um plano concebido e executado de forma coletiva, além de permanente, com o intuito de preservação do poder político. Se cai a tese de quadrilha, mais cedo ou mais tarde, as demais etapas terão que ser revistas. Essa é a porção verdadeira de sua intervenção matreira.

A raiva de Barbosa justifica-se porque, no coração desta verdade, está a neutralização da principal carta de seu baralho. O ex-ministro José Dirceu foi condenado sem provas materiais ou testemunhais, como bem salientou o jurista Ives Gandra Martins, homem de posições conservadoras e antipetistas. A base de sua criminalização foi uma teoria denominada "domínio do fato": mesmo sem provas, Dirceu era culpado por presunção, oriunda de sua função de líder da eventual quadrilha. Absolvido do crime fundante, a existência de bando, como pode o histórico dirigente petista estar condenado pelo delito derivado? Se não há quadrilha, inexiste liderança de tal organização. A própria tese condenatória se dissolve no ar. O que sobra é um inocente cumprindo pena de maneira injusta e arbitrária.

Derrotado, Barbosa recorreu a um insulto: acusa o governo da República de ter ardilosamente montado uma "maioria de circunstância", como se a fonte de sua indicação fosse distinta dos demais. Aponta o dedo ao Planalto sem provas e sem respeito pela Constituição. Atropela a independência dos poderes porque seu ponto de vista se tornou minoritário. Ao contrário da presidente Dilma Rousseff, que manteve regulamentar distância das decisões tomadas pelo STF, mesmo quando eram desfavoráveis aos seus companheiros, incorre em crime de Estado ao denunciar, através de uma falácia, suposta conspiração da chefa do Executivo.

A conclusão chorosa de seu discurso é uma fantasia. Não se pode chamar de "trabalho primoroso" uma fieira de trapaças. O presidente do STF mandou para um inquérito secreto, inscrito sob o número 2474, as provas e laudos que atestavam a legalidade das operações entre Banco do Brasil, Visanet e as agências de publicidade do sr. Marcos Valério. Omitiu ou desconsiderou centenas de testemunhas favoráveis à defesa. Desrespeitou seus colegas e tratou de jogar a mídia contra opiniões que lhe contradiziam. Após obter sentenças que atendiam aos objetivos que traçara, lançou-se a executá-las de forma ilegal e imoral.

O ministro Joaquim Barbosa imaginou-se, e nisso há mesmo um primor, como condutor ideal para uma das maiores fraudes jurídicas desde a ditadura. Adulado pela imprensa conservadora e parte das elites, sentiu-se à vontade no papel do pobre menino que é glorificado pela casa grande por suas façanhas e truques para criminalizar o partido da senzala.

O presidente do STF lembra o protagonista da série House of Cards, que anda conquistando corações e mentes. Para sua tristeza, ele está se desempenhando como um Frank Underwood às avessas. O personagem original comete incríveis delitos e manobras para chegar à Presidência dos Estados Unidos, derrubando um a um seus adversários. O ministro Barbosa, porém, afunda-se em um pântano de mentiras e artimanhas antes de ter dado sequer o primeiro passo para atravessar a praça rumo ao Palácio do Planalto.

Acuado e sentindo o constrangimento de sua nudez político-jurídica, o ministro atira-se a vinganças, recorrendo aos asseclas que irregularmente nomeou, na Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, como feitores das sentenças dos petistas. Delúbio Soares teve o regime semiaberto suspenso na noite de ontem. José Dirceu tem contra si uma investigação fajuta sobre uso de aparelho celular, cujo único propósito é impedir o sistema penal que lhe é devido. O governo de Brasília está sendo falsamente acusado, com a cumplicidade das Organizações Globo, de conceder regalias aos réus.

O ódio cego de Barbosa contra o PT e seus dirigentes presos, que nenhuma força republicana ainda se apresentou para frear, também demonstra a fragilidade da situação pela qual atravessam o presidente do STF e seus aliados. Fosse sólido o julgamento que comandou, nenhuma dessas artimanhas inquisitoriais seria necessária.

O fato é que seu castelo de cartas começou a ruir. Ao final dessa jornada, o chefe atual da corte suprema sucumbirá ao ostracismo próprio dos anões da política e da justiça. Homem culto, Barbosa tem motivos de sobra para uivar contra seus pares. Provavelmente sabe o lugar que a história reserva para quem, com o sentimento dos tiranos, veste a toga dos magistrados.

Fonte: Brasil 247

Disponível em: (http://plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=76721). Acesso em: 01/mar/2014.

As operações aritméticas do ministro Joaquim Barbosa (Felipe Recondo)

01/mar/2014...


Análise: As operações aritméticas do ministro Joaquim Barbosa

Em meio às falas sobrepostas na sessão de quarta do STF, o ministro Joaquim Barbosa soltou uma frase que guardava consigo há pelos menos três anos: \"Foi para isso mesmo, ora!\"

28 de fevereiro de 2014 | 17h 36

Felipe Recondo - O Estado de S. Paulo
Barbosa acabava de admitir abertamente o que o ministro Luís Roberto Barroso dizia com certos pudores. A pena para os condenados pelo crime de formação de quadrilha no julgamento do mensalão foi calculada, por ele, Barbosa, para evitar a prescrição. Por tabela, disse Barroso, o artifício matemático fez com que réus que cumpririam pena em regime semiaberto passassem para o regime fechado.
Barbosa admitiu que penas por formação de quadrilha foram calculadas para evitar prescrição - Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão
Barbosa admitiu que penas por formação de quadrilha foram calculadas para evitar prescrição
A assertiva de Barroso não era uma abstração ou um discurso meramente político. A mesma convicção teve, para citar apenas um, o ministro Marco Aurélio Mello. Em seu voto, ele reconheceu a existência de uma quadrilha, mas considerou que as penas eram desproporcionais. E votou para reduzi-las a patamares que levariam, ao fim e ao cabo, à prescrição. Algo que Barbosa há muito temia, como se verá a seguir.
Foi essa suposição de Barroso que principiou a saraivada de acusações e insinuações do presidente do STF contra os demais ministros. Eram 17h33, quando Barroso apenas repetiu o que os advogados falavam desde 2012 e que outros ministros falavam em caráter reservado.
Joaquim Barbosa acompanhava a sessão de pé, reticente ao voto de Barroso, mas ainda calmo. Ao ouvir a ilação, sentou-se de forma apressada e puxou para si os microfones que ficam à sua frente. Parecia que dali viria um desmentido categórico, afinal a acusação que lhe era feita foi grave.
Mas Joaquim Barbosa não repeliu a acusação. Se o fizesse, de fato, estaria faltando com a sua verdade, não estaria de acordo com a sua consciência. Três anos antes, em março de 2011, Joaquim Barbosa estava de pé em seu gabinete. Não se sentava por conta do problema que ainda supunha atacar suas costas. Foi saber depois, que suas dores tinham origem no quadril.
A porta mal abrira e ele iniciava um desabafo. Dizia estar muito preocupado com o julgamento do mensalão. A instrução criminal, com depoimentos e coleta de provas e perícias, tinha acabado. E, disse o ministro, não havia provas contra o principal dos envolvidos, o ministro José Dirceu. O então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, fizera um trabalho deficiente, nas palavras do ministro.
Piorava a situação a passagem do tempo. Disse então o ministro: em setembro daquele ano, o crime de formação de quadrilha estaria prescrito. Afinal, transcorreram quatro anos desde o recebimento da denúncia contra o mensalão, em 2007. Barbosa levava em conta, ao dizer isso, que a pena de quadrilha não passaria de dois anos. Com a pena nesse patamar, a prescrição estaria dada. Traçou, naquele dia em seu gabinete, um cenário catastrófico.
O jornal O Estado de S. Paulo publicou, no dia 26 de março de 2011, uma matéria que expunha as preocupações que vinham de dentro do Supremo. O título era: "Prescrição do crime de formação de quadrilha esvazia processo do mensalão".
Dias depois, o assunto provocava debates na televisão. Novamente, Joaquim Barbosa, de pé em seu gabinete, pergunta de onde saiu aquela informação. A pergunta era surpreendente. Afinal, a informação tinha saído de sua boca. Ele então questiona com certa ironia: "E se eu der (como pena) 2 anos e 1 semana?".
Barroso não sabia dessa conversa ao atribuir ao tribunal uma manobra para punir José Dirceu e companhia e manter vivo um dos símbolos do escândalo: a quadrilha montada no centro do governo Lula para a compra de apoio político no Congresso Nacional. Barbosa, por sua vez, nunca admitira o que falava em reserva. Na quarta-feira, para a crítica de muitos, falou com a sinceridade que lhe é peculiar. Sim, ele calculara as penas para evitar a prescrição. "Ora!"
Felipe Recondo é repórter do jornal O Estado de S. Paulo em Brasília. 
Disponível em: (http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,analise-as-operacoes-aritmeticas-do-ministro-joaquim-barbosa,1135870,0.htm). Acesso em: 01/mar/2014.