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domingo, 6 de outubro de 2013

Lewandowski ressalta que Constituição não permite retrocessos

04/out/2013

Lewandowski ressalta que Constituição não permite retrocessos


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Lewandowski considera que a Carta é importante para construir uma sociedade sem preconceitos.

Para ministro do STF, a Carta Magna, que completa 25 anos no início de outubro, se destaca por dar segurança aos cidadãos. Papéis de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves são elogiados.

Hylda Cavalcanti, via Rede Brasil Atual

 “Esta não é uma Constituição perfeita. Mas é uma luz de lamparina para iluminar os desamparados”. A frase, dita por Ulysses Guimarães durante a promulgação da Constituição de 1988 foi destacada por várias autoridades na quarta-feira, dia 2, durante sessão especial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que homenageou a passagem dos 25 anos da Carga Magna, a serem completados sábado, dia 5. Mas teve uma importância particular na referência feita aos homens e mulheres anônimos que, nos 20 anos subsequentes à data, lutaram para construir as bases que levaram à convocação de uma assembleia nacional constituinte no país, conforme lembrou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

Lewandowski chamou a atenção para a importância dos brasileiros que arriscaram suas vidas pela retomada da democracia no país e cujos esforços resultaram no trabalho elaborado pela Constituinte, no final dos anos 1980. “A Carta de 1988 resultou numa longa luta de homens e mulheres das mais variadas origens e embates que arriscaram a própria vida e liberdade para que hoje pudéssemos viver a garantia de nossos direitos, com paz e segurança”, acentuou.

Ao falar dos direitos e garantias fundamentais assegurados pela Carta Magna, Lewandowski citou dois pontos que considera prioritários, sobretudo nos dias atuais, conforme mencionou: a vedação ao retrocesso e a tipificação de ações de grupos armados e militares contra a ordem constitucional como crime inafiançável. “A incorporação à lei maior do princípio hoje universal da vedação ao retrocesso teve em seu cerne a dignidade da pessoa humana. Esse importante postulado estabelece que nem o legislador, nem o administrador e nem mesmo o julgador podem restringir os direitos e liberdades assegurados na Constituição”, enfatizou o magistrado.

Já em relação ao segundo tópico, o ministro lembrou que a tipificação de ações de grupos armados como crime inafiançável é fruto de sugestão de entidades da sociedade civil. “A OAB, como incansável defensora da cidadania, e os constituintes, com coragem e soberania, honraram os princípios para uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos”, ressaltou.

O ministro do STF acrescentou, ainda, que a solenidade foi promovida em boa hora, porque consiste num momento de se homenagear pessoas que lutaram de várias formas pelo fim de um Estado de exceção instalado durante 20 anos no país – a ditadura iniciada com o golpe de 1964 chegou ao fim em 1985.

Dívida social

O senador e ex-presidente José Sarney (PMDB), que convocou a Assembleia Nacional Constituinte e foi o primeiro a assinar a Constituição, disse lembrar a emoção que sentiu até hoje. A seu ver, o grande destaque da Constituição de 1988 foi o seu caráter social “que deu tranquilidade à sociedade brasileira e ajudou a pagar um pouco da dívida social que o país tinha com os cidadãos”. Para Sarney “é preciso ressaltar mais do que a Constituição, e sim o resultado que a união de forças em prol desse trabalho deu ao país”.

Segundo o ex-presidente, no capítulo dos direitos individuais e sociais, a Constituição de 1988 é irrepreensível e será, sem dúvida, “responsável pelo período que o Brasil viverá nos próximos 25 anos”. Sarney lembrou vários nomes que lutaram e discursaram pedindo a realização de uma assembleia nacional constituinte, como o ex-ministro da Reforma Agrária e ex-senador Marcos Freire, o ex-senador e presidente empossado, Tancredo Neves, e o presidente do Congresso na época, Ulysses Guimarães. “Foi de forma suprapartidariamente que todos se reuniram naquela época e trabalharam para que pudéssemos estar aqui, com absoluta tranquilidade e liberdade, orgulhosos de como está o país e de sermos a 7ª economia do mundo”, frisou.

Liberdades democráticas

O relator da Constituição, o ex-senador e ex-ministro Bernardo Cabral, aproveitou em sua fala para dizer da importância da OAB e dos advogados na consolidação das liberdades democráticas no país e na contribuição aos constituintes para a elaboração de uma Carta que traduzisse os anseios da população.

O presidente do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coelho, acentuou que não há política sem políticos. “Homenagear neste espaço a Constituição brasileira é uma forma de dizer da importância da Carta Magna como marco regulatório no país. Uma forma de dizer aqui que queremos um estado de Direito que seja democrático”, ressaltou.

A solenidade foi marcada por uma homenagem da OAB a cada um dos deputados constituintes, que receberam um certificado lembrando a passagem da data. Contou com a participação de autoridades diversas, dentre os quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Michel Temer, o vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT/SP), o senador e ex-presidente José Sarney (PMDB/AP) e os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Edson Lobão (Minas e Energia).

(http://limpinhoecheiroso.com/2013/10/04/lewandowski-ressalta-que-constituicao-nao-permite-retrocessos/).

Médicos Cubanos fazem sucesso no sertão nordestino...



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Cubanos fazem sucesso no sertão nordestino

6 de outubro de 2013 | 17:42
Como diz o ditado, os cães passam…
Essa reportagem do Diário do Nordeste, importante jornal do Ceará, indicada pelo leitor Cícero, está realmente muito boa. Faz exatamente aquilo que se espera de uma imprensa honesta e imparcial. Em vez de se ater às declarações coxínicas dos corporativistas, os repórteres viajaram para onde os médicos cubanos já iniciaram seus trabalhos. E detectaram uma grande aprovação popular ao trabalho deles.
Trecho da matéria:
O agricultor Benevides Vieira fez a primeira consulta com queixa de dor de cabeça e incômodo na garganta. “Gostei muito e entendi tudo”, disse. “Agora ficou bem melhor porque antes a gente tinha que ir para Quixelô, atrás de um médico”.
No início da tarde desta quinta-feira, Ivan Rodriguez fez duas visitas domiciliares. É a quinta em apenas uma semana. “Aqui na comunidade nunca trabalhou um médico e imagina vir um aqui na minha casa. Meu Deus, isso é muito bom, nunca imaginei que isso pudesse acontecer”, disse a aposentada, Francisca Moreira de Carvalho que foi consultado no alpendre de casa. Diariamente, os médicos cubanos percorrem centenas de quilômetros entre a sede do município e a UBS. Chegam por volta das 9 horas e só saem às 17 horas. Não há limite de consultas. “Nós cubanos somos prestativos e viemos aqui para trabalhar, para atender as pessoas pobres, que necessitam dos nossos serviços”, disse Ivan Rodriguez.
Por: Miguel do Rosário

(http://tijolaco.com.br/index.php/cubanos-fazem-sucesso-no-sertao-nordestino/). 

O apocalipse não está na esquina (Antônio Delfim Netto. Entrevistado por Amauri Segalla)

A SEMANA > ENTREVISTA
|  N° Edição:  2290 |  04.Out.13 - 20:55 |  Atualizado em 06.Out.13 - 18:59

Antônio Delfim Netto


"O apocalipse não está na esquina"
O ex-ministro da Fazenda critica a onda de pessimismo e diz que desconfianças do setor privado em relação ao governo Dilma não se justificam
por Amauri Segalla
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OTIMISMO
Delfim em seu escritório: “Crise não existe”
O paulista Antônio Delfim Netto é uma voz dissonante do recorrente pessimismo demonstrado por alguns analistas de mercado e empresários a respeito dos rumos da economia brasileira. Aos 85 anos, esse professor emérito da Universidade de São Paulo e ex-artífice do milagre do crescimento durante a ditadura militar não acha que o País vai de mal a pior, como argumentam os críticos do governo Dilma Rousseff, e vê como injustificada a desconfiança do setor privado. “O apocalipse não está na esquina”, diz Delfim. Nesta entrevista, concedida às 8 horas da manhã (horário em que começa a dar expediente) em seu escritório na zona oeste de São Paulo, ele fala também sobre o fracasso dos programas de concessões, compara o estilo da presidenta com o de seu antecessor e elogia a decisão de Dilma de cancelar a visita oficial que faria aos Estados Unidos. E, claro, destilou o veneno de sempre. “Enquanto no PT o aparelhamento do Estado é com o companheiro de passeata, no PSDB é com o companheiro de tertúlias.”
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"O Lula tem uma inteligência intuitiva. No fundo, ele foi 
um grande acidente positivo na história brasileira”
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“Ao cancelar a visita aos EUA, Dilma mandou um recado claro 
a Obama: Ok, vocês são mais fortes, mas têm moral duvidosa"
 

ISTOÉ -
Afinal, existe ou não uma crise econômica no Brasil? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
Crise não existe. O que existe é um pessimismo muito superior àquele justificado pelos fatos. Dizem que abandonaram-se os fundamentos indispensáveis para a boa condução da economia. Não se abandonou nada. Vamos começar pelo acerto fiscal. Você tem uma dívida bruta de 60% do PIB e um déficit fiscal de 2,5%. É uma situação desconfortável, mas que não representa nenhuma tragédia. Se você olhar bem, verá que o déficit fiscal vem sendo reduzido paulatinamente. 
ISTOÉ -
Muitos especialistas dizem que há um risco inflacionário. 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
A inflação vem se mantendo mais ou menos dentro de uma margem aceitável. Hoje, uma inflação de 6% não é baixa. Talvez haja cinco ou seis países importantes com inflação igual a essa. Não é uma inflação fora de controle, mas ela cria dificuldades, principalmente porque você tem alguns preços controlados e um dia vai precisar absorver isso. A questão é que não há nenhum risco de a inflação explodir. Por mais que muita gente diga o contrário, o fato é que o apocalipse não está na esquina. 
ISTOÉ -
O sr. não acha que há certa desconfiança do setor privado em relação ao governo? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
Essa desconfiança nasceu agora, mas não é justificada. Basta olhar o que a presidenta Dilma fez. Por exemplo, a intervenção no setor elétrico. Baixar o custo de energia é fundamental. A medida está certa. Em dois ou três anos, ela vai resultar no aumento da eficiência das empresas. O problema é que se criou a ideia de que o setor privado é muito egoísta, só pensa nele, e que o governo é o único defensor das massas. As pessoas esquecem que, sem massas, o setor privado não funciona.  
ISTOÉ -
O sr. mantém contato com muitos empresários. Que visão eles têm do governo Dilma? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
Muita gente do setor privado enxerga no governo um bando de trotskistas enrustidos, que querem destruir o capitalismo. Nada disso, claro, é verdade. Duvido que Dilma tenha alguma restrição ao setor privado. Ela declarou recentemente, em Nova York, que o governo precisa não só dos recursos, mas da gestão do setor privado, que é mais ágil e eficiente. Alguém que declara isso numa reunião em Nova York para potenciais investidores não pode ser entendida como uma pessoa que queira fazer do Brasil uma Cuba. O que me parece é que o governo precisa acordar de novo o espírito animal dos empresários. 
ISTOÉ -
O sr. está dizendo que falta entusiasmo ao empresariado? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
O homem é um ser cíclico. Um dia estou com grande entusiasmo, noutro tenho preocupações e fico deprimido. O mecanismo do entusiasmo e da depressão se transfere como um vírus. Na economia é assim também, uma coisa contamina a outra. O trabalhador fica com medo de perder o emprego. Ele procura ficar líquido e, assim, reduz o consumo. O empresário, não tendo certeza que vai haver demanda, reduz a produção e reforça o sentimento de que a coisa vai piorar. Ele fica líquido também. O banqueiro acha que o outro banco está pior do que ele. Então os bancos não emprestam mais entre si. Quando está todo mundo líquido, eles morrem afogados na liquidez, que é a recessão. Mas isso não vai acontecer com o Brasil.  
ISTOÉ -
Que comparações o sr. faz entre Lula e Dilma? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
 A presidenta é uma tecnocrata muita preparada. Sem dúvida, trata-se de uma centralizadora, mas é sua forma de ser. Já o Lula tem uma inteligência intuitiva, quase natural, e exerce grande liderança sobre as pessoas. Ele é capaz de participar de uma reunião com dez sujeitos e depois fazer uma síntese, aproveitar o que tinha de bom naquilo e colocar em prática. No fundo, o Lula foi um grande acidente positivo na história brasileira.
ISTOÉ -
Se o País melhorou, por que os brasileiros falam mal do Brasil? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
Porque é assim mesmo. A crítica do mercado é simples de entender. Era muito fácil ganhar a vida com taxa de juro real de 12%. Ganhar a vida com taxa real de 2% é mais difícil. Por isso, a crítica do mercado financeiro é irrelevante, não faz cócega. É uma coisa ridícula, por exemplo, os economistas fixarem as prioridades do governo. Cada economista tem no máximo o seu próprio voto. Não tem nem o da mulher, porque ela desconfia dele.  
ISTOÉ -
Por que os leilões do pré-sal e das rodovais não deram os resultados esperados? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
Não tem nada de misterioso acontecendo. Se o governo quer estradas de certa qualidade, ele precisa fazer leilões competentes, com editais transparentes. Leilão é coisa para profissional e não para amador. O governo estabeleceu a qualidade desejada? O mercado define a partir daí a taxa de retorno. O governo estabeleceu a taxa de retorno? Nesse caso, é o mercado que define a qualidade possível. Pelo caminho correto, você tem a menor tarifa para uma determinada qualidade. Pelo caminho que o governo segue, você tem a menor tarifa com a pior qualidade. Ou seja, não funciona.  
ISTOÉ -
O fracasso dos leilões não pode ter impactos negativos na economia? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
O sucesso dos leilões é fundamental porque é a primeira injeção na veia para aumentar a produtividade do sistema. Se eu melhoro a infraestrutura, o ganho de produtividade é espantoso. Digamos que, para chegar ao porto de Paranaguá, uma tonelada de soja gasta 500 quilos. Se eu melhorar a infraestrutura, uma tonelada de soja vai chegar ao mesmo destino com 900 quilos. Esses 400 quilos de diferença representam ganho líquido de produtividade para o sistema inteiro, simplesmente porque a infraestrutura melhorou.
 

ISTOÉ -
Parece simples de fazer, mas não se faz. Por quê? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
Porque o Brasil é dominado por corporações que têm seus interesses. Por que estão se criando tantos partidos? Simplesmente porque é um comércio, um negócio. Um partido é um negócio que recebe um fundo partidário. Por que se criam sindicatos todos os dias? Porque tem o fundo dos sindicatos. 
ISTOÉ -
Os interesses próprios resultam também no aparelhamento do Estado. 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
O aparelhamento do Estado existe há muito tempo. Não foi só o PT que aparelhou. O PSDB também. A diferença é que o PSDB aparelhava com companheiros de tertúlias. No PT, o aparelhamento é com o companheiro de passeata.  
ISTOÉ -
Um dia o Brasil será um país desenvolvido? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
Não tenho dúvida. O Brasil melhorou dramaticamente nos últimos anos. A Constituição de 1988 mudou tudo para melhor. A Constituição quer uma sociedade em que haja a maior igualdade de oportunidades. Significa que não importa se você foi produzido numa suíte presidencial ou meio por acaso, num sábado à noite, embaixo do Museu do Ipiranga e com os seus pais bêbados. Uma vez produzido, você é senhor de direitos. Não importa. Hoje, não há nenhum país emergente com instituições tão sólidas quanto o Brasil. A prova disso é o Supremo. 
ISTOÉ -
O Supremo trabalhou corretamente no julgamento do Mensalão? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
Quando eu vejo as pessoas ficarem tristes porque o Supremo está tentando fazer justiça, acho apavorante. O Supremo não existe para fazer vingança, mas para fazer justiça. O que aconteceu agora reafirma a minha convicção de que caminhamos para o fortalecimento das instituições.  
ISTOÉ -
A presidenta Dilma acertou ao cancelar a viagem oficial para os EUA depois das denúncias de espionagem?  
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
Seria muito desconfortável para a presidenta aceitar o convite de Obama. A espionagem diminuiu a nossa soberania. Com o cancelamento da visita, o Brasil mandou um recado claro: Ok, vocês são mais fortes, mas têm moral duvidosa. A força da moral às vezes é maior do que a força das armas.  
ISTOÉ -
Quem faz falta no Brasil de hoje em dia? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
O José Bonifácio (José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência), que estava muito acima de sua geração. Em 1824 ele queria dar instrução gratuita, acabar com a escravidão. Era um cientista, uma mente brilhante. Se o José Bonifácio tivesse sido levado a sério, o Brasil seria os EUA.
 

ISTOÉ -
O sr. era o terror da esquerda brasileira e depois se aproximou do PT. Que convicções foram deixadas para trás? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
A pretensão de saber. Antes, eu acreditava mais no meu conhecimento do que acredito hoje. Atualmente, sou um sujeito muito mais relativista. 
ISTOÉ -
Qual é o seu papel na construção do pensamento econômico brasileiro? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -
Nenhum. Fiz aquilo que me cabia fazer, com o conhecimento e o poder que tinha. Fiz coisas certas, fiz coisas equivocadas. 
ISTOÉ -
O sr. é um homem realizado? 
ANTÔNIO DELFIM NETTO -

Muito. Quando você tem sorte, nunca trabalha, porque faz o que gosta. Você vive. Eu tive uma sorte louca. 

(http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/327900_O+APOCALIPSE+NAO+ESTA+NA+ESQUINA+). 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Divórcio. A EC 66/2010 aboliu a separação judicial e excluiu discussão da culpa conjugal. TJCE.

Data: 01/10/2013

EC 66/2010. Divórcio. Abolição do anacrônico instituto da separação judicial e fim da discussão da culpa

 Relator:
 Tribunal TJCE



(...) Isso porque, no decorrer deste processo, foi promulgada a Emenda Constitucional n.º 66, de 13 de julho de 2010, que alterou a redação do artigo 226, §6º, da Carta Magna, simplificando e desburocratizando o divórcio no Brasil. Com efeito, suprimiu a figura da separação judicial e a conseqüente análise acerca da culpa para o desfazimento da união conjugal. A supracitada norma constitucional, revogadora do direito infraconstitucional, possui aplicação imediata, devendo, por força do artigo 462 do Código de Processo Civil, ser aplicada aos processos pendentes de separação judicial (...) Assim, diante do divórcio ser, nos dias de hoje, a única ação dissolutória do casamento, vez que o instituto da separação foi banido do sistema jurídico pátrio (...) (TJCE, Apelação Cível n°56283200780601751, Rel Des. Francisco Barbosa Filho, 5ª Câmara Cível, j. 11/02/2011).

(http://ibdfam.org.br/jurisprudencia/1930/EC%2066/2010.%20Div%C3%B3rcio.%20Aboli%C3%A7%C3%A3o%20do%20anacr%C3%B4nico%20instituto%20da%20separa%C3%A7%C3%A3o%20judicial%20e%20fim%20da%20discuss%C3%A3o%20da%20culpa). 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Tribunal de Justiça de Santa Catarina completa 122 anos de instalação

01/10/2013 15:51

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA COMPLETA 122 ANOS DE INSTALAÇÃO


   O Tribunal de Justiça de Santa Catarina completa nesta terça-feira, 1º de outubro de 2013, 122 anos de instalação. Criado após a elaboração das Constituições Federal e Estadual, para adaptação do país ao regime republicano, sua instalação, em 1º de outubro de 1891,  foi um acontecimento político-administrativo marcante para a história do Estado, pois completava-se, naquele momento, a estrutura tríplice de sustentação do sistema republicano.

   Em sua formação inicial, teve cinco desembargadores, nomeados entre os juízes mais antigos, mais um escrivão, um secretário e um oficial de justiça, além de 14 comarcas em todo o Estado. O primeiro presidente da instituição foi o desembargador José Roberto Vianna Guilhon. Atualmente, o Tribunal é composto de 60 desembargadores, e conta ainda com 30 juizes de direito de 2º Grau.
(http://app.tjsc.jus.br/noticias/listanoticia!viewNoticia.action?cdnoticia=28896).

Área de preservação permanente. Construção embargada. Edificação concluída. Demolição determinada. Sentença determinou demolição e recuperação da área. TJSC.

01/10/2013 17:05

DETERMINADA DEMOLIÇÃO DE EDIFÍCIO ERGUIDO EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE


   O juiz Rafael Brüning, titular da 2ª Vara Cível da comarca de Tijucas, proferiu sentença em que determinou a demolição de construção realizada sobre área de preservação permanente no município de Canelinha, que pertence àquela Comarca. A ação foi proposta pela promotora Ana Paula Cardoso Teixeira, representante do Ministério Público, em razão de uma autuação da polícia ambiental.

   À época, a edificação encontrava-se em construção. Com a instrução do feito, verificou-se que a estrutura distava apenas 10 metros de curso d’água integrante da bacia hidrográfica do Rio Tijucas, achando-se, portanto, sobre área de preservação permanente. Mesmo ciente da existência de embargo administrativo, o réu prosseguiu com a construção. Além da demolição, foi determinada também a recuperação ambiental da área degradada. 

(Autos 072.09.008343-3).
(http://app.tjsc.jus.br/noticias/listanoticia!viewNoticia.action?cdnoticia=28899).

Para acesso à Sentença clique:
Sentença - Procedência do pedido 

Juizado Especial Cível. Valor mínimo. Multa se limita ao mínimo. Execução da sentença. Multa e acessórios podem ultrapassar limite mínimo. STJ.

Postagem 01/out/2013... Atualização 26/mar/2016...

Segunda Seção afasta limite para execução de multa cominatória nos juizados especiais
30/09/2013 - 08h04 DECISÃO

Para a maioria dos ministros da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), não deve haver limitação de valor para cobrança da condenação e de seus consectários, como juros, correção e multa, no âmbito do juizado especial.

A decisão foi tomada no julgamento de reclamação apresentada pela Telefônica Brasil S/A, condenada a pagar indenização de danos morais, com juros e correção monetária, mais multa cominatória, a uma consumidora que teve seu nome inscrito indevidamente em órgãos de proteção ao crédito.

Seguindo o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, o colegiado entendeu que o juiz deve aplicar, no âmbito dos juizados especiais, os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, além de não se distanciar dos critérios da celeridade, simplicidade e equidade que norteiam esses juizados, mas sem limite ou teto para a cobrança do débito acrescido de multa e outros consectários.

Quase meio milhão

No caso, a consumidora teve seu pedido de antecipação de tutela deferido pelo juizado especial para determinar à Telefônica que retirasse as inscrições lançadas contra ela e se abstivesse de incluí-la novamente em cadastros de proteção ao crédito, sob pena de multa diária – as chamadas astreintes – no valor de R$ 400.

Posteriormente, a sentença condenou a empresa a pagar indenização de R$ 3.500, acrescidos de juros de mora de 1% a partir da citação e correção monetária a partir da data da decisão.

Em fase de cumprimento de sentença, a consumidora apresentou planilha de cálculo com o objetivo de receber R$ 471.519,99, valor que abrangia os danos morais, acrescidos de juros e correção monetária (R$ 5.333,32), a multa cominatória (R$ 387.600) e os honorários advocatícios (R$ 78.586,67).

O magistrado considerou a multa desproporcional e reduziu o seu valor, de ofício, para R$ 1 mil. A Oitava Turma Recursal Cível do Colégio Recursal de São Paulo, acolhendo recurso da consumidora, restabeleceu a multa diária fixada na decisão que antecipou os efeitos da tutela.

Limite

A Telefônica, então, entrou com reclamação no STJ, afirmando que a decisão ignorou a limitação da alçada dos juizados especiais cíveis, que é de 40 salários mínimos. Como esse é o limite para as causas nos juizados, também deveria valer para a execução da multa cominatória.

Além disso, sustentou que a decisão contraria a norma legal que considera necessária a proporcionalidade entre a obrigação principal e a pena cominatória.

Segundo a empresa, um débito inferior a R$ 200, que foi objeto de acordo de parcelamento, e danos morais fixados em R$ 3.500 não poderiam proporcionar vantagem de quase meio milhão de reais, “alcançados pela inércia da própria tutelada, que optou por aguardar até que o valor das astreintes atingisse cifra tão alta”.

Tema controvertido

Em seu voto, o ministro Luis Felipe Salomão destacou que a fixação do valor da multa cominatória por juizado especial é tema controvertido entre as Turmas de direito privado do STJ.

Segundo o ministro, a doutrina e a jurisprudência entendem que, na fixação da competência do juizado especial, o que importa é o valor da causa definido no momento da propositura da ação, cujo limite é de 40 salários mínimos, conforme estabelecido na Lei 9.099/95. No entanto, esse valor pode ser ultrapassado.

Isso acontece, acrescentou o ministro Salomão, em decorrência dos encargos inerentes à condenação, tais como juros e correção monetária, sendo que a incidência de tais encargos não alterará a competência para a execução, nem importará na renúncia aos acessórios da obrigação reconhecida pela sentença.

O relator afirmou que as astreintes e todos os consectários da condenação não são limitados pela barreira dos 40 salários mínimos. Entretanto, o prudente arbítrio do juiz é que não deve permitir que a multa e consectários ultrapassem excessivamente o teto do juizado especial.

Com base nessas considerações, e levando em conta as circunstâncias do caso julgado e o critério da proporcionalidade, a Segunda Seção fixou em R$ 30 mil o valor total da multa a ser paga pela Telefônica Brasil à consumidora. 

A notícia refere-se aos seguintes processos: Rcl 7861

(http://www.stj.jus.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=111500).


Ementa:

RECLAMAÇÃO. JUIZADOS ESPECIAIS. COMPETÊNCIA PARA EXECUTAR SEUS PRÓPRIOS JULGADOS. VALOR SUPERIOR A 40 SALÁRIOS  MÍNIMOS.
ASTREINTES. DESCUMPRIMENTO DE LIMINAR. REDUÇÃO DO QUANTUM DA MULTA DIÁRIA. RECLAMAÇÃO PARCIALMENTE PROCEDENTE.
1. Nos termos do artigo 3º, § 1º, I, da Lei n. 9099/2005, compete ao Juizado Especial a execução de seus julgados, inexistindo, no preceito legal, restrições ao valor executado, desde que, por ocasião da propositura da ação, tenha sido observado o valor de alçada (RMS 33.155/MA, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 29/08/2011) .
2. O fato de o valor executado ter atingido patamar superior a 40 (quarenta) salários mínimos, em razão de encargos inerentes à condenação, não descaracteriza a competência do Juizado Especial para a execução de seus julgados.
3. A multa cominatória prevista no art. 461, §§ 4º e 5º, do Código de Processo Civil não se revela como mais um bem jurídico em si mesmo perseguido pelo autor, ao lado da tutela específica a que faz jus. Sua fixação em caso de descumprimento de determinada obrigação de fazer tem por objetivo servir como meio coativo para o cumprimento da obrigação.
4. Dessa forma, deve o juiz aplicar, no âmbito dos juizados especiais, na análise do caso concreto, os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, além de não se distanciar dos critérios da celeridade, simplicidade e equidade que norteiam os juizados especiais, mas não há limite ou teto para a cobrança do débito acrescido da multa e outros consectários.
5. No caso concreto buscou-se, na fase de cumprimento de sentença, o recebimento de valor a título de astreintes no montante de R$ 387.600,00 (o que corresponde, em valores atualizados até a presente data e com juros de mora a R$ 707.910,38), quando o valor da condenação principal - danos morais - ficou em R$ 3.500,00.
6. Sopesando o fato de o valor fixado a título de astreintes revelar-se, na hipótese, desarrazoado ao gerar o enriquecimento sem causa, com a gravidade da conduta da reclamante ao manter o nome da autor em cadastro restritivo por mais de dois anos, sem justificativa razoável, o valor da multa deve ser reduzido para R$ 30.000,00 (trinta mil reais).
7. Reclamação parcialmente procedente.
(Rcl 7.861/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 11/09/2013, DJe 06/03/2014)



PF vai unir provas dos casos Alstom e Siemens (Flávio Ferreira e Outros)

30/09/2013 - 23h05

PF vai unir provas dos casos Alstom e Siemens


 
FLÁVIO FERREIRA
MÁRIO CÉSAR CARVALHO
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DE SÃO PAULO

A Justiça Federal em São Paulo autorizou a Polícia Federal a usar as provas do caso da multinacional francesa Alstom no inquérito que apura o suposto pagamento de propinas pela companhia alemã Siemens e outras 18 empresas que teriam formado cartéis em licitações de trens no Estado de São Paulo entre 1998 e 2008.

A medida foi pedida à Justiça pelo delegado da PF Milton Fornazari, que é o responsável pelos inquéritos da Alstom e da Siemens.

Em seu requerimento ao Judiciário, o delegado afirmou que o esquema de atuação dos suspeitos identificados no inquérito da Alstom é "similar" ao investigado na apuração da Siemens, "qual seja, a simulação de prestação de serviços com empresas offshores e de fachada para o pagamento de vantagens indevidas para servidores públicos do Estado de São Paulo".

Para justificar seu pedido à Justiça, Fornazari ainda relatou que no inquérito da Alstom há quebra de sigilo bancário e fiscal de investigados e empresas "que podem ter participado de vantagens indevidas nas licitações do Metrô de São Paulo entre 1998 e 2009".

O objetivo do inquérito sobre a Alstom, aberto em 2008, é o de investigar negócios da multinacional francesa com empresas do setor elétrico e de transporte controladas pelo governo estadual.

A PF entregou um relatório final desse caso em agosto de 2012. Um ano depois, o procurador da República Rodrigo De Grandis decidiu que o inquérito necessitava de novas diligências e pediu que a Justiça determinasse que a Receita Federal e o Banco Central enviassem dados sobre eventuais contas dos indiciados no exterior. A Procuradoria também solicitou informações ao governo da França sobre dois executivos da Alstom que teriam orientado o pagamento das propinas no Brasil.

Em seguida, o delegado da PF Milton Fornazari pediu à Justiça autorização para usar as provas do caso Alstom no inquérito referente aos cartéis delatados pela Siemens.
As medidas foram autorizadas pela Justiça Federal em São Paulo no final de agosto.

Entre os indiciados pela PF estão os consultores Romeu Pinto Júnior, Jorge Fagali Neto, Geraldo Villas Boas e Sabino Indelicato.

Reportagem da Folha revelou nesta segunda-feira (30) que as empresas de consultoria comandadas por esses indiciados receberam R$ 52 milhões de empresas acusadas de fraude nas licitações de trens no Estado.

As consultorias foram identificadas pela primeira vez no inquérito da Alstom.
Neste ano, a PF ampliou o foco das investigações para empresas denunciadas pela Siemens ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) como participantes do um cartel que combinou o resultado das várias concorrências do Metrô e da CPTM entre 1998 e 2008.

De acordo com a PF, que examinou a movimentação financeira de quatro consultorias sob suspeita, elas receberam repasses da Alstom e de duas outras empresas acusadas de participar do cartel, a canadense Bombardier e a brasileira Tejofran.

(PF vai unir provas dos casos Alstom e Siemens (Flávio Ferreira e Outros)).