Acessos

quarta-feira, 6 de março de 2013

Alienação parental. Indícios. Guarda de Filha. Justiça decidiu sobre guarda determinou que pais e filha se submetam a tratamento psiquiátrico ou psicológico por dois anos


Por indícios de alienação parental, genitores e filha deverão se submeter a tratamento terapêutico


(Foto meramente ilustrativa)
A 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou sentença de 1º Grau, proferida pela Juíza de Direito Michele Soares Wouters, da Comarca de Uruguaiana, que determinou a ex-companheiros e à filha deles que se submetam a tratamento psiquiátrico ou psicológico por, pelo menos, dois anos, devido a indícios de alienação parental.
Caso

O pai ajuizou ação pleiteando substituição de guarda, redução de alimentos e regulamentação das visitas. Conforme o parecer do Ministério Público, o apelo de troca de guarda da criança sequer deveria ser apreciado, dadas as acusações recíprocas e animosidade entre os genitores. O litígio instaurado não terá fim se as partes não se conscientizarem dos prejuízos emocionais causados à filha, solução que certamente se obterá com mais rapidez se ocorrer acompanhamento profissional especializado.

Ainda, segundo o MP, o depoimento da menina aponta fortes indícios de alienação parental, uma vez que ela negou ter ‘apanhado de relho ou de laço’ da atual esposa do pai, e que foi a mãe que pediu que ela dissesse isso.
A sentença de 1° Grau determinou o tratamento para os pais e a filha.
Recurso
A genitora apelou ao TJRS, alegando ser descabida a imposição de tratamento psicológico ou psiquiátrico para ela e para a filha, assim como a redução dos alimentos devidos pelo pai à garota.
Em seu voto, o relator, Desembargador Rui Portanova, deferiu apenas o pedido da apelante referente à pensão. Ele considerou que não foi comprovada qualquer redução na renda do pai e que a resolução da questão patrimonial (partilha) entre os litigantes, no momento da dissolução da união estável, não guarda relação direta entre os alimentos devidos pelo pai à filha, tendo sido tratados de forma independente.
Com relação ao tratamento psicológico ou psiquiátrico, o relator afirmou que em função dos malefícios que estão sendo causados à menor pelos genitores, é recomendado o companhamento terapêutico, sob pena de violação do melhor interesse da criança.
Acompanharam o voto do relator os Desembargadores Luiz Felipe Brasil Santos e Ricardo Moreira Lins Pastl.
A decisão transitou em julgado no último dia 04/02.

EXPEDIENTETexto: Janine Souza
Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend
imprensa@tj.rs.gov.br
 

Publicação em 28/02/2013 12:41
Inteiro Teor: doc  html

terça-feira, 5 de março de 2013

Julgamento do Tribunal do Júri de Mizael será transmitido por TV e rádio

Julgamento de Mizael será transmitido por TV e rádio

Atualizado: 05/03/2013 02:07 | Por TIAGO DANTAS, WILLIAM CARDOSO, estadao.com.br

Julgamento de Mizael será transmitido por TV e rádio

Para juiz, transmissão pode diminuir pressão popular sobre os jurados; promotor e advogado concordam com medida

Julgamento de Mizael será transmitido por TV e rádio
"Ex-PM é acusado de matar Mércia Nakashima"

A Justiça paulista vai permitir pela primeira vez na história a transmissão ao vivo de um júri por emissoras de televisão. A partir de segunda-feira, o público de todo o País poderá acompanhar o julgamento do advogado e policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza, acusado de matar a ex-namorada, Mércia Nakashima, em maio de 2010. 

Autor da ideia, o juiz Leandro Bittencourt Cano, do Tribunal do Júri de Guarulhos, acredita que a transmissão pode ajudar a tornar o procedimento mais imparcial e evitar que algumas pessoas fiquem na frente do fórum. O quarteirão do prédio será interditado. "Minha preocupação é a imparcialidade do jurado, que ele não chegue aqui com uma ideia predefinida. O fato de estar todo mundo acompanhando, vendo as provas e a parte técnica do júri, pode ajudar."

Acusação e defesa concordaram com a proposta do juiz. Empresas de TV, rádio e internet montaram um grupo para decidir como as imagens serão produzidas e distribuídas. Os jurados não poderão ser filmados. O juiz também pretende evitar a superexposição do réu.
O promotor Rodrigo Merli Antunes afirmou que é favorável à transmissão. "As sessões e julgamentos são públicos e qualquer pessoa deveria poder acompanhar. Por questões físicas, isso não é possível (não cabe todo mundo no plenário), então nada melhor que todos terem a oportunidade de acompanhar pela TV."

Advogado do ex-PM, Samir Haddad afirmou que, no início, tinha receio de que a transmissão pela TV prejudicasse o julgamento. "A gente temia porque poderia influenciar os jurados, viraria um Corinthians e Palmeiras em rede nacional", disse. Mas ele mudou de opinião e vê, hoje, aspectos positivos. "(O julgamento) Será um marco, o 'big brother' do Judiciário."

veja mais:

Desabamento de Obra. Delegado examina possibilidade de indiciamento de engenheiros por homicídio doloso

Engenheiros podem ser indiciados por homicídio doloso

Atualizado: 05/03/2013 08:35 | Por AE, estadao.com.br

Engenheiros podem ser indiciados por homicídio doloso

O delegado José Sampaio Lopes Filho afirmou ontem que pode indiciar por homicídio doloso (com intenção de matar)...

O delegado José Sampaio Lopes Filho afirmou ontem que pode indiciar por homicídio doloso (com intenção de matar) os responsáveis pela obra que desabou e causou a morte do auxiliar de limpeza Marco Antonio dos Santos, de 51 anos, na quinta-feira, na Liberdade, região central de São Paulo. Segundo o titular do 1.º DP (Sé), o inquérito será encerrado até sexta-feira.

Lopes Filho disse ontem que ainda depende dos laudos e de documentos que serão apresentados pela Prefeitura para saber qual a responsabilidade de quem tocava a obra nos últimos meses. O imóvel, construído nos anos 1930, passava por uma transformação e serviria, no futuro, como um estacionamento.
"Estamos investigando tudo e não descarto indiciar os responsáveis por homicídio doloso", disse. O delegado José Sampaio Lopes Filho afirmou que não poderia dar mais detalhes sobre a investigação para não atrapalhar o andamento do inquérito.

Na sexta-feira, o engenheiro civil Carlos Eduardo Lopes de Oliveira prestou depoimento e disse ser o responsável técnico pela obra. Para a polícia, Oliveira afirmou que vazamentos na rede de água e esgoto poderiam ser a causa do desabamento. "Já havia algum indício, tanto é que temos vários protocolos na companhia concessionária pedindo para verificar, todos eles registrados."

A Sabesp negou enfaticamente que vazamentos possam ter sido a causa do acidente e considerou "irresponsáveis" as declarações de Oliveira, a quem pretende acionar judicialmente. "É absurdo relacionar o desabamento de um prédio com um eventual vazamento de uma rede de 5 cm de raio", disse, em nota.
No sábado, uma empresa de demolição contratada pela construtora derrubou o que restava da obra, a pedido da Prefeitura, que temia novos acidentes no local.

Depoimentos
Os depoimentos previstos para ontem foram adiados - apenas um policial militar passou pela delegacia, mas não deu informações relevantes para o caso, segundo os investigadores.
Hoje serão ouvidos os bombeiros que estiveram no local do desabamento, fiscais da Prefeitura e a vendedora Deusa Machado dos Santos, de 38 anos, que se feriu após a queda de parte da marquise do imóvel no dia 15 de fevereiro. O proprietário da obra será ouvido na sexta-feira, segundo o delegado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Danos morais. Banco indenizará vítima de falsário que utilizou seus documentos, obteve Cartão de Crédito do qual resultou negativação


LUDIBRIADO POR ESTELIONATÁRIO, BANCO AGORA TERÁ QUE RESSARCIR CONSUMIDORA

    04/03/2013 16:23Listar notíciasConsultar notíciasEnviar esta notícia por e-mailVisualizar a notícia anterior Visualizar a próxima notícia

   A 1ª Câmara de Direito Civil do TJ manteve decisão de 1º grau que condenou instituição financeira por negativar o nome de uma consumidora que jamais solicitou, obteve ou fez uso de cartão de crédito que deu origem a dívida cobrada pelo banco.

   Segundo os autos, um terceiro foi responsável pelo uso indevido do nome da mulher, a partir da falta de controle da agência bancária ao abrir a conta e disponibilizar os cartões. A instituição terá de ressarcir a mulher em R$ 33 mil – somatório atualizado de valores de indenização e por litigância de má-fé.

   “O banco não operou com a cautela necessária na abertura do crédito”, resumiu a desembargadora substituta Denise Volpato, relatora da apelação. A decisão foi por unanimidade de votos (Ap. Cív. n. 2013.002250-1).

(http://app.tjsc.jus.br/noticias/listanoticia!viewNoticia.action?cdnoticia=27495). 

Acórdão Clique para visualizar o DocumentoInteiro teor   

segunda-feira, 4 de março de 2013

Dias: impeachment do Gurgel vem aí (Paulo Henrique Amorim) | Conversa Afiada

Dias: impeachment do Gurgel vem aí | Conversa Afiada

Publicado em 04/03/2013

DIAS: IMPEACHMENT
DO GURGEL VEM AÍ

Malemolente, ele está há dois anos com uma investigação sobre Roseana. Contra o PT ele é mais rápido.


Saiu na “Rosa os Ventos”, de Mauricio Dias, na Carta que, esta semana, tratou do Eduardo Campos para quem, aparentemente, “quanto melhor, pior“: 

IMPEACHMENT DE GURGEL I



Ganhará vida, nos próximos dias, ação de impeachment do procurador Geral, Roberto Gurgel.

Aderson de Carvalho Lago Filho, primo do ex-governador Jackson Lago, protocalará o pedido no Senado, com o relato de três ações contra a governadora Roseana Sarney, do Maranhão.

Sobre elas Gurgel sentou-se com o seu volumoso peso.  

Em 18 de fevereiro, Aderson encaminhou ao próprio Gurgel uma representação “por crime de responsabilidade” contra o procurador-geral. Ele anexou espelhos da “movimentação processual”. Melhor traduzindo: “paralisação processual”.

Gurgel, por exemplo, abafa noticia-crime contra Roseana desde julho de 2010.


IMPEACHMENT DE GURGEL II



Há uma aberração nessa história onde se pede a cassação de Roseana.

O relator foi o advogado Arnaldo Versiani. Gurgel segurou o processo até a conclusão do mandato de Versiani. Após isso redistribui o caso que “caiu” no colo da ministra Luciana Lóssio.

Luciana foi advogado de Sarney por oito longos anos.

O ex-presidente da República, gentil homem, compareceu à posse dela no dia 26 de fevereiro.


IMPEACHMENT DE GURGEL III



Outro caso expressivo dessa, digamos, malemolência de Gurgel é o recurso, de novembro de 2011, contra a “expedição de diploma” de posse a Roseana.

A relatoria coube à vice-procuradora Sandra Cureau.

Cureau já tinha a decisão quase pronta. Foi surpreendida, porém, pela redistribuição do caso que, por coincidência, passou às mãos do procurador-geral.

E, assim já se passaram quase dois anos.


domingo, 3 de março de 2013

O palhaço blogueiro (Luiz Antônio Araujo)

Artigo O palhaço blogueiro


Artigo\ O palhaço blogueiro

03 de março de 20130
Criador do M5S, Beppe Grillo é um cômico politizado pela crise do euro
LUIZ ANTÔNIO ARAUJO*

Aconteceu na Itália há apenas uma semana: um movimento organizado há pouco mais de três anos, sem plataforma política e sem sede, liderado por um ex-comediante e que teve como principal ferramenta de campanha um blog na internet obteve 8,7 milhões de votos na eleição parlamentar.

No Brasil, esse total equivaleria a mais de 20 milhões de votos, superiores à votação de Marina Silva no primeiro turno da eleição presidencial de 2010. Vale lembrar que Marina era uma personalidade internacionalmente reconhecida quando decidiu concorrer à Presidência. Do ponto de vista dos efeitos políticos, a diferença é que, pelo sistema presidencialista brasileiro, os 19,6 milhões de votos de Marina resultaram em uma observação na ata da Justiça Eleitoral: "Não eleita". No sistema italiano, parlamentarista, os 8,7 milhões de votos elegeram a maior bancada partidária na Câmara e quase um quinto do Senado.

O Movimento Cinco Estrelas (ou M5S, sigla em italiano que toma emprestada a grafia usada nas redes sociais) tornou-se a terceira força política da Itália, capaz de se tornar o fiel da balança na formação de um futuro governo. Até o momento, o grupo recusou a aproximação com qualquer uma das forças no parlamento, criando um impasse que pode levar à convocação de novas eleições.

Criador do M5S, Beppe Grillo é um cômico politizado pela crise do euro. Num ambiente marcado pela indignação, especialmente entre a juventude, ele reserva um tratamento agressivo aos políticos tradicionais, num tom a meio caminho entre a sátira e a demagogia. Esculhamba o ex-comunista Luigi Bersani ("está fora da história e não se deu conta"), o direitista Silvio Berlusconi ("cadáver ambulante") e o atual primeiro-ministro, Mario Monti ("Rigor Mortis", referência à postura rígida). Chama os partidos de "câncer da democracia". Durante a campanha, propôs uma reforma do sistema eleitoral, com adoção da representação proporcional direta, estímulo à geração limpa de energia e internet para todos. O verdadeiramente escandaloso, para os observadores europeus, é seu intento de convocar um plebiscito para decidir sobre a permanência da Itália no bloco econômico europeu.

Artistas e comediantes tornaram-se fenômenos midiáticos no passado ao disputar _ às vezes, com algum sucesso _ cargos eleitorais na Europa. Agora, imagine Coluche, o comediante francês, levando até o fim a ideia de se candidatar à presidência da França em 1980 e obtendo os 16% de votos que lhe eram atribuídos por algumas pesquisas. Ou Cicciolina, a atriz pornô italiana que se tornou deputada, liderando a maior bancada da Câmara.

O que há de verdadeiramente novo no M5S é o fato de que, pela primeira vez numa eleição europeia, um movimento organizado via internet obtém um resultado capaz de desequilibrar o balanço de poder. O logotipo do M5S reproduz o endereço eletrônico do blog de Grillo (www.beppegrillo.it). O blog, por sua vez, contém um pedido de doações eletrônicas para o movimento, com o objetivo de arrecadar 1 milhão de euros. Antes da eleição, a revista Forbes chegou a considerá-lo o sétimo blogueiro mais importante do mundo. Seus partidários, em sua maioria jovens _ uma das deputadas eleitas pelo movimento tem 25 anos _, foram apelidados pela imprensa de grillini (grilinhos).

Para quem vê no grilismo uma nuvem passageira, a eleição para a prefeitura de Parma, em abril do ano passado, serve de alerta. Nessa rica cidade de 188 mil habitantes, tradicionalmente governada pela direita, o M5S obteve sua primeira vitória eleitoral expressiva. A administração local foi tomada pela patuleia _ uma horda de professores, donas de casa, estudantes, funcionários públicos e desempregados cuja experiência administrativa não vai muito além de equilibrar o orçamento doméstico.

Os resultados da nova Suprema Corte do Reino Unido (Vladimir Passos de Freitas)


3
março2013
SEGUNDA LEITURA

Os resultados da nova Suprema Corte do Reino Unido



O Reino Unido é uma monarquia constitucional  da qual fazem parte a Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte, 14 territórios ultramarinos e, ainda, exerce sua influência sobre diversos pequenos países, localizados em ilhas e no passado por ele dominados, como Trinidad Tobago no Caribe, que no conjunto formam uma confederação (Commonwealth).
No passado, o chamado Império Britânico chegou a dominar boa parte do mundo, levando seu sistema de governo e de Justiça a países tão diferentes como Índia, Quênia, Guiana e Estados Unidos. Neles, o sistema judicial baseia-se na Common Law, que nas palavras de René David “é uma regra que visa dar solução a um processo e não formular uma regra geral de conduta para o futuro” (Os grandes sistemas do Direto Contemporâneo, Martins Fontes, p. 19).
O Reino Unido não tem Constituição escrita, como os Estados Unidos e o Brasil. Todavia, possui uma Constituição não-escrita, histórica e flexível. Nas palavras de Rafael da Silva, “as Constituições não-escritas, por sua vez, não se baseiam em um único documento escrito, mas em um conjunto de atos emanados pelo Parlamento, assim como pelos costumes e convenções fixadas ao longo da história” (em A Nova Corte Suprema do Reino Unido e o Controle da Constitucionalidade).
Nele não havia uma Suprema Corte nos moldes como conhecemos. Os conflitos, em última instância, eram decididos pelo Comitê de Apelações da Câmara dos Lordes, ou seja, pelo Parlamento. Os poucos parlamentares com poder jurisdicional tinham comprovada experiência em funções judiciárias. Mas, um Tribunal dentro do Legislativo gerava desconfiança.
Tal motivo levou a que se criasse, no ano de 2005, através do Ato de Reforma Constitucional, a Suprema Corte do Reino Unido (UKSC). Todavia, ela só foi instalada  em outubro de 2009, face às inúmeras providências necessárias. Entre elas, a escolha e adaptação do edifício que a abriga, edificado em 1913 no Middlesex Guildhall, próximo ao Parlamento e à Abadia de Westminster, estrategicamente no centro histórico de poder.
A Corte é composta por 12 Justices, aproveitados da Câmara dos Lordes, onde exerciam funções jurisdicionais. Seus sucessores são nomeados através de um complexo processo, sendo que o último deles, Justice Robert Carnwath, nomeado em abril de 2012, pertencia a um Tribunal de Apelação.
A UKSC pouco semelhança tem com o nosso STF. A começar  pelo número de processos. Enquanto no Brasil milhares de ações originárias ou em grau de recurso  chegam ao Supremo, na Corte do Reino Unido, de 1º de abril 2011 a 31 de março de 2012 foram recebidas apenas 249 apelações, julgadas 64,  rejeitadas 156 e cinco tiveram decisões diversas (The Supreme Court Anual Report and Accounts, 2011-2012, p. 22).
A apelação é interposta perante o Tribunal de origem e, se não admitida, permite-se à parte formular requerimento à UKSC. As custas situam-se ente 800 e 1.000 libras, ou seja, em torno de R$ 2.400,00 a R$ 3.000,00.   A tramitação dos recursos não está prevista em lei processual, rege-se pela The Supreme Court Rules 2009.
A UKSC tem missão, valores e objetivos bem definidos. A missão é assegurar o cumprimento justo e efetivo das regras de Direito e a administração da Justiça. Quanto aos valores, elegem a imparcialidade, transparência, profissionalismo, responsabilidade, eficiência, acessibilidade e influência. Os objetivos estratégicos são oito, sendo o primeiro deles manter a independência de seus juízes, de forma que eles estejam protegidos, no seu trabalho, de pressões externas. O sexto chama a atenção. Coloca como prioridade manter a diversidade dos servidores da Corte, que representem jurisdições de todo o Reino Unido.
A jurisdição da Corte baseia-se em casos de grande interesse público. O impacto de suas decisões não se destina apenas às partes envolvidas, mas sim a toda a sociedade que, direta ou indiretamente, é afetada por elas. Ela recebe apelações da Inglaterra, País de Gales, Irlanda do Norte e Escócia ― deste país excluídas as criminais.
Além de conhecer das apelações que preencham tais requisitos, a UKSC tem um relevante papel na análise da compatibilidade de sua legislação com as regras (Diretivas) emitidas pela União Europeia e a Convenção Europeia de Direitos Humanos. Neste particular ela representa uma autêntica Corte Constitucional.
Ressalte-se que o Ato Constitucional que criou a UKSC determina que suas regras sejam simples e expressas com clareza, tornando a Corte rápida e eficiente. A discussão de aspectos processuais é desestimulada. Recebida a apelação, marca-se a sessão, podendo as partes sugerir, de comum acordo, quanto tempo levará o julgamento. Normalmente, eles duram dois dias.  A Corte não julga às sextas-feiras, dia destinado  ao  preparo de novos casos. Os Justices sentam-se em uma mesa reta, defronte aos advogados. Eles decidem usualmente em Turmas de cinco, que podem aumentar para sete ou nove julgadores em casos mais complexos.
Como resultado do pequeno número de recursos conhecidos, a Corte Suprema tem apenas 42 funcionários. Cada Justice tem uma secretária e um assistente. A remuneração dos servidores varia, sendo o menor de cerca de R$ 1.250 e o maior de R$ 27.500, vencimentos estes do Diretor-Geral (Chief Executive). A preocupação com o meio ambiente é exteriorizada na economia de recursos naturais. Os gastos de energia elétrica são controlados por estatísticas e diminuíram 33% no período 2010-2011. Recentemente, foram instalados detectores nos gabinetes dos Justices e o ar condicionado só liga quando alguém entra no gabinete.
Junto à Suprema Corte funciona um órgão denominado Judicial Committee of the Privy Council – JCPC, que é a última instância para os recursos dos Tribunais Ultramarinos e países da Confederação. Dele fazem parte dez Justices da Suprema Corte. As apelações para a JCPC só são recebidas se houver permissão na Constituição do país de origem ou se o Tribunal que julgou a admitir. De 1º de janeiro de 2011 a 31 de março de 2012 foram recebidas 49 apelações e  32 foram julgadas (Annual Report, p. 31). Vejamos um caso decidido pelo JCPC.
Max Tido, natural das Bahamas foi acusado de matar, em 30 de abril de 2002,  Donnell Conover, uma adolescente de 16 anos. Donnel teria sido persuadida, através de um telefonema, a sair de sua casa, à 1h20 da madrugada, sendo horas depois assassinada. O telefonema havia sido dado de um restaurante e Max foi identificado como seu autor. Além disso, ele tinha maus antecedentes. Tal fato influenciou a decisão do juiz, que o condenou à pena de morte.
Julgando o caso, o JCPC decidiu que a pena de morte só se justifica em casos extremos, que causem revolta, e que seja evidente e impossibilidade de recuperação do acusado. No caso, o assassinato foi considerado terrível, mas não havia provas de ter sido planejado, nem que tivesse  sido praticado com violência incomum. Por tal motivo a JCPC deu provimento ao recurso, para que os autos fossem a novo julgamento na Suprema Corte das Bahamas, recomendando que em casos de pena de morte o réu fosse submetido a exame psiquiátrico.
Esta é uma visão panorâmica da UKSC e do JCPC do Reino Unido, órgãos que tendem a consolidar sua importância ao longo do tempo, influenciando a jurisprudência de outros países, tal qual ocorre hoje com a Suprema Corte norte-americana.
Vladimir Passos de Freitas é desembargador federal aposentado do TRF 4ª Região, onde foi presidente, e professor doutor de Direito Ambiental da PUC-PR.
Revista Consultor Jurídico, 3 de março de 2013

Presidente sírio se diz disposto a falar com a oposição

Presidente sírio se diz disposto a falar com a oposição - Mundo - Correio Braziliense


Presidente sírio se diz disposto a falar com a oposiçãoApesar da trégua, Bashar al-Assad excluiu possibilidade de deixar o poder


Publicação: 03/03/2013 08:49 Atualização: 03/03/2013 09:08

Entrevista foi concedida ao jornal Sunday Times deste domingo (SANA)
Entrevista foi concedida ao jornal Sunday Times deste domingo
O presidente sírio Bashar al-Assad se declarou disposto a negociar co a oposição não-armada, mas excluiu deixar o poder, em entrevista ao jornal Sunday Times deste domingo.


"Nós estamos prontos a negociar com todo o mundo e com os militantes que depuserem as armas", garantiu Bashar al-Assad na entrevista concedida na semana passada em sua residência em Damasco. "Nós podemos começar um diálogo com a oposição, mas não vamos dialogar com os terroristas", enfatizou.



No final de fevereiro, em uma visita a Moscou, seu ministro das Relações Exteriores, Walid al-Mouallem, afirmou pela primeira vez que o diálogo com os rebeldes armados poderia acabar com o conflito que já matou, segundo a ONU, mais de 70.000 pessoas em dois anos.



Mas os rebeldes rejeitaram qualquer negociação antes da demissão do chefe de Estado. Uma possibilidade que o presidente sírio mais uma vez negou veementemente. "Nenhum patriota pode pensar em viver em desonra em seu país. Eu sou como todos os patriotas sírios", afirmou. Deixar o poder não resolverá a crise, acrescentou.



"Se este argumento fosse correto, minha partida colocaria fim aos confrontos. Isso é obviamente absurdo, como testemunha os recentes acontecimentos na Líbia, no Iêmen e no Egito", esclareceu. Ele também acusou o governo britânico de querer armar os "terroristas" da Síria, como se refere aos rebeldes.


"Como podemos esperar que a violência se reduza quando querem enviar equipamentos militares ao terroristas, sem tentar facilitar o diálogo entre os sírios", questionou o presidente.



"Para ser franco, a Grã-Bretanha teve um papel claramente não construtivo em vários assuntos. E isto durante décadas, durante séculos, dirijam alguns. Eu falo da percepção que temos em nossa região", assinalou.



"O problema com este governo é que sua retórica vaga e imatura não faz senão enfatizar esta tradição de hegemonia agressiva", acrescentou.



O governo do primeiro-ministro britânico David Cameron se declarou a favor de aumentar a ajuda aos rebeldes sírios e de uma suspensão do embargo da União Europeia sobre as armas.






Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia decidiram em meados de fevereiro prolongar o regime de sanções contra a Síria e autorizar um apoio maior à oposição, mas sem se pronunciar sobre a suspensão do embargo sobre as armas.



Na entrevista ao Sunday Times, Bashar Al Assad afirma ainda que Londres não tem direito de desempenhar um papel construtivo na crise síria. "Não esperamos que um piromaníaco seja bombeiro", ironizou.



Na véspera, a ONU se declarou disposta a facilitar um diálogo entre o governo e a oposição da Síria, de acordo com um comunicado conjunto do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e o mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, emitida depois de uma reunião na Suíça.



"As Nações Unidas acolherão calorosamente e estão dispostas a facilitar um diálogo entre uma delegação sólida e representativa da oposição e uma delegação que conte com plenos poderes do governo sírio, diálogo que poderá ser realizado segundo uma agenda estabelecida", indicaram os dois funcionários.

sexta-feira, 1 de março de 2013

STF retoma projeto que pode acabar com privilégios de magistrados

STF retoma projeto que pode acabar com privilégios de magistrados - Política - Correio Braziliense

STF retoma projeto que pode acabar com privilégios de magistrados
Depois de anos de silêncio, o Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a trabalhar a redação de uma nova Lei Orgânica da Magistratura

Agência Brasil
Publicação: 01/03/2013 18:32 Atualização: 01/03/2013 20:25

Brasília – Depois de anos de silêncio, o Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a trabalhar a redação de uma nova Lei Orgânica da Magistratura. A atual está em vigor desde desde 1979. O presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, instituiu comissão para deliberar sobre o anteprojeto que deverá ser enviado ao Legislativo.

O assunto incomoda juízes, pois o Congresso pode revogar prerrogativas consolidadas ao longo de décadas. Entre esses privilégios, estão as férias de 60 dias e aposentadoria remunerada como máxima punição administrativa.

A comissão criada por Barbosa será presidida pelo ministro Gilmar Mendes, e ainda terá os ministros Ricardo Lewandowski e Luiz Fux. O grupo deve apresentar o rascunho de um anteprojeto de lei em até 90 dias.


Não é a primeira vez que o Supremo cria comissão para analisar o assunto, mas os resultados nunca saíram do gabinete da presidência. Em 2012, perguntado sobre a demora para encaminhar o texto, o então presidente Cezar Peluso disse: “Vou enviar se me deixarem enviar”.

De acordo como STF, a nova comissão deve recuperar o que foi debatido no Tribunal com a finalidade consolidar, atualizar e propor adaptações à minuta já redigida. A Lei Orgânica atual é anterior à Constituição de 1988 e à criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2004, e, por isso, muitos pontos precisam ser atualizados.

A última vez que o assunto ganhou projeção, no Supremo, foi no julgamento dos poderes de investigação do CNJ, em 2012. A falta de uma norma atualizada permitiu o entendimento que o CNJ pode decidir como investigar desvios cometidos por magistrados.

Feminicídio (Márcia Tiburi)

Revista Cult » Feminicídio

Feminicídio

A filósofa Marcia Tiburi escreve sobre o ódio ao outro como questão de gênero, em sua coluna publicada na CULT 176

Cena do filme Anticristo (2009), de Lars Von Trier (Foto: Reprodução)
MARCIA TIBURI
Anticristo, o polêmico filme de Lars Von Trier de 2009, conta a história de uma mulher que sofre pela morte acidental do filho pequeno. A opção do diretor dinamarquês parece ser a de investir na mítica culpa feminina estabelecendo um elo entre o desejo sexual irrefreável da personagem – caracterizada como quase ninfomaníaca – e o acidente que vitima a criança. O conflito entre a mulher e a mãe talvez esteja no fundo obscuro do filme. Mas isso é o que menos importa diante de um elemento mais curioso e politicamente mais perigoso.
Trata-se do fato de que a personagem interpretada pela atriz Charlotte Gainsbourg é uma estudiosa do que se chama de “feminicídio”, do qual ela mesma será vítima. Ela morre ao final, depois de ter mutilado o marido e ter se automutilado sexualmente, como se seus corpos desejantes devessem ser punidos de um crime. Mas, obedecendo à realidade, ela é que é morta e queimada pelo marido diante de sua casa. A morte por incineração é comum como crime doméstico em alguns países. O que o filme nos diz é que o destino das mulheres é padecer sob a culpa até sua eliminação como papel queimado.
Marcadas para morrer
Feminicídio é um termo cada vez mais corrente entre nós. Usado há séculos para falar do assassinato de mulheres, ele foi retomado em termos críticos há poucas décadas por uma teórica feminista inglesa chamada Diana Russell, que percebeu o significado misógino deste tipo de assassinato. Fala-se de feminicídio desde então para referir-se ao assassinato de uma pessoa por ela ser “mulher”.
A pergunta simples que é preciso fazer nesta hora envolve entender o elemento absurdo que a constitui: por que alguém seria morta apenas por sua condição de mulher? Ou, na via do assassino, por que alguém mataria outrem pelo fato de que este outro seja “mulher”? Podemos nos perguntar o que há de crime ou pecado, de ofensa ou de erro em ser “mulher”? Qual o teor desse ódio?
Não há discussão sincera sobre este tema que não seja obrigada a lutar contra o cinismo de respostas como a que dá Lars Von Trier em seu filme exemplar: a culpa é das próprias mulheres. O preço a ser pago para a portadora da culpa é a morte. O argumento da culpa feminina é usado por assassinos, estupradores e praticantes de violência contra mulheres em geral. O algoz se defende quando a opinião pública o questiona dizendo que “ela estava querendo”, que “ela sabia o que iria acontecer”. Os estupradores autorizam-se a estuprar e até matar porque a “outra” não se “portou” como “devia”. Casos exemplares em nossa época não podem ser esquecidos: o da jovem indiana morta em dezembro do ano passado e das garotas estupradas pela banda New Hit, na Bahia.
Assim como genocídio é o termo usado para falar do assassinato étnico, feminicídio é o termo usado para falar de assassinato de mulheres motivados pelo fato de que sejam mulheres. É como se as mulheres estivessem desde sempre marcadas culturalmente por seu “sexo”, como disse Simone de Beauvoir, mas neste caso, mais ainda, é preciso ver que marcadas para morrer por conta deste “sexo” com que são marcadas culturalmente.
Sob a prática patriarcal oculta-se mais do que o absurdo do suposto “motivo para os homens”. A autorização soberana dos homens contra as mulheres é a característica do Patriarcado: o poder total na mão dos homens apenas porque são homens. O patriarcado é uma espécie de ordenamento fundamentalista, simbólico, político, econômico e jurídico, que implica que homens possam fazer o que quiserem com mulheres e nem serem culpados por seus atos. O rebaixamento das mulheres em qualquer campo é  a ponta do iceberg do assassinato de antemão autorizado e sempre possível.
O patriarcado tratará como anomalia tudo o que se coloca contra a sua ordem. Daí a antipatia que tantos têm pela coragem feminista: ela representa a contraparte soberana que assusta porque ameaça mostrar o jogo sujo das relações de gênero a que as mulheres estão submetidas.