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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Israel planejou atacar o Irã em 2010 (Carta Capital)

Israel planejou atacar o Irã em 2010


Israel planejou atacar o Irã em 2010

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, em reunião ministerial no dia 8. Ele montou a Comissão Levy. Foto: Uriel Sinai / AFP
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, em reunião ministerial no dia 8. Ele montou a Comissão Levy. Foto: Uriel Sinai / AFP
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou que as tropas militares do país se preparassem para um ataque contra as instalações nucleares do Irã em 2010. A informação é do jornal britânico The Guardian, que cita um documentário televisivo sobre o assunto a ser exibido nesta segunda-feira 5. A ação também teve a participação do ministro da Defesa, Ehud Barak.
A decisão foi tomada após uma reunião de Netanyahu com ministros e oficiais do governo. No encontro, o premiê e Barak decidiram aumentar o nível de prontidão das forças militares para “P Plus”. Este seria um código a indicar uma ação militar eminente.
A ordem, no entanto, não progrediu devido à forte resistência de chefes-chave da segurança, como o comandante do Mossad, Meir Dagan. Segundo o Guardian, o Dagan teria dito que Netanyahu e Barak estavam “apenas tentando forjar uma guerra”. “Vocês provavelmente vão cometer uma decisão ilegal de provocar uma guerra. Apenas o governo está autorizado a decidir isso.”
O chefe do exercito Gabi Ashkenazi teria dito ainda que ao elevar o status de prontidão das forças militares, um ataque seria inevitável. Desde então, Dagan e Ashkenazi se afastaram de seus cargos e têm manifestado oposição aos ataques até que todas as abordagens diplomáticas e sancionarias sejam utilizadas.O Irã nega que seu programa nuclear tenha fins militares.
Em entrevista ao documentário, Barak negou que a ordem não tenha se materializados devido à oposição sofrida. Segundo ele, o exercito não tinha a capacidade operacional necessária para a ação. “O chefe de comando [do exército] deve montar a capacidade operacional, deve nos dizer de um ponto de vista profissional se é possível levar em frente uma ordem, ou se não é possível. Ele também pode, e deve, dar sua recomendação. Mas pode a ação pode ser levada a cabo contra sua recomendação.”

Uma democracia parada no tempo (Luiz Carlos Bresser Pereira)


Uma democracia parada no tempo


"Mitt Romney é o representante perfeito do regime político conservador e neoliberal que dominou os EUA e, a partir de lá, grande parte do mundo, exceto os países asiáticos dinâmicos desde o final dos anos 1970", escreve Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 05-11-2012.
Segundo ele, "A democracia americana é hoje dominada pelo dinheiro. As campanhas eleitorais têm custos astronômicos. Aqui, embora ainda não tenhamos financiamento público das campanhas como têm os europeus, elas são mais baratas graças principalmente ao horário gratuito na televisão e no rádio. Aqui o povo já sabe pensar ideologicamente, como ficou demonstrado no primeiro turno das eleições de São Paulo".
Eis o artigo.
Amanhã acontecem eleições nos EUA. Espero que Obama seja reeleito, porque fez um bom governo e é um candidato muito melhor para o povo que seu oponente. Mas, por incrível que possa parecer, esse resultado não está assegurado.

Por que incrível? Porque Mitt Romney é o representante perfeito do regime político conservador e neoliberal que dominou os EUA e, a partir de lá, grande parte do mundo, exceto os países asiáticos dinâmicos desde o final dos anos 1970.

Entre 1979 e 2008, os Trinta Anos Neoliberais do Capitalismo foram um período de políticas e de reformas econômicas radicais que reduziram as taxas de crescimento em comparação aos Trinta Anos Dourados anteriores, aumentaram as desigualdades e multiplicaram as crises financeiras, estas coroadas pela crise global de 2008 e pela longa recessão que até hoje os países ricos experimentam.

Romney está associado a tudo isso de forma direta e clara: é o candidato dos rentistas e financistas que foram dominantes no período.

Como é possível, então, que o povo americano não veja isso? Como é possível que as pesquisas continuem indefinidas?

Há muitas explicações, mas, neste breve espaço, me limitarei à que me parece principal: a democracia americana parou no tempo, hoje é uma democracia de segunda classe quando comparada aos demais países ricos e se apresenta mal quando comparada à brasileira.

Não estarei exagerando? Afinal, os EUA sempre se apresentaram e sempre foram vistos como o exemplo de democracia. E, no passado, o foram. Mas desde o pós-Guerra as democracias europeias avançaram e se tornaram superiores. E desde os anos 1980 uma democracia como a brasileira também avançou e, não obstante seus problemas, apresenta hoje uma qualidade provavelmente melhor do que a americana.

A democracia americana é hoje dominada pelo dinheiro. As campanhas eleitorais têm custos astronômicos. Aqui, embora ainda não tenhamos financiamento público das campanhas como têm os europeus, elas são mais baratas graças principalmente ao horário gratuito na televisão e no rádio. Aqui o povo já sabe pensar ideologicamente, como ficou demonstrado no primeiro turno das eleições de São Paulo.

Depois de um candidato vazio ideologicamente passar toda a campanha à frente nas pesquisas, na última semana houve uma reviravolta, e os dois candidatos que faziam sentido, representando a esquerda e a direita, passaram à frente.

Uma democracia é tanto melhor quanto melhor o povo sabe votar. Quando vota em termos de programas e da qualidade pessoal dos candidatos. Nas eleições de amanhã, o presidente Obama representa uma segurança de bom governo para a grande maioria dos eleitores -para os pobres e para a classe média.

Mas estes se deixam enganar com argumentos como, por exemplo, o de que os males do país vêm de ter Obamasocorrido os bancos no auge da crise à custa dos pobres que pagam impostos. Quando argumentos absurdos como esse prosperam, é sinal de que os eleitores estão confusos, e que a democracia é fraca. Tomara que isso que digo seja menos verdade amanhã.

domingo, 4 de novembro de 2012

Collor diz estar comprovado que procuradores vazaram dados sigilosos para 'Veja' (Jussara Seixas)

http://olhosdosertao.blogspot.com.br/2012/11/collor-diz-estar-comprovado-que.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter



DOMINGO, 4 DE NOVEMBRO DE 2012

Collor diz estar comprovado que procuradores vazaram dados sigilosos para 'Veja'


VEJA MAIS
Fernando Collor volta a defender depoimento de jornalista da ‘Veja’ à CPI do Cachoeira Collor acusa procuradores de vazar informações sigilosas para a revista 'Veja' Em discurso nesta terça-feira (30), o senador Fernando Collor (PTB-AL) voltou a acusar jornalista da revista ‘Veja’ de terem ligações estreitas com a quadrilha comandada por Carlinhos Cachoeira. 
 
O senador também disse que já está comprovado que membros do Ministério Público Federal (MPF) vazaram informações sigilosas dos inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo para a publicação, que classificou como “folhetim semanal”. - Não há mais dúvidas de que são verdadeiras as informações sobre vazamento de inquéritos que corriam em segredo de justiça – afirmou Collor. Segundo Collor, o jornalista Policarpo Junior, “o grão vizir da chumbetagem da revista Veja”, é um empregado de Carlinhos Cachoeira. Juntos com outros funcionários da revista, disse Collor, Policarpo fornecia à quadrilha de Cachoeira “toda espécie de serviços e informações” e recebia parte dos lucros da organização. - Esse fato, inclusive, é fartamente demonstrado nos diálogos das inúmeras interceptações telefônicas em que Policarpo Junior aparece como um dos interlocutores - lembrou. Para o senador, será “fora de propósito” se os profissionais da revista envolvidos com a quadrilha não forem convocados para depor na CPI do Cachoeira. Ele disse apoiar a prorrogação dos trabalhos da CPI mista para ampliar as investigações. Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)Blog da Dilma

sábado, 3 de novembro de 2012

O retrato da nova família (Tamara Menezes, Reportagem)


N° Edição:  2241 |  19.Out.12 - 21:00 |  Atualizado em 03.Nov.12 - 10:53

O retrato da nova família

Censo mostra como a ampliação da participação feminina no mercado de trabalho, a maior expectativa de vida e as facilidades para se divorciar mudam a cara da sociedade brasileira

Tamara Menezes
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TENDÊNCIA 
Herriot e Rosana são um exemplo da nova organização familiar: estão no 
segundo casamento, não oficializaram a união e as filhas dela moram com eles
A gerente comercial Rosana Fonseca, 50 anos, e o analista de sistemas Herriot Carvalho Filho, 51 anos, se reen­contraram numa festa depois de três décadas, em 2008. Namorados na adolescência, seguiram caminhos diferentes, casaram com outras pessoas, tiveram dois filhos cada, e se separaram. Menos de um ano após o reencontro, já estavam dividindo a casa. A família veio pronta: as duas filhas de Rosana moram com eles e os dois de Herriot, que vivem com a mãe, se juntam ao grupo em fins de semana. Segundo o censo de 2010, divulgado na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Herriot e Rosana fazem parte de um contingente de 4,4 milhões de lares compostos por pessoas que se separaram anteriormente ou ficaram viúvas. Também estão entre os 36,4% dos casais que não oficializaram a união nem no civil nem no religioso. Assim, como as meninas integram o grupo de 2,5 milhões de enteados que vivem com padrastos ou madrastas. 


Os dados mostram como a sociedade brasileira está se organizando de forma muito parecida com a europeia e a americana. Basta ver como aumentou o número de pessoas que vivem sozinhas, os registros civis de casamentos homoafetivos, os divórcios, as mulheres chefes de família, além da queda intensa na fecundidade, fenômeno observado em todas as regiões brasileiras, independentemente de raça ou nível econômico (leia quadro). É o novo retrato do País.
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“Todo mundo se dá bem. As filhas da Rosana, mais novas, trocam experiência com os meus filhos, que já estão na faculdade”, atesta Herriot, que se considera pai de todos. Essa é a primeira vez que o IBGE aferiu a categoria “famílias reconstituídas”, que incluem enteados e novos arranjos. O filme “Os seus, os meus, os nossos” (1968) é citado por especialistas como referência – a trama retrata uma família americana com filhos de uniões anteriores. O que já acontecia nos Estados Unidos e na Europa nos anos 1970 virou tendência aqui e a nova realidade requer jogo de cintura de todos. “A convivência com enteados quase sempre é conflituosa porque reúne pessoas com costumes diferentes”, diz a psicóloga e especialista em psicopedagogia Andreia Calçada. “Mas com flexibilidade, todos podem conviver.”


O segundo (ou terceiro) casamento aumentou na medida em que cresceram o divórcio – quase duplicou em uma década – e, igualmente, a expectativa de vida. “Há nuances que só agora são capturadas. Os recasamentos e as uniões não oficializadas geram impactos que serão sentidos a curto e longo prazos”, afirma a socióloga Clara Araújo, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Segundo ela, alterações recentes na legislação, como divórcio simplificado e regulamentação da união estável, facilitaram a reconfiguração das famílias.
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As formas diferentes de organizar a casa e a família também estão ligadas à maior participação da mulher no mercado de trabalho. Mulheres no comando dos lares já são 32,2%, contra 22,2% dez anos antes. “Isso reflete uma novidade do ponto de vista cultural”, acredita Gilson de Matos, estatístico do IBGE. As despesas da casa agora são compartilhadas entre os moradores em 34,5% dos domicílios. E aumentam os casais sem filhos que agora chegam a 20,2% do total. “A taxa de fecundidade menor mostra que mais gente decidiu não ter ou postergar a gravidez para, primeiro, se firmar profissionalmente”, avalia Matos.
Fora do casal tradicional, as mulheres são maioria em vários critérios: na criação de filhos sem parceiro, na opção de morar só e no número de relacionamentos homoafetivos (53,8%). Confirmando a expectativa de vida maior para elas, há mais viúvas. As idosas com 65 anos ou mais são a parcela mais expressiva das residências onde vive apenas uma pessoa, que totalizam 6,9 milhões de lares. Essa forma de viver, que implica mais gastos e mais vulnerabilidade, alcança 12,1% dos imóveis pesquisados, em sintonia com o que acontece em países desenvolvidos. Na Europa, a média é de 27,7% das residências ocupadas por apenas uma pessoa. Mais uma faceta da nova sociedade brasileira. 
Foto: Masao Goto Filho/ag. Isto É
Fonte: IBGE
Do Portal Istoé: (http://www.istoe.com.br/reportagens/247220_O+RETRATO+DA+NOVA+FAMILIA). Acesso em: 03/nov/2012.

Comissão do novo CPC começa a debater relatório


30/10/2012 09:11

Comissão do novo CPC começa hoje a debater relatório

Arquivo/Brizza Cavalcante
Fabio Trad
Trad: cada reunião abordará uma parte específica da proposta.
A comissão especial do novo Código de Processo Civil (CPC - PL 8046/10) começa hoje a discutir orelatório do deputado Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA). Serão realizadas outras cinco reuniões, amanhã e nos dias 1º, 6, 7 e 8 de novembro. A data da votação ainda não foi definida.

Hoje e amanhã a reunião ocorre às 14h30. Na quinta-feira (1º) será às 9h30. Sempre no Plenário 13.
O início da análise do texto estava marcado para a última terça-feira (16), mas a reunião não ocorreu porque os parlamentares pediram mais tempo para estudar o parecer.
De acordo com o presidente do colegiado, deputado Fabio Trad (PMDB-MS), cada reunião vai abordar uma parte específica da proposta. “Vamos fazer o debate por partes, primeiro os princípios gerais, depois o processo de conhecimento, e assim por diante”, esclareceu.
O cronograma também levou em consideração a possibilidade de o atual relator perder o mandato no dia 9 de novembro. Barradas Carneiro é suplente e perderá a vaga com o retorno do titular. Se isso ocorrer, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) reassumirá a relatoria do projeto. Na opinião do presidente da comissão, não haverá ruptura: “O Paulo Teixeira já se comprometeu em preservar o relatório”.
Alterações
O projeto do novo CPC foi criado por uma comissão de juristas e aprovado pelo Senado em 2010. Na Câmara, o texto sofreu várias alterações defendidas pelos cinco relatores parciais e por Barradas Carneiro.
Na parte geral, foi incluída a normatização do processo eletrônico. No processo de conhecimento, houve mudanças na produção de provas. Em relação à execução, o texto passou a permitir a penhora de parte dos salários para quitar dívidas e a inscrição dos devedores em cadastros de proteção ao crédito. Alguns procedimentos especiais extintos pelo texto do Senado foram recuperados pela Câmara, que também criou um rito específico para as ações de família. Quanto aos recursos, o procedimento para apelar da sentença sofreu alterações, com o objetivo de agilizar o processo.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Carol Siqueira
Edição – Marcelo Oliveira

Mito desfeito (Paulo Moreira Leite)

Mito desfeito


Mito desfeito


O mais novo mito das eleições municipais de 2012 informa que tivemos um alto número de brancos, nulos e abstenções. Até a presidente do TSE, Carmen Lucia, se disse preocupada com isso.
Como também tivemos um alto número de votos a favor dos candidatos do PT — partido que mais cresceu entre os grandes, tornou-se lider nacional de votos, além de levar o troféu maior que é São Paulo —  é fácil imaginar que há muita gente associando uma coisa a outra. Assim: baixa participação popular, alta votação para o partido de Lula. Nós sabemos aonde essa turma quer chegar, certo?
Querem dizer que a população está se cansando de votar.
E, claro, querem dizer que certas vitórias do PT não foram representativas. Como, por exemplo, a de Fernando Haddad.
Ainda bem que existem repórteres interessados em descobrir a verdade por baixo das aparências e do senso comum. Roldão Arruda revela, no Estado de hoje, que o problema não está na vontade de votar — mas no registro eleitoral.
Em cidades onde o cadastro eleitoral não é atualizado, a contabilidade das  ausências produz números maiores. Uma consulta a votação nas capitais mostra isso. Em São Paulo e São Luiz, onde o cadastro não é atualizado há mais de 20 anos, a abstenção bateu em 20% entre os paulistanos e chegou a 22% entre os moradores da capital do Maranhão.
Já em Curitiba, onde o cadastro foi feito há um ano, a abstenção fica em 10%. Os cadastros velhos mantém como eleitores aqueles cidadãos que já morreram, que se mudaram, que já não tem obrigação de votar. “Se todos os eleitores forem recadastrados, a abstenção tende a cair para 10%, soma razoável de pessoas doentes, que viajaram ou que tem mais de 70 anos e não querem mais votar,”afirma Jairo Nicolau, um dos mais respeitados estudiosos do comportamento do eleitor.
A má interpretação dos abstenções animou a turma que combate o voto obrigatório e prentende instituir o voto facultativo.
Há bons argumentos a favor de uma coisa ou de outra mas é bom lembrar que a distribuição de renda favorece o voto facultativo.
Ou seja: nos países onde o voto é facultativo, há uma proporção maior de ricos que comparecem às urnas, por motivos fáceis de explicar. A  pessoa tem  mais recursos, mais tempo livre, mais facilidades de locomoção, mais facilidade para deixar o trabalho e exercer o direito de escolher o governante.
Imagine o voto facultativo no interior de um estado pobre, dominado por nossos coronéis. Bastaria suspender o transporte nos bairros adversários para se ganhar uma eleicão, não é mesmo? Como lembra um leitor: imagine aquele cidadão que não tem folga aos domingos, tradicional dia de eleição, e só poderá escolher o presidente se o chefe lhe der licença. Bacana, né?

Ex-presos políticos paraguaios repudiam repatriação do corpo do ex-ditador, e pedem punição às autoridades do antigo regime

Ex-presos políticos paraguaios repudiam repatriação de ex-ditador - Mundo - Correio Braziliense


Ex-presos políticos paraguaios repudiam repatriação de ex-ditador



Publicação: 03/11/2012 08:49 Atualização:


Assunção - Centenas de vítimas da ditadura paraguaia de Alfredo Stroessner (1954-19889) protestaram na sexta-feira à noite contra a repatriação do corpo do ex-governante, sepultado em Brasília, e pediram a punição das autoridades do antigo regime acusadas de crimes contra a humanidade.

Com cartazes com frases como "Nunca mais Stroessner" e "Ditadura nunca mais", ex-presos políticos paraguaios se reuniram diante do Panteão Nacional dos Heróis para criticar a anunciada repatriação por familiares do falecido ditador.

A família informou que ainda não existe uma data para concretizar a repatriação, pois ainda são necessários trâmites no Brasil.

Organizações de defesa dos direitos humanos calculam que quase 500 pessoas foram assassinadas durante a ditadura e 3.000 são consideradas desaparecidas. Além disso, 20.000 pessoas partiram para o exílio.

Após a queda de seu governo em fevereiro de 1989, Alfredo Stroessner pediu asilo no Brasil, onde faleceu em 16 de agosto de 2006.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Principais mudanças do projeto de novo CPC: um novo Código e não um Código reformado (Fredie Didier Jr., Editorial 156)

Editorial 156 | Fredie Didier Jr.



Editorial 156

Principais mudanças do projeto de novo CPC: um novo Código e não um Código reformado

O processo legislativo de elaboração de um novo CPC está chegando à sua fase final. Nas próximas duas semanas, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados deverá concluir a análise e a votação do relatório-geral apresentado pelo deputado Sérgio Barradas Carneiro.
Alunos, amigos e colegas de profissão me têm perguntado sobre se o novo CPC será muito diferente do CPC/1973, ou se o caso é de apenas mais uma grande lei reformadora.


Torno público o que tenho dito a todos eles: aprovado o projeto nos termos em que foi apresentado pelo relator-geral, teremos um novo sistema jurídico processual.
Como não é possível, neste curto espaço, apresentar todas as mudanças, resolvi apontar vinte e seis novidades – o número se explica pela quantidade de letras do alfabeto, pois ao menos mais duas dúzias poderiam ser citadas. Todas elas não possuem equivalente no CPC/1973.



a) o projeto concretiza o dever de consulta, manifestação do contraditório substancial: o juiz não pode decidir com base em questão a respeito da qual as partes não tiveram a oportunidade de manifestar-se;



b) pela primeira vez, o Código disciplinará, exaustivamente, a cooperação jurídica internacional, com inúmeras novidades, tais como as regras sobre a conhecida figura do auxílio direto e a facilitação da execução de decisões estrangeiras no Brasil;



c) o projeto cuida exaustivamente da mediação e da conciliação, naquilo que será a primeira lei a disciplinar o assunto, em consonância com a Resolução n. 125/2010 do CNJ; o projeto cria um procedimento comum único, em que a tentativa de autocomposição é etapa preliminar à apresentação da defesa. Pode-se dizer, inclusive, que o projeto cria o princípio de tratamento adequado à solução dos conflitos, com nítido pendor pela autocomposição;



d) prevê-se o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, suprindo uma lacuna antiga do nosso sistema: embora a desconsideração da personalidade jurídica seja permitida há anos, ainda não possuíamos o tratamento processual do tema, com a previsão expressa, por exemplo, do contraditório e da desconsideração inversa;



e) cria parâmetros gerais para a intervenção do amicus curiae: pela primeira vez, teremos uma disciplina geral para a participação do amicus curiae, em qualquer processo relevante, em qualquer instância, com a definição dos pressupostos para a sua intervenção;



f) também de maneira inédita, teremos um exaustivo regramento do uso dos precedentes judicias. Uma seção será criada para disciplinar a eficácia do precedente, esclarecendo os seus efeitos, quem se submete a eles, como interpretá-los e como revogá-los; consagra-se, ainda, o direito à distinção. Este é um dos pontos altos do projeto e uma de suas mais importantes inovações;



g) consagra-se a possibilidade de distribuição dinâmica do ônus da prova, técnica consagrada pela doutrina e pela jurisprudência brasileiras, esclarecendo-se quais são os seus pressupostos;



h) apresentam-se as bases normativas gerais do processo eletrônico, com os princípios e regras que devem ser observados para a concretização de um devido processo legal eletrônico, impondo-se, ainda, a regra geral de comunicações eletrônicas;



i) cria-se o incidente de resolução de demandas repetitivas, importante instrumento para a tutela jurisdicional adequada dos conflitos de massa;



j) reestrutura-se o sistema recursal, com disciplina mais exaustiva dos recursos extraordinários (fungibilidade entre eles, concessão de efeito suspensivo e profundidade do efeito devolutivo, por exemplo) e dos embargos de declaração (ampliação das hipóteses de cabimento), além da previsão de interposição da apelação diretamente no tribunal. Eliminam-se os embargos infringentes e, em seu lugar, cria-se uma técnica de julgamento da apelação e do agravo, para os casos em que haja voto divergente, que simplifica sobremaneira o procedimento recursal;



k) permite-se expressamente o julgamento fracionado do mérito, com a aptidão para a coisa julgada material;



l) admite-se, preenchidos certos pressupostos, a penhora de verbas alimentares;



m) regula-se, com minúcia, a concessão do direito à gratuidade da justiça, aprimorando um sistema vigente há sessenta anos: simplificação do procedimento, possibilidade de concessão parcial e de parcelamento, esclarecimento de dúvidas recursais etc.;



n) unifica-se o regime jurídico de concessão de tutela fundada em cognição sumária, impedindo discussões estéreis sobre a distinção entre tutela antecipada cautelar e tutela antecipada satisfativa;



o) o projeto proíbe expressamente casos conhecidos de decisão sem motivação: por exemplo, reputa não fundamentada a decisão que não examina fundamento suscitado pela parte que, uma vez acolhido, poderia levar a decisão diferente;



p) aprimora os conhecidos e utilizados procedimentos da execução de alimentos (inicia-se com a prisão em regime semiaberto, com segregação dos presos comuns), ação monitória (ampliada), dissolução parcial da sociedade e possessórias (inclusive as ações possessórias envolvendo conflitos coletivos, tema sensível, jamais regulado em lei);



q) cria o procedimento especial da ação inibitória e da ação de remoção do ilícito, adequado para a tutela dos novos direitos (direitos sem conteúdo patrimonial e os direitos intelectuais);



r) disciplina a alegação da convenção de arbitragem: cria-se uma alegação avulsa da convenção de arbitragem, como forma de proteger o sigilo, comum nestes casos;



s) o Código prevê novos acordos processuais típicos, como a escolha consensual do perito, a escolha de terceiro para apresentar avaliação imparcial e o acordo de saneamento;



t) traz, também, novas cláusulas gerais processuais, sem precedente na história de nosso direito processual: boa-fé processual, cooperação e autorregramento processual (liberdade das partes para a celebração de negócios processuais atípicos);



u) possibilidade expressa do protesto da sentença inadimplida, como meio de coerção indireta;



v) disciplina mais ampla e clara da rejeição liminar do pedido: decisão que, antes de citar o réu, já julga improcedente o pedido;



w) possibilidade de conversão da ação individual em ação coletiva: em alguns casos, o juiz pode converter o processo individual em processo coletivo;



x) estabelece-se o dever geral de prevenção, impedindo que o órgão jurisdicional deixe de examinar uma postulação defeituosa, sem que antes tenha dado a oportunidade de a parte corrigir o defeito;



y) a revisão do procedimento da interdição, com a ampliação da legitimidade ativa, a criação de regras de proteção do interditando e a disciplina da eficácia retroativa da sentença de interdição;



z) permite-se genericamente a produção antecipada de prova independentemente da urgência, consagrando o direito autônomo à prova.



Enfim, como pode o leitor perceber, são inúmeras e profundas mudanças.
Isso sem falar na contagem de prazo apenas em dias úteis, a previsão da sucumbência recursal, a disciplina mais exaustiva dos honorários advocatícios, a possibilidade de inscrição do executado em cadastro de proteção de crédito, a harmonização do Código com as regras do Código Civil, a criação de capítulos próprios dedicados à Defensoria Pública e à Advocacia Pública, figuras esquecidas pelo CPC/1973, a reestruturação da intervenção do Ministério Público como fiscal da ordem jurídica etc. etc. etc.
A versão do relatório-geral do deputado Sérgio Barradas Carneiro pode ser encontrada facilmente na rede mundial de computadores.



Em 24.10.2012.
 Fredie Didier Jr.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Jeito petista de governar é copiado por 65 países

entranço de vice-versa: Jeito petista de governar é copiado por 65 países:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Jeito petista de governar é copiado por 65 países

A estimativa é que 65 países já tenham se inspirado em ideias brasileiras, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida

19 de dezembro de 2011 | 3h 04
LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, lançou na última semana seu mais novo programa social, o Misión Hijos de Venezuela, em que famílias pobres irão receber o equivalente a US$ 100 mensais para manter até três filhos na escola. A semelhança com o Bolsa Família brasileiro não é apenas coincidência.
Chávez, assim como outros presidentes dos dois lados do oceano Atlântico, tem contado com o apoio do governo brasileiro para criar suas próprias versões dos programas sociais criados no Brasil.
Estima-se dentro do governo que 65 países usem algum dos programas brasileiros. Prestes a enfrentar sua terceira tentativa de reeleição, possivelmente a mais dura delas, Chávez aposta justamente nesses programas com viés popular para atrair de volta parte da população pobre que se afastou de seu projeto bolivariano.
Além da Misión Hijos de Venezuela, Chávez implantou uma versão local do Minha Casa, Minha Vida, o Gran Misión Viviendas, sua tentativa de resolver o crônico problema de moradias no país, especialmente na capital, Caracas.
Essa cópia detalhada do projeto brasileiro vai da urbanização das favelas até a forma dos contratos de financiamento, e conta com uma ajuda de peso: a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Maria Fernanda Coelho vai ao país uma vez por mês dar assessoria técnica aos venezuelanos. Ela atende a um pedido do próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar de recente, o Minha Casa, Minha Vida já entrou na pauta de cooperação externa do Brasil. Hoje há seis países africanos e latino-americanos que recebem ajuda brasileira para implantá-lo. Um deles é a Nicarágua, onde Daniel Ortega também enfrentou uma dura reeleição este ano. Seu chanceler, Samuel Santos, esteve no Brasil em julho tratando justamente dos projetos de cooperação.
"O Brasil é visto hoje como um laboratório de políticas sociais, tanto pelos países que vêm pedir cooperação como pelos desenvolvidos, que nos pedem para fazer mais projetos", justifica o presidente da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), embaixador Marcos Farani. "Temos hoje projetos de cooperação com 65 países. Eu diria que em todos existe algum programa social."
O próprio governo brasileiro oferece aos vizinhos e aos africanos suas experiências sociais. O Segundo Tempo, do Ministério dos Esportes, recentemente alvo de denúncias que mostraram o programa como um duto para desvio de dinheiro através de organizações não-governamentais de fachada, virou estrela das propostas de cooperação esportiva. O programa já foi iniciado em cinco países - entre eles Angola e Moçambique - e há outras propostas aguardando a resposta brasileira.
Transferência de renda. Um dos projetos mais pedidos é o fiador de boa parte da popularidade de Lula, o Bolsa Família. De acordo com Farani, os programas do Ministério do Desenvolvimento Social, com ênfase na transferência de renda para famílias pobres, só perdem para os da Agricultura, que vão desde o desenvolvimento de tecnologias pela Embrapa até os de compra local, passando por financiamento de agricultura familiar e alternativas para o produção de biocombustíveis.
Atualmente, pelo menos 14 países copiam ou planejam copiar o Bolsa Família. A procura pelo programa, no entanto, tem arrefecido. As dificuldades de implantação do projeto muitas vezes assustam os possíveis candidatos a "Lulas" locais. A promessa de popularidade nem sempre compensa os problemas que surgem.
"Não é fácil implantá-lo", explica Farani. "O Bolsa Família necessita não apenas de recursos financeiros, mas de uma estrutura. É um processo complexo, exige uma enorme capilaridade para atender os beneficiários, exige uma rede bancária eficiente. Eles querem entender, mas nem sempre vão adiante."
Investimento. Normalmente, o lado brasileiro da cooperação não custa muito. São apenas os recursos para enviar e manter técnicos no país que recebe o projeto. No caso do Gran Misión Vivienda, na Venezuela, a projeção é de pouco menos de US$ 270 mil.
Há casos, no entanto, em que o Brasil participa mais ativamente. Em Moçambique e Angola, a criação do Pintando a Liberdade - projeto do Ministério do Esporte em que presos fabricam material esportivo - contou com a doação de matéria-prima por empresas brasileiras.
Outro projeto ao qual o ex-presidente Lula dava muita atenção, o dos biocombustíveis, também teve mais investimentos brasileiros. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foi a responsável por estudos de viabilidade em pelo menos 12 países latino-americanos e africanos.

Camponeses paraguaios se acorrentam em protesto contra Franco...

Camponeses paraguaios se acorrentam em protesto contra Franco | Jornal Correio do Brasil


Camponeses paraguaios se acorrentam em protesto contra Franco

1/11/2012 18:08, 
No Paraguai, camponeses do distrito de Ñacunday, do departamento Alto Paraná, amanheceram nesta quinta-feira (1º), acorrentados nas cercas, em frente ao Congresso, em protesto contra o Governo e os legisladores por não atenderem suas demandas de terra.
Os camponeses pertencem à denominada Comissão Santa Luzia e quase 80 deles estão acampados há 24 dias na Praça de Armas, junto ao Parlamento, pedindo a expropriação das terras que, segundo denunciam, o empresário Tranqüilo Favero mantém ilegalmente em seu poder.
Durante as últimas semanas, estão no local acompanhados de suas mulheres e filhos, vivendo em condições difíceis em várias barracas e, inclusive, com vários deles em greve de fome, mas não conseguiram a atenção das autoridades governamentais ou congressionais.
O dirigente destes grupos, Federico Ayala, informou que, há quatro dias, perderam o acesso a sanitários próximos e se alimentam mal com o obtido pela caridade pública.
Na realidade, os manifestantes fazem parte de milhares de “carperos”, como se chama popularmente os camponeses sem terra que passam anos vivendo em barracas, situados nas proximidades do latifúndio de Favero, em Ñacunday, reivindicando sem sucesso a expropriação estatal desses terrenos.
Favero, de acordo com o assinalado por advogados que defendem os camponeses, mantém milhares de hectares de terra em seu poder, com a cumplicidade de juízes e fiscais, e inclusive se negou a vender uma parte delas ao Estado para distribuir aos camponeses.
Em várias ocasiões aconteceu a entrada em seus terrenos de grupos de sem terras para tentar forçar uma solução, mas imediatamente a promotoria e a polícia fizeram a desocupação.
Fonte: Prensa Latina